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Com menos palcos e eventos, Virada Cultural é realizada em São Paulo

Repro­du­ção: © Secre­ta­ria Muni­ci­pal de Cultura/Divulgação

Evento terá homenagem à cantora Rita Lee


Publi­ca­do em 27/05/2023 — 12:00 Por Agên­cia Bra­sil — São Pau­lo

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Com menos pal­cos, menos atra­ções e um cen­tro bas­tan­te esva­zi­a­do, a Vira­da Cul­tu­ral, que já foi con­si­de­ra­da um dos mai­o­res even­tos da cida­de de São Pau­lo, acon­te­ce a par­tir des­te sába­do (27) e vai até domin­go (28). Para esta edi­ção serão 12 pal­cos, espa­lha­dos por toda a cida­de: mas ape­nas um fun­ci­o­na­rá na região cen­tral. E este será o úni­co pal­co que fun­ci­o­na­rá por 24 horas.

Nes­ta edi­ção have­rá shows de Iza, Gló­ria Gro­o­ve, Léo San­ta­na, Emi­ci­da, Michel Teló, Lexa, Melim, Baco Exú do Blu­es, Dio­go Noguei­ra, Papa­ti­nho, Supla, Tier­ry, Karol Con­ká, Filhos da Bahia, Ana­Vi­tó­ria, Pixo­te, Fer­ru­gem, Mari­na Sena, Dil­si­nho, Tás­sia Reis, Tiee, A Dama, Sal­ga­di­nho, Vic­tor Fer­nan­des e Bai­a­nasys­tem. O even­to ain­da vai pro­mo­ver uma home­na­gem espe­ci­al à gran­de dama do rock naci­o­nal, a can­to­ra Rita Lee, que mor­reu em maio des­te ano.

Cri­a­da em 2005 na ges­tão do então pre­fei­to José Ser­ra (PSDB), a Vira­da sur­giu com o pro­pó­si­to de ocu­par o cen­tro de São Pau­lo e ser uma gran­de con­fra­ter­ni­za­ção de pes­so­as, pro­mo­ven­do 24 horas inin­ter­rup­tas de pro­gra­ma­ção cul­tu­ral por meio de shows, per­for­man­ces, tea­tros, pro­je­ções, expo­si­ções, dan­ças e outras mani­fes­ta­ções. “A Vira­da Cul­tu­ral bus­ca, antes de tudo, pro­mo­ver a con­vi­vên­cia em espa­ço públi­co, con­vi­dan­do a popu­la­ção a se apro­pri­ar do cen­tro da cida­de por meio da arte, da músi­ca, da dan­ça, das mani­fes­ta­ções popu­la­res”, diz tex­to publi­ca­do no site da pre­fei­tu­ra dire­ci­o­na­do aos turis­tas que visi­tam a cida­de.

Com isso, o cen­tro se enchia de atra­ções e a popu­la­ção da cida­de podia se movi­men­tar facil­men­te entre as deze­nas de pal­cos musi­cais que vari­a­vam entre o rock, o funk, o hip hop, o pop, o bre­ga, o ser­ta­ne­jo e outros. Esses pal­cos eram mon­ta­dos em vári­os pon­tos da região cen­tral como a Ave­ni­da São João, a Ave­ni­da Ipi­ran­ga, em fren­te à Esta­ção Julio Pres­tes, na Pra­ça da Repú­bli­ca, Pra­ça da Sé e no Vale do Anhan­ga­baú. Havia tam­bém pal­cos mon­ta­dos em regiões mais peri­fé­ri­cas, ampli­an­do os espa­ços para a cul­tu­ra.

Nes­te ano, no entan­to, ape­sar de ter rece­bi­do o nome de Vira­da do Per­ten­ci­men­to, a pre­fei­tu­ra reser­vou ape­nas um pal­co para a região cen­tral da capi­tal, que foi mon­ta­do no Vale do Anhan­ga­baú. Isso em um momen­to em que o cen­tro da cida­de con­vi­ve com diver­sos pro­ble­mas, que aumen­ta­ram a ten­são e a vio­lên­cia na região.

São Paulo (SP) - Em 2023, a Virada Cultural terá palcos em 12 pontos da cidades. Crédito: Videografismo, Lucas Pinto, TV Brasil
Repro­du­ção: São Pau­lo (SP) — Em 2023, a Vira­da Cul­tu­ral terá pal­cos em 12 pon­tos da cida­des. Cré­di­to: Vide­o­gra­fis­mo, Lucas Pin­to, TV Bra­sil 

Em entre­vis­ta à TV Bra­sil, o arqui­te­to e urba­nis­ta e ex-secre­tá­rio de cul­tu­ra de São Pau­lo Nabil Bon­du­ki cri­ti­cou as mudan­ças fei­tas no even­to, com a reti­ra­da das atra­ções do cen­tro da capi­tal. “Em pri­mei­ro lugar, é impor­tan­te res­ga­tar a ori­gem da Vira­da. Ela foi mui­to impor­tan­te por­que ela sig­ni­fi­cou, para mui­tas pes­so­as, um retor­no ao cen­tro, um reco­nhe­ci­men­to da área cen­tral. Acho que a Vira­da teve um papel mui­to impor­tan­te na recu­pe­ra­ção do espa­ço públi­co e na rela­ção entre cul­tu­ra e espa­ço públi­co, para além de um even­to”, dis­se.

“A Vira­da repre­sen­tou um even­to mui­to impor­tan­te para a cida­de de São Pau­lo e fez par­te de um pro­ces­so de recu­pe­ra­ção do espa­ço públi­co da cida­de. Isso não quer dizer que a des­cen­tra­li­za­ção não era uma ques­tão impor­tan­te. E ela foi fei­ta. Duran­te alguns anos, tive­mos uma con­vi­vên­cia entre a Vira­da no cen­tro e even­tos, no mes­mo dia, em áre­as peri­fé­ri­cas”, expli­cou Bon­du­ki, lem­bran­do que, como secre­tá­rio, par­ti­ci­pou do pla­ne­ja­men­to do even­to nas edi­ções de 2015 e 2016.

Das mais de 1,2 mil atra­ções que ocor­re­ram em 2019 e seus 35 pal­cos (sen­do 27 deles só na região cen­tral), a Vira­da des­te ano pas­sa­rá a ter 500 atra­ções e 12 pal­cos. Além dis­so, a pre­fei­tu­ra deci­diu man­ter ape­nas o pal­co do Anhan­ga­baú em fun­ci­o­na­men­to por 24 horas, ao con­trá­rio do que ocor­ria nas demais edi­ções, quan­do toda a pro­gra­ma­ção era pre­vis­ta para ocor­rer das 18h de sába­do às 18h de domin­go.

“O que me pare­ce é que o con­fi­na­men­to da Vira­da Cul­tu­ral no Anhan­ga­baú é uma enor­me per­da para a cida­de, por vári­os aspec­tos. Em pri­mei­ro lugar, por ser um espa­ço con­fi­na­do, cer­ca­do, per­den­do o cará­ter de um gran­de con­jun­to de even­tos, que obri­ga­vam as pes­so­as a cir­cu­la­rem pelo espa­ço públi­co e ocu­par todo o cen­tro. E, por outro lado, ela tam­bém está expres­san­do esse momen­to de deca­dên­cia da área cen­tral”, des­ta­cou Bon­du­ki. “Acho impor­tan­te ter­mos esses even­tos nas áre­as peri­fé­ri­cas, mas isso não deve­ria excluir a área cen­tral, que é mui­to impor­tan­te em São Pau­lo e não pode­ria ficar aban­do­na­da”, acres­cen­tou.

São Paulo (SP) - Na comparação com a última edição, a Virada Cultural teve queda no número de atrações. Crédito: Videografismo, Lucas Pinto, TV Brasil
Repro­du­ção

Para Bon­du­ki, colo­car o pal­co somen­te no Vale do Anhan­ga­baú, na região cen­tral, tam­bém refle­te um outro gra­ve pro­ble­ma, já que esse espa­ço foi con­ce­di­do à ini­ci­a­ti­va pri­va­da. “Há uma situ­a­ção mui­to gra­ve, do pon­to de vis­ta da pri­va­ti­za­ção ou segre­ga­ção do espa­ço públi­co, que é o que acon­te­ce no Anhan­ga­baú. A Vira­da vai ser públi­ca, gra­tui­ta e aber­ta, mas, nes­se momen­to, o Anhan­ga­baú é ago­ra um espa­ço cer­ca­do. Ele dei­xou de ser um espa­ço aber­to para a cida­de. E isso é ruim para uma cida­de onde se espe­ra que ela seja para todos, aber­ta e em que as pes­so­as pos­sam cir­cu­lar livre­men­te. Me dá uma tris­te­za pas­sar pelo Anhan­ga­baú e você ter, sem­pre que há even­tos por ali, tapu­mes iso­lan­do o Via­du­to do Chá”, des­ta­cou o urba­nis­ta.

Tam­bém em entre­vis­ta à TV Bra­sil, a secre­tá­ria muni­ci­pal da Cul­tu­ra, Ali­ne Tor­res, enca­rou as crí­ti­cas ao even­to como algo natu­ral.

“A Vira­da Cul­tu­ral ago­ra está com­ple­tan­do 18 anos e 18 anos no cen­tro. Mas ago­ra a soci­e­da­de tem outro for­ma­to e um outro dese­jo e a gen­te pre­ci­sa fazer polí­ti­ca públi­ca onde as pes­so­as estão pre­ci­san­do do ser­vi­ço públi­co. Então, [vamos] levar a Vira­da Cul­tu­ral do Per­ten­ci­men­to para Ita­que­ra, Gra­jaú e Pare­lhei­ros, que são regiões onde temos índi­ces mui­to nega­ti­vos. E [vamos] fazer com que a cul­tu­ra seja, de fato, um poten­ci­al trans­for­ma­dor de soci­e­da­de regi­o­nal. Enten­de­mos que as crí­ti­cas são super rasas e a gen­te segue tocan­do esse bar­co”, dis­se.

Mais infor­ma­ções sobre o even­to podem ser obti­das no site da Vira­da Cul­tu­ral.

Edi­ção: Líli­an Beral­do

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