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Áurea Martins celebra benzedeiras de sua infância: ‘Sempre fui rezada’

Show Senhora das Folhas chega a Brasília neste fim de semana

Cristi­na Índio do Brasil — repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 28/03/2025 — 06:30
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro (RJ), 25/03/2025 - Áurea Martins nos jardins do Palácio do Catete. A cantora Áurea Martins comemora 85 anos de vida e se mantém ativa, e tendo reconhecimento para os mais de 50 anos de carreira. Foto: Tânia Rêgo/Agência BrasilRepro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

A força das rezas de Vovó Franceli­na pro­tegeu Áurea Mar­tins e tam­bém foi refer­ên­cia para um de seus prin­ci­pais tra­bal­hos, o álbum Sen­ho­ra das Fol­has, con­sid­er­a­do uma obra antológ­i­ca por espe­cial­is­tas e indi­ca­do ao Gram­my Lati­no. Per­to de 85 anos de idade e com mais de 50 de car­reira, a can­to­ra cel­e­bra rezadeiras e ben­zedeiras em suas faixas e con­ta a relação pes­soal do tema com sua história em entre­vista à Agên­cia Brasil.

“Eu sem­pre fui reza­da por uma rezadeira que tin­ha 102 anos. Ela não chegou a ser escra­va, mas os pais foram. Vovó Franceli­na, em Cam­po Grande [bair­ro da zona oeste do Rio]. Eu sou de lá, né?”, disse, lem­bran­do que ain­da tin­ham uma tia e uma out­ra sen­ho­ra, que mora­va per­to da sua casa. “Eu lem­bro até hoje da reza da Vó Franceli­na. A gente chama­va de Vó. Ela tin­ha 102 anos, era viz­in­ha. Pega­va as ervas…[fez o gesto de rezadeiras] Eu acho que dá uma pro­teção enorme. Eu já fui assalta­da com revólver na cara, mas acho que estou em uma redo­ma. Não acon­tece nada”, com­ple­tou.

Des­ta sex­ta-feira (28) até domin­go (30), vai apre­sen­tar o show Sen­ho­ra das Fol­has, no Teatro da CAIXA Cul­tur­al Brasília, no Setor Bancário Sul. “Do mes­mo jeito que tem sido, com mui­ta gente. Agra­da ao públi­co”, disse, sobre a recepção que espera da plateia para este show, na cidade onde já fez out­ras apre­sen­tações.

Uma das mais mar­cantes foi logo depois de vencer, em 1969, no con­cur­so do pro­gra­ma A Grande Chance, apre­sen­ta­do por Flávio Cav­al­can­ti, na emis­so­ra car­i­o­ca TV Tupi; Out­ra foi um show com João Bosco, quan­do can­tou bossa-nova e jazz. Hou­ve ain­da um out­ro, com o can­tor Emílio San­ti­a­go.

Rio de Janeiro (RJ), 25/03/2025 - Áurea Martins nos jardins do Palácio do Catete. A cantora Áurea Martins comemora 85 anos de vida e se mantém ativa, e tendo reconhecimento para os mais de 50 anos de carreira. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Repro­dução: A can­to­ra Áurea Mar­tins comem­o­ra 85 anos de vida e se man­tém ati­va Tânia Rêgo/Agência Brasil

O nome do espetácu­lo, que tem roteiro, direção artís­ti­ca e de pro­dução de Rena­ta Grec­co, é o mes­mo do álbum lança­do em 2022. Ape­sar de recente, é con­sid­er­a­do pela can­to­ra como atem­po­ral. Aém da cel­e­bração às rezadeiras e ben­zedeiras, há espaço para coco de roda, rit­mo afro­brasileiro car­ac­terís­ti­co da região nordeste; can­to indí­ge­na; sam­bas e canções de artis­tas con­tem­porâ­neos, como Pro­jo­ta, Flaira Fer­ro e Arlin­do Cruz. Áurea gos­ta de todas as músi­cas, mas não deixa de demon­strar as letras que a tocam mais.

“Todas elas, porque falam fun­do em mim, mas Me Curar de Mim e A Rezadeira…[bate no peito mostran­do emoção] Olha, eu gos­to do dis­co todo. Sen­ho­ra San­tana [um ben­di­to de origem medieval], San­to Antônio de Cate­geró [lou­vação que faz na músi­ca Prece do Ó]”, con­tin­u­ou elen­can­do as mais sen­síveis.

Ain­da pen­san­do em pro­teção, fala com feli­ci­dade que nasceu no dia de San­to Antônio, 13 de jun­ho. “Vou fes­te­jar o meu aniver­sário lá no Teatro Rival. Quem estiv­er lá eu chamo para o pal­co”, adiantou, recor­dan­do que já teve um ícone da bossa nova entre os pre­sentes.” Eu sem­pre faço aniver­sário no Rival. John­ny Alves esta­va lá. Ele gri­tou ‘vou aí tam­bém’. Ele subiu e tocou”.

Álbum

Em princí­pio, a pro­du­to­ra Rena­ta Grec­co chegou a pen­sar em faz­er o pro­je­to com várias can­toras con­vi­dadas, mas desis­tiu ao ouvir Áurea can­tan­do. “Não deu out­ra, né? Foi a pes­soa per­fei­ta para o lugar cer­to”, con­tou à Agên­cia Brasil, Lui Coim­bra, mul­ti-instru­men­tista, can­tor e dire­tor musi­cal do espetácu­lo.

O envolvi­men­to com as músi­cas que can­ta em toda a sua tra­jetória é com­ple­to. “Eu sou muito de pen­sar no tex­to e o que ele quer diz­er. Mer­gul­ho fun­do no tex­to. Não sei explicar, sei que via­jo. Às vezes, estou sem voz para can­tar, mas, na hora, flui, porque eu faço mui­ta coisa com a voz”, disse Áurea, rev­e­lando ain­da que sente de ime­di­a­to o retorno do públi­co.

Gen­erosa, recon­hece o tal­en­to dos músi­cos que a acom­pan­ham. “Eu soz­in­ha não ia faz­er. Tem o André Gabeh, o Mar­cos Suzano, Fred Fer­reira, o Lui [Coim­bra]. Eu não faço nada soz­in­ha. O Lui que dirigiu”, pon­tu­ou.

Indicação

O álbum Sen­ho­ra das Fol­has tem tam­bém um out­ro sig­nifi­ca­do. Trouxe um recon­hec­i­men­to inédi­to. “Chegou o Gram­my Lati­no. Foi a primeira vez que eu tive um dis­co [indi­ca­do], já tive um [out­ro] dis­co do Paulo César Feital, mas era uma par­tic­i­paçãoz­in­ha. Mas meu dis­co, nun­ca. Olha que tive dis­co até com Luiz Eça, e nun­ca tive indi­cação. Acho que caiu como uma luva”.

Na tra­jetória de Áurea estão nove dis­cos solo, diver­sas par­tic­i­pações em out­ros, além do prêmio de Mel­hor Can­to­ra no Prêmio da Músi­ca Brasileira 2009 e um cur­ta-metragem sobre sua vida com mais de 21 prêmios, inclu­sive de mel­hor atriz.

Ela recor­da tam­bém muitos encon­tros com artis­tas de destaque da músi­ca brasileira. Sobre uma delas, tem boas recor­dações. Áurea teve par­tic­i­pação dire­ta no iní­cio da car­reira de Elis Regi­na, que foi ten­tar uma opor­tu­nidade na Rádio Nacional, na qual Áurea já par­tic­i­pa­va do pro­gra­ma Paulo Gracin­do.

“Eu sou afil­ha­da do Paulo Gracin­do. Ela esta­va chegan­do [do Rio Grande do Sul] e foi can­tar lá tam­bém. Foi legal. Eu fica­va pen­san­do ‘essa garo­ta fala’, mas aí começou a amizade. Quan­do ela abriu a boca e can­tou, eu falei ‘que coisa’ e per­gun­tei ‘que voz é essa?’. Ela falou que ado­ra­va Angela Maria. Depois, nun­ca mais eu vi e não quero ver ago­ra tam­bém não”, con­tou sor­rindo.

Banda

Rio de Janeiro (RJ), 25/03/2025 - Lui Coimbra, diretor musical e violoncelista do show

A ban­da que acom­pan­ha Áurea nes­tas apre­sen­tações tam­bém é de respeito. Além de dire­tor musi­cal do espetácu­lo, Lui Coim­bra assume o vio­lon­ce­lo, o vio­lão, a rabeca, o cha­rango andi­no e os vocais. Nas gui­tar­ras e vocais, estará Fred Fer­reira. O pan­deiro e a per­cussão ficarão a car­go do acla­ma­do Mar­cos Suzano. No con­tra­baixo acús­ti­co, Pedro Aune, e André Gabeh na voz.

“Tem sido sem­pre muito forte, uma ener­gia muito con­ta­giante com a plateia. O roteiro está bem redond­in­ho. Começa com o Ramo, que é uma músi­ca que fala do amor que é uma coisa mes­mo de rezadeira, com aque­le vozeirão dela, vai subindo, e daqui a pouco tem uma que é quase um afropop, um can­to para Ossain [orixá]. Tem o can­to das cabo­clas, bem afro, e o sam­ba Ilu Ayê, que can­ta acom­pan­ha­da de Mar­cos Suzano”, descreveu Lui Coim­bra.

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