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Brasil assume presidência do Conselho de Segurança da ONU

Repro­du­ção: © Juan Seguí Moreno/Flickr

País vai defender importâncias das instituições para mediar conflitos


Publi­ca­do em 02/10/2023 — 09:49 Por Andreia Ver­dé­lio — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Bra­sí­lia

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O Bra­sil assu­miu nes­se domin­go (1º), pelo perío­do de um mês, a pre­si­dên­cia do Con­se­lho de Segu­ran­ça das Nações Uni­das (ONU). Entre os temas que o país vai defen­der, o prin­ci­pal é a impor­tân­cia das ins­ti­tui­ções bila­te­rais, regi­o­nais e mul­ti­la­te­rais para pre­ve­nir, resol­ver e medi­ar con­fli­tos. 

O minis­tro das Rela­ções Exte­ri­o­res, Mau­ro Viei­ra, pre­si­di­rá uma audi­ên­cia sobre essa ques­tão no dia 20 de outu­bro.

“Vamos tra­zer este mês a ideia de que o Con­se­lho de Segu­ran­ça deve­ria tra­tar mais ampla­men­te dos ins­tru­men­tos que as Nações Uni­das, os paí­ses e as orga­ni­za­ções regi­o­nais têm para pre­ve­nir os con­fli­tos e não só tra­tar deles depois que ocor­rem. Um refor­ço da diplo­ma­cia bila­te­ral, regi­o­nal e mul­ti­la­te­ral para pre­ve­nir a eclo­são de con­fli­tos”, expli­cou o secre­tá­rio de Assun­tos Mul­ti­la­te­rais e Polí­ti­cos do Minis­té­rio das Rela­ções Exte­ri­o­res, embai­xa­dor Car­los Már­cio Cozen­dey, em entre­vis­ta sex­ta-fei­ra (29).

Como exem­plo, ele citou o tra­ta­do de Tla­te­lol­co, fir­ma­do em 1967 pelos 33 paí­ses da Amé­ri­ca Lati­na e Cari­be, para garan­tir a não pro­li­fe­ra­ção de armas nucle­a­res na região.

Segun­do o diplo­ma­ta, outros temas serão abor­da­dos ao lon­go do mês na pre­si­dên­cia bra­si­lei­ra do Con­se­lho de Segu­ran­ça: a pos­sí­vel mis­são de apoio às for­ças de segu­ran­ça do Hai­ti; a manu­ten­ção da mis­são da ONU que super­vi­si­o­na as nego­ci­a­ções de paz na Colôm­bia; e, pos­si­vel­men­te, ques­tões rela­ti­vas à guer­ra entre Ucrâ­nia e Rús­sia.

Reforma

Ins­ti­tuí­do após a Segun­da Guer­ra Mun­di­al, em 1948, para zelar pela manu­ten­ção da paz e da segu­ran­ça inter­na­ci­o­nal, o Con­se­lho de Segu­ran­ça da ONU tem cin­co mem­bros per­ma­nen­tes – Chi­na, Esta­dos Uni­dos, Fran­ça, Rei­no Uni­do e Rús­sia – e um gru­po de 10 mem­bros não per­ma­nen­tes com man­da­tos de dois anos.

Atu­al­men­te, ocu­pam as vagas rota­ti­vas Bra­sil, Albâ­nia, Equa­dor, Emi­ra­dos Ára­bes, Gabão, Gana, Japão, Mal­ta, Moçam­bi­que e Suí­ça. O man­da­to des­ses paí­ses vai até dezem­bro.

É a segun­da vez no atu­al biê­nio que o Bra­sil esta­rá na pre­si­dên­cia do órgão — a pri­mei­ra ocor­reu em julho de 2022. Des­de a cri­a­ção do con­se­lho esse é o 11º man­da­to bra­si­lei­ro.

Os cin­co mem­bros per­ma­nen­tes no con­se­lho têm poder de veto, ou seja, podem bar­rar reso­lu­ções do órgão por razões rela­ci­o­na­das a inte­res­ses pró­pri­os.

O pre­si­den­te Luiz Iná­cio Lula da Sil­va vem defen­den­do a refor­ma de ins­ti­tui­ções de gover­nan­ça glo­bal e rei­vin­di­ca um assen­to per­ma­nen­te para o Bra­sil no Con­se­lho de Segu­ran­ça, bem como para a Áfri­ca do Sul e a Índia. Para ele, enti­da­des inter­na­ci­o­nais mais repre­sen­ta­ti­vas podem, por exem­plo, impor puni­ção aos paí­ses que não cum­pri­rem seus com­pro­mis­sos em ques­tões cli­má­ti­cas e impul­si­o­nar o com­ba­te às desi­gual­da­des no mun­do.

Em dis­cur­so na Assem­bleia Geral das Nações Uni­das, no últi­mo dia 19, Lula afir­mou que o prin­cí­pio do mul­ti­la­te­ra­lis­mo glo­bal – que pres­su­põe igual­da­de sobe­ra­na entre as nações –, vem sen­do cor­roí­do e que o órgão de segu­ran­ça da ONU “vem per­den­do pro­gres­si­va­men­te sua cre­di­bi­li­da­de”.

“Essa fra­gi­li­da­de decor­re, em par­ti­cu­lar, da ação de seus mem­bros per­ma­nen­tes, que tra­vam guer­ras não auto­ri­za­das em bus­ca de expan­são ter­ri­to­ri­al ou de mudan­ça de regi­me. Sua para­li­sia é a pro­va mais elo­quen­te da neces­si­da­de e urgên­cia de refor­má-lo, con­fe­rin­do-lhe mai­or repre­sen­ta­ti­vi­da­de e efi­cá­cia”, dis­se Lula na oca­sião.

Agenda

Além da audi­ên­cia no dia 20, o minis­tro Mau­ro Viei­ra pre­si­di­rá outros even­tos duran­te o mês de outu­bro. Um deles, no dia 24, será um deba­te aber­to sobre o Ori­en­te Médio, rea­li­za­do a cada tri­mes­tre, para abor­dar a ques­tão da Pales­ti­na e outros assun­tos. No dia 25, have­rá outro deba­te aber­to com o tema “Mulhe­res, Paz e Segu­ran­ça”.

“O tema foi pro­pos­to no iní­cio des­te sécu­lo para cha­mar a aten­ção sobre o papel que as mulhe­res podem e devem exer­cer nos pro­ces­sos de pre­ven­ção e reso­lu­ção de con­fli­tos, pre­sen­ça nas ope­ra­ções de paz e tam­bém para o efei­to des­pro­por­ci­o­nal que os con­fli­tos têm sobre as mulhe­res”, expli­cou o embai­xa­dor Cozen­dey.

Outro even­to que ocor­re­rá no perío­do da pre­si­dên­cia bra­si­lei­ra será o diá­lo­go anu­al entre o Con­se­lho de Segu­ran­ça da ONU e o Con­se­lho de Paz e Segu­ran­ça da União Afri­ca­na. Ele será rea­li­za­do em Adis Abe­ba, capi­tal da Etió­pia e sede da União Afri­ca­na.

Edi­ção: Gra­ça Adju­to

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