...
quinta-feira ,20 junho 2024
Home / Noticias / Agência Brasil explica como aderir à previdência complementar

Agência Brasil explica como aderir à previdência complementar

Repro­du­ção: © Mar­cel­lo Casal Jr / Agên­cia Bra­sil

Planos complementam aposentadorias e servem como investimento


Publi­ca­do em 01/11/2021 — 10:14 Por Well­ton Máxi­mo – Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Bra­sí­lia

Pou­par para quan­do o inver­no che­gar. Com essa filo­so­fia, a pre­vi­dên­cia com­ple­men­tar tem atraí­do o inte­res­se de cada vez mais bra­si­lei­ros. Entre 2016 e 2021, o núme­ro de par­ti­ci­pan­tes, depen­den­tes e assis­ti­dos (quem rece­be bene­fí­cio) de fun­dos de pen­são sal­tou de 7,18 milhões para 7,41 milhões, segun­do a Asso­ci­a­ção Bra­si­lei­ra das Enti­da­des Fecha­das de Pre­vi­dên­cia Com­ple­men­tar (Abrapp). Esse inves­ti­men­to, no entan­to, requer aten­ção.

O con­tri­buin­te deve pres­tar aten­ção à for­ma como o Impos­to de Ren­da (IR) será cobra­do. As reco­men­da­ções vari­am con­for­me o per­fil de ren­da e o tem­po que a pes­soa dese­ja pou­par. Tam­bém é neces­sá­rio estar aten­to a taxas que garan­tem a admi­nis­tra­ção do patrimô­nio, mas redu­zem o valor dos ren­di­men­tos.

A prin­ci­pal dife­ren­ça em rela­ção à Pre­vi­dên­cia Soci­al está no regi­me de capi­ta­li­za­ção. Na pre­vi­dên­cia com­ple­men­tar, cada con­tri­buin­te tem uma con­ta indi­vi­du­al, com o valor das con­tri­bui­ções finan­ci­an­do o bene­fí­cio futu­ro. Além dis­so, o tra­ba­lha­dor pode esco­lher o valor e a peri­o­di­ci­da­de da con­tri­bui­ção. Quan­to mais se pou­pa, mais se rece­be no futu­ro. Caso desis­ta do pla­no, o dinhei­ro inves­ti­do pode ser res­ga­ta­do

Na Pre­vi­dên­cia Soci­al, as con­tri­bui­ções são fixas, deter­mi­na­das pela Cons­ti­tui­ção e qua­se sem­pre des­con­ta­das na folha de paga­men­to (exce­to no caso de con­tri­buin­tes autô­no­mos e facul­ta­ti­vos). As con­tri­bui­ções obe­de­cem ao regi­me de repar­ti­ção, onde os valo­res des­con­ta­dos do tra­ba­lha­dor da ati­va cus­tei­am as apo­sen­ta­do­ri­as, pen­sões e auxí­li­os atu­ais, não sen­do depo­si­ta­dos em con­tas indi­vi­du­ais nem pou­pa­dos.

Previdência aberta e fechada

Para ade­rir à pre­vi­dên­cia com­ple­men­tar, o tra­ba­lha­dor deve, pri­mei­ro, saber a dis­tin­ção entre pre­vi­dên­cia aber­ta e fecha­da. Na pri­mei­ra moda­li­da­de, qual­quer pes­soa pode ade­rir a um pla­no de pre­vi­dên­cia comer­ci­a­li­za­do por ins­ti­tui­ções finan­cei­ras. O dinhei­ro é apli­ca­do numa car­tei­ra admi­nis­tra­da pelos ges­to­res do pla­no, com a fis­ca­li­za­ção caben­do à Supe­rin­ten­dên­cia de Segu­ros Pri­va­dos (Susep). No ano pas­sa­do, as con­tri­bui­ções para a pre­vi­dên­cia aber­ta soma­ram R$ 126,85 bilhões, segun­do a Susep.

A pre­vi­dên­cia fecha­da está res­tri­ta a fun­ci­o­ná­ri­os de uma deter­mi­na­da empre­sa, que se reú­nem para cri­ar um fun­do de pen­são. Na mai­o­ria dos casos, esses fun­dos rece­bem con­tri­bui­ções não ape­nas do empre­ga­do, mas do patrão. Atu­al­men­te, os fun­dos de pen­são estão entre os gran­des inves­ti­do­res do país, movi­men­tan­do R$ 995 bilhões, o equi­va­len­te a 13% do Pro­du­to Inter­no Bru­to (PIB), segun­do a Abrapp. A fis­ca­li­za­ção cabe à Supe­rin­ten­dên­cia Naci­o­nal de Pre­vi­dên­cia Com­ple­men­tar (Pre­vic).

Tabela progressiva e regressiva

Ao ade­rir à pre­vi­dên­cia com­ple­men­tar, o con­tri­buin­te deve res­pon­der a duas per­gun­tas: como paga­rá Impos­to de Ren­da e como dedu­zi­rá as con­tri­bui­ções da decla­ra­ção. O IR pode ser pago pela tabe­la pro­gres­si­va, seme­lhan­te ao mode­lo apli­ca­do nos salá­ri­os e nos demais ren­di­men­tos tri­bu­tá­veis, ou regres­si­va, em que a alí­quo­ta cai con­for­me o tem­po de apli­ca­ção.

Na tabe­la pro­gres­si­va, quan­to mai­or o valor do bene­fí­cio (com­ple­men­to à apo­sen­ta­do­ria) que o tra­ba­lha­dor sacar no futu­ro, mais Impos­to de Ren­da é cobra­do. As alí­quo­tas vari­am até 27,5%, cobra­dos em fai­xas de ren­di­men­tos, como ocor­re nos salá­ri­os. Esse mode­lo é indi­ca­do para quem pre­ten­de res­ga­tar o valor inves­ti­do antes de qua­tro anos.

Cri­a­da para esti­mu­lar inves­ti­men­tos de lon­go pra­zo, a tabe­la regres­si­va come­ça com alí­quo­ta de 35% de Impos­to de Ren­da sobre o ren­di­men­to. O valor cai 5 pon­tos per­cen­tu­ais a cada dois anos, até atin­gir o piso de 10% após dez anos de apli­ca­ção. As demais apli­ca­ções finan­cei­ras cobram alí­quo­ta míni­ma de 15% de IR. Esse sis­te­ma é van­ta­jo­so para quem é rela­ti­va­men­te jovem e pre­ten­de dei­xar o dinhei­ro ren­den­do até o momen­to da apo­sen­ta­do­ria.

O pou­pa­dor, no entan­to, pre­ci­sa estar aten­to. Quem esco­lher a tabe­la pro­gres­si­va na ade­são ao pla­no pode tro­cá-la pela regres­si­va, mas não o con­trá­rio. Além dis­so, o tem­po de con­tri­bui­ção é des­con­si­de­ra­do na mudan­ça para a tabe­la regres­si­va, com a alí­quo­ta do IR sen­do rei­ni­ci­a­da em 35% e cain­do ape­nas nos anos seguin­tes.

Dife­ren­te­men­te dos demais fun­dos de inves­ti­men­to (ren­da fixa, cam­bi­ais e mul­ti­mer­ca­do), a pre­vi­dên­cia com­ple­men­tar não tem o meca­nis­mo conhe­ci­do como come-cotas. Nes­se sis­te­ma, o Impos­to de Ren­da é cobra­do sobre os ren­di­men­tos a cada seis meses, em maio e novem­bro. Na pre­vi­dên­cia com­ple­men­tar, o impos­to só é cobra­do no futu­ro, quan­do o inves­ti­dor come­çar a sacar a quan­tia pou­pa­da.

PGBL e VGBL

A for­ma de dedu­zir o Impos­to de Ren­da tam­bém deve ser leva­da em con­si­de­ra­ção. No Pla­no Gera­dor de Bene­fí­cio Livre (PGBL), o par­ti­ci­pan­te pode dedu­zir o valor con­tri­buí­do anu­al­men­te na Decla­ra­ção do Impos­to de Ren­da Pes­soa Físi­ca, até o limi­te de 12% da ren­da bru­ta anu­al. Em tro­ca, o par­ti­ci­pan­te deve­rá desis­tir da decla­ra­ção sim­pli­fi­ca­da do IR e pre­en­cher a decla­ra­ção com­ple­ta.

A pos­si­bi­li­da­de de dedu­zir as con­tri­bui­ções atu­ais não sig­ni­fi­ca isen­ção. Ape­nas o momen­to da cobran­ça é adi­a­do. O Impos­to de Ren­da será cobra­do no saque, inci­din­do sobre o res­ga­te total da apli­ca­ção ou sobre o bene­fí­cio rece­bi­do men­sal­men­te como ren­da.

No mode­lo Vida Gera­dor de Bene­fí­cio Livre (VGBL), as con­tri­bui­ções não podem ser dedu­zi­das do Impos­to de Ren­da. No entan­to, a base de cál­cu­lo é menor por­que o IR inci­di­rá ape­nas sobre os ren­di­men­tos no momen­to do res­ga­te, não sobre o total inves­ti­do pelo par­ti­ci­pan­te.

Tra­di­ci­o­nal­men­te, o PGBL é reco­men­da­do para tra­ba­lha­dor com car­tei­ra assi­na­da, que reco­lha men­sal­men­te para a Pre­vi­dên­cia Soci­al e decla­re Impos­to de Ren­da de for­ma com­ple­ta. Nos demais casos, indi­ca-se o VGBL.

Taxas

Além dos impos­tos, o inves­ti­dor em pre­vi­dên­cia com­ple­men­tar deve pres­tar aten­ção às taxas. Nor­mal­men­te, as empre­sas de pre­vi­dên­cia com­ple­men­tar cobram três tipos de taxas do par­ti­ci­pan­te: de car­re­ga­men­to, de ges­tão e de saí­da. Essas taxas remu­ne­ram as ins­ti­tui­ções finan­cei­ras e os admi­nis­tra­do­res dos fun­dos de pen­são e de pre­vi­dên­cia aber­ta, que deci­dem onde apli­car o dinhei­ro inves­ti­do e obter o melhor ren­di­men­to.

A taxa de car­re­ga­men­to inci­de sobre o valor de cada con­tri­bui­ção. Atu­al­men­te ela está em 5% em média no mer­ca­do bra­si­lei­ro, mas exis­tem pla­nos que não cobram essa taxa. Cobra­da anu­al­men­te, a taxa de ges­tão varia de 0,5% a 4% sobre o patrimô­nio acu­mu­la­do no pla­no. Equi­va­len­te a 0,38% do valor acu­mu­la­do, a taxa de saí­da é cobra­da no res­ga­te das apli­ca­ções, mas algu­mas empre­sas têm isen­ta­do essas ope­ra­ções.

Herdeiros

Além de refor­çar a apo­sen­ta­do­ria, a pre­vi­dên­cia com­ple­men­tar ser­ve para agi­li­zar a trans­fe­rên­cia de patrimô­nio a her­dei­ros. Por não entrar em inven­tá­rio, o valor inves­ti­do nos pla­nos é trans­fe­ri­do em pou­cos dias aos depen­den­tes indi­ca­dos pelo par­ti­ci­pan­te. No entan­to, isso depen­de do momen­to da mor­te do titu­lar.

Caso a mor­te ocor­ra na fase de acu­mu­la­ção, quan­do o par­ti­ci­pan­te esta­va ape­nas pou­pan­do, o patrimô­nio acu­mu­la­do é repas­sa­do em pou­cos dias aos suces­so­res. Se o par­ti­ci­pan­te tiver come­ça­do a sacar os bene­fí­ci­os, a trans­fe­rên­cia depen­de­rá do pla­no con­tra­ta­do.

A moda­li­da­de de ren­da vita­lí­cia pre­vê o paga­men­to de ren­da ape­nas até o fim da vida. O patrimô­nio acu­mu­la­do é incor­po­ra­do ao fun­do, remu­ne­ran­do os ris­cos des­se tipo de negó­cio para as ins­ti­tui­ções finan­cei­ras. Caso quei­ra man­ter o paga­men­to aos depen­den­tes, o bene­fi­ciá­rio deve­rá con­tra­tar um pla­no que pre­ve­ja a rever­são do sal­do a ter­cei­ros.

Edi­ção: Fer­nan­do Fra­ga

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

RS e seis cidades gaúchas pediram ajuda ao IBGE para verificar danos

Repro­du­ção: © Rafa Neddermeyer/Agência Bra­sil Cadastro de endereços do IBGE é cruzado com áreas afetadas …