...
quinta-feira ,25 julho 2024
Home / Saúde / Campanha de incentivo à doação de sangue marca Dia Mundial do Doador

Campanha de incentivo à doação de sangue marca Dia Mundial do Doador

Repro­dução: © Tomaz Silva/Agência Brasil

Lema este ano é Doe sangue, doe plasma, compartilhe a vida


Pub­li­ca­do em 14/06/2023 — 07:43 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

ouvir:

Railana Dias da Cruz tem 28 anos e é morado­ra de Belford Roxo, na Baix­a­da Flu­mi­nense. Nes­sa terça-feira (13), ela fez sua ter­ceira doação no Hemorio, insti­tu­to que coor­de­na a rede públi­ca de sangue do esta­do do Rio de Janeiro. Railana pre­tende se tornar uma doado­ra reg­u­lar. A primeira vez foi em 2020 e a segun­da, em 2021. “Eu acho uma ação muito boni­ta. Tem pes­soas que pre­cisam. É muito grat­i­f­i­cante a gente saber que pode sal­var a vida de alguém, aju­dar a sociedade de algu­ma maneira”. A decisão foi toma­da diante do Dia Mundi­al do Doador de Sangue, comem­o­ra­do nes­ta quar­ta-feira (14).

De acor­do com a Orga­ni­za­ção Pan-Amer­i­cana da Saúde (OPAS), o lema da cam­pan­ha este ano é “Doe sangue, doe plas­ma, com­par­til­he a vida, com­par­til­he com fre­quên­cia”. A ini­cia­ti­va faz alusão ao Jun­ho Ver­mel­ho, mês de con­sci­en­ti­za­ção sobre a doação.

Ronald Gomes doa sangue des­de 1978, quan­do entrou para o serviço mil­i­tar. E não parou mais. Quan­do não está doan­do no Hemorio, doa em out­ro hos­pi­tal, para aten­der à neces­si­dade de algum par­ente ou ami­go. A maio­r­ia de seus irmãos tam­bém doa. Além de sangue, Ronald é doador de pla­que­tas e medu­la óssea. Ser um doador reg­u­lar sig­nifi­ca, para ele, sal­var vidas. “Acho muito impor­tante faz­er esse ato cívi­co. Nós esta­mos sal­van­do vidas. É o mes­mo que estar sal­van­do uma pes­soa com medu­la óssea. O sangue serve para tudo isso. Então, acho inter­es­sante que as pes­soas doem sangue”. Ronald Gomes já tem carteir­in­ha de doador reg­u­lar do Hemorio.

Segun­do Elisa Gomes, hema­tol­o­gista e hemo­ter­apeu­ta do Hos­pi­tal Már­cio Cun­ha (HMC), as cam­pan­has são necessárias para a con­sci­en­ti­za­ção do doador vol­un­tário. “Quem doa sangue está aju­dan­do a sal­var vidas”. Ela disse que por mais que haja avanços na med­i­c­i­na e na ciên­cia, o sangue é matéria-pri­ma insub­sti­tuív­el. “Não há nada que faça o papel do sangue”. É ele que leva oxigênio para os teci­dos, defende o organ­is­mo humano con­tra infecções e é respon­sáv­el pela coag­u­lação, comen­tou. O HMC é um hos­pi­tal ger­al de alta com­plex­i­dade, local­iza­do em Ipatin­ga (MG). Tem 548 leitos e três unidades, sendo uma unidade exclu­si­va para o trata­men­to oncológi­co. Atende a uma pop­u­lação de mais de 800 mil habi­tantes, no leste de Minas Gerais.

Segurança

O dire­tor-ger­al do Hemorio, Luiz Amor­im, infor­mou que os esto­ques, no momen­to, estão entre 10% e 15% abaixo do necessário. “Por isso, a cam­pan­ha vem a cal­har e vai ser prov­i­den­cial para a gente ter uma mel­ho­ria nos esto­ques, porque jul­ho é mês de férias, as pes­soas via­jam e sem­pre caem as doações, em com­para­ção com jun­ho”.

Nes­sa segun­da-feira (13), entraram em torno de 30 bol­sas de doação. O ide­al, para dar segu­rança, na hipótese de ocor­rên­cia de algu­ma tragé­dia, é ter estoque sufi­ciente para cin­co dias. No momen­to, o estoque é para qua­tro dias. “O ide­al mes­mo é que ten­ha para cin­co. A gente pre­cisa mel­ho­rar porque, com o fim da pan­demia de covid-19, os hos­pi­tais estão cheios, as cirur­gias foram retomadas, os trata­men­tos que ficaram para­dos foram reini­ci­a­dos. Hoje, a deman­da de sangue é até maior, porque pro­ced­i­men­tos com­plex­os que não foram feitos em 2021 e 2022 estão sendo real­iza­dos ago­ra e a deman­da por sangue aumen­ta”.

Do total de doadores do hemo­cen­tro flu­mi­nense, 40% são reg­u­lares e 25% vão a cada dois anos. “Soman­do os doadores habit­u­ais com aque­les que não vêm em todos os anos, a gente tem per­to de 70%. Nos­so tra­bal­ho é trans­for­mar os doadores de primeira vez em doadores habit­u­ais e ofer­e­cer uma exper­iên­cia que seja agradáv­el a eles. A gente pre­cisa de doadores habit­u­ais para que não seja pre­ciso faz­er cam­pan­has nem ape­los”, afir­mou Amor­im.

No Brasil

No Brasil, ape­nas entre 1,6% e 1,9% da pop­u­lação é doado­ra de sangue. Em país­es da Europa, esse índice chega a 5%. De acor­do com o Min­istério da Saúde, 14 em cada mil brasileiros doam sangue de for­ma reg­u­lar nos hemo­cen­tros do Sis­tema Úni­co de Saúde (SUS). Para Luiz Amor­im, é muito pouco. “Nós pre­cis­aríamos, pelo menos, de 2,5% a 3%. Glob­al­mente, o número atu­al é muito baixo para a com­plex­i­dade da med­i­c­i­na do Brasil e, pelo fato de a pop­u­lação brasileira ser cada vez mais idosa, há maior neces­si­dade de sangue. A gente pre­cisa mel­ho­rar e aumen­tar a doação”.

Para o dire­tor-ger­al do Hemorio, o grande prob­le­ma atual­mente é a doação cen­tral­iza­da no insti­tu­to, local­iza­do no cen­tro da cidade. “Isso não fun­ciona tam­bém. As pes­soas têm difi­cul­dade de se deslo­car, é muito longe, per­dem tem­po no trans­porte. Então, cada vez mais a gente está ten­tan­do descen­tralizar”. Todos os dias, o Hemo­cen­tro desta­ca duas equipes de cole­ta móv­el para aten­der o públi­co doador nas empre­sas e igre­jas. “Porque, aí as pes­soas aderem com muito mais facil­i­dade”. Amor­im disse que mais da metade do sangue do Hemorio é prove­niente das cole­tas móveis. A meta do dire­tor-ger­al é, até o fim deste ano, inau­gu­rar mais dois pos­tos fixos de cole­ta na cap­i­tal, sendo um na Bar­ra da Tiju­ca e out­ro em Jacarepaguá, bair­ros da zona oeste, e um ter­ceiro pos­to fixo em Duque de Cax­i­as, na Baix­a­da Flu­mi­nense. Ele acred­i­ta que, com isso, a doação vai aumen­tar.

Amor­im lem­brou que, hoje, a doação de sangue não é mais um mito, nem dá medo à pop­u­lação. Aprovei­tan­do o Dia Mundi­al do Doador de Sangue, ele estim­u­lou as pes­soas a doar. “Porque, sem essa doação, a gente não con­segue ter estoque ade­qua­do e os hos­pi­tais não con­seguem faz­er cirur­gias, tratar ade­quada­mente os pacientes. Nada sub­sti­tui a doação de sangue, mes­mo que ela seja fei­ta a cada três ou dois anos. Qual­quer doação é útil. A gente ani­ma a pop­u­lação a con­tin­uar doan­do e a aumen­tar o número de doações”.

Como doar

Arte doação de sangue
Repro­dução: Arte doação de sangue — Arte/Agência Brasil

Para ser um doador, é pre­ciso ter entre 16 e 69 anos, pesar 50 qui­los, no mín­i­mo, estar bem de saúde e apre­sen­tar doc­u­men­to de iden­ti­dade ofi­cial com foto. Jovens com 16 e 17 anos só podem doar sangue com autor­iza­ção dos pais ou respon­sáveis legais. A autor­iza­ção pode ser aces­sa­da no site do Hemorio. Na faixa etária de 60 a 69 anos, as pes­soas podem doar, des­de que ten­ham feito algu­ma doação ante­ri­or. Não é necessário estar em jejum, mas deve-se evi­tar com­er ali­men­tos gor­durosos nas qua­tro horas que ante­ce­dem a doação e não ingerir bebidas alcoóli­cas 12 horas antes.

Tat­u­agem e piercing impe­dem a doação por seis meses. O Hemorio aler­ta que a per­furação na região oral ou gen­i­tal ain­da segue como impedi­ti­vo para doações enquan­to hou­ver uso da peça. Infor­mações podem ser obti­das pelo número gra­tu­ito 0800 282 0708. O dire­tor lem­brou que quem quis­er pode agen­dar dia e hora para doar, nesse mes­mo tele­fone, ou pelo site. “É muito mais rápi­do e o proces­so é bem mais sim­ples”.

Algu­mas situ­ações, porém, impe­dem pro­vi­so­ri­a­mente a doação de sangue. Entre elas, estar com febre ou gri­pa­do. Grávi­das tam­bém não podem doar. O mes­mo se apli­ca para quem fez extração den­tária há sete dias. Mul­heres que este­jam ama­men­tan­do só podem doar depois de um ano após o par­to. Quem fez vaci­nação pode doar, respeita­do o inter­va­lo, que pode ser de 48 horas para vaci­nas con­tra a gripe e para a vaci­na Coro­n­avac con­tra covid. Para as demais vaci­nas con­tra a covid-19, o inter­va­lo é de uma sem­ana.

Rota solidária

Para aju­dar no reforço aos esto­ques de sangue do Hemorio, as empre­sas do setor de mobil­i­dade do esta­do do Rio se uni­ram em parce­ria inédi­ta, visan­do via­bi­lizar a inte­gração entre os doadores e o Insti­tu­to. Bati­za­da de Rota Solidária, a ação faz parte do Jun­ho Ver­mel­ho e será lança­da nes­ta quar­ta-feira (14), Dia Mundi­al do Doador de Sangue. Inte­gram a ini­cia­ti­va as con­ces­sionárias MetrôRio, VLT Car­i­o­ca, Semove e Super­Via, além da empre­sa de tec­nolo­gia 99. Jun­tas, essas empre­sas disponi­bi­lizaram 6.350 gra­tu­idades para a cam­pan­ha.

Para par­tic­i­par da Rota Solidária, os doadores devem se diri­gir ao Hemorio e infor­mar qual modal uti­lizaram para chegar ali. Eles rece­berão duas pas­sagens para cobrir os gas­tos com o deslo­ca­men­to. Caso deci­dam uti­lizar a 99, bas­ta aces­sar o aplica­ti­vo e inserir o cupom SALVARVIDASRJ a fim de garan­tir 50% de descon­to em até duas cor­ri­das para ir e voltar do Hemorio. O lim­ite é de R$ 8 por viagem. Além dis­so, colo­can­do a palavra “Sal­var Vidas” na opção de des­ti­no do aplica­ti­vo, apare­cerá o endereço dire­to do insti­tu­to. Ao todo, 5 mil vouch­ers serão disponi­bi­liza­dos.

A ini­cia­ti­va con­ta ain­da com o apoio da Rodoviária do Rio e do Rio­galeão, cujos espaços serão uti­liza­dos para chamar a atenção dos vis­i­tantes que chegam à cidade. A expec­ta­ti­va da cam­pan­ha é reforçar os esto­ques do Hemorio, aten­den­do mais de 25 mil pes­soas e con­sideran­do que cada bol­sa pode sal­var até qua­tro vidas. Out­ras ações tam­bém estão pre­vis­tas durante o mês, entre as quais o sorteio de ingres­sos para fes­tas e dis­tribuição de brindes aos doadores.

O dire­tor-ger­al do Hemorio disse que esta é a primeira parce­ria entre os modais, em todo o país, por uma boa causa. Amor­im acred­i­ta que a Rota Solidária tem tudo para se tornar uma ação tradi­cional, “já que tem a cara do morador do Rio, sem­pre dis­pos­to a aju­dar o out­ro”. Para ele, a ini­cia­ti­va poderá inspi­rar out­ras ações semel­hantes pelo Brasil.

Após a doação

De acor­do com infor­mações do Hemorio, após a doação, a bol­sa de sangue total é cen­trifu­ga­da e sep­a­ra­da em três com­po­nentes: con­cen­tra­do de hemá­cias, con­cen­tra­do de pla­que­tas e plas­ma. São real­iza­dos exam­es lab­o­ra­to­ri­ais para deter­mi­nação do grupo san­guí­neo e para detecção de doenças trans­mis­síveis pelo sangue. Depois dess­es exam­es, a bol­sa de sangue é lib­er­a­da para trans­fusão. O sangue é uti­liza­do prin­ci­pal­mente nas grandes emergên­cias, que incluem aci­dentes de trân­si­to, fer­i­men­tos por armas, hemor­ra­gias agu­das, entre out­ros, além de cirur­gias e pacientes com doenças oncológ­i­cas e hema­tológ­i­cas. O Hemorio dis­tribui sangue para mais de 200 hos­pi­tais públi­cos e con­ve­ni­a­dos com o Sis­tema Úni­co de Saúde (SUS) do esta­do.

Cada pes­soa tem, em média, cin­co litros de sangue. É seguro doar, porque o mate­r­i­al usa­do é estéril, descartáv­el e de uso indi­vid­ual. Além dis­so, o doador pas­sa por uma con­sul­ta, antes de doar, onde são avali­adas as condições clíni­cas. O organ­is­mo repõe o vol­ume de sangue doa­do no mes­mo dia. Para isso, o Hemorim recomen­da beber bas­tante líqui­do.

O sangue tipo O Neg­a­ti­vo é con­sid­er­a­do “uni­ver­sal” porque pode ser trans­fun­di­do em qual­quer pes­soa, sal­vo em rarís­si­mos casos. É o sangue que sal­va nas situ­ações de emergên­cia. No Brasil, ape­nas 5% da pop­u­lação têm esse tipo san­guí­neo. Por isso, os hemo­cen­tros encon­tram mui­ta difi­cul­dade em man­ter esto­ques reg­u­lares desse tipo de sangue.

Edição: Graça Adju­to

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Inscrição para 1ª etapa do Revalida termina nesta sexta-feira

Repro­dução: © Marce­lo Camargo/Agência Brasil Provas estão previstas para dia 25 de agosto Publicado em …