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Bibliotecas comunitárias buscam ecoar diversidade e formar leitores

Repro­dução: © Paulo Pinto/Agência Brasil

Nas maiores cidades do país, bibliotecas são espaços de pertencimento


Pub­li­ca­do em 27/08/2023 — 16:11 Por Bruno de Fre­itas Moura, Lety­cia Bond e Luiz Clau­dio Fer­reira — Repórteres da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro São Paulo Brasília

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Nas cidades mais pop­u­losas do Brasil, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, as bib­liote­cas comu­nitárias são espaços com histórias tão sin­gu­lares que pode­ri­am ser con­tadas em obras como aque­les livros que estão enfileira­dos nas estantes. A bus­ca por diver­si­dade e pela for­mação de novos leitores vai tam­bém além dos livros. Ess­es espaços são pon­tos de vida, de pági­nas viradas e de trans­for­mações que surgem a par­tir de son­hos indi­vid­u­ais e comu­nitários.  

Em São Paulo, a Bib­liote­ca Comu­nitária Djeanne Firmi­no fica na con­vergên­cia de ruas em que a numer­ação das casas se embar­al­ha, uma esquina do bair­ro Jardim Olin­da, na zona sul de São Paulo. Djeanne iden­ti­fi­ca­va-se como mul­her negra de pele clara, mas não sen­tia acol­hi­men­to no con­vívio com out­ras pes­soas, nem negras, nem bran­cas. Ela tirou a própria vida em jul­ho de 2014. Ape­sar de não ter sen­ti­do per­tenci­men­to de um modo ger­al, na bib­liote­ca que fre­quen­ta­va, ela encon­trou aceitação e car­in­ho das cri­anças que ado­ra­va.

São Paulo SP 25/08/2023   - Biblioteca Comunitária Djeanne Firmino na Zona Sul da cidade. Mediadora de Leitura. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Repro­dução: Bib­liote­ca Comu­nitária Djeanne Firmi­no, na zona sul da cidade de São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Saraus

Até assumir a for­ma que tem hoje, a Bib­liote­ca Djeanne Firmi­no pas­sou por uma série de trans­for­mações. Tudo começou por ini­cia­ti­va do poeta Robin­son Padi­al, mais con­heci­do como Bin­ho, que já teve um bar e orga­ni­zou, com o apoio da família, saraus e a bici­clote­ca, um pro­je­to em que leva livros em uma bici­cle­ta para emprestar, doar ou rece­ber. Dos saraus, surgiu a bib­liote­ca, em 2009, primeira­mente na favela da Chape­na, na zona sul paulis­tana.

Depois, o mes­mo espaço virou Bre­chote­ca, uma mis­tu­ra de bib­liote­ca com brechó. Com a ven­da de itens diver­sos, inclu­sive eletrodomés­ti­cos, as estantes eram ali­men­tadas com mais livros. Quem esta­va à frente da bib­liote­ca pop­u­lar era a cole­ti­va “Achadouras de Histórias”, que decid­iu hon­rar a memória de Djeanne, fre­quen­ta­do­ra do local, empre­stando seu nome ao espaço.

Recen­te­mente a equipe con­seguiu faz­er a cat­a­lo­gação dos livros por cores, para facil­i­tar o sis­tema para “quem ain­da não é leitor”. O acer­vo vai preenchen­do os cômo­d­os da casa, vin­dos de vários lugares: por doações de viz­in­hos e edi­toras; pela Rede Lit­eraSam­pa, que abrange 18 bib­liote­cas comu­nitárias de São Paulo, Guarul­hos, Mauá e San­to André; e por meio de edi­tais, além da parce­ria com o Con­sula­do da Ale­man­ha.

Os exem­plares que chegam em mau esta­do tam­bém são aproveita­dos. Eles são lev­a­dos para a reci­clagem e ger­am recur­sos para a com­pra de out­ros livros.

São Paulo SP 25/08/2023   - Biblioteca Comunitária Djeanne Firmino na Zona Sul da cidade. Mediadora de Leitura. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Repro­dução: Bib­liote­ca Comu­nitária Djeanne Firmi­no, na zona sul da cidade de São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Espaço de trocas

Um grupo que fre­quen­ta reg­u­lar­mente a Bib­liote­ca Djeanne Firmi­no é a “família K”, como são car­in­hosa­mente con­heci­dos os irmãos que têm nomes com a ini­cial K. “Eles sem­pre ficaram brin­can­do na rua até tarde da noite. Abre a bib­liote­ca, e eles já vêm para cá. Teve grande importân­cia a bib­liote­ca na vida deles, que estavam sem­pre na rua, procu­ran­do coisas para faz­er. Teve um perío­do em que estavam todos os dias aqui, saíam às oito da noite”, con­ta a ped­a­goga Vânia Duarte, medi­do­ra de leitu­ra do espaço.

Para ela, foi uma descober­ta e tan­to perce­ber que as bib­liote­cas pode­ri­am ser um local de inter­câm­bios de con­hec­i­men­to e per­cepções sobre questões soci­ais, e não um em que se deve man­ter silên­cio, rig­orosa­mente.

No lar onde Vânia cresceu, não havia o hábito da leitu­ra. O pai con­seguiu a proeza de con­cluir o ensi­no supe­ri­or aos 72 anos. Ela ini­ciou o cur­so de Relações Inter­na­cionais, e não ter­mi­nou por con­ta de uma gravidez. Foi ape­nas em 2020 que ela se for­mou em Ped­a­gogia, grad­u­ação fei­ta com a aju­da do Pro­gra­ma Uni­ver­si­dade Para Todos (Prouni).

Hoje, a cor­re­ria da roti­na dita o rit­mo e impede Vânia de achar bre­chas para sus­ten­tar assiduidade na leitu­ra. Quan­do tem um tem­po, con­tu­do, gos­ta de poe­sia, Cecília Meire­les, Vini­cius de Moraes e Clarice Lispec­tor.

“Eu ten­ho uma lem­brança muito legal do ensi­no fun­da­men­tal: a pro­fes­so­ra de por­tuguês. Ela pegou um livro, um romance, e lia toda sem­ana. A gente já fica­va na expec­ta­ti­va de saber qual era o final daque­le livro. Era a pro­fes­so­ra Edna, uma japone­sa. Isso me mar­cou bas­tante”, rev­ela a medi­ado­ra, evi­den­cian­do que, para cati­var cada leitor em poten­cial, é necessário um chama­riz difer­ente.

São Paulo SP 25/08/2023   - Biblioteca Comunitária Djeanne Firmino na Zona Sul da cidade. Mediadora de Leitura. Na foto: Mediadora de Leitura  Vania Duarte (esq) e Coordenadora de Projetos Alessandra Leite (dir). Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Repro­dução: Bib­liote­ca Comu­nitária Djeanne Firmi­no, na zona Sul da cidade de São Paulo. Na foto: medi­ado­ra de Leitu­ra Vânia Duarte (esq) e a coor­de­nado­ra de pro­je­tos, Alessan­dra Leite (dir). Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Justiça social

“Aqui, nos­so car­ro-chefe é a justiça social”, desta­ca a geó­grafa Alessan­dra Leite, coor­de­nado­ra de pro­je­tos da bib­liote­ca. Ela apon­ta que o espaço dá mui­ta ênfase à lit­er­atu­ra infan­til e às obras de gru­pos racial­iza­dos, como negros, indí­ge­nas e amare­los.

“A gente nun­ca chega com a lit­er­atu­ra crua. Nun­ca”, desta­ca a coor­de­nado­ra, sen­ta­da diante de um quadro com palavras como desigual­dade e raça. Ela defende que, ao se apre­sen­tar uma obra, se faça a conexão com con­tex­tos soci­ais.

Alessan­dra é de família baiana e de baixa esco­lar­i­dade e diz que foi uma de suas avós quem mostrou a ela a importân­cia da leitu­ra, ain­da que atre­la­da a uma ideia de livros mais téc­ni­cos e ao estu­do for­mal. “Ela dizia: ‘Estu­da para ser alguém’. Dava um val­or [à leitu­ra] que ela não con­hecia no cor­po, mas sabia que, per­ante a sociedade, tin­ha um val­or. Então, ela sem­pre me estim­u­lou muito a estu­dar, mes­mo sem saber o que isso sig­nifi­ca­va. Deu muito apoio”, con­ta.

“Quan­do eu saí da Bahia, aos 5 anos de idade, uma tia que me trouxe disse: ‘Olha, a sua avó está te levan­do para São Paulo para você estu­dar’. Eu brin­co que escrevi isso na pedra. Essa foi min­ha mis­são de vida aqui. A leitu­ra sem­pre ficou nesse lugar.”

Identificação

Ain­da em São Paulo, mas na zona leste da cap­i­tal, a equipe de reportagem da Agên­cia Brasil con­fir­mou que esta­va em frente à Bib­liote­ca Comu­nitária Assa­ta Shakur, na Vila For­mosa, pela fileira de per­son­al­i­dades negras na facha­da da garagem da casa.

À frente do espaço, um casal de jovens, Tatiane Ribeiro, de 27 anos, e Kairu Kijani, de 26 anos. A ini­cia­ti­va de abrir a bib­liote­ca, em 2019, como um braço do movi­men­to negro, deu cer­to. O pro­je­to teve suces­so e se expandiu, a pon­to de abrirem tur­mas de balé infan­til em out­ro local, no bair­ro Cidade Tiradentes, na Rua Fausti­no Lopes.

São Paulo (SP), 25/08/2023 - Biblioteca Comunitária Assata Shakur, idealizada por Tatiane Ribeiro e Kairu Kijani, em Vila Formosa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Repro­dução: Bib­liote­ca Comu­nitária Djeanne Firmi­no, na zona Sul da cidade de São Paulo. Na foto: medi­ado­ra de Leitu­ra Vânia Duarte (esq) e a coor­de­nado­ra de pro­je­tos, Alessan­dra Leite (dir). Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Os dois já se con­heci­am por terem se enga­ja­do nas lutas da pop­u­lação negra. Até que, cer­to dia, orga­ni­zaram um encon­tro do grupo que par­tic­i­pavam, mas o local escol­hi­do can­celou de últi­ma hora, deixan­do todos na mão. Eles con­seguiram man­ter a agen­da em out­ro espaço, mas foi aí que eles perce­ber­am que pre­cisavam de um endereço próprio, que iria assim­i­lar muito do que sabi­am sobre mod­e­los de edu­cação pop­u­lar.

O cam­in­ho que os livros per­cor­rem até as prateleiras da Bib­liote­ca Comu­nitária Assa­ta Shakur difere do feito pelas obras da Bib­liote­ca Comu­nitária Djeanne Firmi­no. Na zona leste, emb­o­ra grande parte seja de doações, out­ras ori­gens impor­tantes são a Fes­ta do Livro da Uni­ver­si­dade de São Paulo (USP), que ocorre anual­mente com gen­erosos descon­tos, e o garim­po em sebos físi­cos e vir­tu­ais.

Entre as doações, desta­ca Tatiane, está uma que ocu­pa posição espe­cial no acer­vo: um cader­no do mil­i­tante negro Hen­rique Cun­ha. A jovem con­ta que ela e o com­pan­heiro vis­i­taram a casa onde Cun­ha vivia, a con­vite da família dele, que depois deixou sob a guar­da da bib­liote­ca o cader­no. “Se eles estão doan­do, é porque estão con­fian­do na gente”, afir­ma Tatiane.

Não é somente a doação dos escritos de Hen­rique Cun­ha que sim­boliza a con­fi­ança que muitos do movi­men­to negro têm deposi­ta­do na bib­liote­ca. Segun­do Tatiane, diver­sas pes­soas apare­cem, vol­ta e meia, bus­can­do algum livro especí­fi­co, acred­i­tan­do que lá irão encon­trá-lo.

Kairu Kijani, que se for­mou em Ped­a­gogia, rela­ta que virou moti­vo de orgul­ho para sua pro­fes­so­ra da dis­ci­plina de Soci­olo­gia, que vis­i­tou a bib­liote­ca. Per­gun­ta­dos, Kijani e Tatiane, sobre o porquê de escol­herem bati­zar o local com o nome de uma das pio­neiras do fem­i­nis­mo negro, que se exilou em Cuba, eles argumetam: “Primeiro, porque ela está viva”.

“A Assa­ta tem um dis­cur­so em que ela fala que Os Pan­teras [Negras] estavam lendo o livro ver­mel­ho, várias teo­rias, mas sabi­am pou­ca coisa sobre a África. Aí, ela cita autores negros e pen­sei: ‘Poxa, é uma real­i­dade que a gente tem aqui tam­bém’. No cole­ti­vo de rap, a gente lia, primeiro, [Karl] Marx, e tin­ha poucos autores negros. A gente pode até falar em epis­temicí­dio, porque tem esse apaga­men­to de refer­ên­cias negras. E ela era uma mil­i­tante, tin­ha a questão da edu­cação. Começou a mil­itân­cia muito jovem, o que tem muito a ver com a gente”, adi­ciona Tatiane.

Sobre quem os influ­en­ciou a levar adi­ante o cos­tume de ler, Tatiane e Kijani com­par­til­ham out­ra matriz em comum: o movi­men­to hip hop. Para ambos, foram as letras de rap que abri­ram as capas dos livros. No caso de Tatiane, a atenção sem­pre se voltou a gru­pos de MC’s com inte­grantes mul­heres, como o RZO e Ati­tude Fem­i­ni­na, e ao pro­tag­o­nis­mo fem­i­ni­no em car­reira solo, como Ste­fanie MC.

O que ficou, para ela, foi o gos­to por autores como a sergi­pana Beat­riz Nasci­men­to, a car­i­o­ca Thereza San­tos e a estadunidense Angela Davis. Kijani pref­ere out­ra lin­ha, como a do Quilom­bo Urbano, grupo do Maran­hão, e a d’O Lev­ante.

No Rio de Janeiro, acessibilidade

Na cap­i­tal flu­mi­nense fun­ciona a Bib­liote­ca Comu­nitária Arlin­do Pin­ho, man­ti­da e admin­istra­da por um grupo de oito vol­un­tários lig­a­dos ao Cen­tro de Edu­cação Pop­u­lar e Pesquisas Econômi­cas e Soci­ais (Ceppes). Cri­a­da em 1985, a bib­liote­ca con­ta atual­mente com um acer­vo de aprox­i­mada­mente cin­co mil obras.

Um dos admin­istradores, o pro­fes­sor de história Anto­nio Cícero Sousa expli­ca que a bib­liote­ca nasceu com um acer­vo volta­do para ciên­cias soci­ais, mas, ao lon­go dos anos, foi amplian­do o leque de assun­tos e hoje con­ta, inclu­sive, com livros infan­tis, além de pub­li­cações em braile e audi­o­livros, para aten­der fre­quen­ta­dores cegos ou com baixa visão.

Anto­nio Cícero avalia que a bib­liote­ca comu­nitária fun­ciona como um com­ple­men­to às insti­tu­ições públi­cas, prin­ci­pal­mente em regiões sem a pre­sença de out­ros meios de ofer­e­cer de graça à pop­u­lação o aces­so a livros. Segun­do ele, estu­dantes são a maior parte dos fre­quen­ta­dores da Arlin­do Pin­ho, que fica no bair­ro da Praça da Ban­deira, zona norte do Rio.

Rio de Janeiro (RJ), 25/08/2023 - O professor Antônio Cícero coordena a biblioteca comunitária Arlindo Pinho, na Praça da Bandeira. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­dução: O pro­fes­sor Antônio Cícero coor­de­na a bib­liote­ca comu­nitária Arlin­do Pin­ho, na Praça da Ban­deira. Foto: Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

“O inter­esse é grande. Eles con­seguem ter aces­so a livros que, às vezes, na esco­la, na bib­liote­ca da uni­ver­si­dade eles não têm, então eles vêm aqui. Essa região tem muitas esco­las, uni­ver­si­dades e é bas­tante fre­quen­ta­da por estu­dantes. Por exem­p­lo, eles vêm pesquis­ar o mate­r­i­al de um autor que estão usan­do no tra­bal­ho de con­clusão de cur­so”, con­tou à Agên­cia Brasil, acres­cen­tan­do que tam­bém orga­ni­za rodas de leituras em esco­las e fac­ul­dades.

A estu­dante de ped­a­gogia Daiana dos San­tos é uma das mais assí­d­uas. Ela con­sid­era que o equipa­men­to cul­tur­al é uma for­ma pop­u­lar de aces­so aos livros e de cri­ação e incen­ti­vo do hábito da leitu­ra.

“Mel­ho­ra o vocab­ulário, abre cam­in­hos. A pes­soa pode decidir o que quer ser no futuro por meio de uma leitu­ra”, pon­tua. “Eu ten­ho esse hábito, de bus­car novos cam­in­hos, novas visões. Só vai enrique­cer a min­ha bagagem pedagóg­i­ca”, acres­cen­ta.

Rio de Janeiro (RJ), 25/08/2023 - A estudante de pedagogia Daiana dos Santos frequenta a biblioteca comunitária Arlindo Pinho, na Praça da Bandeira. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­dução: A estu­dante de ped­a­gogia Daiana dos San­tos fre­quen­ta a bib­liote­ca comu­nitária Arlin­do Pin­ho, na Praça da Ban­deira. Foto: Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil 

Daiana con­ta que, além de agre­gar con­hec­i­men­to para si, pas­sa adi­ante o val­or dos livros, incen­ti­van­do o fil­ho: “Pela leitu­ra, ele pode con­hecer out­ras coisas e sen­tir praz­er em estar lendo, não somente quan­do pre­cisa estu­dar”.

O pro­fes­sor Anto­nio Cícero expli­ca que a bib­liote­ca comu­nitária – que não faz nen­hu­ma cobrança finan­ceira aos fre­quen­ta­dores – depende do tra­bal­ho de vol­un­tários que usam bre­chas de tem­po livre, inclu­sive em fins de sem­ana, noites e feri­ados, para man­ter o acer­vo. Além dis­so, con­tam com o apoio de pro­je­tos de finan­cia­men­to para ren­o­var o acer­vo e os equipa­men­tos.

“A gente fica pesquisan­do, con­sul­tan­do sites para desco­brir edi­tais de apoio volta­dos para bib­liote­cas comu­nitárias”, rela­ta. Ele con­ta que é difí­cil ren­o­var os equipa­men­tos. “Com­prar um com­puta­dor novo, uma inter­net de mel­hor qual­i­dade, porque hoje a gente tem que estar tra­bal­han­do nes­sas duas dimen­sões, o livro impres­so e o dig­i­tal”, con­clui.

Jus­ta­mente pela difi­cul­dade em obter mais itens para o acer­vo, os admin­istradores da bib­liote­ca disponi­bi­lizam um email para con­ta­to e inter­me­di­ação de doações: [email protected]

A meninada na Ceilândia

Em Brasília, a Bib­liote­ca Roe­dores de Livros atrai a cri­ança­da para rodas de leitu­ra no Shop­ping Pop­u­lar da Ceilân­dia (a maior região admin­is­tra­ti­va do Dis­tri­to Fed­er­al e com maior número de cri­anças e ado­les­centes).

Segun­do o dire­tor de admin­is­tração do pro­je­to, Adri­ano José Afon­so, de 51 anos, a ini­cia­ti­va teve iní­cio há 17 anos pela ideia e sen­ti­men­tos da pro­fes­so­ra Ana Paula Bernardes e um grupo de ami­gos que for­maram um cole­ti­vo de pro­je­to de leitu­ra volta­do para cri­anças.

Ceilândia (DF) - Biblioteca Roedores de Livros atrai a criançada para rodas de leitura no Shopping Popular da Ceilândia. Foto: Marcelo Magalhães/Divulgação
Repro­dução: Ceilân­dia (DF) — Bib­liote­ca Roe­dores de Livros atrai a cri­ança­da para rodas de leitu­ra no Shop­ping Pop­u­lar da Ceilân­dia. Foto: Marce­lo Magalhães/Divulgação

Nada de silêncio

A pro­pos­ta surgiu da difi­cul­dade que ela ouvia de cole­gas pro­fes­sores de faz­er com que as cri­anças tivessem praz­er com a leitu­ra. “Uma das prin­ci­pais ativi­dades da bib­liote­ca comu­nitária é a de medi­ação de leitu­ra, que é o ato de ler jun­to com as cri­anças e com os ado­les­centes”.

Até as cri­anças que ain­da estão em perío­do de alfa­bet­i­za­ção já par­tic­i­pam das ativi­dades. A bib­liote­ca tem um acer­vo de mais de 5 mil livros de lit­er­atu­ra infan­til e juve­nil. “Nós pre­mi­amos os leitores que se desta­cam como os mais assí­du­os nas par­tic­i­pações das ativi­dades, seja em medi­ação de leitu­ra ou mes­mo ofic­i­nas de arte”, con­ta Afon­so. A cri­ança­da pin­ta e desen­ha a par­tir do que a leitu­ra pro­por­ciona.

E os temas são escol­hi­dos a dedo: dire­itos humanos, diver­si­dade, cul­tura antir­racista, afro­brasileira, indí­ge­na. “Não é uma bib­liote­ca que se pede silên­cio às cri­anças”.

Ceilândia (DF) - Biblioteca Roedores de Livros atrai a criançada para rodas de leitura no Shopping Popular da Ceilândia. Foto: Marcelo Magalhães/Divulgação
Repro­dução: Ceilân­dia (DF) — Bib­liote­ca Roe­dores de Livros atrai a cri­ança­da para rodas de leitu­ra no Shop­ping Pop­u­lar da Ceilân­dia. Foto: Marce­lo Magalhães/Divulgação

Tapete na grama

A bib­liote­ca chegou a não ter uma sala para desen­volver os pro­je­tos e acondi­cionar os livros, que antes ficavam em uma creche na Ceilân­dia. “A alter­na­ti­va foi esten­der um tapete na gra­ma debaixo de um pin­heiro para evi­tar o incô­mo­do de se sen­tar dire­ta­mente no chão”, relem­bra o dire­tor do pro­je­to.

Essa tradição de esten­der o tapete se man­tém na sede da bib­liote­ca no shop­ping pop­u­lar da Ceilân­dia. “Todos ficam descalços no tapete com almo­fadas”. A sim­bolo­gia virou livro infan­til assi­na­do por Tino Fre­itas e Ana Paula Bernardes, inti­t­u­la­do O Tapete Ver­mel­ho. O tapete segue esten­di­do para a cri­ança­da via­jar por muitos mun­dos a cada vez que um livro se abre.

Edição: Cami­la Maciel

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