...
domingo ,14 abril 2024
Home / Saúde / Brasil pode dobrar casos de dengue neste ano em relação a 2023

Brasil pode dobrar casos de dengue neste ano em relação a 2023

Repro­du­ção: © SECOM/MTS

Número de casos já superou pico do ano passado


Publi­ca­do em 27/02/2024 — 20:17 Por Sabri­na Crai­de — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil  — Bra­sí­lia

ouvir:

O Bra­sil pode­rá ter nes­te ano o dobro de casos de den­gue que foi regis­tra­do em 2023. No total, o país já regis­trou 973.347 casos pro­vá­veis da doen­ça em 2024, sen­do 7.771 con­si­de­ra­dos gra­ve e com sinais de alar­me. Em 2023, a soma de casos no ano foi de 1.658.816. 

“Há um aumen­to efe­ti­vo do núme­ro de casos mui­to ele­va­do, há um padrão atí­pi­co nes­se iní­cio de ano. A gen­te já tem uma ava­li­a­ção de que é pos­sí­vel que nós venha­mos a ter o dobro de casos do ano pas­sa­do por esse his­tó­ri­co de já ter tido um aumen­to em 2023 e pelos fato­res de mudan­ça cli­má­ti­ca e a cir­cu­la­ção de mais de um soro­ti­po de den­gue”, dis­se nes­ta ter­ça-fei­ra (27) a minis­tra da Saú­de, Nísia Trin­da­de.

No entan­to, os indi­ca­do­res de leta­li­da­de estão mais bai­xos nes­te ano do que em 2023, segun­do dados apre­sen­ta­dos pelo Minis­té­rio da Saú­de. “Em 2023 hou­ve menos casos gra­ves, mas mais óbi­tos até este momen­to”, expli­cou a secre­tá­ria de Vigi­lân­cia em Saú­de, Ethel Maci­el.

O gru­po que mais está ado­e­cen­do em 2024 é na fai­xa etá­ria entre 20 e 49 anos. Os casos gra­ves se con­cen­tram na fai­xa aci­ma de 70 anos.

Em 2023, ape­nas o Rio de Janei­ro decre­tou situ­a­ção de emer­gên­cia, e nes­te ano já são sete esta­dos (Acre, Goiás, Minas Gerais, Espí­ri­to San­to, San­ta Cata­ri­na, Rio de Janei­ro e Dis­tri­to Fede­ral), além de 154 decre­tos muni­ci­pais de emer­gên­cia.

O mai­or núme­ro de casos de den­gue no Bra­sil até ago­ra já supe­rou o pico de 2023, que foi entre o final de mar­ço e o come­ço de abril. Enquan­to o pico em 2023 foi de 111,8 mil casos na sema­na epi­de­mi­o­ló­gi­ca 15, nes­te ano o país já teve 182,2 mil casos na sema­na 6 (de 4 a 10 de feve­rei­ro).

“Não sabe­mos ain­da se vai haver uma des­ci­da ago­ra, se essa des­ci­da vai ser sus­ten­ta­da, se vai ser tão rápi­da como a subi­da”, dis­se a secre­tá­ria.

Mudança climática

De acor­do com a minis­tra Nísia Trin­da­de, a mudan­ça cli­má­ti­ca é um fator impor­tan­te para o aumen­to da dis­se­mi­na­ção da den­gue, já que nes­te ano o cli­ma quen­te e úmi­do tem favo­re­ci­do a pro­pa­ga­ção do mos­qui­to. “Em 2024, há esse ele­men­to atí­pi­co por­que foge do padrão do que já conhe­ce­mos nos 40 anos em que temos epi­de­mia de den­gue”, dis­se.

Outra mudan­ça impor­tan­te nes­te ano é a cir­cu­la­ção dos qua­tro soro­ti­pos de den­gue. Em mui­tos esta­dos, onde havia a pre­va­lên­cia do soro­ti­po 1 já está aumen­tan­do para o soro­ti­po 2, pois as pes­so­as já têm a imu­ni­da­de para o pri­mei­ro soro­ti­po. É o caso do Dis­tri­to Fede­ral, onde 40% dos casos são pro­vo­ca­dos pelo soro­ti­po 2.

Além dis­so, este ano a doen­ça está sen­do regis­tra­da em cida­des médi­as e peque­nas, locais onde não havia antes a infec­ção por den­gue nes­sa pro­por­ção.

“Há fato­res ambi­en­tais, há fato­res soci­o­com­por­ta­men­tais, que é a aten­ção de toda a soci­e­da­de no com­ba­te e há tam­bém fato­res liga­dos à dinâ­mi­ca do vírus, a sua vari­a­bi­li­da­de, ou seja as pes­so­as que ain­da não esta­vam sujei­tas à expo­si­ção a deter­mi­na­dos tipos de vírus”, expli­cou a minis­tra.

Dia D

No pró­xi­mo sába­do (2), o Minis­té­rio da Saú­de, em par­ce­ria com esta­dos e muni­cí­pi­os, vai rea­li­zar o Dia D de com­ba­te à doen­ça. Com o tema Bra­sil Uni­do Con­tra a Den­gue, serão rea­li­za­das ações de ori­en­ta­ção para a popu­la­ção sobre os cui­da­dos para evi­tar a dis­se­mi­na­ção da doen­ça.

“É um momen­to de aten­ção do país, das auto­ri­da­des sani­tá­ri­as, do Minis­té­rio da Saú­de, de um moni­to­ra­men­to mui­to pró­xi­mo ao que está acon­te­cen­do nas dife­ren­tes regiões, esta­dos e muni­cí­pi­os, mas é tam­bém um momen­to que requer uma união não só de gover­nos mas tam­bém da soci­e­da­de”, dis­se.

Vacinas

A minis­tra escla­re­ceu que a vaci­na con­tra a den­gue con­ti­nu­a­rá a ser dis­po­ni­bi­li­za­da para os muni­cí­pi­os sele­ci­o­na­dos pelo Minis­té­rio da Saú­de para a fai­xa etá­ria entre 10 e 14 anos. Os imu­ni­zan­tes para as ida­des de 10 e 11 anos já foram dis­tri­buí­dos.

Segun­do ela, o qua­dro atu­al da vaci­na­ção no país não é uma res­pos­ta para a situ­a­ção de sur­to epi­dê­mi­co, espe­ci­al­men­te por­que a vaci­na con­tra a den­gue é com­pos­ta por duas doses, com três meses de inter­va­lo entre elas. “Mes­mo quem se vaci­nou [com a pri­mei­ra dose] não está pro­te­gi­do, a vaci­na se tor­na efe­ti­va quan­do todo o regi­me de doses é segui­do”, dis­se, refor­çan­do a impor­tân­cia das medi­das de pre­ven­ção para a pro­li­fe­ra­ção do mos­qui­to Aedes aegyp­ti.

Edi­ção: Caro­li­na Pimen­tel

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Estado do Rio mantém decreto de epidemia para dengue

Repro­du­ção: © Edu Kapps/SMS Mais cedo, capital do estado anunciou fim da epidemia Publicado em …