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Após ouro em Tóquio, Mariana D’Andrea quer repetir feito no Mundial

Repro­dução:  © Taku­ma Matsushita/CPB/Direitos Reser­va­dos

Halterofilista retomou treinos logo após voltar da Paralimpíada


Pub­li­ca­do em 29/09/2021 — 08:00 Por Lin­coln Chaves — Repórter da TV Brasil e Rádio Nacional — São Paulo

Há exata­mente um mês, Mar­i­ana D’An­drea escrevia o nome na história do parade­sporto ao con­quis­tar, nos Jogos de Tóquio (Japão), um inédi­to ouro par­alímpi­co para o hal­tero­fil­is­mo brasileiro. Três meses após o feito, a paulista de 23 anos será tes­ta­da pela primeira vez des­de a medal­ha, logo em um Campe­ona­to Mundi­al. Ela já reto­mou os treina­men­tos visan­do a com­petição, que será dis­puta­da entre 28 de novem­bro e 5 de dezem­bro na cidade de Buta­mi (Geór­gia).

“A expec­ta­ti­va é muito boa. Saí de Tóquio prepara­da, tive um resul­ta­do muito bom lá e ago­ra é man­ter os treinos para mel­ho­rar mais ain­da e bus­car out­ra medal­ha, ago­ra de ouro”, disse Mar­i­ana à Agên­cia Brasil.

“Será uma com­petição forte. Em Tóquio, eram oito [atle­tas por cat­e­go­ria]. Na Geór­gia, podem ser 20. Mas estou bem prepara­da, tan­to fisi­ca­mente como psi­co­logi­ca­mente”, com­ple­tou a medal­hista de ouro da cat­e­go­ria até 73 qui­los, que foi pra­ta no últi­mo Mundi­al, real­iza­do em Nur-Sul­tan (Caza­quistão), em 2019, na dis­pu­ta por equipes mis­tas, ao lado de Bruno Car­ra e Evan­dro Rodrigues.

Chegar como atu­al deten­to­ra da coroa da cat­e­go­ria fará de Mar­i­ana a atle­ta mais obser­va­da pelas rivais no Mundi­al. Lidar com a pressão, no entan­to, não parece que será difí­cil para a jovem de Itu (SP), que tem nanis­mo (baixa estatu­ra). No hal­tero­fil­is­mo par­alímpi­co, os com­peti­dores não são divi­di­dos pela defi­ciên­cia, mas con­forme o peso.

“Ten­ho amadure­ci­do com as exper­iên­cias. O ner­vo­sis­mo só atra­pal­ha. Sei que o que faço na com­petição é o mes­mo que faço nos treinos. [Em Tóquio] fiquei bem tran­quila. Sabia que a medal­ha viria. Era meu obje­ti­vo, meu foco. Tin­ha a adren­a­li­na, mas nada de medo ou ner­vo­sis­mo. Nem eu mes­mo acred­itei que esta­va cal­ma daque­le jeito”, recor­dou a brasileira.

“Fiquei sur­pre­so com o equi­líbrio emo­cional da Mar­i­ana. Ela aque­ceu ao lado da adver­sária prin­ci­pal, a chi­ne­sa [Lili Xiu, que foi pra­ta]. Começaram a faz­er pressão, jog­ar a bar­ra, dar gri­tos, mas a Mar­i­ana sim­ples­mente ignorou, virou as costas, fin­giu que nada esta­va acon­te­cen­do. Ela dizia o tem­po todo que que­ria gan­har o ouro, des­de Hama­mat­su [cidade japone­sa onde a del­e­gação brasileira fez acli­matação antes de ir para Tóquio]. Esta­va cer­ta de que dis­putaria o ouro. Isso fez difer­ença”, com­ple­tou o téc­ni­co da atle­ta, Valde­cir Lopes, à Agên­cia Brasil.

A maturi­dade de Mar­i­ana, que ini­ciou na modal­i­dade em 2015, chama atenção pela juven­tude. A brasileira era a segun­da mais jovem entre as final­is­tas da cat­e­go­ria dela em Tóquio. Das oito com­peti­do­ras, cin­co tin­ham mais de 30 anos. A chi­ne­sa Xiu, vice-campeã, tem 40 anos, um a mais que a france­sa Souhad Gha­zouani, recordista mundi­al do peso e medal­hista de bronze no Japão.

“O hal­tero­fil­is­mo par­alímpi­co é um esporte de lon­go pra­zo, que per­mite tran­quil­a­mente que o atle­ta chegue aos 40 anos, 45, sendo com­pet­i­ti­vo. A Mar­i­ana é muito jovem. Min­ha ideia, como treinador, é cuidar para que ela pro­longue ao máx­i­mo da saúde, sem lesão, para atin­gir essa maturi­dade e seguir entre as três primeiras do mun­do por muito tem­po. Ela gos­tou de gan­har o ouro, viu que rep­re­sen­ta mui­ta coisa. Se per­gun­tar a ela sobre [a Par­alimpía­da de] Paris [França], em 2024, ela vai falar que quer gan­har de novo [risos]”, comen­tou Valde­cir.

Os par­tic­i­pantes do Mundi­al ain­da não foram con­fir­ma­dos. A equipe brasileira será defini­da após a sele­ti­va mar­ca­da para 13 de out­ubro, no Cen­tro de Treina­men­to Par­alímpi­co, em São Paulo. Os sete atle­tas que rep­re­sen­taram o país em Tóquio, porém, já pos­suem mar­cas que os cre­den­ci­am à com­petição na Geór­gia e não devem par­tic­i­par do even­to de qual­i­fi­cação.

“Mui­ta gente virá ao Mundi­al em uma fadi­ga dana­da, pois é a primeira vez que o torneio será real­iza­do após a Par­alimpía­da. Talvez as mar­cas não sejam lá tão esper­adas. Mas acho que aque­les que não con­seguiram atin­gir os obje­tivos em Tóquio estarão com a faca nos dentes. Será um campe­ona­to forte e duro, talvez até mais duro que os Jogos”, avaliou o téc­ni­co de Mar­i­ana.

“Meu obje­ti­vo é chegar lá, con­quis­tar essa medal­ha e com­ple­tar o ano bem feliz. Meu treinador sem­pre fala que é difí­cil chegar ao topo, mas que mais difí­cil é se man­ter. Quero con­tin­uar firme e forte para não deixar que as meni­nas me peguem e ser a mel­hor das mel­hores, sem­pre”, final­i­zou a paulista, que foi ao pódio dez vezes nas 12 com­petições inter­na­cionais que dis­putou.

Edição: Fábio Lis­boa

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