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Brasil é país com mais casos de dengue no mundo, alerta OMS

Repro­du­ção: © Reuters/Paulo Whitaker/Direitos Reser­va­dos

Mudanças climáticas podem levar à proliferação de vetores


Publi­ca­do em 22/12/2023 — 16:47 Por Mari­a­na Tokar­nia — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Rio de Janei­ro

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O Bra­sil lide­ra o núme­ro de casos de den­gue no mun­do, com 2,9 milhões regis­tra­dos em 2023, de acor­do com a Orga­ni­za­ção Mun­di­al da Saú­de (OMS). Os casos são mais da meta­de dos 5 milhões regis­tra­dos mun­di­al­men­te. A orga­ni­za­ção cha­mou aten­ção, nes­ta sex­ta-fei­ra (22), para a doen­ça que tem se espa­lha­do para paí­ses onde his­to­ri­ca­men­te a doen­ça não cir­cu­la­va.  

Entre as razões para o aumen­to está a cri­se cli­má­ti­ca, que têm ele­va­do a tem­pe­ra­tu­ra mun­di­al e per­mi­ti­do que o mos­qui­to trans­mis­sor da den­gue, o Aedes aegyp­ti sobre­vi­va em ambi­en­te onde antes isso não ocor­ria. O fenô­me­no El Niño de 2023 tam­bém acen­tu­ou os efei­tos do aque­ci­men­to glo­bal das tem­pe­ra­tu­ras e das alte­ra­ções cli­má­ti­cas.

Em todo o mun­do a OMS rela­tou mais de 5 milhões de infec­ções por den­gue e 5 mil mor­tes pela doen­ça. A mai­or par­te, 80% des­ses casos, o equi­va­len­te a 4,1 milhões, foram noti­fi­ca­dos nas Amé­ri­cas, segui­das pelo Sudes­te Asiá­ti­co e Pací­fi­co Oci­den­tal. Nas Amé­ri­cas, o Bra­sil con­cen­tra o mai­or núme­ro de casos, segui­do por Peru e Méxi­co.  Os dados são refe­ren­tes ao perío­do de 1º de janei­ro e 11 de dezem­bro.

Brasil

Do total de casos cons­ta­ta­dos no Bra­sil, 1.474, ou 0,05% do total são casos de den­gue gra­ve, tam­bém cha­ma­da de den­gue hemor­rá­gi­ca. O país é o segun­do na região com o mai­or núme­ro de casos mais gra­ves, atrás ape­nas da Colôm­bia, com 1.504 casos.

Paí­ses ante­ri­or­men­te livres de den­gue, como Fran­ça, Itá­lia e Espa­nha, repor­ta­ram casos de infec­ções ori­gi­na­das no país – a cha­ma­da trans­mis­são autóc­to­ne – e não no estran­gei­ro. O mos­qui­to Aedes aegyp­ti é ampla­men­te dis­tri­buí­do na Euro­pa, onde é mais conhe­ci­do como mos­qui­to tigre.

Mudanças climáticas

No Bra­sil, levan­ta­men­to fei­to pela pla­ta­for­ma Adap­ta­Bra­sil, mos­trou que as mudan­ças cli­má­ti­cas no Bra­sil podem levar à pro­li­fe­ra­ção de veto­res, como o mos­qui­to Aedes aegyp­ti e, em con­sequên­cia, ao agra­va­men­to de arbo­vi­ro­ses, como den­gue, zika e chi­kun­gunya. A pla­ta­for­ma é vin­cu­la­da ao Minis­té­rio da Ciên­cia, Tec­no­lo­gia e Ino­va­ção (MCTI), em par­ce­ria com a Fun­da­ção Oswal­do Cruz (Fio­cruz),

As pro­je­ções indi­cam tam­bém expan­são da malá­ria, leish­ma­ni­o­se tegu­men­tar ame­ri­ca­na e leish­ma­ni­o­se vis­ce­ral. O tra­ba­lho levou em con­ta as tem­pe­ra­tu­ras máxi­ma e míni­ma, a umi­da­de rela­ti­va do ar e a pre­ci­pi­ta­ção acu­mu­la­da para asso­ci­ar a ocor­rên­cia do vetor, que são os mos­qui­tos trans­mis­so­res das dife­ren­tes doen­ças em aná­li­se. A Adap­ta­Bra­sil ava­lia tam­bém a vul­ne­ra­bi­li­da­de e a expo­si­ção da popu­la­ção a esses veto­res.

A den­gue é a infec­ção viral mais comum trans­mi­ti­da a huma­nos pica­dos por mos­qui­tos infec­ta­dos. É encon­tra­do prin­ci­pal­men­te em áre­as urba­nas em cli­mas tro­pi­cais e sub­tro­pi­cais.

Os prin­ci­pais sin­to­mas da den­gue são febre alta, dor no cor­po e arti­cu­la­ções, dor atrás dos olhos, mal estar, fal­ta de ape­ti­te, dor de cabe­ça e man­chas ver­me­lhas no cor­po.

Para evi­tar a infes­ta­ção de mos­qui­tos, o Minis­té­rio da Saú­de ori­en­ta que é neces­sá­rio eli­mi­nar os cri­a­dou­ros, man­ten­do os reser­va­tó­ri­os e qual­quer local que pos­sa acu­mu­lar água total­men­te cober­tos com telas, capas ou tam­pas. Medi­das de pro­te­ção con­tra pica­das tam­bém podem aju­dar espe­ci­al­men­te nas áre­as de trans­mis­são. O Aedes aegyp­ti ata­ca prin­ci­pal­men­te duran­te o dia.

Vacina

Nes­ta quin­ta-fei­ra (21), o Minis­té­rio da Saú­de incor­po­rou a vaci­na con­tra den­gue ao Sis­te­ma Úni­co de Saú­de (SUS). Segun­do a minis­tra da Saú­de, Nísia Trin­da­de, o Bra­sil é o pri­mei­ro país do mun­do a ofe­re­cer o imu­ni­zan­te no sis­te­ma públi­co uni­ver­sal.

Conhe­ci­da como Qden­ga, a vaci­na não será dis­po­ni­bi­li­za­da em lar­ga esca­la em um pri­mei­ro momen­to, mas será foca­da em públi­co e regiões pri­o­ri­tá­ri­as. A incor­po­ra­ção do imu­ni­zan­te foi ana­li­sa­da e apro­va­da pela Comis­são Naci­o­nal de Incor­po­ra­ções de Tec­no­lo­gi­as no SUS (Coni­tec).

O Minis­té­rio da Saú­de infor­mou que o Pro­gra­ma Naci­o­nal de Imu­ni­za­ções (PNI) tra­ba­lha­rá jun­to à Câma­ra Téc­ni­ca de Asses­so­ra­men­to em Imu­ni­za­ção (CTAI) para defi­nir a melhor estra­té­gia de uti­li­za­ção do quan­ti­ta­ti­vo dis­po­ní­vel, como públi­co-alvo e regiões com mai­or inci­dên­cia da doen­ça para apli­ca­ção das doses. A defi­ni­ção des­sas estra­té­gi­as deve ocor­rer nas pri­mei­ras sema­nas de janei­ro.

Em entre­vis­ta à Radi­o­a­gên­cia Naci­o­nal, o vice-pre­si­den­te da Soci­e­da­de Bra­si­lei­ra de Imu­ni­za­ções (SBIm), Rena­to Kfou­ri, enfa­ti­za a impor­tân­cia da vaci­na para con­tro­lar a den­gue no país. “A vaci­na, sem dúvi­da, jun­to com outras medi­das, será impor­tan­te ins­tru­men­to para con­tro­le des­sa doen­ça”, dis­se.

Ele acres­cen­ta que  “a den­gue é uma doen­ça que impac­ta dire­ta­men­te pra­ti­ca­men­te todo o ter­ri­tó­rio naci­o­nal, vem se expan­din­do em regiões onde a gen­te não tinha den­gue e o con­tro­le do vetor do mos­qui­to trans­mis­sor da doen­ça têm sido insu­fi­ci­en­tes para que nos con­si­ga­mos dimi­nuir as taxas de infec­ção que só se alas­tram”.

Ministério da Saúde

Em nota, o minis­té­rio diz que está aler­ta e moni­to­ra cons­tan­te­men­te o cená­rio da den­gue no Bra­sil. Para apoi­ar esta­dos e muni­cí­pi­os nas ações de con­tro­le da den­gue, a pas­ta repas­sou R$ 256 milhões para todo o país para refor­çar o enfre­ta­men­to da doen­ça.

A pas­ta infor­ma que ins­ta­lou uma Sala Naci­o­nal de Arbo­vi­ro­ses, espa­ço per­ma­nen­te para o moni­to­ra­men­to em tem­po real dos locais com mai­or inci­dên­cia de den­gue, chi­kun­gunya e Zika para pre­pa­rar o Bra­sil em uma even­tu­al alta de casos nos pró­xi­mos meses. Com a medi­da, será pos­sí­vel dire­ci­o­nar melhor as ações de vigi­lân­cia.

“O momen­to é de inten­si­fi­car os esfor­ços e as medi­das de pre­ven­ção por par­te de todos para redu­zir a trans­mis­são da doen­ça. Para evi­tar o agra­va­men­to dos casos, a popu­la­ção deve bus­car o ser­vi­ço de saú­de mais pró­xi­mo ao apre­sen­tar os pri­mei­ros sin­to­mas”, diz o tex­to, que res­sal­ta ain­da que cer­ca de 11,7 mil pro­fis­si­o­nais de saú­de foram capa­ci­ta­dos em 2023 para mane­jo clí­ni­co, vigi­lân­cia e con­tro­le da den­gue.

Edi­ção: Maria Clau­dia

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