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Ceará: falta infraestrutura em quase 80% das unidades socioeducativas

Repro­du­ção: © Soci­o­e­du­ca­ti­vo do Ceará/Divulgação

Relatório mostra denúncias de violência em 13 unidades do sistema


Publi­ca­do em 06/12/2023 — 07:08 Por Cami­la Boehm – Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — São Pau­lo

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Ado­les­cen­tes que cum­prem medi­das de pri­va­ção de liber­da­de no Cea­rá são sub­me­ti­dos à vio­lên­cia de agen­tes do esta­do, à fal­ta de infra­es­tru­tu­ra nas uni­da­des con­for­me deter­mi­na a lei e à ofer­ta irre­gu­lar de esco­la­ri­za­ção. Além dis­so, entre 2006 e 2022, 19 jovens foram mor­tos den­tro do Sis­te­ma Soci­o­e­du­ca­ti­vo Cea­ren­se em con­tex­to de vio­lên­cia.

Brasília (DF) 05/12/2023 – Especial socioeducativo do CearáFoto: Socioeducativo do Ceará/Divulgação
Repro­du­ção: Mais de 80% das ins­ti­tui­ções mos­tram fal­ta de estru­tu­ra — Soci­o­e­du­ca­ti­vo do Ceará/Divulgação

Os dados que apon­tam tais vio­la­ções de direi­tos estão no rela­tó­rio do 5º Moni­to­ra­men­to do Sis­te­ma Soci­o­e­du­ca­ti­vo Cea­ren­se, que será lan­ça­do na pró­xi­ma ter­ça-fei­ra (12) e foram ante­ci­pa­dos à Agên­cia Bra­sil. Foram entre­vis­ta­dos 23% dos ado­les­cen­tes em cum­pri­men­to de medi­da soci­o­e­du­ca­ti­va de inter­na­ção e semi­li­ber­da­de do Cea­rá, ou seja, 132 de um total de 563, nas 18 uni­da­des do sis­te­ma.

As visi­tas foram rea­li­za­das em maio e junho do ano pas­sa­do pelo Cen­tro de Defe­sa da Cri­an­ça e do Ado­les­cen­te do Cea­rá (Cede­ca), pelo Fórum Per­ma­nen­te de ONGs em Defe­sa dos Direi­tos da Cri­an­ça e do Ado­les­cen­te (Fórum DCA) e pelo Cole­ti­vo Vozes. Foram entre­vis­ta­dos tam­bém 52 pro­fis­si­o­nais, incluin­do equi­pe téc­ni­ca, soci­o­e­du­ca­do­res e dire­to­res das uni­da­des.

A mai­or par­te (78%) das uni­da­des não tem estru­tu­ra ade­qua­da, de acor­do com os parâ­me­tros do Sis­te­ma Naci­o­nal de Aten­di­men­to Soci­o­e­du­ca­ti­vo (Sina­se), que regu­la­men­ta a exe­cu­ção das medi­das soci­o­e­du­ca­ti­vas no país, des­ta­cou a coor­de­na­do­ra do Núcleo de Moni­to­ra­men­to de Polí­ti­cas Públi­cas do Cede­ca, Ingrid Lei­te.

“Mais da meta­de das uni­da­des nun­ca pas­sa­ram por uma refor­ma para pode­rem ser ade­qua­das aos padrões, que seri­am dor­mi­tó­ri­os ven­ti­la­dos e mini­ma­men­te ilu­mi­na­dos, que os banhei­ros tenham sane­a­men­to bási­co. Por­que hoje são espa­ços extre­ma­men­te insa­lu­bres, úmi­dos, com mui­to mofo, mal chei­ro, muri­ço­ca, rato, então é uma ques­tão mes­mo que fere a dig­ni­da­de huma­na dos meni­nos”, apon­ta.

Em 13 cen­tros soci­o­e­du­ca­ti­vos, fun­ci­o­ná­ri­os da pró­pria uni­da­de admi­ti­ram que hou­ve denún­ci­as de vio­lên­ci­as con­tra os ado­les­cen­tes pra­ti­ca­das por agen­tes do esta­do. “Quem foi que afir­mou? Soci­o­e­du­ca­dor, dire­ção e equi­pe téc­ni­ca, por­que a gen­te sem­pre tri­an­gu­la­va essas infor­ma­ções. Então, 13 [uni­da­des] afir­ma­ram que há denún­ci­as de vio­lên­cia con­tra ado­les­cen­tes pra­ti­ca­das pelos soci­o­e­du­ca­do­res”, rela­tou.

Mais da meta­de (58%) dos ado­les­cen­tes que par­ti­ci­pa­ram de gru­pos focais duran­te o moni­to­ra­men­to – total de 100 jovens – rela­ta­ram que já sofre­ram vio­lên­cia na uni­da­de de inter­na­ção. Den­tro das denún­ci­as de vio­lên­cia, estão ame­a­ças, inti­mi­da­ções, maus tra­tos, agres­sões ver­bais, xin­ga­men­tos e tor­tu­ra.

O gover­no do esta­do do Cea­rá, por meio da Supe­rin­ten­dên­cia do Sis­te­ma Esta­du­al de Aten­di­men­to Soci­o­e­du­ca­ti­vo, des­ta­cou, em nota, que em 2023 não foram regis­tra­das “ocor­rên­ci­as, assim como situ­a­ções de cri­ses gra­ves”. “As uni­da­des soci­o­e­du­ca­ti­vas do esta­do apre­sen­tam meto­do­lo­gia e equi­pes qua­li­fi­ca­das para a pres­ta­ção de ser­vi­ço, e vem atu­an­do para evo­luir ain­da mais na estru­tu­ra físi­ca e infra­es­tru­tu­ra exter­na de algu­mas uni­da­des para aten­der cada vez mais os padrões do Sina­se”, diz a nota.

“Mãe de um jovem vivo”

“Eu nun­ca tive res­pos­ta por toda a tor­tu­ra que meu filho viven­ci­ou. Eu sou mãe de um ado­les­cen­te, de um jovem hoje, de um jovem vivo”. O rela­to é de uma mãe que faz par­te do Cole­ti­vo Vozes de Mães e Fami­li­a­res do Sis­te­ma Soci­o­e­du­ca­ti­vo e Pri­si­o­nal de Cea­rá, que pre­fe­re não se iden­ti­fi­car. Ela faz ques­tão de dizer que o filho está vivo.

Quan­do ado­les­cen­te, o filho dela cum­priu medi­da soci­o­e­du­ca­ti­va em meio fecha­do de 2014 a 2017, enquan­to outras mães per­de­ram os filhos em um qua­dro de vio­lên­ci­as e vio­la­ções nas uni­da­des de inter­na­ção do esta­do. “Nós, mães da peri­fe­ria e mães ins­ti­tu­ci­o­nais, due­la­mos para man­ter os nos­sos filhos vivos e livres.”

Ela lem­bra que em 2015, com a entra­da de fac­ções cri­mi­no­sas no esta­do, foi um perío­do mui­to duro para ado­les­cen­tes ins­ti­tu­ci­o­na­li­za­dos. “Foi um perío­do de seve­ras rebe­liões, de des­ca­sos e vio­la­ções de direi­tos de ado­les­cen­tes em cum­pri­men­to de medi­das soci­o­e­du­ca­ti­vas.”

Foi nes­se momen­to que ela pen­sou qual deve­ria ser o papel das mães nes­se cená­rio. “Hou­ve uma vira­da de cha­ve. Vou me tor­nar defen­so­ra de direi­tos huma­nos, por­que eu esta­va ten­tan­do defen­der e rei­vin­di­car os direi­tos bási­cos do meu filho”, relem­bra.

“Eu nun­ca acre­di­tei no cará­ter res­so­ci­a­li­za­dor, que esse espa­ço pudes­se entre­gar o meu filho de vol­ta, tan­to que eu tive a sor­te de ser uma mãe que o filho migrou para o sis­te­ma pri­si­o­nal, por­que mui­tos dos meni­nos des­sa épo­ca foram assas­si­na­dos”, con­ta a inte­gran­te da orga­ni­za­ção. É nes­se con­tex­to que sur­ge o Cole­ti­vo Vozes.

Prioridade absoluta

A espe­ci­a­lis­ta do Cede­ca ava­lia que os dados de vio­lên­cia refle­tem que não há pri­o­ri­da­de abso­lu­ta para os ado­les­cen­tes em cum­pri­men­to de medi­das soci­o­e­du­ca­ti­vas no esta­do. “Ain­da fal­tam mui­tas ações, prin­ci­pal­men­te essas que garan­tem inte­gri­da­de físi­ca dos meni­nos lá den­tro. Os cen­tros soci­o­e­du­ca­ti­vos, a depen­der da ges­tão, do dire­tor, a gen­te per­ce­be que ain­da não tem um cená­rio de esta­bi­li­da­de”, dis­se. Segun­do Ingrid Lei­te, a fal­ta de pri­o­ri­da­de se dá prin­ci­pal­men­te na pers­pec­ti­va peda­gó­gi­ca no cum­pri­men­to das medi­das.

Em 12 uni­da­des, foram veri­fi­ca­das revis­tas cor­po­rais com des­nu­da­men­to dos ado­les­cen­tes, embo­ra não cons­te, na Por­ta­ria 4/2021 da Supe­rin­ten­dên­cia do Sis­te­ma Esta­du­al de Aten­di­men­to Soci­o­e­du­ca­ti­vo (Seas) que se des­pir seja uma for­ma de revis­ta. O des­nu­da­men­to em revis­tas tam­bém é um des­cum­pri­men­to da lei sobre o Sis­te­ma Naci­o­nal de Aten­di­men­to Soci­o­e­du­ca­ti­vo (Sina­se), res­sal­ta Ingrid.

Gênero e educação

No dia da visi­ta, havia seis ado­les­cen­tes grá­vi­das nas uni­da­des soci­o­e­du­ca­ti­vas, o que está em desa­cor­do com reso­lu­ção do Con­se­lho Naci­o­nal dos Direi­tos da Cri­an­ça e do Ado­les­cen­te (Conan­da) 233/2022. “Isso é mui­to alar­man­te. A reso­lu­ção do Conan­da esta­be­le­ce que a inter­na­ção não deve ser apli­ca­da a ado­les­cen­tes ges­tan­tes, lac­tan­tes, mães ou que [tenham] na guar­da delas cri­an­ças e ado­les­cen­tes”, escla­re­ceu Ingrid. Como alter­na­ti­va a medi­das de pri­va­ção de liber­da­de, pode­ri­am ser apli­ca­das às jovens a liber­da­de assis­ti­da e a pres­ta­ção de ser­vi­ço à comu­ni­da­de.

A coor­de­na­do­ra do Cede­ca res­sal­ta que o levan­ta­men­to iden­ti­fi­cou ain­da que há uma sele­ti­vi­da­de raci­al na pri­va­ção de liber­da­de no esta­do do Cea­rá, já que 74,2% dos ado­les­cen­tes entre­vis­ta­dos são negros.

“Em 2021, a edu­ca­ção regu­lar ofer­ta­da aos ado­les­cen­tes de 12 a 15 anos de ida­de esta­va de for­ma irre­gu­lar, por­que con­for­me a lei de dire­tri­zes cur­ri­cu­la­res de edu­ca­ção, a moda­li­da­de EJA, que é a edu­ca­ção de jovens e adul­tos, só tem que ser for­ne­ci­do a par­tir dos 15 [anos], caso o ado­les­cen­te este­ja numa fai­xa etá­ria irre­gu­lar de esco­la­ri­za­ção de dois anos”, expli­ca.

No entan­to, a moda­li­da­de EJA esta­va sen­do ofer­ta­da de for­ma tota­li­zan­te para todas as uni­da­des. Já duran­te as visi­tas da pes­qui­sa, no ano pas­sa­do, 40% dos ado­les­cen­tes entre­vis­ta­dos não esta­vam sequer ten­do aces­so aos estu­dos.

Alas dis­ci­pli­na­res, cha­ma­das de “tran­cas” pelos ado­les­cen­tes, estão pre­sen­tes em 12 das 18 uni­da­des. Essas áre­as são dor­mi­tó­ri­os sepa­ra­dos dos demais, para onde os jovens são leva­dos quan­do infrin­gem algu­ma regra da uni­da­de. Lá eles pas­sam de 5 a 7 dias. O docu­men­to apon­ta que as tran­cas cos­tu­mam ser ambi­en­tes insa­lu­bres, quen­tes e úmi­dos.

Hou­ve rela­tos de que nas tran­cas não são dis­po­ni­bi­li­za­dos blu­sas, chi­ne­los, len­çol, col­chão, pro­du­tos de higi­e­ne, bem como ati­vi­da­des esco­la­res, de lazer e espor­te, e os banhos são redu­zi­dos. As enti­da­des apon­tam que tran­cas estão em desa­cor­do com o Sina­se, que esta­be­le­ce que a “arqui­te­tu­ra soci­o­e­du­ca­ti­va deve ser con­ce­bi­da como espa­ço que per­mi­ta a visão de um pro­ces­so indi­ca­ti­vo de liber­da­de, não de cas­ti­gos e nem da sua natu­ra­li­za­ção”.

“Quan­do o ado­les­cen­te está na tran­ca, são sus­pen­sas todas as ati­vi­da­des peda­gó­gi­cas dele. Em alguns cen­tros, a gen­te iden­ti­fi­cou que até é reti­ra­do o direi­to à sala de aula. Isso é mui­to peri­go­so, por­que ame­a­ça dire­ta­men­te não só o obje­ti­vo da medi­da [soci­o­e­du­ca­ti­va], mas refor­ça esse viés da vio­lên­cia e da puni­ção, que não é a pro­pos­ta que as uni­da­des deve­ri­am ter, e não é o que o ECA pre­co­ni­za”, expli­ca Ingrid.

Saúde mental

Ingrid tam­bém rela­ta que foi per­ce­bi­do aumen­to de ado­les­cen­tes com ado­e­ci­men­to men­tal e con­se­quen­te auto­mu­ti­la­ção den­tro das uni­da­des. Dos jovens entre­vis­ta­dos, 43% rela­ta­ram apre­sen­tar pen­sa­men­tos sui­ci­das e tam­bém 43% rela­ta­ram já terem se lesi­o­na­do.

A par­ce­la de 41% dos ado­les­cen­tes afir­ma­ram que esta­vam fazen­do uso de medi­ca­men­tos psi­co­tró­pi­cos. Outro dado con­si­de­ra­do alar­man­te pelas enti­da­des é que 94% dos cen­tros soci­o­e­du­ca­ti­vos visi­ta­dos tinham ado­les­cen­tes fazen­do uso de medi­ca­ção psi­quiá­tri­ca.

Foi o que a mãe do Cole­ti­vo Vozes entre­vis­ta­da pela Agên­cia Bra­sil rela­tou. “Eles dopa­vam os meni­nos des­de o pre­sí­dio de Aqui­raz [muni­cí­pio da região metro­po­li­ta­na de For­ta­le­za]. Foi um con­tex­to bem difí­cil para mim, por­que o meu filho usou mais dro­gas no cum­pri­men­to da medi­da dele do que fora. Para mim, o Esta­do me devol­ve outro filho e é sem­pre assim que a gen­te fala. Nós não reco­nhe­ce­mos os meni­nos quan­do pas­sam por esses espa­ços. Eu falo de uma épo­ca ante­ri­or, mas as vio­la­ções de direi­tos acon­te­ce­ram.”

“Sabe­mos des­se con­tex­to de ado­e­ci­men­to men­tal, mas tem nos pre­o­cu­pa­do que uma das prin­ci­pais medi­das para o tra­ta­men­to dos ado­les­cen­tes tem se res­trin­gi­do à medi­ca­ção. Na polí­ti­ca de saú­de men­tal, fala-se mui­to des­se aten­di­men­to inte­gral”, pon­tu­ou a coor­de­na­do­ra do Cede­ca. O aten­di­men­to inte­gral inclui­ria apoio psi­co­ló­gi­co regu­lar, ofer­ta sig­ni­fi­ca­ti­va de ati­vi­da­des e ofi­ci­nas, de for­ma a pre­en­cher o dia dos jovens e esti­mu­lar sua cri­a­ti­vi­da­de e auto­es­ti­ma.

Recomendações

Há uma gran­de difi­cul­da­de de iden­ti­fi­car o que é tor­tu­ra den­tro das ins­ti­tui­ções, segun­do apon­tou a coor­de­na­do­ra do Cede­ca. Dian­te dis­so, ela ava­lia que é fun­da­men­tal a exis­tên­cia de pro­to­co­los de com­ba­te a tor­tu­ras e maus tra­tos con­tra cri­an­ças e ado­les­cen­tes.

Outras medi­das rele­van­tes seri­am a exis­tên­cia de um Meca­nis­mo Esta­du­al de Com­ba­te e Pre­ven­ção à Tor­tu­ra no Cea­rá, que não está imple­men­ta­do no esta­do, e a cri­a­ção de um flu­xo ins­ti­tu­ci­o­na­li­za­do para regis­tro de denún­ci­as de vio­la­ções de direi­tos. Atu­al­men­te, o que exis­te é uma cor­re­ge­do­ria inter­na da Supe­rin­ten­dên­cia do Sis­te­ma Esta­du­al de Aten­di­men­to Soci­o­e­du­ca­ti­vo do Cea­rá (Seas), rela­tou Ingrid.

“É neces­sá­rio ter um espa­ço exter­no, uma ouvi­do­ria exter­na tam­bém para mães, fami­li­a­res, rea­li­za­rem as denún­ci­as, não só um órgão inter­no, e que esse flu­xo pudes­se de fato exis­tir. A gen­te tem fei­to uma arti­cu­la­ção com a Defen­so­ria Públi­ca e com o Minis­té­rio Públi­co, mas é pre­ci­so ins­ti­tu­ci­o­na­li­zar esse flu­xo de rece­bi­men­to [de denún­cia], acom­pa­nha­men­to, inves­ti­ga­ção e res­pon­sa­bi­li­za­ção dos casos que ocor­rem”, acres­cen­tou.

O Cede­ca, o Fórum Per­ma­nen­te de ONGs em Defe­sa dos Direi­tos da Cri­an­ça e do Ado­les­cen­te e a Asso­ci­a­ção Naci­o­nal dos Cen­tros de Defe­sa da Cri­an­ça e o Ado­les­cen­te (Anced) fize­ram uma denún­cia, em 2015, à Comis­são Inte­ra­me­ri­ca­na de Direi­tos Huma­nos (CIDH). As enti­da­des rela­ta­ram tor­tu­ra, maus tra­tos e revis­ta vexa­tó­ria no soci­o­e­du­ca­ti­vo no Cea­rá. Em razão da denún­cia, em janei­ro de 2016, a CIDH expe­diu medi­das cau­te­la­res para que o Bra­sil ado­tas­se ações urgen­tes para garan­tir os direi­tos dos jovens.

No entan­to, o Cede­ca ava­lia que tais medi­das não foram com­ple­ta­men­te imple­men­ta­das e rea­fir­ma que uni­da­des do sis­te­ma soci­o­e­du­ca­ti­vo con­ti­nu­am regis­tran­do ame­a­ças, agres­sões e inti­mi­da­ções a ado­les­cen­tes por par­te de agen­tes do esta­do, além de vio­lên­cia sexu­al.

Governo

Sobre a esco­la­ri­za­ção, a Supe­rin­ten­dên­cia do Sis­te­ma Esta­du­al de Aten­di­men­to Soci­o­e­du­ca­ti­vo apon­ta que ela é fei­ta por meio de ações regu­la­res de aten­di­men­to, com exe­cu­ção inter­me­di­a­da com secre­ta­ri­as muni­ci­pais e esta­du­al de Edu­ca­ção. Infor­ma ain­da que, a par­tir de 2021, três esco­las regu­la­res da Secre­ta­ria Esta­du­al de Edu­ca­ção, uma na capi­tal e duas no inte­ri­or, foram desig­na­das para aten­der ado­les­cen­tes e jovens abai­xo do cor­te etá­rio da Edu­ca­ção de Jovens e Adul­tos (EJA). Eles per­ma­ne­ci­am com matrí­cu­la regu­lar nas esco­las de ori­gem.

“Os ado­les­cen­tes e jovens estu­dan­tes em salas de aulas nos Cen­tros Soci­o­e­du­ca­ti­vos (CS) têm sua matrí­cu­la cadas­tra­da em um esta­be­le­ci­men­to de ensi­no da rede esta­du­al ou muni­ci­pal, cre­den­ci­a­do e com cur­sos auto­ri­za­dos e reco­nhe­ci­dos pelos res­pec­ti­vos Con­se­lhos de Edu­ca­ção.”

Ain­da de acor­do com o gover­no, dados de outu­bro de 2023 mos­tram a exis­tên­cia de 85 salas de aula para aten­di­men­to de jovens em inter­na­ção pro­vi­só­ria e inter­na­ção, com 433 ado­les­cen­tes e jovens matri­cu­la­dos na EJA ou em ensi­no regu­lar. Os jovens em cum­pri­men­to de semi­li­ber­da­de fre­quen­tam as ati­vi­da­des de for­ma exter­na à uni­da­de.

Edi­ção: Ali­ne Leal

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