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Ação na Justiça questiona parecer que autoriza venda da Sabesp

Repro­du­ção: © Rove­na Rosa/Agência Bra­sil

Parlamentares de São Paulo entendem que processo tem irregularidades


Publi­ca­do em 07/12/2023 — 01:00 Por Agên­cia Bra­sil — São Pau­lo

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Uma Ação Civil Públi­ca, movi­da por depu­ta­dos e vere­a­do­res do PT em São Pau­lo, ques­ti­o­na na Jus­ti­ça o pare­cer que auto­ri­za a ven­da da Com­pa­nhia de Sane­a­men­to Bási­co do Esta­do de São Pau­lo (Sabesp). O pro­ces­so pede a nuli­da­de do con­tra­to fir­ma­do entre o gover­no esta­du­al e a Inter­na­ti­o­nal Finan­ce Cor­po­ra­ti­on (IFC), ins­ti­tui­ção mem­bro do Gru­po Ban­co Mun­di­al, que foi res­pon­sá­vel pelo estu­do téc­ni­co que deu pare­cer favo­rá­vel à deses­ta­ti­za­ção da com­pa­nhia.

Nes­ta quar­ta-fei­ra (6), o Pro­je­to de Lei 1.501/2023, enca­mi­nha­do pelo gover­na­dor Tar­cí­sio de Frei­tas para que o Exe­cu­ti­vo pos­sa nego­ci­ar sua par­ti­ci­pa­ção aci­o­ná­ria na com­pa­nhia, foi apro­va­do pela Assem­bleia Legis­la­ti­va do Esta­do de São Pau­lo (Alesp). Foram 62 votos favo­rá­veis e um voto con­trá­rio. Todos os depu­ta­dos de opo­si­ção se reti­ra­ram do ple­ná­rio e não par­ti­ci­pa­ram da vota­ção. O par­la­men­to pau­lis­ta tem 94 mem­bros.

A vota­ção che­gou a ser sus­pen­sa por pro­tes­tos na gale­ria do ple­ná­rio, que ter­mi­nou sen­do esva­zi­a­da. De acor­do com a asses­so­ria de comu­ni­ca­ção da Alesp, isso ocor­reu “após uma par­te dos mani­fes­tan­tes com­pro­me­ter a segu­ran­ça e entrar em con­fron­to com a Polí­cia Mili­tar”. A dis­cus­são da pro­pos­ta foi reto­ma­da em segui­da.

Os auto­res da denún­cia na Jus­ti­ça são o depu­ta­do fede­ral Kiko Cele­guim (PT-SP), o depu­ta­do esta­du­al Mau­ri­ci (PT) e o vere­a­dor da capi­tal pau­lis­ta Hélio Rodri­gues (PT). Mau­ri­ci expli­ca que, entre os pon­tos ques­ti­o­na­dos, está a ine­xi­gi­bi­li­da­de de lici­ta­ção por notó­ria espe­ci­a­li­za­ção.

“O BNDES [Ban­co Naci­o­nal de Desen­vol­vi­men­to Econô­mi­co e Soci­al] con­tra­tou recen­te­men­te estu­dos seme­lhan­tes para ava­li­ar os bene­fí­ci­os de uma even­tu­al deses­ta­ti­za­ção de empre­sas de Minas Gerais, de Ser­gi­pe, do pró­prio Rio de Janei­ro. Con­tra­tou por lici­ta­ção públi­ca. E vári­as empre­sas, dife­ren­tes empre­sas ganha­ram lici­ta­ções, inclu­si­ve algu­mas bra­si­lei­ras”, com­pa­ra o depu­ta­do esta­du­al.

A con­tra­ta­ção da IFC envol­ve três fases. “A pri­mei­ra fase, que deve­ria ser um estu­do para falar dos bene­fí­ci­os para a soci­e­da­de e para o esta­do da pri­va­ti­za­ção, cus­ta­ria 20% do con­tra­to, ou seja, R$ 8 milhões. Essa fase já foi fei­ta”, expli­ca Mau­ri­ci. Segun­do ele, a IFC ter­cei­ri­zou a aná­li­se, que foi fei­ta por uma empre­sa do mer­ca­do finan­cei­ro. “Se você con­tra­ta alguém por­que essa pes­soa tem notó­ria espe­ci­a­li­za­ção, como é que ela ter­cei­ri­za para outro?”.

A ação ques­ti­o­na ain­da o fato de que as demais fases para avan­çar no con­tra­to depen­dem de uma cons­ta­ta­ção do bene­fí­cio da pri­va­ti­za­ção. “A IFC rece­be cer­ca R$ 8 milhões se con­cluir pela des­ne­ces­si­da­de de pri­va­ti­za­ção na ‘Fase 0’ dos tra­ba­lhos, mas pode­rá rece­ber R$ 45 milhões se for favo­rá­vel à medi­da, pros­se­guin­do com os tra­ba­lhos das Fases 1 e 2. Ou seja, pelo mode­lo do con­tra­to fir­ma­do, é mais van­ta­jo­so eco­no­mi­ca­men­te para a con­sul­to­ra con­cluir pela van­ta­gem da deses­ta­ti­za­ção da Sabesp”, diz o tex­to.

O pro­ces­so tra­ta ain­da de um pos­sí­vel con­fli­to de inte­res­se entre a IFC e a Sabesp. “Evi­den­cia-se um con­fli­to de inte­res­ses da IFC ao pres­tar con­sul­to­ria sobre o futu­ro da enti­da­de da qual é cre­do­ra, uma vez que seu inte­res­se cor­po­ra­ti­vo em obter o paga­men­to pelo finan­ci­a­men­to con­ce­di­do pode des­vi­ar o resul­ta­do da aná­li­se sobre o mode­lo de negó­ci­os de sua deve­do­ra, de modo a favo­re­cer o adim­ple­men­to em detri­men­to de outros indi­ca­do­res de inte­res­se públi­co a serem con­si­de­ra­dos”.

Em maté­ria publi­ca­da no site do gover­no do esta­do, Tar­cí­sio de Frei­tas dis­se que a pri­va­ti­za­ção é um gran­de avan­ço para o esta­do. “Ela aju­da­rá a cons­truir um lega­do de uni­ver­sa­li­za­ção do sane­a­men­to, de des­po­lui­ção de manan­ci­ais, de aumen­to da dis­po­ni­bi­li­da­de hídri­ca e de saú­de para todos”, afir­mou.

O gover­no envi­ou posi­ci­o­na­men­to à Agên­cia Bra­sil em que des­ta­ca o obje­ti­vo da admi­nis­tra­ção de “levar sane­a­men­to bási­co de qua­li­da­de para todos os pau­lis­tas no menor pra­zo pos­sí­vel”. Infor­ma ain­da “que con­tra­tou os ser­vi­ços de con­sul­to­ria téc­ni­ca da IFC, ins­ti­tui­ção de desen­vol­vi­men­to do Gru­po Ban­co Mun­di­al, em bus­ca do melhor emba­sa­men­to téc­ni­co e dos melho­res mode­los de refe­rên­cia mun­di­al para se atin­gir esse obje­ti­vo”.

A nota apon­ta que a con­tra­ta­ção da IFC seguiu todos os requi­si­tos da Lei 8.666/1993, “inclu­si­ve com pare­ce­res e notas téc­ni­cas que ates­ta­ram o notó­rio saber da ins­ti­tui­ção na estru­tu­ra­ção de pro­ces­sos de deses­ta­ti­za­ção”. Segun­do o gover­no, a ine­xi­gi­bi­li­da­de de lici­ta­ção é a úni­ca for­ma pela qual a IFC é con­tra­ta­da em todo mun­do. “A razão dis­so é por ela ser uma ins­ti­tui­ção mul­ti­la­te­ral de desen­vol­vi­men­to, que tem os gover­nos naci­o­nais como aci­o­nis­tas.”

Agên­cia Bra­sil soli­ci­tou posi­ci­o­na­men­to à IFC e aguar­da mani­fes­ta­ção.

* Maté­ria atu­a­li­za­da às 9h44 do dia 7 de dezem­bro para inclu­são do posi­ci­o­na­men­to do gover­no de São Pau­lo.

Edi­ção: Mar­ce­lo Bran­dão

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