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Carnaval de São Luís é marcado por riqueza de ritmos

Repro­du­ção: © Foto: @caosinfinito

Circuito tradicional tem como principal ponto bairro da Madre Deus


Publi­ca­do em 09/02/2024 — 09:48 Por Luci­a­no Nas­ci­men­to — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — São Luís

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Repro­du­ção: Car­na­val 2024 — Arte/Agência Bra­sil

Conhe­ci­do pela pecu­li­a­ri­da­de e rique­za de rit­mos, o car­na­val de rua de São Luís traz o toque ances­tral nos des­fi­les de blo­cos tra­di­ci­o­nais, blo­cos afro, tri­bos indí­ge­nas, tam­bor de cri­ou­la e outras mani­fes­ta­ções. A área cen­tral da cida­de é local onde os foliões se diver­tem duran­te o perío­do momes­co.

O tra­di­ci­o­nal cir­cui­to tem como um dos prin­ci­pais pon­tos o bair­ro da Madre Deus, ber­ço de inú­me­ras mani­fes­ta­ções cul­tu­rais do Mara­nhão. São ori­gi­ná­ri­as do bair­ro mui­tas agre­mi­a­ções car­na­va­les­cas. Entre elas estão o blo­co Fuzi­lei­ros da Fuzar­ca, que traz na bati­da sua mar­ca regis­tra­da. O rit­mo caden­ci­a­do é pro­du­zi­do pelas retin­tas, taróis-de-mão e duas-por-uma (ins­tru­men­to de per­cus­são cober­to com cou­ro de bode e car­nei­ro). Fun­da­do em 1936 por poe­tas, com­po­si­to­res e músi­cos, o blo­co mais anti­go do Mara­nhão des­fi­la nas cores pre­to e bran­co é e um dos sím­bo­los do car­na­val de rua da capi­tal.

Além do Fuzi­lei­ros, a Madre Deus, ou Madre Divi­na como é cari­nho­sa­men­te cha­ma­do o bair­ro, tam­bém pre­sen­cia des­fi­les dos Blo­cos Tra­di­ci­o­nais, com seus tam­bo­res ape­li­da­dos de tre­me ter­ra. As agre­mi­a­ções, como o blo­co da Apae, Tro­pi­cais do Rit­mo, Show Feras, Os Curin­gas, Os Gigan­tes, Mag­na­tas Show, Os Gla­di­a­do­res, Os Diplo­má­ti­cos, Os Dife­ren­ci­a­dos, Os Foliões, Reis da Liber­da­de, Os Tra­pa­lhões, Os Bra­si­nhas, Vina­grei­ra Show, Com­pa­nhia do Rit­mo e Tra­di­ci­o­nais do Rit­mo, se carac­te­ri­zam pela bele­za de suas ves­ti­men­tas e pelo som estron­do­so que pro­du­zem.

As batu­ca­das, fei­tas pelos tam­bo­res cha­ma­dos de con­tra­tem­po, são fei­tas com a pal­ma das mãos, com for­ça e pre­ci­são, caden­ci­an­do o rit­mo. O tam­bor gran­de, de 1,2 metro e diâ­me­tro de 65 a 70 cen­tí­me­tros, é toca­do com o acom­pa­nha­men­to de retin­tas, caba­ças, reco-recos, agogôs, afo­xés, gan­zás e rocas. O som resul­tan­te favo­re­ce a fusão com diver­sos esti­los musi­cais, que ani­mam tan­to os toca­do­res quan­to os demais foliões, cha­ma­dos de bali­zas.

O cir­cui­to rece­be ain­da, duran­te o rei­na­do de Momo, gru­pos de tam­bor de cri­ou­la, as tri­bos de índi­os como os Sioux, Tapi­a­ca Uhu, Upa­on Açú, Cara­jás, Curu­mim, Gua­ra­ni, Ita­po­an, Kai­o­pó, Kamayu­rá, Tupi­nam­bás e Tupi­ni­quins, alé, dos blo­cos afro como o Abi­bi­mã, Abiyeye May, AiyêA­ma­dê, Aru­an­da, Ako­ma­bu; Dida­ra, Gdam, Juru­mê, Neto de Nanã e Offi­ci­na Afro. O cor­te­jo segue da Vila Gracinha/Casa das Minas (tra­di­ci­o­nal casa de cul­to mina) até o lar­go da Caro­çu­do.

Nes­te ano, os foliões ain­da não sabem como se dará a fes­ta, que tem iní­cio nes­ta sex­ta-fei­ra (9), pelo menos no cir­cui­to da Madre Deus. É que a pre­fei­tu­ra não divul­gou como será a pro­gra­ma­ção do tra­di­ci­o­nal cir­cui­to car­na­va­les­co. Nas redes soci­ais, foliões, repre­sen­tan­tes de brin­ca­dei­ras pedem expli­ca­ções à Secre­ta­ria Muni­ci­pal de Cul­tu­ra (Secult).

A úni­ca men­ção ao car­na­val de rua, no per­fil da Secult em uma rede soci­al, se resu­miu a falar sobre o cor­te­jo mas sem indi­ca­ti­vo de apre­sen­ta­ção da pro­gra­ma­ção. “É pra des­cer com o cor­te­jo, viu? O nos­so car­na­val da Madre Deus come­ça com o cor­te­jo dos Blo­cos Tra­di­ci­o­nais e Tri­bos de índi­os na Vila Gra­ci­nha e todos se encon­tram no Lar­go do Caro­çu­do. Pre­pa­ra a mai­se­na e caia na folia!”, diz o post.

Nos comen­tá­ri­os diver­sas recla­ma­ções e pedi­dos de infor­ma­ção. “Boa tar­de, tô sain­do de Belém com alguns ami­gos pra cur­tir o car­na­val em SLZ. Que­ria saber qual a pre­vi­são pra vcs pos­ta­rem a pro­gra­ma­ção com­ple­ta. Até ago­ra só vi a do gover­no do esta­do, mas ain­da nao encon­trei a de blo­cos tra­di­ci­o­nais da cida­de”, diz o post de um turis­ta. “A pro­gra­ma­ção, meus amo­res, por obsé­quio”, pedia uma foliã.

A pro­gra­ma­ção do des­fi­le das esco­las de sam­ba de São Luís e a dis­pu­ta entre os blo­cos tra­di­ci­o­nais, rea­li­za­dos nos qua­tro dias de folia momes­ca foram trans­fe­ri­dos para o final de sema­na seguin­te ao car­na­val.

A mudan­ça da data do des­fi­le veio após uma reu­nião entre repre­sen­tan­tes da pre­fei­tu­ra de São Luís e esco­las de sam­ba. Hou­ve atra­so na publi­ca­ção do edi­tal e não ocor­reu o repas­se dos recur­sos para as esco­las. Com a mudan­ça, as esco­las, entre elas a Tur­ma da Man­guei­ra, Flor do Sam­ba, Tur­ma do Quin­to, Fave­la do Sam­ba, Maram­baia do Sam­ba, Uni­dos de Fáti­ma e Impé­rio Ser­ra­no, vão des­fi­lar nos dias 23 e 24 de feve­rei­ro. Ain­da não há um acor­do para o des­fi­le dos blo­cos.

Agên­cia Bra­sil entrou em con­ta­to com a secre­ta­ria para saber sobre a pro­gra­ma­ção, mas não obte­ve retor­no. A repor­ta­gem tam­bém ques­ti­o­nou o tra­ta­men­to dado às agre­mi­a­ções, blo­cos e demais brin­ca­dei­ras, tam­bém sem retor­no.

Se o cir­cui­to de rua pas­sa pela inde­fi­ni­ção sobre a pro­gra­ma­ção, o mes­mo não pode ser dito sobre o novo cir­cui­to cri­a­do pela pre­fei­tu­ra e cha­ma­do de Cida­de do Car­na­val, na região do cen­tro his­tó­ri­co. No local foi cons­truí­do um pal­co para a apre­sen­ta­ção de shows. Na pro­gra­ma­ção estão pre­vis­tas as apre­sen­ta­ções, entre outras, de Manu Bah­ti­dão, nes­ta sex­ta de car­na­val, do Gru­po Olo­dum, no dia 11, e do DJ Alok e Igui­nho & Luli­nha, no dia 13.

Ao lado do pal­co, na Pra­ça das Mer­cês, há tam­bém um espa­ço para vári­os DJs da cida­de, bati­za­do de Ten­da Hot Spa­ce. Além dis­so, a pre­fei­tu­ra cri­ou o Espa­ço Mul­ti­cul­tu­ral Reg­gae e o Afro Pal­co, dedi­ca­dos aos artis­tas locais.

Programação estadual

A pro­gra­ma­ção do gover­no do esta­do tam­bém pri­vi­le­gi­ou a con­tra­ta­ção de artis­tas de expres­são naci­o­nal. A sex­ta-fei­ra de car­na­val come­ça com shows dos can­to­res Zé Vaquei­ro e Gust­ta­vo Lima, que abrem a pro­gra­ma­ção ofi­ci­al no Cir­cui­to Lito­râ­nea. Ao todo, serão 16 atra­ções naci­o­nais e 51 de artis­tas locais nos cir­cui­tos da Ave­ni­da Lito­râ­nea e no Cir­cui­to Bei­ra-Mar, no cen­tro de São Luís.

Entre os shows con­tra­ta­dos estão os de Matheus e Kau­an, Eric Land, Tier­ry, Chi­cle­te com Bana­na, Flá­via Bit­ten­court rece­be Àtto­ox­xá, Zeca Balei­ro, Wes­ley Safa­dão, Jonas Esti­ca­do, Cláu­dia Leit­te, Lau­a­na Pra­do, Matra­ca Elé­tri­ca, É o Tchan, Belo e Geral­do Aze­ve­do.

Segun­do o gover­no do esta­do, o pri­mei­ro dia de folia, no Cir­cui­to Lito­râ­nea, vai rece­ber os shows dos gru­pos mara­nhen­ses Sam­ba da Tama­ri­nei­ra, Mix in Bra­zil, da can­to­ra Iara Cos­ta e do gru­po de sam­ba Fei­jo­a­da Com­ple­ta, que encer­ra­rá a fes­ta.

Edi­ção: Gra­ça Adju­to

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