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Agência Brasil explica uso de diferentes vacinas contra a covid-19

Repro­dução:  © Fun­dação Oswal­do Cruz (Fiocruz

Autoridades de saúde e especialistas falam sobre o assunto


Pub­li­ca­do em 27/09/2021 — 06:30 Por Jonas Valente – Repórter Agên­cia Brasil — Brasília

Algu­mas cidades e esta­dos pas­saram a aplicar, recen­te­mente, vaci­nas con­tra a covid-19 de mar­cas difer­entes na segun­da dose, o que é chama­do tec­ni­ca­mente de “inter­cam­bial­i­dade”. As medi­das ger­aram dis­cussão sobre a segu­rança, eficá­cia e val­i­dade da estraté­gia. A Agên­cia Brasil con­sul­tou autori­dades de saúde e espe­cial­is­tas para faz­er avali­ações, falar sobre estu­dos e ori­en­tações.

De acor­do com a nota téc­ni­ca Nº 6/2021, do Min­istério da Saúde, de maneira ger­al as vaci­nas con­tra covid-19 não são inter­cam­biáveis, ou seja, indi­ví­du­os que ini­cia­ram a vaci­nação dev­erão com­ple­tar o esque­ma com a mes­ma vaci­na. No entan­to, em situ­ações de exceção, onde não for pos­sív­el admin­is­trar a segun­da dose com uma vaci­na do mes­mo fab­ri­cante, seja por con­traindi­cações especí­fi­cas ou por ausên­cia daque­le imu­nizante no país, poderá ser admin­istra­da uma de out­ro lab­o­ratório. A segun­da dose dev­erá ser admin­istra­da respei­tan­do o inter­va­lo ado­ta­do para o imu­nizante uti­liza­do na primeira dose.

Às mul­heres que rece­ber­am a primeira dose da vaci­na AstraZeneca/Fiocruz e que este­jam ges­tantes ou no puer­pério (até 45 dias pós-par­to), no momen­to de rece­ber a segun­da dose da vaci­na, dev­erá ser ofer­ta­da, pref­er­en­cial­mente, a Pfizer/Wyeth. Caso esse imu­nizante não este­ja disponív­el na local­i­dade, poderá ser uti­liza­da a vaci­na Sinovac/Butantan. Os indi­ví­du­os que rece­berem vaci­na no esque­ma de inter­cam­bial­i­dade dev­erão ser ori­en­ta­dos a respeito das lim­i­tações ref­er­entes aos dados exis­tentes e do per­fil de risco-bene­fí­cio.

O gov­er­no de São Paulo, um dos que fiz­er­am uso da apli­cação da segun­da dose de Pfizer/BioNTech para quem havia rece­bido a primeira de Oxford/AstraZeneca, argu­men­tou, em comu­ni­ca­do no dia 10 de setem­bro, que a medi­da tin­ha caráter emer­gen­cial. Acres­cen­tou que se devia à fal­ta de dos­es da Oxford/AstraZeneca e que a medi­da havia sido chance­la­da pelo Comitê Cien­tí­fi­co do gov­er­no do esta­do.

A Fun­dação Oswal­do Cruz (Fiocruz), que atua em parce­ria com o con­sór­cio Oxford/AstraZeneca para a fab­ri­cação de vaci­nas con­tra a covid-19 no Brasil, recomen­da a inter­cam­bial­i­dade somente “em caso de emergên­cia”.

Segun­do a insti­tu­ição, não há dados sobre a duração da respos­ta imune com o uso de dois imu­nizantes difer­entes. Sobre a demo­ra para o rece­bi­men­to da segun­da dose, a fun­dação diz que estu­do da Uni­ver­si­dade de Oxford, pub­li­ca­do no per­iódi­co The Lancet, indi­cou que a primeira dose prove­ria eficá­cia de 80% por até dez meses, com a segun­da dose amplian­do essa pro­teção quan­do min­istra­da.

OMS e sociedades médicas

De acor­do com a médi­ca pedi­atra e dire­to­ra da Sociedade Brasileira de Imu­niza­ções — e que inte­gra gru­pos de tra­bal­ho sobre imu­niza­ção do Con­sel­ho Region­al de Med­i­c­i­na do Rio de Janeiro -, Flávia Bra­vo, a Orga­ni­za­ção Mundi­al da Saúde (OMS) e sociedades médi­cas admitem essa pos­si­bil­i­dade diante de lim­i­tações na disponi­bil­i­dade de dos­es.

Um doc­u­men­to da OMS, divul­ga­do em agos­to deste ano, sobre inter­cam­bial­i­dade lem­bra que a ori­en­tação ger­al é de repetição das mar­cas na primeira e segun­da dos­es, mas que cabe aos gov­er­nos avaliarem as estraté­gias mais ade­quadas.

No tex­to, o grupo de espe­cial­is­tas (Sage) diz que em um cenário de difi­cul­dade de supri­men­to de vaci­nas e diante do desafio de ampli­ar a imu­niza­ção da pop­u­lação, as autori­dades de saúde podem avaliar a imple­men­tação da inter­cam­bial­i­dade.

O tex­to da OMS cita um estu­do de dois pesquisadores de Oxford, pub­li­ca­do em jun­ho deste ano, que encon­trou uma respos­ta imunológ­i­ca pos­i­ti­va na com­bi­nação de Oxford/AstraZeneca na primeira dose com Pfiz­er na segun­da.

Para Flávia Bra­vo, ess­es dados sug­erem que a táti­ca pode ser sim con­sid­er­a­da. “O posi­ciona­men­to atu­al no meio cien­tí­fi­co, a ser con­sid­er­a­da pelos país­es, sim. É claro que mais dados virão, isso chega o tem­po todo. O que nós temos até ago­ra já per­mi­tiu essa avali­ação. Mas, se eu faço com as ges­tantes por que não faço com o restante da pop­u­lação?”, inda­ga, men­cio­nan­do a recomen­dação do Min­istério da Saúde.

* Matéria alter­a­da hoje (27/09), às 9h06, para acrésci­mo de infor­mações

Edição: Graça Adju­to

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