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Câncer de bexiga ultrapassa 19 mil mortes em 4 anos

Repro­dução: © Arquivo/Elza Fiúza/Agência Brasil

Julho é o mês de conscientização da doença


Publicado em 07/07/2024 — 10:26 Por Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil — Rio de Janeiro

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Tipo de câncer mais inci­dente em home­ns, o tumor de bex­i­ga matou de 800 mil pes­soas no mun­do e mais de 19 mil no Brasil de 2019 a 2022.

Dados do Sis­tema de Infor­mações do Min­istério da Saúde (SIH/SUS) indicam mais de 110 mil casos de neo­pla­sia maligna da bex­i­ga des­de 2019. Assim como em out­ros tipos de câncer, o tabag­is­mo é o prin­ci­pal fator de risco da neo­pla­sia de bex­i­ga.

Jul­ho é mês de con­sci­en­ti­za­ção do câncer de bex­i­ga. A Sociedade Brasileira de Urolo­gia (SBU) aprovei­ta a data para aler­tar sobre a importân­cia da detecção pre­coce deste tipo de tumor, quan­do as chances de cura são maiores. Nas redes soci­ais, posts, vídeos e live com espe­cial­is­tas infor­mam o públi­co lei­go.

Esti­ma­ti­vas do Insti­tu­to Nacional de Câncer (Inca) apon­tam que este ano dev­erão ser reg­istra­dos 11.370 novos casos de câncer de bex­i­ga, sendo 7.870 em home­ns e 3.500 em mul­heres, o que cor­re­sponde a um risco esti­ma­do de 7,45 casos novos a cada 100 mil home­ns e 3,14 a cada 100 mil mul­heres. Segun­do o Inca, este é o séti­mo câncer mais inci­dente entre os home­ns (exce­to o de pele não melanoma), rep­re­sen­tan­do mais de 3% dos cânceres no sexo mas­culi­no.

“O câncer de bex­i­ga tem como prin­ci­pal fator de risco o tabag­is­mo, rela­ciona­do a mais de 50% dos casos. Por­tan­to, elim­i­nan­do esse hábito, con­seguimos diminuir sig­ni­fica­ti­va­mente as chances de aparec­i­men­to desse tumor. Out­ro pon­to fun­da­men­tal na pre­venção é seguir hábitos saudáveis, como man­ter uma ali­men­tação bal­ancea­da, beber água em quan­ti­dade ade­qua­da e exerci­tar-se”, aler­ta o pres­i­dente da SBU, Luiz Otavio Tor­res.

O motorista Edgar Azeve­do dos San­tos, de 51 anos, desco­briu a doença após uma dor lom­bar em 2017. Ele fez ultra­ssom que con­sta­tou nódu­los. Ele pas­sou por uma cirur­gia e sessões de quimioter­apia. “Eu nun­ca imag­i­nar­ia que teria um câncer. De lá para cá faço acom­pan­hamen­tos per­iódi­cos”.

“Temos obser­va­do que muitas pes­soas descon­hecem o câncer de bex­i­ga, como se man­i­fes­ta e quais são os prin­ci­pais vilões. A maio­r­ia já sabe que o fumo pode levar ao câncer de pul­mão, por exem­p­lo, mas muitos descon­hecem que ele tam­bém é o prin­ci­pal cau­sador do câncer de bex­i­ga.

Além dis­so, ape­sar de que muitas vezes causa san­gra­men­to na uri­na, geral­mente no iní­cio é inter­mi­tente e não provo­ca dor, e por isso é comum as pes­soas não darem a dev­i­da importân­cia e retar­darem a ida ao médi­co, poden­do agravar o quadro”, esclarece a dire­to­ra de Comu­ni­cação da SBU e coor­de­nado­ra das cam­pan­has de aware­ness da enti­dade, Karin Jaeger Anzolch.

Ape­sar de geral­mente ser silen­cioso no está­gio ini­cial, o tumor de bex­i­ga pode provo­car sangue na uri­na, maior fre­quên­cia urinária, ardên­cia ao uri­nar, urgên­cia para uri­nar e jato urinário fra­co

“A pre­sença de sangue visív­el na uri­na é o sin­toma mais comum do câncer de bex­i­ga e está nor­mal­mente pre­sente em 80% dos pacientes. Out­ros sin­tomas comu­mente relata­dos são aumen­to da fre­quên­cia urinária, urgên­cia mic­cional e dor para uri­nar, que podem estar rela­ciona­dos à pre­sença de car­ci­no­ma in situ.

O câncer de bex­i­ga pode ser tam­bém ass­in­tomáti­co e detec­ta­do através de exam­es de imagem com ultra­ssono­grafia, tomo­grafia ou ressonân­cia nuclear mag­néti­ca”, expli­ca o coor­de­nador do Depar­ta­men­to de Uro-Oncolo­gia da SBU, Mauri­cio Den­er Cordeiro.

Tipos de câncer

O câncer de bex­i­ga pode ser clas­si­fi­ca­do de acor­do com a célu­la que sofreu alter­ação, sendo os prin­ci­pais: car­ci­no­ma de célu­las tran­si­cionais (ou urotelial) que rep­re­sen­ta a maio­r­ia dos casos e tem iní­cio na cama­da mais inter­na da bex­i­ga; car­ci­no­ma de célu­las escamosas (ou epi­der­moide) que afe­ta as célu­las del­gadas e planas da bex­i­ga, ocorre após infecção ou infla­mação pro­lon­gadas; e ade­no­car­ci­no­ma que é mais raro, tem iní­cio nas célu­las glan­du­lares (de secreção) após infecção ou irri­tação pro­lon­gadas.

O câncer de bex­i­ga é con­sid­er­a­do super­fi­cial quan­do se limi­ta ao teci­do de reves­ti­men­to da bex­i­ga e infil­tra­ti­vo quan­do transpas­sa a parede mus­cu­lar, poden­do afe­tar órgãos próx­i­mos ou gânglios lin­fáti­cos.

Fatores de risco

O tabag­is­mo (tam­bém o pas­si­vo) é o prin­ci­pal fator de risco do câncer de bex­i­ga, porém há out­ras ameaças como: exposição a sub­stân­cias quími­cas; alguns medica­men­tos e suple­men­tos dietéti­cos; gênero e raça (home­ns bran­cos têm mais chances de desen­volver a doença); idade avança­da; históri­co famil­iar.

“Além do tabag­is­mo, o con­ta­to com sub­stân­cias quími­cas como as pre­sentes em defen­sivos agrí­co­las, tin­turas uti­lizadas na indús­tria, fumaça de diesel ou out­ras sub­stân­cias tam­bém podem pre­dis­por a essa doença. Medica­men­tos como a piogli­ta­zona, uti­liza­da para o con­t­role do dia­betes, já foram asso­ci­a­dos com o desen­volvi­men­to do câncer de bex­i­ga. Con­tu­do, o risco é rel­a­ti­va­mente baixo, e o prin­ci­pal pon­to de atenção deve ser para pacientes que já tiver­am câncer de bex­i­ga e uti­lizam essa med­icação”, expli­ca o super­vi­sor da Dis­ci­plina de Câncer de Bex­i­ga da SBU, Fer­nan­do Korkes.

Diagnóstico e tratamento

O diag­nós­ti­co do câncer de bex­i­ga pode ser feito por exam­es de uri­na e de imagem, como ultra­ssom, tomo­grafia com­puta­doriza­da e cis­to­scopia (inves­ti­gação inter­na da bex­i­ga por meio do cis­toscó­pio, instru­men­to dota­do de câmera intro­duzi­do pela ure­tra). Durante a cis­to­scopia, caso o espe­cial­ista iden­ti­fique algu­ma alter­ação, pode ser reti­ra­do mate­r­i­al para bióp­sia.

O trata­men­to do câncer de bex­i­ga varia con­forme o está­gio da doença e pode con­si­s­tir em cirur­gia, quimioter­apia e radioter­apia.

Os tipos de cirur­gia con­sis­tem em: ressecção transure­tral – remoção do tumor por via ure­tral; cis­tec­to­mia par­cial — reti­ra­da de uma parte da bex­i­ga; cis­tec­to­mia rad­i­cal — remoção com­ple­ta da bex­i­ga, com a con­strução de um novo órgão para armazenar a uri­na.

Nos casos de lesões ini­ci­ais, após removi­do o tumor, pode ser admin­istra­da a vaci­na BCG ou algum quimioterápi­co den­tro da bex­i­ga a fim de evi­tar recidi­va da doença.

“Algu­mas das novi­dades nes­sa área incluem novas med­icações como imunoter­apia, ter­apias alvo e ter­apias com anti­cor­pos con­ju­ga­dos a dro­gas que já têm sido uti­liza­dos na práti­ca e trazem bene­fí­cios para muitos pacientes. Quan­to à cirur­gia, as platafor­mas robóti­cas aux­il­iam bas­tante nos casos em que é necessário remover a bex­i­ga e faz­er algum tipo de recon­strução”, ressalta Fer­nan­do Korkes.

Mortalidade

De 2019 a 2022 o Sis­tema de Infor­mações sobre Mor­tal­i­dade reg­istrou 19.160 óbitos em decor­rên­cia de neo­pla­sia maligna da bex­i­ga. Dess­es, 12.956 (67,6%) eram do sexo mas­culi­no e 6.204 (32,3%) do sexo fem­i­ni­no.

Para o dire­tor da Esco­la Supe­ri­or de Urolo­gia da SBU, Roni de Car­val­ho Fer­nan­des, para ras­trear o câncer de bex­i­ga e desen­volver políti­cas públi­cas efi­cazes para reduzir a incidên­cia e mor­tal­i­dade, é essen­cial con­sid­er­ar várias estraté­gias, começan­do por cam­pan­has de con­sci­en­ti­za­ção e edu­cação como essa pro­movi­da pela SBU, além de iden­ti­ficar gru­pos de alto risco, garan­tir que todos ten­ham aces­so a serviços de saúde que ofer­eçam diag­nós­ti­co e trata­men­to ade­qua­dos com a cri­ação de cen­tros espe­cial­iza­dos para garan­tir padrões ele­va­dos de cuida­do e resul­ta­dos mel­hores para os pacientes.

“Imple­men­tar essas medi­das requer colab­o­ração entre profis­sion­ais de saúde, gov­er­nos, insti­tu­ições de pesquisa, orga­ni­za­ções não gov­er­na­men­tais e a própria comu­nidade para enfrentar de for­ma efi­caz esse grande desafio, que é reduzir as taxas de mor­tal­i­dade do câncer de bex­i­ga”, afir­ma Fer­nan­des.

Edição: Maria Clau­dia

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