...
terça-feira ,21 maio 2024
Home / Direitos Humanos / Banco do Brasil pede perdão ao povo negro por papel durante escravidão

Banco do Brasil pede perdão ao povo negro por papel durante escravidão

Repro­du­ção: © Rafa Neddermeyer/Agência Bra­sil

Banco também anuncia ações para promover a igualdade étnico-racial


Publi­ca­do em 18/11/2023 — 15:10 Por Dani­el­la Almei­da — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Bra­sí­lia

ouvir:

O Ban­co do Bra­sil (BB) pediu, na manhã des­te sába­do (18), per­dão ao povo negro pelas ges­tões ante­ri­o­res da ins­ti­tui­ção por par­ti­ci­pa­ção no pro­ces­so de escra­vi­dão de pes­so­as negras, duran­te o sécu­lo XIX, no país. O pedi­do de per­dão da atu­al ges­tão foi divul­ga­do, hoje, no site da empre­sa.

O ban­co fun­da­do em 1808, tem, pela pri­mei­ra vez, uma mulher negra em sua pre­si­dên­cia, a fun­ci­o­ná­ria de car­rei­ra Tar­ci­a­na Medei­ros. Na nota, a pre­si­den­te do Ban­co do Bra­sil diz que “dire­ta ou indi­re­ta­men­te, toda a soci­e­da­de bra­si­lei­ra deve­ria pedir des­cul­pas ao povo negro por algum tipo de par­ti­ci­pa­ção naque­le momen­to tris­te da his­tó­ria [escra­vi­dão].”

“Nes­te con­tex­to, o Ban­co do Bra­sil de hoje pede per­dão ao povo negro pelas suas ver­sões pre­de­ces­so­ras e tra­ba­lha inten­sa­men­te para enfren­tar o racis­mo estru­tu­ral no país. O BB não se fur­ta a apro­fun­dar o conhe­ci­men­to e enca­rar a real his­tó­ria das ver­sões ante­ri­o­res da empre­sa” afir­mou a pre­si­den­te do Ban­co do Bra­sil, Tar­ci­a­na Medei­ros.

Em setem­bro, o Minis­té­rio Públi­co Fede­ral ins­tau­rou inqué­ri­to para inves­ti­gar a rela­ção entre a ins­ti­tui­ção e o trá­fi­co de pes­so­as negras escra­vi­za­das no sécu­lo XIX. O órgão pediu, na oca­sião, um posi­ci­o­na­men­to do ban­co a res­pei­to do assun­to.

Dados apon­ta­dos por his­to­ri­a­do­res indi­cam que a ins­ti­tui­ção se valeu de recur­sos como a arre­ca­da­ção de impos­tos sobre embar­ca­ções dedi­ca­das ao trá­fi­co de pes­so­as escra­vi­za­das e des­ta­cam que o capi­tal para a for­ma­ção do ban­co pro­vi­nha da eco­no­mia da épo­ca, que tinha na escra­vi­dão e no comér­cio negrei­ro um papel cen­tral.

Já em novem­bro, o Ban­co do Bra­sil rece­beu um estu­do que indi­cou envol­vi­men­to da empre­sa no comér­cio de negros escra­vi­za­dos duran­te o sécu­lo XIX. O docu­men­to ela­bo­ra­do por 14 pes­qui­sa­do­res de uni­ver­si­da­des bra­si­lei­ras e ame­ri­ca­nas faz par­te do inqué­ri­to do Minis­té­rio Públi­co.

Os pes­qui­sa­do­res apon­ta­ram haver “vín­cu­los dire­tos entre tra­fi­can­tes e o capi­tal dire­ta­men­te inves­ti­do em ações do Ban­co do Bra­sil”. Além dis­so, acres­cen­ta­ram que “a ins­ti­tui­ção tam­bém se favo­re­ceu da dinâ­mi­ca de cir­cu­la­ção de cré­di­to las­tre­a­da na pro­pri­e­da­de escra­va que impe­rou ao lon­go de toda a pri­mei­ra meta­de do sécu­lo XIX”.

O pedi­do de per­dão do Ban­co do Ban­co ocor­re jun­to com o anún­cio da ado­ção de um con­jun­to de novas medi­das, que, de acor­do com a ins­ti­tui­ção, tem o obje­ti­vo de pro­mo­ver a igual­da­de e a inclu­são étni­co-raci­al e de com­ba­ter o racis­mo estru­tu­ral no país. O BB que espe­ra que as novas medi­das impac­tem posi­ti­va­men­te na rela­ção com cli­en­tes, fun­ci­o­ná­ri­os, for­ne­ce­do­res, demais par­cei­ros estra­té­gi­cos da empre­sa e toda a soci­e­da­de.

A empre­sa con­si­de­ra que a diver­si­da­de em sua base e que a mes­ma tem ele­va­do poten­ci­al de inclu­são finan­cei­ra e gera­ção de tra­ba­lho e ren­da, tam­bém para pre­tos e par­dos. “O sim­ples fato de ser­mos uma ins­ti­tui­ção da atu­a­li­da­de nos move a rea­li­zar ati­vi­da­des volun­tá­ri­as com o com­pro­mis­so públi­co e com metas con­cre­tas para com­ba­ter a desi­gual­da­de étni­co-raci­al e bus­car por jus­ti­ça soci­al no âmbi­to de uma soci­e­da­de que guar­da seque­las da escra­vi­dão, inde­pen­den­te­men­te de exis­tir ou não qual­quer cone­xão, ain­da que indi­re­ta, entre ati­vi­da­des de suas outras ver­sões e escra­vi­za­do­res do sécu­lo XIX”, enfa­ti­zou Tar­ci­a­na Medei­ros.

Para a pre­si­den­te do Ban­co do Bra­sil, boas prá­ti­cas podem ser cons­truí­das de for­ma arti­cu­la­da com diá­lo­go aber­to com movi­men­tos negros e outras ins­ti­tui­ções públi­cas e pri­va­das. “As seque­las da escra­va­tu­ra con­vo­cam todos os ato­res soci­ais con­tem­po­râ­ne­os a agir para a pro­mo­ção da igual­da­de étni­co-raci­al, a con­tri­buir por meio de ações con­cre­tas, como as que o BB já desen­vol­ve de modo pio­nei­ro, volun­tá­rio e des­ta­ca­do.

O Ban­co do Bra­sil fez, faz a fará mui­to pela diver­si­da­de e desen­vol­vi­men­to soci­al e econô­mi­co em nos­sa soci­e­da­de. Para nós, Raça é pri­o­ri­da­de, sim!”, enfa­ti­za Tar­ci­a­na

O Ban­co do Bra­sil, cons­ti­tuí­do na for­ma de soci­e­da­de de eco­no­mia mis­ta, con­ta com a par­ti­ci­pa­ção aci­o­ná­ria do gover­no fede­ral em 50% des­ta soci­e­da­de anô­ni­ma. Por isso, o BB é con­si­de­ra­do um dos cin­co ban­cos públi­cos fede­rais, ao lado da Cai­xa Econô­mi­ca Fede­ral, do Ban­co Naci­o­nal de Desen­vol­vi­men­to Econô­mi­co e Soci­al (BNDES), Ban­co da Amazô­nia (Basa) e o Ban­co do Nor­des­te (BNB).

Ações

Entre as ações anun­ci­a­das pelo Ban­co do Bra­sil para a pro­mo­ção de inclu­são raci­al e do com­ba­te ao racis­mo estru­tu­ral no país, estão:

- Fomen­to ao mer­ca­do de tra­ba­lho para o povo negro, com a inclu­são de uma cláu­su­la nos con­tra­tos com for­ne­ce­do­res do Ban­co do Bra­sil, a par­tir de novas lici­ta­ções, que pro­mo­va a diver­si­da­de, equi­da­de e inclu­são nos qua­dros de pes­so­al des­sas empre­sas;

- O Ban­co do Bra­sil tam­bém fará par­ce­ria para enca­mi­nhar jovens que par­ti­ci­pa­ram do pro­gra­ma Menor Apren­diz do BB para o mer­ca­do de tra­ba­lho;

- Lan­ça­men­to nes­te mês do edi­tal de Empo­de­ra­men­to Soci­o­e­conô­mi­co de Mulhe­res Negras, do entre o BB e o Minis­té­rio da Igual­da­de Raci­al, para apoi­ar o for­ta­le­ci­men­to ins­ti­tu­ci­o­nal de orga­ni­za­ções soci­ais e empre­en­di­men­tos econô­mi­cos soli­dá­ri­os urba­nos e rurais de mulhe­res negras;

- Rea­li­za­ção em dezem­bro pró­xi­mo do “MBM Ino­vahack”, do Movi­men­to Black Money, com a par­ti­ci­pa­ção do Ban­co do Bra­sil, com o obje­ti­vo de pro­mo­ver a inclu­são finan­cei­ra e econô­mi­ca da popu­la­ção negra, por meio de solu­ções tec­no­ló­gi­cas con­si­de­ra­das ino­va­do­ras;

- Inter­na­men­te, o pro­gra­ma “Raça é Pri­o­ri­da­de” da empre­sa vai sele­ci­o­nar e desen­vol­ver a car­rei­ra de até 150 fun­ci­o­ná­ri­os pre­tos e par­dos do Ban­co do Bra­sil, com poten­ci­al para atu­ar como líde­res na empre­sa, mas, que atu­al­men­te ocu­pam outras fun­ções;

- Rea­li­za­ção de um workshop sobre a pro­mo­ção da diver­si­da­de, equi­da­de e inclu­são com esta­tais e for­ne­ce­do­res do ban­co.

Para acom­pa­nhar as novas medi­das anun­ci­a­das, o Ban­co do Bra­sil cri­ou um site que tra­ta da cons­tru­ção de um futu­ro mais diver­so,  inclu­si­vo, equi­ta­ti­vo e jus­to, em todos os con­tex­tos e para todos. A pági­na ele­trô­ni­ca tra­rá atu­a­li­za­ções de novas medi­das que pos­sam ser anun­ci­a­das pelo ban­co.

Edi­ção: Aécio Ama­do

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Brasília (DF) 06-04-2023 - Por dentro da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), estúdio da rádio nacional da Amazônia durante apresentaçāo de sua programaçāo ao vivo.Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Rádio Nacional chega onde falta energia e ajuda população do RS

Repro­du­ção: © Tânia Rêgo/Agência Bra­sil Rádio de pilha ressurge como principal meio de comunicação Publicado …