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Bola Preta aposta na tradição em desfile no dia do aniversário do Rio

Megabloco agita o centro da cidade

Bruno de Fre­itas Moura — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 01/03/2025 — 13:13
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro (RJ), 01/03/2025 - Foliões se divertem no 106º desfile do Cordão da Bola Preta, no centro da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

Des­de às 9h da man­hã deste sába­do (1º), o tradi­cionalís­si­mo Cordão da Bola Pre­ta agi­ta cen­te­nas de mil­hares de foliões neste dia espe­cial para o Rio de Janeiro. Primeiro de março é o aniver­sário de 460 anos da cidade.

Em uma coin­cidên­cia do des­ti­no, o des­file do megablo­co acon­tece jus­ta­mente na Rua Primeiro de Março — refer­ên­cia a uma vitória do Exérci­to brasileiro na Guer­ra do Paraguai (1870).

O corte­jo segue até a Aveni­da Pres­i­dente Antônio Car­los, um tre­cho em reta de cer­ca de um quilômetro. Nos dias de sem­ana, é um dos tra­je­tos mais movi­men­ta­dos do cen­tro car­i­o­ca.

De acor­do com a prefeitu­ra, o Bola Pre­ta reuniu 500 mil pes­soas (à tarde, havia sido infor­ma­do o cál­cu­lo de 700 mil. A prefeitu­ra cor­rigiu a infor­mação às 19:57).

De acor­do com a prefeitu­ra, o Bola Pre­ta reuniu 700 mil pes­soas. É um dos cer­ca de 50 blo­cos pro­gra­ma­dos para este sába­do no Rio.

Antes de qual­quer march­in­ha, a primeira men­sagem que saiu dos cam­in­hões de som foi um “não é não”, em alto e bom som, para mar­car a cam­pan­ha con­tra qual­quer for­ma de assé­dio sex­u­al.

Tradição

Rio de Janeiro (RJ), 01/03/2025 - Foliões se divertem no 106º desfile do Cordão da Bola Preta, no centro da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Repro­dução: Cordão da Bola Pre­ta é um dos blo­cos mais anti­gos do Rio de Janeiro — Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Bola Pre­ta é o blo­co car­navale­sco mais anti­go do Rio de Janeiro. Existe des­de dezem­bro de 1918. Em 2011, chegou a colo­car 2 mil­hões de pes­soas para pular na ruaSó não des­filou em 2021, por causa da pan­demia da covid-19.

Para o pres­i­dente da orga­ni­za­ção, Pedro Ernesto Mar­in­ho, é espe­cial des­fi­lar no dia do aniver­sário do Rio. O tema do blo­co este ano é Rio, eu te amo.

“Eu acho que o Bola Pre­ta em out­ra cidade não teria tan­ta ênfase quan­to tem no Rio de Janeiro, que é a cidade do sam­ba, das pra­ias, calorosa, de povo ordeiro”, disse.

Pedro Ernesto con­sid­era que uma das receitas de suces­so do Bola Pre­ta é man­ter a tradição. “Bola Pre­ta é a essên­cia do car­naval, não foge das suas car­ac­terís­ti­cas”.

Pro­va dis­so, diz, é a insistên­cia em não mudar o esti­lo do megablo­co e tocar out­ras ver­tentes musi­cais.

“Não entramos nes­sa. Resolve­mos nos man­ter fiéis às march­in­has, aos sam­bas tradi­cionais de car­naval e aos sam­bas-enre­do de suces­so”.

Para ele, esse é um dos motivos que fazem o cordão atrair gente de todas as idades. “Vai encon­trar bebê de colo, vai encon­trar pes­soas com mais de 90 anos. É para eles que faze­mos o car­naval”.

Gerações

Rio de Janeiro (RJ), 01/03/2025 - Foliões se divertem no 106º desfile do Cordão da Bola Preta, no centro da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Repro­dução: Foliões se divertem no 106º des­file do Cordão da Bola Pre­ta, no cen­tro da cidade — Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Essa diver­si­dade de ger­ações esta­va per­son­ifi­ca­da nas foliãs Magna e Ana Car­oli­na, mãe e fil­ha. A aposen­ta­da Magna Faria dos San­tos, de 70 anos de idade, diz que o Bola Pre­ta rep­re­sen­ta para ela “só ale­gria, só feli­ci­dade”.

Morado­ra de São Gonça­lo, na região met­ro­pol­i­tana do Rio, ela disse que leva 2 horas para chegar no local do des­file, o que não a desan­i­ma. “É cur­tir, brin­car, sor­rir, pular, dançar. Gos­to muito”, garante.

A fil­ha, a eletricista Ana Car­oli­na dos San­tos Her­cu­lano, de 36 anos de idade, expli­ca que, antes, era a mãe que trazia a fil­ha. Ago­ra, é o inver­so. “É amor ao Bola. Esta­mos sem­pre jun­tas curtin­do, isso que impor­ta. A gente esquece todos os nos­sos prob­le­mas”, disse.

As duas con­fir­mam o que pen­sa a orga­ni­za­ção do blo­co. As march­in­has são um ele­men­to de suces­so. A preferi­da delas é a mais toca­da e mais con­heci­da. “Quem não cho­ra não mama! Segu­ra, meu bem, a chu­pe­ta. Lugar quente é na cama. Ou então, no Bola Pre­ta”, can­tam.

Corte do Bola

No cam­in­hão de som, per­son­al­i­dades da corte do Bola Pre­ta, como as atrizes Paol­la Oliveira, a rain­ha; Lean­dra Leal, por­ta-estandarte; e Juliana Knust, uma das musas.

Elaine BR é mais uma das musas este ano. “É uma ale­gria. É meu ter­ceiro ano, mas parece que é a primeira vez. É uma emoção muito grande, ain­da mais [que o blo­co tem] 106 anos. Rep­re­sen­ta­tivi­dade”, disse à Agên­cia Brasil entre os momen­tos que era procu­ra­da para tirar fotos com foliões.

Rio de Janeiro (RJ), 01/03/2025 - A musa do carnaval, Elaine BR, participa do 106º desfile do Cordão da Bola Preta, no centro da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Repro­dução: Elaine BR, musa do Bola Pre­ta — Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Fantasia

O nome do cordão é refer­ên­cia a uma foliã dos primór­dios do blo­co, que usa­va um vesti­do bran­co com bolas pre­tas. Difer­ente­mente de out­ros corte­jos car­i­o­cas, os fre­quen­ta­dores do Bola Pre­ta apos­tam muito em uni­formi­dade de visu­al, ou seja, é muito comum ver pes­soas de roupas bran­cas com bolas pre­tas.

As fan­tasias tam­bém têm pre­sença garan­ti­da. Uma delas era a de Pro­fe­ta Gen­tileza, encar­na­da pelo engen­heiro de Qual­i­dade Rogério Borges. Ele hom­e­nagea­va o per­son­agem urbano do Rio que ficou con­heci­do por pin­tar fras­es filosó­fi­cas em viadu­tos car­i­o­cas. A mais famosa delas: “Gen­tileza gera gen­tileza”.

Rio de Janeiro (RJ), 01/03/2025 -O engenheiro Rogério Borges, se fantasia de Profeta Gentileza no 106º desfile do Cordão da Bola Preta, no centro da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Repro­dução: Engen­heiro Rogério Borges, se fan­ta­sia de Pro­fe­ta Gen­tileza, no 106º des­file do Cordão da Bola Pre­ta — Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

“É isso que a gente tem que pre­gar, bus­car para um mun­do mel­hor”, disse à Agên­cia Brasil Rogério, que é de Camp­inas, no inte­ri­or de São Paulo.

“O per­son­agem e a frase já ultra­pas­saram os lim­ites do Rio de Janeiro”.

Calor

O sába­do é mais um dos segui­dos dias de calor no Rio, sem pre­visão de chu­va, de acor­do com o Aler­ta Rio, serviço de mete­o­rolo­gia da prefeitu­ra. A tem­per­atu­ra máx­i­ma deve chegar a 38°C.

Os patroci­nadores do blo­co disponi­bi­lizavam pon­tos de dis­tribuição de água, viseiras e chapéus.

Vai cur­tir o car­naval? Veja aqui como enfrentar o calor.

Para muitos vende­dores ambu­lantes, a con­cen­tração de tan­ta gente ao som das march­in­has é opor­tu­nidade para gan­har din­heiro.

É o caso de Matheus Júnior, morador de Nova Iguaçu, municí­pio da região met­ro­pol­i­tana a mais de 60 quilômet­ros de dis­tân­cia, que ven­dia bebidas.

“O blo­co está me aju­dan­do muito, ten­do bas­tante ven­das”, disse à Agên­cia Brasil o vende­dor de 27 anos de idade que, a cada dia, está em um blo­co. “Vou rodan­do, rodan­do até quar­ta-feira de cin­zas”.

*Matéria alter­a­da às 8h05 de domin­go, 2 de março de 2025, para acrésci­mo de infor­mação.

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