...
sexta-feira ,19 abril 2024
Home / Cultura / Animações digitais da Pixar podem ser vistas no Rio e Belo Horizonte

Animações digitais da Pixar podem ser vistas no Rio e Belo Horizonte

Repro­du­ção: © Disney/Pix

Exposições começam nesta quarta no Centro Cultural Banco do Brasil


Publi­ca­do em 20/09/2023 — 07:45 Por Ala­na Gan­dra — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Rio de Janei­ro

ouvir:

Embo­ra este­ja há qua­se 40 anos no mer­ca­do de ani­ma­ção digi­tal, ain­da há mui­ta cri­an­ça e mui­to adul­to que não viu nenhu­ma pro­du­ção do estú­dio Pixar no cine­ma mas só em DVD, blu-ray (dis­co ópti­co, alter­na­ti­va do DVD) ou no stre­a­ming (trans­mis­são de con­teú­do onli­ne). A mos­tra A Magia dos Pixels – Espe­lhos Ani­ma­dos da Rea­li­da­de é o momen­to de as cri­an­ças assis­ti­rem as pro­du­ções no cine­ma e os adul­tos reve­rem seus fil­mes pre­di­le­tos. “Por­que é mui­to difí­cil os clás­si­cos da Pixar pas­sa­rem nova­men­te na tela gran­de. Então, (a opor­tu­ni­da­de) é espe­ci­al”, comen­tou, em entre­vis­ta à Agên­cia Bra­sil, um dos cura­do­res da expo­si­ção, Edu­ar­do Regi­na­to.

A mos­tra come­ça nes­ta quar­ta-fei­ra (20) simul­ta­ne­a­men­te nos cen­tros cul­tu­rais Ban­co do Bra­sil no Rio de Janei­ro (CCBB RJ) e em Belo Hori­zon­te e vai até o dia 16 de outu­bro, seguin­do depois para São Pau­lo (de 4 a 30 de outu­bro). A expo­si­ção já este­ve em Bra­sí­lia nos meses de julho e agos­to. Os ingres­sos para as ses­sões de cine­ma no CCBB RJ cus­tam R$ 10 (intei­ra) e R$ 5 (meia-entra­da) e podem ser adqui­ri­dos na bilhe­te­ria físi­ca ou no site do CCBB, a par­tir das 9h do dia da ses­são. No dia 12 de outu­bro, ani­ver­sá­rio do CCBB RJ e Dia das Cri­an­ças, a entra­da será gra­tui­ta. As demais ati­vi­da­des são gra­tui­tas para todo o públi­co e os ingres­sos devem ser reti­ra­dos uma hora antes do iní­cio de cada ati­vi­da­de na bilhe­te­ria do CCBB RJ.

Programa

Serão apre­sen­ta­dos 22 lon­gas-metra­gens, seis cur­tas e o documentário A História da Pixar, pro­du­zi­dos pelos estú­di­os Pixar. Os fil­mes serão exi­bi­dos em cópi­as dubla­das para aten­der prin­ci­pal­men­te as cri­an­ças. Na estreia da mos­tra, have­rá um deba­te com a atriz dubla­do­ra Miri­am Ficher e o crí­ti­co de cine­ma e pes­qui­sa­dor Luiz Baez, com medi­a­ção de Edu­ar­do Regi­na­to. A pro­gra­ma­ção com­ple­ta pode ser aces­sa­da aqui.

18/09/2023, Cena do filme Procurando Nemo. Mostra A Magia dos Pixels, no CCBB RJ. Foto: Disney/Pixar
Repro­du­ção: Cena do fil­me Pro­cu­ran­do Nemo, apre­sen­ta­do na mos­tra A Magia dos Pixels, no CCBB RJ. Foto Disney/Pixar

Nos dias 23 de setem­bro e 14 de outu­bro, have­rá a Ofi­ci­na Lúdi­ca para Cri­an­ças, com o ani­ma­dor de fil­mes Ale­xan­dre Juru­e­na, na qual os par­ti­ci­pan­tes apren­de­rão a escul­pir e mode­lar com diver­sos mate­ri­ais, como argi­la e mas­si­nha, bone­cos ins­pi­ra­dos em per­so­na­gens do uni­ver­so Pixar. As cri­an­ças verão que o pro­ces­so de ani­ma­ção digi­tal uti­li­za diver­sas téc­ni­cas que envol­vem des­de dese­nho, pin­tu­ra, mode­la­gem, até che­gar ao soft­ware (pro­gra­ma de com­pu­ta­dor). Have­rá tam­bém ses­sões com recur­sos de aces­si­bi­li­da­de nos dias 25 de setem­bro e 4 e 9 de outu­bro.

Cos­players carac­te­ri­za­dos de per­so­na­gens dos fil­mes da Pixar esta­rão pas­se­an­do pelo CCBB RJ nos dias 30 de setem­bro, 7 e 12 de outu­bro e tiran­do fotos com o públi­co. São eles res­pec­ti­va­men­te, Meri­da, do lon­ga Valen­te; Vio­le­ta, Edna e Flash, do fil­me Os Incrí­veis; e Jes­sie e Wood, de Toy Sto­re. Cos­players são pes­so­as que usam fan­ta­si­as e aces­só­ri­os para repre­sen­tar um per­so­na­gem espe­cí­fi­co. Have­rá ain­da uma ses­são comen­ta­da de Diver­ti­da Men­te pelo cura­dor Fabrí­cio Duque, no dia 27 de setem­bro.

O começo

A Pixar Ani­ma­ti­on Stu­di­os é um estú­dio ame­ri­ca­no de ani­ma­ção por com­pu­ta­dor com sede em Emery­vil­le, na Cali­fór­nia. Sua his­tó­ria come­çou em 1976 como par­te da divi­são de com­pu­ta­do­res Lucas­film, do dire­tor e pro­du­tor cine­ma­to­grá­fi­co Geor­ge Lucas, cri­a­dor das fran­qui­as Star Wars e Indi­a­na Jones. “O suces­so de Star Wars foi tão gran­de que ele come­çou a desen­vol­ver a ideia de ali­ar efei­tos espe­ci­ais com ani­ma­ção digi­tal. Depois de um tem­po, mon­tou uma equi­pe para tra­ba­lhar com ani­ma­ção digi­tal”, rela­tou Edu­ar­do Regi­na­to. O pri­mei­ro cur­ta-metra­gem pro­du­zi­do pelo gru­po foi As Aven­tu­ras de André e Wally B., diri­gi­do por Alvy Ray Smith.

18/09/2023, Cena do filme Valente. Mostra A Magia dos Pixels, no CCBB RJ. Foto: Disney/Pixar
Repro­du­ção: Cena do fil­me Valen­te, apre­sen­ta­do na mos­tra A Magia dos Pixels, no CCBB RJ. Foto Disney/Pixar

Lucas bus­cou então um inves­ti­dor e aca­bou ven­den­do o setor de ani­ma­ção para Ste­ve Jobs, cofun­da­dor da Apple, que se tor­nou aci­o­nis­ta majo­ri­tá­rio. O pri­mei­ro cur­ta ten­do Jobs como inves­ti­dor foi Luxo Jr. (1986), diri­gi­do por John Las­se­ter, no qual um peque­no aba­jur ten­ta se diver­tir com um novo brin­que­do, mas não con­se­gue enten­der direi­to como ele fun­ci­o­na. Enquan­to isso, o aba­jur mai­or se diver­te obser­van­do. “A lumi­ná­ria aca­ba viran­do, depois, a mar­ca regis­tra­da da Pixar”, comen­tou o cura­dor. Atu­al­men­te, a Pixar per­ten­ce aos estú­di­os Dis­ney, que a com­prou em 2006.

Regi­na­to infor­mou que o pri­mei­ro cur­ta de ani­ma­ção digi­tal a ganhar o Oscar foi Tin Toy (1988), diri­gi­do tam­bém por John Las­se­ter, que nar­ra a roti­na diá­ria de um brin­que­do de lata, que é inter­rom­pi­da por um bebê intro­me­ti­do que o per­se­gue. Esse cur­ta deu ori­gem ao lon­ga Toy Sto­re, em 1995, que con­ta as aven­tu­ras do cau­bói Woody e do astro­nau­ta Buzz Lightye­ar, que com­pe­tem pela aten­ção de Andy, o dono dos brin­que­dos. “Esse foi o pri­mei­ro lon­ga de ani­ma­ção digi­tal da his­tó­ria do cine­ma. O títu­lo não foi do bra­si­lei­ro Cas­si­o­peia, de 1996, por uma dife­ren­ça de seis a sete meses”, des­ta­cou Regi­na­to.

O cura­dor lem­brou que a mos­tra é inde­pen­den­te e não está rela­ci­o­na­da às come­mo­ra­ções do cen­te­ná­rio dos estú­di­os Dis­ney.

Afetividade

“A ideia da mos­tra é expor os espe­lhos ani­ma­dos da rea­li­da­de. Por­que o que faz a apro­xi­ma­ção do públi­co infan­til e adul­to com a Pixar é o fato de eles con­se­gui­rem pegar vári­os ele­men­tos da rea­li­da­de das cri­an­ças e dos adul­tos, às vezes com­ple­xos, des­de o luto, a mor­te, a inve­ja, a into­le­rân­cia, o pre­con­cei­to, o eta­ris­mo, e tra­ba­lhar todos esses ele­men­tos de for­ma lúdi­ca para colo­car, para todos, pon­tos de refle­xão. Você tem con­ta­to com cer­tos temas tabus, difí­ceis, e tem ali uma refle­xão huma­nís­ti­ca e afe­ti­va. É uma for­ma de ver o mun­do, de ter espe­ran­ça sobre esse mun­do, de manei­ra mági­ca, inten­sa”, afir­mou o cura­dor.

Um exem­plo é UP Hal­ter, que é uma ode à boa ida­de e con­tra o pre­con­cei­to em rela­ção aos mais velhos. Outro é Wall‑e, que traz men­sa­gem pela união das pes­so­as con­tra a devas­ta­ção do meio ambi­en­te. O pró­prio Toy Sto­re fala sobre dife­ren­ças, per­das, luto, da mes­ma for­ma que Pro­cu­ran­do Nemo. No lon­ga Valen­te, a Pixar abor­da o pro­ta­go­nis­mo femi­ni­no e a luta con­tra os padrões patri­ar­cais.

“Essa é a magia da Pixar. A rea­li­da­de é difí­cil, mas para tudo há uma solu­ção afe­ti­va, pas­sí­vel, des­de que se tenha amor, união, com­pre­en­são”. Edu­ar­do Regi­na­to dis­se que uma coi­sa que está pre­sen­te em todos os fil­mes da Pixar e que o mun­do não tem é “você olhar para o outro; ver o outro não como um ini­mi­go ou alguém dife­ren­te, mas como um igual e que, a par­tir da união, o mun­do se modi­fi­ca para melhor”.

18/09/2023, Cena do filme Monstros SA.. Mostra A Magia dos Pixels, no CCBB RJ. Foto: Disney/Pixar
Repro­du­ção: Cena do fil­me Mons­tros SA., apre­sen­ta­do na mos­tra A Magia dos Pixels, no CCBB RJ. Foto Disney/Pixar

Ele res­sal­tou que a ani­ma­ção digi­tal une arte e tec­no­lo­gia de for­ma mui­to inten­sa e inte­res­san­te. Cada ele­men­to da arte e da tec­no­lo­gia é fei­to de modo pre­ci­so. O homem que admi­nis­tra a Pixar até hoje, John Las­se­ter, asse­gu­ra que o mais impor­tan­te é a his­tó­ria. “Se você dá aten­ção à his­tó­ria, cria mais uma ani­ma­ção sen­sa­ci­o­nal”. Segun­do Las­se­ter, a his­tó­ria tem que tra­tar o públi­co com res­pei­to e, ao mes­mo tem­po, res­pei­tar a inte­li­gên­cia des­se públi­co, seja ele infan­til ou adul­to.

Catálogo

A mos­tra Magia dos Pixels: Espe­lhos Ani­ma­dos da Rea­li­da­de ofe­re­ce gra­tui­ta­men­te um catá­lo­go em PDF, que já pode ser bai­xa­do no site da expo­si­ção. Have­rá tam­bém o catá­lo­go impres­so, em núme­ro limi­ta­do, que pode­rá ser tro­ca­do por dez ingres­sos de fil­mes dife­ren­tes. A publi­ca­ção con­ta toda a his­tó­ria da Pixar e dos fil­mes que esta­rão na mos­tra.

Os cur­tas-metra­gens que serão exi­bi­dos são As Aven­tu­ras de André e Wally B. (1984); Luxo Jr. (1986); O Sonho de Red (1987); Tin Toy (1988); Knick Knack (1989); O Jogo de Geri (1997). Entre os lon­gas-metra­gens estão incluí­dos Toy Story (1995); Vida de Inse­to (1998); Toy Story 2 (1999); Mons­tros S.A. (2001); Pro­cu­ran­do Nemo (2003); Os Incrí­veis (2004); Car­ros (2006); e Rata­touil­le (2007).

Edi­ção: Gra­ça Adju­to

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Brasil deve recuperar 25 milhões de hectares de vegetação nativa

Repro­du­ção: © Symbiosis/ Divul­ga­ção Meta deve ser cumprida até 2030 Publicado em 15/04/2024 — 10:39 …