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CCBB RJ comemora 35 anos com exposição sobre arquitetura e memória

Repro­dução: © AF Rodrigues/CCBB RJ/Divulgação

Entrada é gratuita e vai até 16 de dezembro


Publicado em 29/06/2024 — 09:03 Por Alana Gandra — Repórter da Agência Brasil — Rio de Janeiro

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Com a exposição Primeiro de Março 66 — Arquite­tu­ra de Memórias, o Cen­tro Cul­tur­al Ban­co do Brasil do Rio de Janeiro (CCBB RJ) comem­o­ra 35 anos de ativi­dades sur­preen­den­do o públi­co com curiosi­dades sobre o pré­dio situ­a­do no cen­tro históri­co da cap­i­tal flu­mi­nense, cuja pedra fun­da­men­tal foi lança­da em 7 de maio de 1880, para ser a ter­ceira sede da Asso­ci­ação Com­er­cial do Rio de Janeiro.

A exposição gra­tui­ta será inau­gu­ra­da neste sába­do (29), esten­den­do-se até 16 de dezem­bro. Os ingres­sos podem ser reti­ra­dos na bil­hete­ria físi­ca ou no site bb.com.br/cultura.

O fun­ciona­men­to é de segun­da-feira a domin­go, das 9h às 20h, exce­tuan­do as terças-feiras. Aos domin­gos, das 8h às 9h, o atendi­men­to é exclu­si­vo para vis­i­tação de pes­soas com defi­ciên­cias int­elec­tu­ais ou men­tais e seus acom­pan­hantes, con­forme esta­b­elece a Lei Munic­i­pal nº 6.278/2017. A mostra ocu­pa as salas do 4º andar do Cen­tro Cul­tur­al.

Em entre­vista à Agên­cia Brasil, o curador da mostra, antropól­o­go e fotó­grafo Mil­ton Guran, desta­ca que o pré­dio já aparece no Atlas Arquite­tur­al da cidade do Rio de Janeiro de 1874, seis anos antes do lança­men­to da pedra fun­da­men­tal. “Já esta­va pre­vis­to um pré­dio aqui, com as dimen­sões e car­ac­terís­ti­cas que ele tem hoje”. Desta­ca que, naque­la época, aque­la rua era chama­da Rua Dire­i­ta e con­sti­tuía a prin­ci­pal via da cidade, que se esten­dia do Mor­ro do Caste­lo até o Mor­ro de São Ben­to, e con­cen­tra­va o Palá­cio do Imper­ador, a cat­e­dral, a Asso­ci­ação Com­er­cial, o Arse­nal. “Quan­do chegou a notí­cia do fim da Guer­ra do Paraguai, o povo foi para a Rua Dire­i­ta onde esta­va o imper­ador (Dom Pedro II) no Paço Impe­r­i­al. O imper­ador desceu e for­mou o corte­jo jun­to com o povo que gri­ta­va “1º de março”. Então, o nome da rua mudou para Primeiro de Março que é o dia em que acabou a Guer­ra do Paraguai”.

Rio de Janeiro (RJ) 26/06/2024 - Claraboia da RotundaExposição que comemora 35 anos do CCBB RJ. Foto: Thais Alvarenga/CCBB RJ/Divulgação
Repro­dução: Claraboia da Rotun­da  — Thais Alvarenga/CCBB RJ/Divulgação

A Rua Dire­i­ta é muito cita­da na lit­er­atu­ra brasileira do sécu­lo 17 até o começo do sécu­lo 20. A exposição con­ta com um painel literário onde há menções à rua des­de 1698, pas­san­do por autores brasileiros como Joaquim Manuel de Mace­do, José de Alen­car, Macha­do de Assis, Lima Bar­reto, além da escrito­ra britâni­ca Maria Gra­ham. “A gente vai do sécu­lo 17 ao sécu­lo 20 falan­do da Rua Dire­i­ta”, disse Mil­ton Guran. Foram sele­ciona­dos tre­chos dess­es autores que men­cionam a Rua Dire­i­ta, que foram grava­dos pelo ator Alexan­dre Davi. Os tex­tos estarão disponíveis na exposição para o públi­co em QRCode.

História

O pré­dio foi inau­gu­ra­do no dia 8 de novem­bro de 1906 na Rua Primeiro de Março, 66, e refor­ma­do pos­te­ri­or­mente, entre 1922 e 1926, para ser a sede do Ban­co do Brasil, situ­ação que se man­teve até 1960, quan­do a insti­tu­ição mudou a matriz para Brasília, nova cap­i­tal do país. A rotun­da do edifí­cio sinal­iza­va a Praça do Comér­cio, comum nas cidades por­tugue­sas, que cen­tral­iza­va as oper­ações com­er­ci­ais e finan­ceiras de vul­to da cidade. O pré­dio abrigou ain­da a Agên­cia Cen­tro Rio de Janeiro do ban­co e, depois, a Agên­cia Primeiro de Março.

O dia 12 de out­ubro de 1989 mar­ca a inau­gu­ração do Cen­tro Cul­tur­al Ban­co do Brasil do Rio (CCBB RJ). As refor­mas efe­t­u­adas ao lon­go do tem­po preser­varam as caraterís­ti­cas arquitetôni­cas dos esti­los neo­clás­si­co, pre­sente na rotun­da e em suas col­u­nas orna­men­tadas; o art nou­veau, encon­tra­do nas janelas exter­nas; e o art déco, vis­to na por­ta da entra­da da Rua Primeiro de Março, no lus­tre em frente à bil­hete­ria e nas por­tas do Teatro I.

Mil­ton Guran infor­mou que a curado­ria tomou o pré­dio como um organ­is­mo vivo. “Porque, na ver­dade, é isso que ele é. É um espaço onde já pas­saram, em 35 anos, 62 mil­hões de pes­soas. Não tem out­ro espaço no Brasil onde ten­ha acon­te­ci­do isso, à exceção, talvez, do Mara­canã, no Rio de Janeiro. Isso é uma coisa abso­lu­ta­mente extra­ordinária”.

Eixos

A curado­ria tra­bal­hou em cima de três eixos: O primeiro ensaio fotográ­fi­co abrange o pré­dio e seu entorno e é real­iza­do por AF Rodrigues, foto­jor­nal­ista da agên­cia Ima­gens do Povo, que doc­u­men­ta o edifí­cio em seu con­tex­to urbano. A relação do públi­co den­tro do CCBB RJ como espaço de socia­bil­i­dade é retrata­do por Thais Alvaren­ga, fotó­grafa e arte-edu­cado­ra; por fim, Bruno Bou Haya, fotó­grafo espe­cial­iza­do em memória, doc­u­men­ta o fun­ciona­men­to do cen­tro cul­tur­al. “Todos três se inter­es­saram pelo pré­dio, sobre­tu­do por seus detal­h­es arquitetôni­cos.

“Porque isso aqui é um palá­cio e a gente não pres­ta atenção. As pes­soas não veem os detal­h­es, a pre­ciosi­dade da dec­o­ração. Mes­mo por fora. Nós fotografamos tudo”. Guran citou uma dessas curiosi­dades que são as luminárias com o ros­to do Her­mes, deus grego do comér­cio, con­heci­do como Mer­cúrio pelos romanos. Foi mon­ta­do um painel inteiro com detal­h­es. “São dezenas de detal­h­es em que a gente está mostran­do a beleza do pré­dio”.

Rio de Janeiro (RJ) 26/06/2024 - Luminária com Hermes na RotundaExposição que comemora 35 anos do CCBB RJ. Foto: Bruno Bou Haya/CCBB RJ/Divulgação
Repro­dução: Luminária com Her­mes na Rotun­da — Bruno Bou Haya/CCBB RJ/Divulgação

Dois artis­tas visuais foram con­vi­da­dos tam­bém para faz­er uma inter­pre­tação do pré­dio a par­tir de sua doc­u­men­tação históri­ca. Há fotografias do arqui­vo históri­co que pas­saram por inter­venção dos artis­tas Thi­a­go Bar­ros e da artista Moara Tupinam­bá. Algu­mas ima­gens orig­i­nais desse acer­vo, que ilus­tram o fun­ciona­men­to da sede do ban­co entre 1926 e 1960 e da agên­cia 001 da insti­tu­ição, tam­bém serão expostas em vit­rines, enquan­to out­ras foram ampli­adas e serão exibidas nas pare­des.

Os vis­i­tantes poderão assi­s­tir duas pro­jeções, sendo uma dos ensaios dos fotó­grafos, com depoi­men­to da ger­ente-ger­al do CCBB RJ, Sueli Voltarel­li, ressaltan­do o papel históri­co do pré­dio para além de sua pre­sença físi­ca. Out­ra pro­jeção é fei­ta a par­tir de fotografias históri­c­as da Rua Dire­i­ta trata­da com inteligên­cia arti­fi­cial (IA) como uma ani­mação. A exposição con­ta, ain­da, com uma tril­ha musi­cal exclu­si­va, de auto­ria do com­pos­i­tor Mar­cos de Souza.

Rio de Janeiro (RJ) 26/06/2024 - Intervenção digital na fotografia do Arquivo do BB-autor desconhecido-Rotunda com os guichês de atendimento em 1943Exposição que comemora 35 anos do CCBB RJ. Foto: Thiago Barros/CCBB RJ/Divulgação
Repro­dução: Inter­venção dig­i­tal na fotografia do Arqui­vo do BB- ‑Rotun­da com os guichês de atendi­men­to em 1943 — Thi­a­go Barros/CCBB RJ/Divulgação

Da mes­ma for­ma que o Arqui­vo Históri­co do Ban­co do Brasil, o Museu da insti­tu­ição tam­bém con­tribuiu para a exposição com equipa­men­tos e móveis de época. O prin­ci­pal destaque é um pneumáti­co de comu­ni­cação, uti­liza­do na anti­ga sede do ban­co.

O aniver­sário do CCBB RJ será cel­e­bra­do tam­bém com o lança­men­to de um livro que reunirá todo o con­teú­do da exposição, além de ofer­e­cer uma abor­dagem abrangente sobre a ocu­pação do edifí­cio pelo Ban­co do Brasil. O livro terá ain­da tex­tos com­ple­mentares de espe­cial­is­tas como o his­to­ri­ador Luiz Antônio Simas, a pro­fes­so­ra de lit­er­atu­ra Maria Inês Azeve­do e o arquite­to e pro­fes­sor José Pes­soa.

Edição: Aline Leal

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