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Brasileiros que vivem na fronteira temem problemas na Guiana

Repro­du­ção: © Vitor Abda­la

Comércio com os guianeses cresceu com a economia do país vizinho


Publi­ca­do em 02/12/2023 — 10:05 Por Vitor Abda­la — repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Rio de Janei­ro

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Bon­fim, em Rorai­ma, é uma cida­de peque­na, com ape­nas 13 mil habi­tan­tes. Mas, se não cha­ma aten­ção pelo tama­nho, ou por qual­quer atra­ti­vo turís­ti­co, des­ta­ca-se por ser a úni­ca cone­xão viá­ria ter­res­tre do exte­ri­or com a Gui­a­na, nos­so vizi­nho sul-ame­ri­ca­no que teve a mai­or taxa de cres­ci­men­to econô­mi­co mun­di­al, em 2022 (62,3%), segun­do o Fun­do Mone­tá­rio Inter­na­ci­o­nal.

A Gui­a­na faz fron­tei­ra com Bra­sil, Vene­zu­e­la e Suri­na­me. Além do Bra­sil, ape­nas Suri­na­me tem pos­to fron­tei­ri­ço com o ter­ri­tó­rio gui­a­nês, mas, ali, a tra­ves­sia entre os dois paí­ses é fei­ta de bar­co, dife­ren­te­men­te de Bon­fim, onde uma pon­te liga Bra­sil e Gui­a­na.

Bon­fim e a gui­a­ne­sa Lethem são cida­des irmãs, con­si­de­ra­das um arran­jo popu­la­ci­o­nal inter­na­ci­o­nal pelo Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Geo­gra­fia e Esta­tís­ti­ca (IBGE). Todos os dias, vári­os bra­si­lei­ros cru­zam a fron­tei­ra para fazer com­pras nas lojas mais bara­tas da Gui­a­na, para tra­ba­lhar ou para fazer negó­ci­os com a nova reve­la­ção da eco­no­mia mun­di­al.

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Repro­du­ção: Rio Tacu­tu divi­de as cida­des de Bon­fim, no Bra­sil, e Lethem, na Gui­a­na — Vitor Abda­la

Nas­ci­do em Minas Gerais, Robe­ro Osme já morou na capi­tal da Gui­a­na, Geor­ge­town, antes de se esta­be­le­cer há três anos em Bon­fim. Há mais de uma déca­da, man­tém um hotel no muni­cí­pio bra­si­lei­ro, que vive des­se trân­si­to entre as duas cida­des.

“Nin­guém vem pas­se­ar em Bon­fim. Aqui não tem pon­to turís­ti­co, não tem nada. As pes­so­as pas­sam aqui para fazer negó­cio, vão para a Gui­a­na. Aqui é uma por­ta de saí­da [para o país vizi­nho]”, expli­ca Osme.

Assim como outros mora­do­res de Bon­fim, ele tem recei­os em rela­ção ao aumen­to das hos­ti­li­da­des entre Vene­zu­e­la e Gui­a­na, uma vez que o gover­no vene­zu­e­la­no rea­li­za­rá um refe­ren­do no pró­xi­mo domin­go (3), a fim de con­sul­tar a popu­la­ção sobre a rede­fi­ni­ção da fron­tei­ra entre os dois paí­ses de modo a ane­xar 75% da Gui­a­na.

‘Se fronteira fechar, acabou’

Segun­do ele, um dos recei­os ime­di­a­tos é o fecha­men­to da fron­tei­ra entre Bra­sil e Gui­a­na, com­pos­ta por uma pon­te que atra­ves­sa o rio Tacu­tu. “Nós sofre­mos aqui com a covid. Fica­mos fecha­dos aqui duran­te qua­se dois anos [devi­do ao fecha­men­to da fron­tei­ra]. Nós não tínha­mos dinhei­ro nem para pagar a ener­gia. E isso pode acon­te­cer nova­men­te. Se fechar a fron­tei­ra, aca­bou”, afir­mou o dono do hotel.

Um pos­sí­vel fecha­men­to da fron­tei­ra tam­bém pre­o­cu­pa Tar­cí­sio Bezer­ra Almei­da, dono de uma loja de mate­ri­ais de cons­tru­ção em Bon­fim. “O prin­ci­pal medo da gen­te que empre­en­de aqui é a ques­tão do fecha­men­to da Fron­tei­ra. Exis­te boa­to da pos­si­bi­li­da­de de haver um fecha­men­to. Isso impac­ta­ria dire­ta­men­te nos­sa mer­ca­do­ria”, afir­ma o bra­si­lei­ro, que ven­de pro­du­tos de cons­tru­ção, como tijo­los, para cli­en­tes em Lethem.

Almei­da dis­se que, nos últi­mos dias, tem pre­sen­ci­a­do um aumen­to da fis­ca­li­za­ção na fron­tei­ra entre Bra­sil e Gui­a­na. “Hoje em dia, a fron­tei­ra da Gui­a­na está aque­ci­da. A Gui­a­na está com um poder de com­pra mui­to gran­de e pas­sa mui­ta mer­ca­do­ria lá para den­tro. A gen­te tem uma fábri­ca de tijo­los e nos­so cami­nhão todo dia vai para Lethem. A gen­te man­da mer­ca­do­ria até para Geor­ge­town”, con­ta ele.

Ambos empre­sá­ri­os não dese­jam ver uma mudan­ça de sobe­ra­nia em Lethem. “Do jei­to que está, está óti­mo. Não dese­jo que haja uma mudan­ça não. Mas tam­bém não acre­di­to que have­rá essa mudan­ça”, dis­se Almei­da.

“Hoje nós temos como vizi­nhos o país que mais cres­ce no mun­do. O comér­cio está incre­men­tan­do mui­to. [Se Lethem pas­sar à admi­nis­tra­ção vene­zu­e­la­na] vamos pas­sar a ter como vizi­nho um país que não cres­ce”, res­sal­ta Osme. “De cin­co a oito anos para cá, o comér­cio com a Gui­a­na cres­ceu assus­ta­do­ra­men­te. E ago­ra pode sim­ples­men­te zerar”.

O Minis­té­rio da Defe­sa bra­si­lei­ro infor­mou que tem acom­pa­nha­do a situ­a­ção e que inten­si­fi­cou suas ações na “fron­tei­ra ao nor­te do país”, com um aumen­to da pre­sen­ça de mili­ta­res na região.

Já o Minis­té­rio das Rela­ções Exte­ri­o­res defen­de que Vene­zu­e­la e Gui­a­na bus­quem uma solu­ção pací­fi­ca para a con­tro­vér­sia.

Venezuela reivindica 75% do território da Guiana
Repro­du­ção: Vene­zu­e­la rei­vin­di­ca 75% do ter­ri­tó­rio da Gui­a­na — Arte EBC

Edi­ção: Vini­cius Lis­boa

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