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Autoridades se manifestam sobre invasão do Congresso norte-americano

Policiais americanos montam guarda enquanto apoiadores do presidente norte-americano Donald Trumb protestam em frente ao Capitólio em Washington.

© REUTERS / Leah Mil­lis (Repro­du­ção)

Protesto ocorreu na tarde de quarta-feira em Washington


Publi­ca­do em 07/01/2021 — 12:09 Por Agên­cia Bra­sil — Bra­sí­lia

Auto­ri­da­des bra­si­lei­ras se mani­fes­ta­ram pelas redes soci­ais sobre a  inva­são do Capi­tó­lio, sede do Par­la­men­to ame­ri­ca­no, que ocor­reu na tar­de de quar­ta-fei­ra (6). O tumul­to inter­rom­peu o pro­ces­so de cer­ti­fi­ca­ção das elei­ções pre­si­den­ci­ais. A rati­fi­ca­ção da vitó­ria de Joe Biden ocor­reu por vol­ta das 3h40 (5h40, no horá­rio de Bra­sí­lia). Biden teve 306 votos con­fir­ma­dos con­tra 232 para o atu­al pre­si­den­te do país, Donald Trump. 

Em nota divul­ga­da nes­ta quin­ta-fei­ra (7), o minis­tro Luiz Edson Fachin, vice-pre­si­den­te do Tri­bu­nal Supe­ri­or Elei­to­ral (TSE) e do Supre­mo Tri­bu­nal Fede­ral (STF) dis­se que a alter­nân­cia de poder não pode ser moti­vo para tru­cu­lên­cia. “A vio­lên­cia come­ti­da, nes­se iní­cio de 2021, con­tra o Con­gres­so nor­te-ame­ri­ca­no deve colo­car em aler­ta a demo­cra­cia bra­si­lei­ra. Na tru­cu­lên­cia da inva­são do Capi­tó­lio, a soci­e­da­de e o pró­prio Esta­do pare­cem se desa­lo­jar de uma região civi­li­za­tó­ria para habi­tar um pro­po­si­tal ter­re­no da bar­bá­rie. A alter­nân­cia de poder não pode ser moti­vo de rom­pi­men­to, pois par­ti­ci­pa do con­cei­to de repú­bli­ca”, des­ta­ca.

“Em outu­bro de 2022 o Bra­sil irá às urnas nas elei­ções pre­si­den­ci­ais. Elei­ções perió­di­cas de acor­do com as regras esta­be­le­ci­das na Cons­ti­tui­ção e uma Jus­ti­ça Elei­to­ral com­ba­ten­do a desin­for­ma­ção são impres­cin­dí­veis para a demo­cra­cia e para o res­pei­to dos direi­tos das gera­ções futu­ras. Quem deses­ta­bi­li­za a reno­va­ção do poder ou que fal­sa­men­te con­fron­te a inte­gri­da­de das elei­ções deve ser res­pon­sa­bi­li­za­do em um pro­ces­so públi­co e trans­pa­ren­te. A demo­cra­cia não tem lugar para os que dela abu­sam. Alar­mar-se pelo abis­mo à fren­te, defen­der a auto­no­mia e a inte­gri­da­de da Jus­ti­ça Elei­to­ral e res­pon­sa­bi­li­zar os que aten­tam con­tra a ordem cons­ti­tu­ci­o­nal são impe­ra­ti­vos para a defe­sa das demo­cra­ci­as”, com­ple­ta a nota.

O pre­si­den­te do Tri­bu­nal Supe­ri­or Elei­to­ral (TSE) e minis­tro do Supre­mo Tri­bu­nal Fede­ral (STF), Luís Rober­to Bar­ro­so, se mani­fes­tou na noi­te de ontem (6) sobre o epi­só­dio pelas redes soci­ais. “No tris­te epi­só­dio nos EUA, apoi­a­do­res do fas­cis­mo mos­tra­ram sua ver­da­dei­ra face: anti­de­mo­crá­ti­ca e tru­cu­len­ta. Pes­so­as de bem, inde­pen­den­te­men­te de ide­o­lo­gia, não apoi­am a bar­bá­rie. Espe­ro que a soci­e­da­de e as ins­ti­tui­ções ame­ri­ca­nas rea­jam com vigor a essa ame­a­ça à demo­cra­cia”.

Pelo Twit­ter, o pre­si­den­te do Sena­do bra­si­lei­ro, Davi Alco­lum­bre, comen­tou que a Casa  “envia aos con­gres­sis­tas e ao povo ame­ri­ca­no nos­sa soli­da­ri­e­da­de e nos­so apoio”. “Defen­do, como sem­pre defen­di, que a demo­cra­cia deve ser res­pei­ta­da e que a von­ta­de da mai­o­ria deve pre­va­le­cer”, com­ple­ta.

Rodri­go Maia, pre­si­den­te da Câma­ra, clas­si­fi­cou a inva­são do Con­gres­so nor­te-ame­ri­ca­no como “um ato de deses­pe­ro de uma cor­ren­te anti­de­mo­crá­ti­ca que per­deu as elei­ções”. “Fica cada vez mais cla­ro que o úni­co cami­nho é a demo­cra­cia, com diá­lo­go e res­pei­tan­do a Cons­ti­tui­ção”, com­ple­tou.

Na noi­te de ontem, o minis­tro do STF Gil­mar Men­des tam­bém se mani­fes­tou. “A inva­são do Capi­tó­lio nor­te-ame­ri­ca­no reve­la as gra­ves con­sequên­ci­as do sec­ta­ris­mo polí­ti­co odi­o­so. O epi­só­dio refor­ça a impor­tân­cia de uma Jus­ti­ça Elei­to­ral alti­va. Notí­ci­as fal­sas e milí­ci­as digi­tais não ape­nas cor­ro­em a demo­cra­cia: elas colo­cam em ris­co a vida huma­na”, des­ta­cou no Twit­ter.

Manifestação

O pro­tes­to inter­rom­peu os tra­ba­lhos dos con­gres­sis­tas duran­te vári­as horas, e o con­fron­to entre mani­fes­tan­tes e poli­ci­ais dei­xou pelo menos qua­tro pes­so­as mor­tas e mais de 50 deti­das. Após a cer­ti­fi­ca­ção pelo Con­gres­so, Trump pro­me­teu uma “tran­si­ção ordei­ra”.

A ses­são de con­fir­ma­ção come­çou ontem (6) por vol­ta das 13h (15h no horá­rio de Bra­sí­lia), mas foi inter­rom­pi­da meia hora depois, após uma inva­são vio­len­ta do Capi­tó­lio por mani­fes­tan­tes que par­ti­ci­pa­vam de um pro­tes­to em Washing­ton. A ses­são só foi reto­ma­da às 20h (22h, horá­rio local).

Edi­ção: Bru­na Sani­e­le

Agên­cia Bra­sil / EBC


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