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Agência Brasil explica diferença dos testes para covid-19 e Influenza

Repro­dução: © Ális­son Pinheiro/CBDU/Direitos Reser­va­dos

Testagem deve estar vinculada às outras ações de saúde pública


Pub­li­ca­do em 15/01/2022 — 13:24 Por Ake­mi Nita­hara – Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Com a entra­da da vari­ante Ômi­cron do novo coro­n­avírus no Brasil na vira­da do ano, o país tem acom­pan­hado um aumen­to expo­nen­cial na procu­ra pelos testes, tan­to na rede públi­ca como em lab­o­ratórios pri­va­dos.

Mas qual o mel­hor teste para detec­tar a covid-19? RT-PCR, teste rápi­do de antígeno ou sorológi­co? A respos­ta é: depende da situ­ação. Cada teste foi desen­volvi­do para detec­tar a pre­sença do vírus ou dos anti­cor­pos em difer­entes fas­es da doença e, como têm difer­entes cus­tos, podem ser implan­ta­dos em mas­sa ou ser de uso mais restri­to.

Segun­do o doc­u­men­to da Orga­ni­za­ção Panamer­i­cana da Saúde (Opas) Recomen­dações para Estraté­gias Nacionais de Testagem para Sars-CoV­‑2 e Capaci­dades Diag­nós­ti­cas, as políti­cas de testagem de cada país devem seguir critérios como a situ­ação epi­demi­ológ­i­ca, disponi­bil­i­dade de recur­sos e fatores como áreas de difí­cil aces­so.

“Todos os indi­ví­du­os que aten­dem à definição de caso sus­peito de covid-19 devem ser tes­ta­dos para Sars-CoV­‑2, inde­pen­den­te­mente da situ­ação de vaci­nação ou históri­co da doença”, enfa­ti­za a recomen­dação, desta­can­do que “o teste é uma fer­ra­men­ta fun­da­men­tal para detec­tar o agente eti­ológi­co [cau­sador da doença], enten­der a trans­mis­são do vírus e ori­en­tar e mon­i­torar as medi­das de con­t­role de saúde públi­ca e o mane­jo clíni­co dos pacientes”.

O organ­is­mo ressalta que a testagem deve estar vin­cu­la­da às out­ras ações de saúde públi­ca, como atendi­men­to clíni­co, iso­la­men­to de casos, ras­trea­men­to de con­tatos, quar­ente­na de con­tatos com apoio e fornec­i­men­to de infor­mações para as pes­soas sub­meti­das a testes.

RT-PCR

O teste de biolo­gia mol­e­c­u­lar con­heci­do como RT-PCR, sigla em inglês para reação em cadeia da polimerase de tran­scrição rever­sa em tem­po real, detec­ta a pre­sença do RNA do Sars-CoV­‑2 por meio de testes de ampli­fi­cação de áci­dos nucle­icos (NAAT, da sigla em inglês). O RNA (áci­do ribonu­cle­ico) é a molécu­la respon­sáv­el pela cod­i­fi­cação genéti­ca e pela descod­i­fi­cação durante a tradução de pro­teí­nas.

Como o NAAT é mais sen­sív­el e especí­fi­co, ele é con­sid­er­a­do pela Orga­ni­za­ção Mundi­al da Saúde (OMS) como o teste de padrão refer­ên­cia para o diag­nós­ti­co de infecção agu­da por Sars-CoV­‑2.

Esse teste iden­ti­fi­ca a pre­sença do mate­r­i­al genéti­co do vírus em amostras de secreção res­pi­ratória, col­hi­das no nar­iz ou gar­gan­ta por meio de um cotonete lon­go e estéril, chama­do de swab. O proces­sa­men­to da amostra é feito em lab­o­ratórios espe­cial­iza­dos e o teste demo­ra de 30 min­u­tos a 4 horas para ser feito, de acor­do com o méto­do, se man­u­al ou autom­a­ti­za­do.

Nor­mal­mente, o resul­ta­do é entregue ao paciente em 24 horas. Porém, com o atu­al aumen­to da deman­da no Brasil, a demo­ra tem sido de até cin­co dias. A recomen­dação é que a cole­ta do mate­r­i­al seja fei­ta entre o ter­ceiro e o séti­mo dia após o iní­cio dos sin­tomas.

Antígeno

Antígenos são sub­stân­cias estra­nhas ao organ­is­mo que des­en­cadeiam a pro­dução de anti­cor­pos. O teste de detecção de antígenos virais é feito por meio de téc­ni­cas de imun­odi­ag­nós­ti­co, como estu­dos de fluxo lat­er­al (LFAs), tam­bém chama­dos de testes rápi­do ou Ag-RDTs.

Segun­do a Opas, esse tipo de teste é mais sim­ples de faz­er do que o RT-PCR e pode ser usa­do em larga escala, pois fica pron­to de 15 a 30 min­u­tos e não requer estru­tu­ra de lab­o­ratório. Ele acusa a infecção ati­va da covid-19.

“Os país­es podem usar testes de diag­nós­ti­co rápi­do (Ag-RDTs) ou de fluxo lat­er­al de detecção de antígeno de alta qual­i­dade, que são sim­ples de usar e ofer­e­cem resul­ta­dos rápi­dos, para alcançar alta cober­tu­ra de testagem, ideal­mente tes­tando todos os indi­ví­du­os sin­tomáti­cos que aten­dem à definição de caso de covid-19 o mais rápi­do pos­sív­el a par­tir do iní­cio da doença”, diz a recomen­dação da enti­dade.

Eles ofer­e­cem a opor­tu­nidade de aumen­tar a disponi­bil­i­dade e a veloci­dade da testagem e é indi­ca­do em locais onde há aumen­to rápi­do de número de casos e os lab­o­ratórios e unidades de saúde estiverem sobre­car­rega­dos.

O teste de antígeno não sub­sti­tui o RT-PCR, mas deve ser usa­do como estraté­gia com­ple­men­tar para mon­i­torar a situ­ação epi­demi­ológ­i­ca. Em caso de resul­ta­do pos­i­ti­vo, não é necessária a con­fir­mação com o teste de RNA. Porém, se der neg­a­ti­vo, de acor­do com critérios clíni­cos, como a pre­sença per­sis­tente de sin­tomas, é indi­ca­do faz­er o RT-PCR.

O teste rápi­do é indi­ca­do para pes­soas com sin­tomas em locais com alta prevalên­cia do vírus e para pes­soas ass­in­tomáti­cas que tiver­am con­ta­to com casos con­fir­ma­dos ou que estão fre­quente­mente expos­tos, como tra­bal­hadores da saúde. A cole­ta do mate­r­i­al a ser anal­isa­do tam­bém é fei­ta por swab e deve ocor­rer entre o quin­to e o séti­mo dia de sin­tomas.

Sorológico

O teste sorológi­co, feito com amostra de sangue total, soro ou plas­ma, detec­ta os anti­cor­pos do indi­ví­duo por meio de estu­dos imu­noen­z­imáti­cos (ELISAs) ou imu­noes­tu­dos quimi­o­lu­mi­nes­centes (CLIAs), tam­bém con­heci­dos como IgM, IgA e/ou IgG.

A Opas desta­ca que este teste não é indi­ca­do para quem está doente, pois os anti­cor­pos só são detec­ta­dos de uma a duas sem­anas após a infecção. Mas o exame con­tribui para a vig­ilân­cia epi­demi­ológ­i­ca.

“A detecção de anti­cor­pos não é recomen­da­da para o diag­nós­ti­co de covid-19, pois pode levar até duas sem­anas para que os anti­cor­pos do hos­pedeiro sejam pro­duzi­dos, mas desem­pen­ha um papel impor­tante na detecção de infecções ante­ri­ores para pesquisa e vig­ilân­cia”.

Autoteste

Muito pop­u­lares nos Esta­dos Unidos e na Europa, os autotestes para covid-19 são proibidos no Brasil, mas o Min­istério da Saúde está estu­dan­do uma estraté­gia para a lib­er­ação.

Eles são do tipo teste rápi­do de antígeno, porém, a OMS não recomen­da a sua ampla uti­liza­ção. De acor­do com a Opas, ain­da não há ori­en­tação para o seu uso.

“As con­sid­er­ações para o uso de autoteste devem incluir mel­hor aces­so aos testes e os pos­síveis riscos que podem afe­tar o con­t­role do sur­to. Os bene­fí­cios e danos em poten­cial do autoteste com Ag-RDTs para Sars-CoV­‑2 serão abor­da­dos em um doc­u­men­to de ori­en­tação sep­a­ra­do”.

Entre os prob­le­mas apon­ta­dos para a dis­sem­i­nação do autoteste está a fal­ta de habil­i­dade do cidadão comum em manuse­ar o mate­r­i­al e a fal­ta de noti­fi­cação ofi­cial da doença às autori­dades de saúde públi­ca em caso de resul­ta­do pos­i­ti­vo.

Sequenciamento genético

Ess­es testes são feitos por amostragem, com o mate­r­i­al col­hi­do para o RT-PCR. Ele iden­ti­fi­ca alter­ações no vírus, as chamadas vari­antes de inter­esse (VOIs) ou vari­antes de pre­ocu­pação (VOCs), sendo estratégi­co para a atu­ação glob­al do con­t­role da covid-19.

“Os estu­dos NAAT de detecção de mutação podem ser usa­dos como fer­ra­men­ta de triagem para vari­antes do Sars-CoV­‑2, mas a pre­sença de uma vari­ante especí­fi­ca deve ser con­fir­ma­da por meio de sequen­ci­a­men­to”, expli­ca a Opas.

De acor­do com a Sec­re­taria de Esta­do de Saúde do Rio de Janeiro (SES), o sequen­ci­a­men­to do coro­n­avírus não é um exame de roti­na nem de diag­nós­ti­co, sendo uti­liza­do para a vig­ilân­cia genômi­ca e iden­ti­fi­cação das mod­i­fi­cações sofridas pelo vírus Sars-CoV­‑2.

Influenza

Para a detecção de Influen­za, ou gripe, tam­bém há vários tipos de teste disponíveis em lab­o­ratórios par­tic­u­lares, todos com cole­ta de mate­r­i­al via swab. O teste rápi­do para Influen­za A e B fica pron­to em duas horas e tem baixo cus­to, mas menor sen­si­bil­i­dade. Já o teste mol­e­c­u­lar para detecção de Influen­za A iden­ti­fi­ca o tipo de vírus, mas leva três dias para dar o resul­ta­do.

A pesquisa de vírus res­pi­ratório iden­ti­fi­ca um número maior de agentes patológi­cos, como ade­n­ovírus, parain­fluen­za e vírus sin­ci­cial res­pi­ratório, ten­do baixo cus­to e resul­ta­do em um dia.

O painel mol­e­c­u­lar de vírus e bac­térias de tra­to res­pi­ratórios detec­ta um leque maior de agentes, incluin­do tam­bém metap­neu­movírus humano, rinovírus e Mycoplas­ma pneu­mo­ni­ae. Ele tem alta sen­si­bil­i­dade e alto cus­to, com resul­ta­do em um dia.

Na rede públi­ca, a refer­ên­cia nacional é o Lab­o­ratório de Vírus Res­pi­ratório e Saram­po (LVRS) da Fun­dação Oswal­do Cruz (Fiocruz), que faz parte da rede nacional de Vig­ilân­cia Lab­o­ra­to­r­i­al do Vírus Influen­za. Ele faz anális­es virológ­i­cas e mol­e­c­u­lares para car­ac­ter­i­za­ção de amostras de vírus influen­za detec­ta­dos no ter­ritório brasileiro, para aux­il­iar a vig­ilân­cia nacional no mon­i­tora­men­to da cir­cu­lação do vírus sazon­al. As amostras são envi­adas para a análise por enti­dades públi­cas.

Edição: Fer­nan­do Fra­ga

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