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Agência Brasil explica o esquema de manipulação em jogos de futebol

Repro­dução: © Fer­nan­do Torres/CBF/Direitos Reser­va­dos

Governo Federal editará MP para regularizar apostas esportivas no país


Pub­li­ca­do em 13/05/2023 — 08:00 Por Fábio Lis­boa — Repórter da TV Brasil — Rio de Janeiro

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O noti­ciário esporti­vo foi toma­do nas últi­mas sem­anas por denún­cias de esque­mas de manip­u­lação de resul­ta­dos de jogos de fute­bol para favore­cer apos­ta­dores. Essas denún­cias são resul­ta­do de uma oper­ação do Min­istério Públi­co de Goiás (MP-GO) chama­da de Penal­i­dade Máx­i­ma e que envolve jogadores que estiver­am em ação em par­tidas de campe­onatos estad­u­ais e das Séries A e B do Campe­ona­to Brasileiro de 2022.

Apostas

Atual­mente as casas espe­cial­izadas ofer­e­cem várias modal­i­dades de apos­tas, além do sim­ples resul­ta­do de uma par­ti­da. É pos­sív­el pal­pi­tar, den­tro do chama­do mer­ca­do secundário, em difer­entes even­tos que acon­te­cem no decor­rer de um jogo, como número de cartões amare­los ou ver­mel­hos, final­iza­ções, escant­eios, cobranças de pênaltis, entre out­ras estatís­ti­cas. As apos­tas são real­izadas com difer­entes cotações (as chamadas odds), a par­tir das quais são definidos os val­ores dos prêmios pagos.

Segun­do os pro­mo­tores que atu­aram na oper­ação Penal­i­dade Máx­i­ma, orga­ni­za­ções crim­i­nosas sub­or­navam atle­tas profis­sion­ais de fute­bol para prati­carem deter­mi­na­dos even­tos em par­tidas ofi­ci­ais, como come­ter pênaltis ou tomar cartões amare­los ou ver­mel­hos, fazen­do com que os apos­ta­dores envolvi­dos no esque­ma acer­tassem uma apos­ta fei­ta pre­vi­a­mente.

Denunciados

O MP-GO apon­tou a par­tic­i­pação de alguns jogadores no esque­ma fraud­u­len­to. Entre eles está o zagueiro Eduar­do Bauer­mann, afas­ta­do pelo San­tos de for­ma pre­ven­ti­va. Além do atle­ta do Peixe, foram denun­ci­a­dos os atle­tas Gabriel Tota (Ypi­ran­ga-RS), Vic­tor Ramos (Chapecoense), Igor Car­iús (Sport), Paulo Miran­da (Náu­ti­co), Fer­nan­do Neto (São Bernar­do) e Matheus Gomes (que atu­ou no Sergipe).

Mais nove pes­soas (apos­ta­dores e mem­bros da orga­ni­za­ção crim­i­nosa) tam­bém foram apon­tadas na denún­cia, que, segun­do o MP/GO, “esmiúça 23 fatos crim­i­nosos ocor­ri­dos durante as par­tidas, nas quais jogadores se com­pro­m­e­ter­am a come­ter fal­tas para rece­ber cartões e a come­ter pênaltis. A orga­ni­za­ção crim­i­nosa visa­va apos­tar nos resul­ta­dos e even­tos induzi­dos e, des­ta for­ma, obter ele­va­dos gan­hos”.

Após a denún­cia ini­cial, prints de con­ver­sas de apos­ta­dores que estão sob inves­ti­gação pelo MP-GO chegaram a con­hec­i­men­to públi­co. Nes­sas tro­cas de men­sagens apare­ce­r­am nomes de jogadores que não foram denun­ci­a­dos. Alguns foram afas­ta­dos de for­ma pre­ven­ti­va pelas atu­ais equipes, como Vitor Mendes (Flu­mi­nense), Pedrin­ho (Ath­leti­co-PR), Bryan Gar­cía (Ath­leti­co-PR), Richard (Cruzeiro), Mau­rí­cio (Inter­na­cional), Nino Paraí­ba (Améri­ca-MG), Raphael Rodrigues (Avaí), Alef Man­ga (Coriti­ba) e Jesús Trindade (Coriti­ba).

Descoberta do esquema

A inves­ti­gação do Min­istério Públi­co de Goiás surgiu em fevereiro, a par­tir de uma denún­cia fei­ta pelo pres­i­dente do Vila Nova, Hugo Jorge Bra­vo. Naque­la opor­tu­nidade, o diri­gente rev­el­ou que o meia Mar­cos Viní­cius Alves Bar­reira, mais con­heci­do como Romar­in­ho (que teve o con­tra­to rescindi­do em 2022), aceitou R$ 150 mil para come­ter um pênalti na primeira eta­pa do jogo con­tra o Sport, pela Série B. Pos­te­ri­or­mente, em abril, o MP-GO ampliou o escopo das inves­ti­gações, pas­san­do a apu­rar pos­síveis even­tos irreg­u­lares em par­tidas da Série A.

Nes­ta sem­ana, o min­istro da Justiça, Flávio Dino, deter­mi­nou que a Polí­cia Fed­er­al (PF) instaurasse inquéri­to para inves­ti­gar indí­cios de manip­u­lação de resul­ta­dos em com­petições esporti­vas, ini­cia­ti­va que tem apoio da Con­fed­er­ação Brasileira de Fute­bol (CBF). Mes­mo com a descober­ta do esque­ma crim­i­noso, a enti­dade máx­i­ma do fute­bol nacional afas­tou qual­quer pos­si­bil­i­dade de inter­romper a edição atu­al do Campe­ona­to Brasileiro e afir­mou que tra­bal­ha “em con­jun­to com a Fifa [Fed­er­ação Inter­na­cional de Fute­bol] e out­ras esferas inter­na­cionais para um mod­e­lo padrão de inves­ti­gação”.

Regulamentação

As apos­tas esporti­vas foram insti­tuí­das no Brasil em 2018, com a pub­li­cação da Lei 13.756. Porém, a ativi­dade ain­da carece de reg­u­la­men­tação. Na quin­ta-feira (11), o Min­istério da Fazen­da infor­mou que edi­tará uma medi­da pro­visória para reg­u­larizar o mer­ca­do no país. O tex­to foi encam­in­hado aos min­istérios coau­tores (Plane­ja­men­to, Gestão, Saúde, Tur­is­mo e Esportes) e será lev­a­do à Casa Civ­il, após avali­ação e assi­natu­ra, antes de ser sub­meti­do ao pres­i­dente Luiz Iná­cio Lula da Sil­va.

O tex­to se debruça especi­fi­ca­mente sobre a reg­u­la­men­tação de apos­tas de quo­ta fixa, con­heci­das como mer­ca­do de bets. Segun­do a Fazen­da, a par­tir desse proces­so, os min­istérios terão a pos­si­bil­i­dade de edi­tar por­tarias com regras para cri­ar mecan­is­mos que evitem e coíbam os casos de manip­u­lação de resul­ta­dos.

Edição: Fer­nan­do Fra­ga

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