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Centro gestor alerta para seca severa este ano na Amazônia

Repro­dução: © Defe­sa Civil/ Por­to Vel­ho

Efeitos mais imediatos podem afetar navegabilidade nos rios


Publicado em 01/07/2024 — 13:48 Por Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil — Brasília

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As chu­vas, abaixo da média em grande parte da região, somadas às pre­visões de tem­per­at­uras aci­ma da nor­mal­i­dade, já são moti­vo de pre­ocu­pação para as autori­dades com o perío­do de esti­agem na Amazô­nia em 2024. O Cen­tro Gestor e Opera­cional do Sis­tema de Pro­teção da Amazô­nia (Cen­si­pam), órgão do Min­istério da Defe­sa, fez um aler­ta aos órgãos de defe­sa civ­il para neces­si­dade de medi­das pre­ven­ti­vas e de assistên­cia às pop­u­lações afe­tadas.

De acor­do com o anal­ista do Cen­si­pam Flavio Altieri, os estu­dos apon­tam para uma seca muito semel­hante à do ano pas­sa­do na região. “A gente tem os efeitos do fenô­meno El Niño que ain­da inter­fer­em na região e man­têm o aque­c­i­men­to do [oceano] Atlân­ti­co Norte e Sul que tam­bém inter­fer­em em pou­ca chu­va na Amazô­nia.”

Nos últi­mos 12 meses até abril deste ano, o Mon­i­tor de Secas da Agên­cia Nacional de Águas e Sanea­men­to Bási­co reg­is­tra­va déficit de 27% nos vol­umes de chu­vas. Segun­do o super­in­ten­dente de Oper­ações de Even­tos Críti­cos, Alan Vaz Lopes, os níveis de água e a vazão dos rios da Amazô­nia, emb­o­ra ten­ham grandes vol­umes, são muito sen­síveis à fal­ta de chu­vas. “Um pequeno déficit de chu­va em deter­mi­na­do momen­to provo­ca uma grande redução de níveis de água e de escoa­men­to dos rios. É por isso que a gente vê rios enormes ten­do uma redução muito ráp­i­da nos níveis de água.”

Para os espe­cial­is­tas, os efeitos mais ime­di­atos da seca sev­era podem afe­tar de for­ma inten­sa a nave­g­a­bil­i­dade nos rios. “Prin­ci­pal­mente as pop­u­lações mais iso­ladas são afe­tadas, porque, com rios sem nave­g­a­bil­i­dade, pas­sam a enfrentar difi­cul­dade de loco­moção para aquisição de mate­r­i­al de con­sumo”, expli­ca Altieri.

A econo­mia da região tam­bém poderá sofr­er prob­le­mas, diz o anal­ista do Cen­si­pam. Somente nos rios Solimões, Ama­zonas, Madeira e Tapa­jós, há 4.695 quilômet­ros em exten­são de hidrovias, pelas quais foram trans­portadas, no ano pas­sa­do, 78,2 mil­hões de toneladas de car­gas, soman­do 55% do que foi movi­men­ta­do den­tro do país des­ta for­ma. “No caso das hidrovias do Rio Madeira, quan­do atingem uma cota abaixo de 4 met­ros, já se inter­rompe a nave­g­ação notur­na. Con­forme vai baixan­do, pode chegar à inter­rupção com­ple­ta. A mes­ma coisa acon­tece na Bacia do Tapa­jós”, aler­ta Altieri.

Energia

O abastec­i­men­to de ener­gia do país é out­ro setor sen­sív­el, já que a região con­cen­tra 17 usi­nas hidrelétri­c­as respon­sáveis por 23,6% do con­sumo no Sis­tema Interli­ga­do Nacional. Emb­o­ra out­ras estru­turas de ger­ação pos­sam suprir uma even­tu­al inter­rupção, o remane­ja­men­to sem­pre causa algum impacto para o país.

A sazon­al­i­dade da seca na Amazô­nia ocorre em eta­pas desiguais na região. Por­tan­to, os indica­tivos vari­am con­forme o perío­do de esti­agem, que cos­tu­ma atin­gir o ápice nos meses de setem­bro e novem­bro. De acor­do com Altieri, ness­es meses, a atenção é redo­bra­da, mas atual­mente, ain­da não há indica­ti­vo para maiores pre­ocu­pações com o abastec­i­men­to energéti­co.

“A maior parte das hidrelétri­c­as está nos rios da Bacia Aragua­ia-Tocan­tins e, ape­sar de o nív­el estar mais baixo do que no ano pas­sa­do, os níveis ain­da estão sat­is­fatórios para ger­ação de ener­gia”, afir­mou  Altieri.

Por out­ro lado, é necessário plane­ja­men­to em ter­mos de abastec­i­men­to de ali­men­tos e água potáv­el, já que a região tem 164 pon­tos de cap­tação de águas super­fi­ci­ais que tam­bém podem ser afe­ta­dos pela seca sev­era. “Como o rio é a via de aces­so para a maio­r­ia das comu­nidades mais iso­ladas é inter­es­sante um plane­ja­men­to para que man­ti­men­tos, como ali­men­tos e água potáv­el, pos­sam ser trans­porta­dos com ante­cedên­cia e os impactos sejam menores para essas pop­u­lações”, acres­cen­tou.

Edição: Nádia Fran­co

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