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Aos 80 anos, Edu Lobo lembra início da carreira e fala de novo álbum

Repro­dução: © Nana Moraes

Lançamento está previsto para novembro


Pub­li­ca­do em 02/09/2023 — 07:23 Por Bruno de Fre­itas Moura — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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“Você teria um sam­ba sem letra?”. Essa per­gun­ta mudou a vida do jovem car­i­o­ca Eduar­do de Góes Lobo, aos 19 anos. O autor do pedi­do era ninguém menos que Vini­cius de Moraes, em uma reunião de ami­gos em comum. Foi quan­do Edu Lobo con­heceu o gênio da bossa nova e viu a tra­jetória de vida mudar. O aniver­sari­ante des­ta sem­ana, que com­ple­tou 80 anos na terça-feira (29), relem­brou essa história em uma entre­vista para a TV Brasil.

“Foi um golpe de sorte. Mas, como eu sem­pre digo, você pre­cisa estar prepara­do para a sorte”, con­ta o hoje octo­genário, que tin­ha uma músi­ca pronta no dia. “Mostrei, ele gos­tou e per­gun­tou se me inco­modaria se ele fizesse uma letra naque­la hora. ‘Fique à von­tade’, eu disse”.

À época, Edu se con­sid­er­a­va um “Zé Ninguém”. “Eu não esta­va nem pen­san­do que iria começar uma car­reira. Naque­le momen­to, faz­er músi­ca era para mim algu­ma coisa que eu ado­ra­va, mas era tipo pegar onda no mar, quer diz­er, tem uma hora que você não faz mais e aqui­lo aca­ba.” Mas ter se aprox­i­ma­do do Poet­inha, como Vini­cius ficou con­heci­do, mudou tudo.

“Con­hecer o Vini­cius naque­la época sig­nifi­caria con­hecer todo mun­do que se chama­va da bossa nova. Eu con­heci o Tom Jobim, Car­lin­hos Lyra, Baden Pow­ell, Oscar Cas­tro Neves, muitas pes­soas que tiver­am importân­cia muito grande na min­ha vida”, remem­o­ra.

Dono de uma tra­jetória de suces­so na músi­ca pop­u­lar brasileira (MPB), que, inclu­sive, ren­deu a ele, em 1994, um Prêmio Shell de mel­hor com­pos­i­tor de músi­ca brasileira, pelo con­jun­to da obra, Edu Lobo diz que, em vez de lem­brar o pas­sa­do, pref­ere olhar para o pre­sente e o futuro.

Novo álbum

Pre­sente, aliás, preenchi­do por um pro­je­to novo. Edu, que tem cer­ca de 30 álbuns lança­dos, prepara o lança­men­to de mais um, dup­lo, para a gravado­ra Bis­coito Fino, que será grava­do num show ao vivo, em novem­bro, em apre­sen­tações na Sala Cecília Meirelles, no Rio de Janeiro (8/11), e no Teatro B32, em São Paulo (10/11), com os can­tores Zé Rena­to, Môni­ca Salma­so, Ayr­ton Mon­tar­royos e Vanes­sa Moreno.

“O som do dis­co vai ser o som do show. Eu não gos­to de chamar de show, pre­firo chamar de apre­sen­tação. Eu estou ado­ran­do esse pro­je­to, está em fase de mix­agem. Ain­da fal­ta um pouco, mas esta­mos ter­mi­nan­do.”

Festivais

Mes­mo com o pre­sente o ocu­pan­do para preparar o futuro, Edu Lobo não pode deixar de falar de grandes momen­tos do pas­sa­do. “Alguém vai me per­gun­tar sobre os fes­ti­vais”, brin­ca, se referindo à inter­seção entre músi­ca e tele­visão que mar­cou defin­i­ti­va­mente a car­reira do can­tor e com­pos­i­tor.

Em 1965, em parce­ria com Vini­cius, dis­putou e venceu o 1º Fes­ti­val Nacional de Músi­ca Pop­u­lar Brasileira, na TV Excel­sior, com Arrastão, inter­pre­ta­da por Elis Regi­na.

Rio de Janeiro (RJ) - Aos 80 anos, Edu Lobo, aniversariante da semana, prepara novo álbum. Foto: Nana Moraes
Repro­dução: Aos 80 anos, Edu Lobo prepara novo álbum — Nana Moraes

“Elis Regi­na que fez a músi­ca chegar em primeiro lugar. Teve uma importân­cia para mim porque ninguém me con­hecia e pas­sou a con­hecer a par­tir dali, porque daí vêm as entre­vis­tas, você começa a apare­cer em jor­nal…”, con­ta.

Dois anos depois, a dose se repetia no fes­ti­val da TV Record. Dessa vez com Pon­teio, em parce­ria com José Car­los Cap­inan. Edu Lobo, a can­to­ra Marília Medal­ha e os gru­pos vocais Momen­to­qua­tro e Quar­te­to Novo inter­pre­tam a canção.

Pon­teio foi muito forte para mim, tão forte que rece­bi um con­vite para ir para a França para faz­er um espetácu­lo só e acabei fican­do dois meses. Todo mun­do que­ria ouvir Pon­teio.

“Deu tudo certo”

Os 60 anos de car­reira do octo­genário ren­der­am uma coleção de álbuns, apre­sen­tações, turnês nacionais e inter­na­cionais, prêmios, com­posições para filmes e peças. Edu exper­i­men­tou parce­rias com nomes como Vini­cius, Gian­francesco Guarnieri, Ruy Guer­ra, Vian­na Fil­ho, Torqua­to Neto, José Car­los Cap­inan, Paulo César Pin­heiro, Caca­so, Joyce, Ronal­do Bas­tos, Abel Sil­va, Aldir Blanc e Chico Buar­que.

“Deu tudo cer­to, por enquan­to. Olhan­do de longe, eu fico con­tente pela tra­jetória que eu tra­cei.”

Encomendas

Nes­sa tra­jetória cel­e­bra­da, tem um ele­men­to que, para Edu, foi o moti­vador para que as pro­duções tomassem vida e virassem suces­sos. “Encomen­da”. “Eu falo sem­pre que adoro encomen­das. As encomen­das me cri­am von­tade de faz­er músi­ca. Você assi­na um con­tra­to, com uma data”, con­ta.

“Se alguém ofer­ece o mel­hor pro­je­to do mun­do, você inven­ta uma remu­ner­ação absur­da­mente alta e você per­gun­ta para o pro­du­tor quan­do é que tem que entre­gar, e ele fala ‘quan­do quis­er’, sabe quan­do você vai faz­er isso?”, per­gun­ta. “Nun­ca. Eu adoro ter per­son­agens para os quais vou ter que com­por. Isso me moti­va, isso me tira da cadeira para sen­tar no piano e começar a procu­rar”, com­ple­ta.

Edu Lobo admite que tem que procu­rar pela músi­ca. Ela não surge espon­tanea­mente na cabeça dele. “Não duvi­do dessa capaci­dade de pes­soas que estão no meio do jan­tar, ouvem uma melo­dia, um pedaço de letra e têm que sair cor­ren­do. Sin­to muito, mas comi­go nun­ca acon­te­ceu. Eu sou um cara que tem que procu­rar a músi­ca.”

Nos doc­u­men­tos, Edu Lobo rompeu a bar­reira dos 80 anos, mas, segun­do o grande nome da músi­ca brasileira, não é bem assim que se sente. “Como é me sen­tir com 80 anos? Eu gostaria de ter a respos­ta para isso, mas eu não ten­ho a menor ideia. Eu me sin­to ain­da com 50”, brin­ca.

Edição: Juliana Andrade

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