...
sábado ,15 junho 2024
Home / Meio Ambiente / Área desmatada no Brasil em 2023 cai 11,6%, indica MapBiomas

Área desmatada no Brasil em 2023 cai 11,6%, indica MapBiomas

Repro­du­ção: © Adri­a­no Gambarini/WWF Brasil/Divulgação

Cerrado ultrapassou Amazônia; e 97% da supressão foi para agropecuária


Publicado em 28/05/2024 — 09:48 Por Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil — São Paulo
Atualizado em 28/05/2024 — 10:26

Mais da meta­de de toda a área des­ma­ta­da no Bra­sil em 2023 está loca­li­za­da no Cer­ra­do, apon­tou o Rela­tó­rio Anu­al do Des­ma­ta­men­to (RAD) do Map­Bi­o­mas, divul­ga­do nes­ta ter­ça-fei­ra (28). Pela pri­mei­ra vez des­de o iní­cio da série his­tó­ri­ca, em 2019, o Cer­ra­do ultra­pas­sou a Amazô­nia em ter­mos de área des­ma­ta­da. Qua­se todo o des­ma­ta­men­to do país (97%), nos últi­mos cin­co anos, teve a expan­são agro­pe­cuá­ria como vetor, des­ta­cou o rela­tó­rio.

O levan­ta­men­to mos­trou que, nos últi­mos cin­co anos, o Bra­sil per­deu 8.558.237 hec­ta­res de vege­ta­ção nati­va, o equi­va­len­te a duas vezes o esta­do do Rio de Janei­ro. No entan­to, em 2023, hou­ve uma que­da de 11,6% na área des­ma­ta­da: ao todo, 1.829.597 hec­ta­res de vege­ta­ção nati­va foram supri­mi­dos em 2023. Em 2022, esse total foi de 2.069.695 hec­ta­res. Essa redu­ção se deu ape­sar de um aumen­to de 8,7% no núme­ro de aler­tas, na mes­ma com­pa­ra­ção.

O Map­Bi­o­mas res­sal­ta que os dados apon­tam a pri­mei­ra que­da do des­ma­ta­men­to no Bra­sil des­de 2019, quan­do se ini­ci­ou a publi­ca­ção do RAD. Por outro lado, a ava­li­a­ção é de que a cara do des­ma­ta­men­to está mudan­do, se con­cen­tran­do nos bio­mas onde pre­do­mi­nam for­ma­ções savâ­ni­cas e cam­pes­tres e dimi­nuin­do nas for­ma­ções flo­res­tais.

» Cli­que aqui para aces­sar a ínte­gra do rela­tó­rio

Cerrado

Dia Nacional do Cerrado. Arte 1

Em 2023, 61% da área des­ma­ta­da em todo o país esta­va no Cer­ra­do e 25% na Amazô­nia. Foram 1.110.326 hec­ta­res des­ma­ta­dos no Cer­ra­do, no ano pas­sa­do, um cres­ci­men­to de 68% em rela­ção a 2022. Na Amazô­nia, a área de vege­ta­ção supri­mi­da no ano pas­sa­do foi de 454,3 mil hec­ta­res – uma que­da de 62,2% em rela­ção a 2022.

Com exce­ção do Piauí, São Pau­lo e Para­ná, todos os outros esta­dos que con­cen­tram o Cer­ra­do regis­tra­ram aumen­to do des­ma­ta­men­to em 2023 na com­pa­ra­ção com 2022. No caso do Mara­nhão, Tocan­tins, Goiás, Pará e Dis­tri­to Fede­ral, a área des­ma­ta­da mais do que dobrou.

Coor­de­na­do­ra do Map­Bi­o­mas Cer­ra­do, Ane Alen­car lem­bra que o Cer­ra­do – que já per­deu mais da meta­de de sua vege­ta­ção nati­va –, pas­sou a ser o pro­ta­go­nis­ta do des­ma­ta­men­to no país, o que des­per­ta pre­o­cu­pa­ção:

“O Cer­ra­do é um bio­ma estra­té­gi­co no que diz res­pei­to à ques­tão hidro­ló­gi­ca e o des­ma­ta­men­to do bio­ma tem um impac­to gran­de na ques­tão hídri­ca. Vári­as baci­as que nas­cem no Cer­ra­do banham outros bio­mas, então, nes­se sen­ti­do, o des­ma­ta­men­to e a per­da do Cer­ra­do repre­sen­ta um impac­to para os outros bio­mas.”

Em 2023, a área média des­ma­ta­da por dia no país foi de 5.013 hec­ta­res ou 228 hec­ta­res por hora. Mais da meta­de foi no Cer­ra­do, onde foram supri­mi­dos 3.042 hec­ta­res de vege­ta­ção nati­va por dia. O resul­ta­do é mais que o dobro da área des­ma­ta­da na Amazô­nia, 1.245 hec­ta­res por dia, que, ain­da assim, equi­va­le a cer­ca de 8 árvo­res por segun­do.

O dia com mai­or área des­ma­ta­da em todo o país, no ano pas­sa­do, foi 15 de feve­rei­ro, quan­do a esti­ma­ti­va é que uma área equi­va­len­te a qua­se seis mil cam­pos de fute­bol foi des­ma­ta­da em ape­nas 24 horas.

Matopiba

Os dois mai­o­res bio­mas do Bra­sil – Amazô­nia e Cer­ra­do – soma­ram mais de 85% da área total des­ma­ta­da no país. Ape­nas qua­tro esta­dos com Cer­ra­do, que for­mam a região conhe­ci­da como Mato­pi­ba (Mara­nhão, Tocan­tins, Piauí e Bahia), ultra­pas­sa­ram a área des­ma­ta­da nos esta­dos da Amazô­nia e res­pon­de­ram por qua­se meta­de (47%) de toda a per­da de vege­ta­ção nati­va no país no ano pas­sa­do. Dos qua­tro esta­dos do Mato­pi­ba, ape­nas no Piauí teve redu­ção da área des­ma­ta­da, enquan­to nos demais hou­ve cres­ci­men­to.

Em 2023, o Mato­pi­ba per­deu 858.952 hec­ta­res de vege­ta­ção nati­va, o que sig­ni­fi­ca um aumen­to de 59% em rela­ção ao ano de 2022, o qual já havia regis­tra­do aumen­to (36%) em rela­ção a 2021. Segun­do o rela­tó­rio, três em cada qua­tro hec­ta­res des­ma­ta­dos no Cer­ra­do em 2023 (74%) foram no Mato­pi­ba.

Dois ter­ços (33) dos 50 muni­cí­pi­os que mais des­ma­ta­ram no Bra­sil em 2023 ficam no Cer­ra­do, sen­do que os 10 muni­cí­pi­os com mai­or área des­ma­ta­da no Cer­ra­do em 2023 estão todos loca­li­za­dos no Mato­pi­ba, apon­tou o levan­ta­men­to.

“O com­ba­te ao des­ma­ta­men­to no Cer­ra­do exi­ge uma abor­da­gem mul­ti­fa­ce­ta­da. Pri­mei­ro, é essen­ci­al dis­tin­guir cla­ra­men­te o que é legal e ile­gal, para que as ações de fis­ca­li­za­ção pos­sam efe­ti­va­men­te ini­bir o des­ma­ta­men­to ile­gal. Ao mes­mo tem­po, deve­mos ofe­re­cer incen­ti­vos para o melhor apro­vei­ta­men­to das áre­as já des­ma­ta­das, redu­zin­do assim a pres­são sobre novas áre­as e redu­zin­do por­tan­to o des­ma­ta­men­to legal.”

Ela ava­lia que o aumen­to do des­ma­ta­men­to no Cer­ra­do pare­ce ser o resul­ta­do de uma per­cep­ção de que tudo pode ser lega­li­zá­vel no bio­ma. “Temos que enten­der que não é por­que a reser­va legal é menor no Cer­ra­do que todo o des­ma­ta­men­to vai ser legal. Na rea­li­da­de, pre­ci­sa­mos sim ter cla­ra­men­te o núme­ro da ile­ga­li­da­de para que as ações de coman­do e con­tro­le pos­sam ser efe­ti­vas, assim como as ações de deses­tí­mu­lo à aber­tu­ra de novas áre­as tam­bém”.

Ranking dos estados

Pela pri­mei­ra vez, o esta­do do Mara­nhão saiu da quin­ta para a pri­mei­ra posi­ção em área total supri­mi­da, com 331.225 hec­ta­res des­ma­ta­dos – aumen­to de 95,1% em rela­ção ao ano pas­sa­do. A Bahia ficou em segun­do lugar, com 290.606 hec­ta­res supri­mi­dos e cres­ci­men­to de 27,5%. O ter­cei­ro esta­do no ran­king foi o Tocan­tins, com 230.253 hec­ta­res des­ma­ta­dos e aumen­to per­cen­tu­al de 177,9%, em rela­ção a 2022.

O ran­king dos cin­co esta­dos com mai­or área des­ma­ta­da no Bra­sil inclui ain­da dois líde­res his­tó­ri­cos: Pará e Mato Gros­so. No entan­to, ambos regis­tra­ram que­da em 2023 – de 60,3% e de 32,1%, res­pec­ti­va­men­te. A supres­são de vege­ta­ção nati­va em ter­ri­tó­rio para­en­se foi de 184.763 hec­ta­res; no Mato Gros­so, 161.381 hec­ta­res.

“Essa mudan­ça se refle­tiu tam­bém no tipo de vege­ta­ção supri­mi­da. Em 2023, pela pri­mei­ra vez, hou­ve o pre­do­mí­nio de des­ma­ta­men­to em for­ma­ções savâ­ni­cas (54,8%) segui­do de for­ma­ções flo­res­tais (38,5%) que pre­do­mi­na­ram nos qua­tro pri­mei­ros anos do levan­ta­men­to”, des­ta­cou a enti­da­de.

O Map­Bi­o­mas res­sal­ta que a lide­ran­ça do Cer­ra­do em área de des­ma­ta­men­to no ano pas­sa­do se refle­te em outros indi­ca­do­res. O mai­or aler­ta de des­ma­ta­men­to do Bra­sil acon­te­ceu no Cer­ra­do, com área de 6.691 hec­ta­res, no muni­cí­pio do Alto Par­naí­ba (MA). No bio­ma, foi detec­ta­do ain­da o aler­ta de mai­or velo­ci­da­de média diá­ria de des­ma­ta­men­to, sen­do 944 hec­ta­res em 8 dias, no muni­cí­pio de Bai­xa Gran­de do Ribei­ro (PI).

São Desi­dé­rio (BA), cujo prin­ci­pal bio­ma tam­bém é o Cer­ra­do, lide­ra o ran­king dos muni­cí­pi­os que mais des­ma­ta­ram no país em 2023, com 40.052 hec­ta­res. No ano pas­sa­do, 70% dos muni­cí­pi­os do Cer­ra­do regis­tra­ram pelo menos um even­to de des­ma­ta­men­to.

Colheita de soja, agricultura
Repro­du­ção: Qua­se toda a supres­são de vege­ta­ção (97%) no país, em 2023, foi para expan­são agro­pe­cuá­ria — CNA/Wenderson Araujo/Trilux

Áreas Protegidas

“É no Cer­ra­do que fica a ter­ra indí­ge­na (TI) com mai­or área des­ma­ta­da no país no ano pas­sa­do: Por­qui­nhos dos Cane­la-Apãn­je­kra, com cer­ca de 2.750 hec­ta­res [supri­mi­dos]. Ao todo, foram per­di­dos 7.048 hec­ta­res de vege­ta­ção nati­va em TIs no Cer­ra­do, um aumen­to de 188% em rela­ção a 2022. Em todo o Bra­sil, ao con­trá­rio, hou­ve que­da no des­ma­ta­men­to em TIs”, divul­gou a enti­da­de.

Em 2023, 20.822 hec­ta­res de vege­ta­ção nati­va den­tro de ter­ras indí­ge­nas foram des­ma­ta­dos, o que repre­sen­ta 1,1% de todo o des­ma­ta­men­to no ano. Hou­ve uma redu­ção de mais de 27% no des­ma­ta­men­to em TIs, na com­pa­ra­ção com 2022.

Den­tro de uni­da­des de con­ser­va­ção (UCs), foram 96.761 hec­ta­res de vege­ta­ção nati­va supri­mi­dos em 2023, uma redu­ção de 53,5% em rela­ção a 2022. Em UCs de Pro­te­ção Inte­gral, a redu­ção foi de 72,3%. A mai­or per­da de vege­ta­ção nati­va em UCs ocor­reu em Área de Pro­te­ção Ambi­en­tal (APA) Esta­du­ais no Cer­ra­do, tota­li­zan­do 41.934 hec­ta­res des­ma­ta­dos. A APA mais des­ma­ta­da no país em 2023 tam­bém fica no Cer­ra­do: APA do Rio Pre­to, com 13.596 hec­ta­res des­ma­ta­dos.

Irregularidade

Ain­da de acor­do com o Map­Bi­o­mas, ape­sar de ape­nas 0,96% dos imó­veis cadas­tra­dos no Cadas­tro Ambi­en­tal Rural (CAR) terem regis­tro de des­ma­ta­men­to em 2023, eles res­pon­de­ram por 89% das áre­as des­ma­ta­das do país. Do total de 71.689 imó­veis cadas­tra­dos no CAR com des­ma­ta­men­to vali­da­do em 2023, 43,1% foram rein­ci­den­tes, ou seja, já tive­ram regis­tro de des­ma­ta­men­to em anos ante­ri­o­res.

Para esti­mar o quan­to do des­ma­ta­men­to no Bra­sil não tem indí­ci­os de irre­gu­la­ri­da­de ou de ile­ga­li­da­de, a enti­da­de expli­ca que cada aler­ta é ava­li­a­do con­si­de­ran­do alguns cri­té­ri­os como se há auto­ri­za­ção cadas­tra­da nas bases de dados ofi­ci­ais, ou se há sobre­po­si­ção com áre­as pro­te­gi­das, como Uni­da­de de Con­ser­va­ção de Pro­te­ção Inte­gral, Reser­va Legal ou Área de Pre­ser­va­ção Per­ma­nen­te.

O rela­tó­rio anu­al de des­ma­ta­men­to iden­ti­fi­cou que 4,04% de toda a vege­ta­ção supri­mi­da nos últi­mos cin­co anos não tem indí­ci­os de ile­ga­li­da­de ou irre­gu­la­ri­da­de, con­si­de­ran­do auto­ri­za­ções dos esta­dos que dis­po­ni­bi­li­za­ram dados publi­ca­men­te. Para o ano de 2023, mais de 93% da área des­ma­ta­da no Bra­sil teve pelo menos um indí­cio de irre­gu­la­ri­da­de.

Amazônia

A redu­ção (62,2%) no des­ma­ta­men­to no bio­ma Amazô­nia acon­te­ceu em todos os esta­dos, exce­to no Ama­pá, onde hou­ve cres­ci­men­to de 27%. Na região de Ama­cro, que reú­ne os esta­dos do Ama­zo­nas, Acre e Rondô­nia, e que já foi con­si­de­ra­da a prin­ci­pal fren­te de des­ma­ta­men­to do Bra­sil, hou­ve que­da de 74% na área des­ma­ta­da, que ficou em 102.956 hec­ta­res em 2023.

Dos 559 muni­cí­pi­os do bio­ma, 436 tive­ram algum des­ma­ta­men­to detec­ta­do em 2023, ou seja, 78% do total. Nos 10 muni­cí­pi­os que mais des­ma­ta­ram na Amazô­nia hou­ve que­da. Dos 50 muni­cí­pi­os que mais per­de­ram vege­ta­ção nati­va em 2023, 13 estão pre­sen­tes na lis­ta de muni­cí­pi­os do bio­ma Amazô­nia con­si­de­ra­dos pri­o­ri­tá­ri­os (Por­ta­ria GM/MMA 834 de 2023) e todos eles apre­sen­ta­ram que­da na área des­ma­ta­da em rela­ção a 2022.

“Hou­ve redu­ção no tama­nho médio dos aler­tas e na área des­ma­ta­da na mai­o­ria dos esta­dos, incluin­do a crí­ti­ca região do Ama­cro. Por outro lado, obser­va-se um pos­sí­vel des­lo­ca­men­to des­te des­ma­ta­men­to, que está cres­cen­do em outros bio­mas, par­ti­cu­lar­men­te no Cer­ra­do, que apre­sen­tou a mai­or área des­ma­ta­da no Bra­sil em 2023”, apon­tou Laris­sa Amo­rim, da equi­pe de Amazô­nia do Map­Bi­o­mas, em nota.

DESMATAMENTO AMAZÔNIA - Lábrea, Amazonas Foto: Victor Moriyama/Greenpeace
Repro­du­ção: Supres­são de vege­ta­ção nati­va na Amazô­nia — Vic­tor Moriyama/Greenpeace

Pantanal

Em 2023 o Pan­ta­nal regis­trou a mai­or área média dos even­tos de des­ma­ta­men­to entre os bio­mas (158,2 hec­ta­res) e um aumen­to de 59,2% no des­ma­ta­men­to em rela­ção a 2022. Ao todo, 49.673 hec­ta­res de vege­ta­ção nati­va foram supri­mi­dos no ano pas­sa­do. Pelo ter­cei­ro ano con­se­cu­ti­vo, o bio­ma apre­sen­tou a mai­or velo­ci­da­de média de des­ma­ta­men­to, sen­do 2,1 hectares/dia por even­to de des­ma­ta­men­to.

For­ma­ções flo­res­tais e savâ­ni­cas res­pon­dem por 73% do des­ma­ta­men­to no bio­ma. Qua­se todo (99%) o des­ma­ta­men­to no bio­ma está em áre­as pri­va­das regis­tra­das no Cadas­tro Ambi­en­tal Rural (CAR).

“O muni­cí­pio de Corum­bá (MS) res­pon­de por 60% do ter­ri­tó­rio do Pan­ta­nal e por meta­de do des­ma­ta­men­to regis­tra­do no bio­ma no ano pas­sa­do. É tam­bém o quin­to muni­cí­pio que mais des­ma­tou no Bra­sil em 2023. Mais da meta­de (52%) do des­ma­ta­men­to do Mato Gros­so do Sul está no Pan­ta­nal, bio­ma que repre­sen­ta menos de um ter­ço do ter­ri­tó­rio do esta­do”, des­ta­cou o Map­Bi­o­mas.

Além de even­tos extre­mos de seca no bio­ma, a enti­da­de ava­lia que o des­ma­ta­men­to tem sido uma gran­de ame­a­ça ao Pan­ta­nal. “O des­ma­ta­men­to de flo­res­tas e sava­nas para a for­ma­ção de pas­ta­gem exó­ti­ca acon­te­ce em gran­de esca­la. A pre­ser­va­ção des­sas áre­as flo­res­ta­das e o mane­jo das pas­ta­gens são fun­da­men­tais para a manu­ten­ção da bio­di­ver­si­da­de de fau­na e flo­ra, em con­jun­to com os sis­te­mas tra­di­ci­o­nais de pecuá­ria do Pan­ta­nal”, pon­tu­ou Edu­ar­do Rosa, coor­de­na­dor da equi­pe do Pan­ta­nal do Map­Bi­o­mas, em nota.

Caatinga

Mais de um quin­to (22%) dos aler­tas vali­da­dos em todo o Bra­sil no ano pas­sa­do vie­ram da Caa­tin­ga, que res­pon­deu por 11% da área des­ma­ta­da no país. Foram 201.687 hec­ta­res, um aumen­to de 43,3% em rela­ção a 2022. Hou­ve regis­tro de pelo menos um even­to de des­ma­ta­men­to em 1.047 dos 1.209 muni­cí­pi­os (87%) que com­põem o bio­ma, em 2023.

A Bahia lide­ra o des­ma­ta­men­to, com 93.437 hec­ta­res, o que repre­sen­ta aumen­to de 34% em rela­ção a 2022. Em segui­da, vem o Cea­rá, com 32.486 hec­ta­res – cres­ci­men­to de 28%. O mai­or aumen­to per­cen­tu­al foi regis­tra­do no Rio Gran­de do Nor­te: 62% (total de 9.133 hec­ta­res). Em ape­nas um esta­do hou­ve redu­ção na supres­são de vege­ta­ção nati­va: Per­nam­bu­co, com 15.996 hec­ta­res, ou seja, que­da de 35% em rela­ção a 2022.

Brasília (DF) 21/05/2024 - Fotos feitas durante sobrevoo no norte da Bahia e parte do Piauí no início do mêsÁreas de encraves de Mata Atlântica no cerrado. Foto: Thomas Bauer/ SOS Mata Atlântica
Repro­du­ção: Sobre­voo no nor­te da Bahia, pró­xi­mo ao Piauí — Tho­mas Bauer/ SOS Mata Atlân­ti­ca

“O mai­or des­ma­ta­men­to veri­fi­ca­do na Caa­tin­ga foi impul­si­o­na­do pela expan­são de ati­vi­da­des agro­pe­cuá­ri­as, prin­ci­pal­men­te na fron­tei­ra agrí­co­la do Mato­pi­ba. Um exem­plo é o muni­cí­pio de Bar­ra, na Bahia, onde há regis­tro do mai­or des­ma­ta­men­to e aler­ta no bio­ma. Um fenô­me­no que cap­tu­ra­mos é o des­ma­ta­men­to para fins de implan­ta­ção de par­ques sola­res e eóli­cos cres­cen­do pelo bio­ma”, expli­cou Washing­ton Rocha, coor­de­na­dor da equi­pe da Caa­tin­ga do Map­Bi­o­mas, em nota. Mais de 4.302 hec­ta­res foram des­ma­ta­dos por empre­en­di­men­tos de ener­gia reno­vá­veis (eóli­ca e solar).

Mata Atlântica

No ano pas­sa­do, 12.094 hec­ta­res de Mata Atlân­ti­ca foram des­ma­ta­dos, uma que­da de 59% em rela­ção a 2022. A redu­ção ocor­reu em todos os esta­dos do bio­ma, tan­to em área des­ma­ta­da quan­to em núme­ro de aler­tas. No bio­ma, Minas Gerais redu­ziu a área des­ma­ta­da em 60%, ou seja, mais de 7 mil hec­ta­res; na Bahia, a que­da foi de 53%; no Para­ná, foi de 71%. Ape­sar dis­so, dos 10 muni­cí­pi­os que mais des­ma­ta­ram, os dois pri­mei­ros ficam na Bahia e os oito res­tan­tes em Minas Gerais.

A média de área des­ma­ta­da por dia e a média de even­tos de des­ma­ta­men­to caí­ram mais de 50% em rela­ção a 2022. As mai­o­res redu­ções pro­por­ci­o­nais foram obser­va­das nos aler­tas de mais de 100 hec­ta­res, com 88% menos área des­ma­ta­da se com­pa­ra­do a 2022 e 90% menos even­tos de des­ma­ta­men­to.

“A agro­pe­cuá­ria ain­da é o prin­ci­pal vetor de des­ma­ta­men­to na Mata Atlân­ti­ca, além da expan­são das cida­des. Em 2023, obser­va­mos áre­as devas­ta­das por desas­tres natu­rais cau­sa­dos pelas chu­vas em São Pau­lo e por mine­ra­ção em Minas Gerais”, obser­vou Nata­lia Crus­co, coor­de­na­do­ra téc­ni­ca da equi­pe da Mata Atlân­ti­ca do Map­Bi­o­mas, em nota.

Pampa

Pampa Sul-Americano perdeu 20% de vegetação campestre, diz MapBiomas. Foto: MapBiomas.Org
Repro­du­ção: Levan­ta­men­to iden­ti­fi­cou pou­co menos de um ter­ço (21,9%) de supres­são de vege­ta­ção cam­pes­tre — MapBiomas.Org

O Pam­pa regis­trou que­da de 50% na área de vege­ta­ção supri­mi­da em 2023, com 1.547 hec­ta­res. Dos 231 muni­cí­pi­os do bio­ma, 97 tive­ram algum des­ma­ta­men­to detec­ta­do no ano, ou seja, 42% do total. Em ape­nas cin­co deles acon­te­ceu mais da meta­de (51%) do total des­ma­ta­do no bio­ma: Encru­zi­lha­da do Sul (334 hec­ta­res), Pira­ti­ni (208 hec­ta­res), Her­val (130 hec­ta­res), Can­gu­çu (77 hec­ta­res) e Bagé (49 hec­ta­res).

Levan­ta­men­to do Map­Bi­o­mas iden­ti­fi­cou que mais de três quar­tos (77,7%) da área des­ma­ta­da é de for­ma­ções flo­res­tais; e um pou­co menos de um ter­ço (21,9%), de for­ma­ção cam­pes­tre. A enti­da­de pon­de­ra, no entan­to, que os atu­ais sis­te­mas de detec­ção do des­ma­ta­men­to no Pam­pa estão cali­bra­dos para a supres­são das flo­res­tas e, por con­ta dis­so, ain­da não moni­to­ram a supres­são da vege­ta­ção cam­pes­tre de modo efi­ci­en­te, que é a vege­ta­ção nati­va típi­ca e pre­do­mi­nan­te nes­se bio­ma.

Maté­ria ampli­a­da às 10h26

Edi­ção: Deni­se Gri­e­sin­ger

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

PF faz operação contra caça de mico-leão-dourado no RJ

Repro­du­ção: © Arquivo/Marcello Casal Jr/Agência Bra­sil Armadilhas para captura foram observadas em área de proteção …