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Brasileiros esperam quase 20 meses para obter visto dos EUA

Repro­du­ção: © Mar­ce­lo Camargo/Agência Bra­sil

Maior tempo de espera ocorre em São Paulo


Publi­ca­do em 06/06/2023 — 07:32 Por Léo Rodri­gues — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Rio de Janei­ro

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O Bra­sil ocu­pa atu­al­men­te a séti­ma posi­ção entre os paí­ses que regis­tram o mai­or tem­po de espe­ra para se obter o vis­to de turis­ta para via­jar aos Esta­dos Uni­dos (EUA).  É o que apon­ta levan­ta­men­to rea­li­za­do pela AG Immi­gra­ti­on, um escri­tó­rio sedi­a­do em Washing­ton e espe­ci­a­li­za­do em advo­ca­cia migra­tó­ria. O ran­king, pro­du­zi­do com base em dados do Depar­ta­men­to de Esta­do dos EUA, mos­tra ain­da que a fila de requi­si­tan­tes atin­giu recor­des em qua­tro das cin­co cida­des bra­si­lei­ras onde o docu­men­to pode ser soli­ci­ta­do.

O mai­or tem­po de espe­ra ocor­re em São Pau­lo. Quem fizer seu agen­da­men­to hoje só con­se­gui­rá data para daqui a 615 dias, qua­se 20 meses. Na sequên­cia, apa­re­cem Por­to Ale­gre (507 dias), Bra­sí­lia (493), Rio de Janei­ro (478) e Reci­fe (449). Segun­do o escri­tó­rio AG Immi­gra­ti­on, ape­nas a capi­tal cari­o­ca já teve fila mais demo­ra­da. Os núme­ros de todas as outras repre­sen­tam recor­de.

No mun­do, ape­nas seis paí­ses regis­tram mai­or len­ti­dão: Colôm­bia, Hai­ti, Méxi­co, Nepal, Cana­dá e Emi­ra­dos Ára­bes. No Bra­sil, vis­tos de turis­mo e de negó­cio res­pon­dem por mais de 90% de todos os pedi­dos.  No caso da emis­são de vis­tos para estu­do ou tra­ba­lho, o pro­ces­so geral­men­te é mais rápi­do.

Os pri­mei­ros pas­sos para obter o docu­men­to­são é pre­en­cher um for­mu­lá­rio onli­ne e pagar uma taxa de US$ 160. Em segui­da, deve-se fazer o agen­da­men­to de uma entre­vis­ta na embai­xa­da em Bra­sí­lia ou nos qua­tro con­su­la­dos, loca­li­za­dos em São Pau­lo, no Rio de Janei­ro, em Reci­fe e Por­to Ale­gre. O vis­to de turis­mo tem vali­da­de de dez anos, poden­do ser usa­do em dife­ren­tes visi­tas aos EUA den­tro des­se perío­do. O tem­po de per­ma­nên­cia de cada via­gem, no entan­to, é defi­ni­do pela equi­pe de imi­gra­ção que rece­be o pas­sa­gei­ro após o desem­bar­que, sen­do geral­men­te infe­ri­or a seis meses. Com o vis­to de turis­mo, não é per­mi­ti­do tra­ba­lhar ou estu­dar no país. Ape­nas cur­sos de bai­xa car­ga horá­ria são per­mi­ti­dos.

Em decor­rên­cia da pan­de­mia de covid-19, a emis­são de vis­tos entre maio de 2020 e novem­bro de 2021 ficou res­tri­ta. Os aten­di­men­tos pri­o­ri­za­ram pes­so­as em situ­a­ção de emer­gên­cia, como as que vão para fune­rais de fami­li­a­res ou para tra­ta­men­to médi­co, além de vis­tos estu­dan­tis. Des­de que os pedi­dos vol­ta­ram a ser ana­li­sa­dos de for­ma geral, a deman­da tem sido cres­cen­te.

Em nota, a embai­xa­da dos EUA reco­nhe­ce o pro­ble­ma. “O tem­po de espe­ra para soli­ci­tar o vis­to de turis­ta pela pri­mei­ra vez está mai­or do que gos­ta­ría­mos, ain­da em fun­ção da deman­da gera­da pela pan­de­mia de covid-19. Esta­mos tra­ba­lhan­do para aumen­tar a dis­po­ni­bi­li­da­de de agen­da­men­tos. Con­tra­ta­mos novos fun­ci­o­ná­ri­os, esta­mos fazen­do horas extras e ampli­a­mos o perío­do para reno­va­ção de vis­to com isen­ção de entre­vis­ta de 12 para 48 meses”.

A embai­xa­da diz que espe­ra resul­ta­dos posi­ti­vos até as féri­as de julho, mas cha­ma aten­ção para a alta deman­da. “O Bra­sil foi o segun­do país com mai­or pro­ces­sa­men­to de vis­tos do mun­do em 2022. Atu­al­men­te, entre­vis­ta­mos em média mais de 6 mil pedi­dos de vis­to por dia e, em 2023, pro­je­ta­mos ultra­pas­sar 1 milhão de vis­tos pro­ces­sa­dos. Reco­men­da­mos que as pes­so­as pla­ne­jem suas via­gens com ante­ce­dên­cia e que cada soli­ci­tan­te veri­fi­que no nos­so site se é ele­gí­vel para reno­va­ção de vis­to sem neces­si­da­de de entre­vis­ta, o que é um pro­ces­so bem mais rápi­do”.

Ao mes­mo tem­po em que ocor­re o aumen­to do tem­po de espe­ra, o levan­ta­men­to da AG Immi­gra­ti­on regis­tra o cres­ci­men­to recor­de na emis­são de vis­tos. Foram rea­li­za­das 106 mil entre­gas no Bra­sil duran­te o mês de mar­ço, mai­or volu­me já regis­tra­do pelo escri­tó­rio. Em abril, foram 85 mil. Ape­sar da que­da de apro­xi­ma­da­men­te 20% na com­pa­ra­ção com o mês ante­ri­or, é o segun­do mai­or volu­me da série his­tó­ri­ca.

De acor­do com a AG Immi­gra­ti­on, a situ­a­ção reve­la for­te dese­jo dos bra­si­lei­ros em conhe­ce­rem os EUA e é um desa­fio para a embai­xa­da, ten­do em vis­ta que a demo­ra pre­ju­di­ca o inter­câm­bio turís­ti­co. O impac­to seria sen­ti­do dire­ta­men­te em des­ti­nos como a Fló­ri­da, que tem o Bra­sil como um dos três paí­ses que mais envi­am via­jan­tes.

Há cer­ca de seis meses, a US Tra­vel Asso­ci­a­ti­on, que repre­sen­ta mais de mil orga­ni­za­ções e empre­sas da indús­tria de via­gens dos Esta­dos Uni­dos, lan­çou o por­tal USVi­sa­De­lays para reu­nir his­tó­ri­as de via­jan­tes estran­gei­ros e empre­sá­ri­os dos EUA sobre o cus­to pes­so­al dos tem­pos de espe­ra. Um dos rela­tos é da bra­si­lei­ra Flá­via Perei­ra. “Esta­mos ten­tan­do obter um vis­to de turis­ta. Ini­ci­a­mos o pro­ces­so em maio de 2022 e só con­se­gui­mos entre­vis­ta no con­su­la­do de São Pau­lo em mar­ço de 2024 por­que somos qua­tro. Que­re­mos levar nos­sos dois filhos para a Dis­neyworld”, con­tou

Ao lan­çar o por­tal, a US Tra­vel Asso­ci­a­ti­on cobrou, por meio de pos­ta­gem nas redes soci­ais, que o gover­no nor­te-ame­ri­ca­no reco­nhe­ça os impac­tos econô­mi­cos da situ­a­ção e ado­te medi­das para redu­zir o tem­po de espe­ra. “Não pode­mos nos dar ao luxo de dis­su­a­dir via­jan­tes e afas­tar ati­vi­da­des econô­mi­cas crí­ti­cas”, diz o tex­to.

No últi­mo mês, o pre­si­den­te da US Tra­vel Asso­ci­a­ti­on, Geoff Fre­e­man, mani­fes­tou sua pre­o­cu­pa­ção com a demo­ra para obter o vis­to, em entre­vis­tas duran­te o IPW 2023, uma gran­de fei­ra da indús­tria de via­gens orga­ni­za­da anu­al­men­te pela enti­da­de. “Os tem­pos de espe­ra são ina­cei­tá­veis. Nin­guém em sã cons­ci­ên­cia vai aguar­dar esse tem­po para vir aos Esta­dos Uni­dos quan­do há mui­tos outros mer­ca­dos ao redor do mun­do que estão com­pe­tin­do por esses via­jan­tes”, dis­se à emis­so­ra nor­te-ame­ri­ca­na CNN.

Edi­ção: Gra­ça Adju­to

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