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Comerciantes de Porto Alegre levam dias só para limpar lojas

Repro­du­ção: © Rafa Neddermeyer/Agência Bra­sil

Empreendedores cobram apoio do poder público para reerguer negócios


Publicado em 21/05/2024 — 07:02 Por Pedro Rafael Vilela — Enviado especial — Porto Alegre

O recuo das águas do Guaí­ba no cen­tro his­tó­ri­co de Por­to Ale­gre come­çou a mos­trar a dimen­são do estra­go cau­sa­do pela enchen­te his­tó­ri­ca que atin­giu a capi­tal há duas sema­nas. Ain­da sem ener­gia elé­tri­ca, o tra­ba­lho dos últi­mos dias na região mais anti­ga da cida­de tem sido a lim­pe­za urba­na e a lim­pe­za dos pró­pri­os esta­be­le­ci­men­tos.

“Do jei­to que está, vou levar a sema­na toda para poder orga­ni­zar, lim­par e mon­tar a loja nova­men­te”, pre­vê Ves­pa­si­a­no de Mene­zes Neto, geren­te de uma far­má­cia nas pro­xi­mi­da­des do Mer­ca­do Públi­co da capi­tal, este ain­da ala­ga­do e fecha­do. Na tar­de des­sa segun­da-fei­ra (20), Neto lide­ra­va um gru­po de fun­ci­o­ná­ri­os em uma pesa­da lim­pe­za do esta­be­le­ci­men­to, ain­da impreg­na­do por lama féti­da. Pelo chão, cai­xas de medi­ca­men­tos e pro­du­tos de higi­e­ne. Ali, con­ta o geren­te, a água che­gou a cer­ca de 1,5 metro de altu­ra. Ele che­gou a ten­tar subir as pra­te­lei­ras, mas a inun­da­ção inu­ti­li­zou 70% das mer­ca­do­ri­as, além de equi­pa­men­tos de infor­má­ti­ca e mobi­liá­rio. “Medi­ca­men­tos são pro­du­tos com alto valor agre­ga­do. Cal­cu­la­mos pre­juí­zos de R$ 200 mil a R$ 250 mil ape­nas com pro­du­tos”, diz Neto.

Porto Alegre (RS), 20/05/2024 – CHUVAS RS- LIMPEZA - Comerciantes retiram entulho e limpam lojas para retomar os negócios no Centro Histórico de Porto Alegre. Vespaziano de Menezes é gerente de loja destruída pela enchente. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Repro­du­ção: Por­to Ale­gre — Ves­pa­si­a­no de Mene­zes é geren­te de loja des­truí­da pela enchen­te — Foto Rafa Neddermeyer/Agência Bra­sil

A pou­cos metros dali, na par­te de trás da Pra­ça 15 de Novem­bro, o bazar de arti­gos popu­la­res da chi­ne­sa Li Hong Shia esta­va no quar­to dia de lim­pe­za, com mui­to a ser fei­to. Um dos fun­ci­o­ná­ri­os da loja, Edson Nunes, diz que hou­ve pou­cas horas para se pre­pa­rar antes da subi­da das águas do Guaí­ba. “Não ima­gi­na­mos que subi­ria tan­to e só ele­va­mos uma pra­te­lei­ra de pro­du­tos. Quan­do vol­ta­mos, tive­mos que jogar gran­de par­te dos pro­du­tos fora, não deu nem pra lavar, com essa água toda con­ta­mi­na­da”, rela­ta. A pre­vi­são de Nunes é de que a loja só con­si­ga rea­brir ao públi­co em cer­ca de 10 dias.

Necessidade de apoio

Aba­la­dos com a exten­são dos danos ao comér­cio, lojis­tas ouvi­dos pela Agên­cia Bra­sil espe­ram mais apoio do poder públi­co no pro­ces­so de reer­guer os negó­ci­os.

“Per­di gela­dei­ra, impres­so­ra, cen­te­nas de mer­ca­do­ri­as na lama. O impos­to tem que bai­xar, para pagar fun­ci­o­ná­rio”, cobra Li Hong Shia, dona de um bazar na Pra­ça 15 de Novem­bro.

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“A gen­te depen­de dele [poder públi­co]. Se não der apoio, fer­rou. Tira impos­to, qual­quer coi­sa assim. Não tenho nem ideia, tchê, do pre­juí­zo que tive. A gen­te está come­çan­do a lim­par, botei meta­de da loja na rua, depois a gen­te vai saber como ficou a coi­sa”.

Porto Alegre (RS), 20/05/2024 – CHUVAS RS- LIMPEZA - Comerciantes retiram entulho e limpam lojas para retomar os negócios no Centro Histórico de Porto Alegre. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Repro­du­ção: Por­to Ale­gre — Comer­ci­an­tes reti­ram entu­lho e lim­pam lojas para reto­mar os negó­ci­os no cen­tro his­tó­ri­co de Por­to Ale­gre — Foto Rafa Neddermeyer/Agência Bra­sil

“Se todo mun­do tives­se fei­to a sua par­te, isso não teria acon­te­ci­do. Nin­guém acre­di­ta­va nes­sa imen­si­dão de água, mas eles [poder públi­co] tinham essa infor­ma­ção bem antes dis­so”, recla­ma Ves­pa­si­a­no. “O IPTU des­sa loja é R$ 15 mil por ano. Essa loja tem 25 anos, cal­cu­la aí o quan­to con­tri­buí­mos”, acres­cen­ta, defen­den­do que haja per­dão ou rene­go­ci­a­ção dos débi­tos.

Prorrogação de impostos

Entre as medi­das anun­ci­a­das até ago­ra em favor dos comer­ci­an­tes gaú­chos afe­ta­dos, o gover­no fede­ral pror­ro­gou os pra­zos de ven­ci­men­to dos tri­bu­tos fede­rais e das par­ce­las dos par­ce­la­men­tos para con­tri­buin­tes dos muni­cí­pi­os em esta­do de cala­mi­da­de públi­ca.

O Comi­tê Ges­tor do Sim­ples Naci­o­nal tam­bém esten­deu os pra­zos de ven­ci­men­to dos tri­bu­tos apu­ra­dos no Sim­ples Naci­o­nal. Já a Pro­cu­ra­do­ria Geral da Fazen­da Naci­o­nal (PGFN) adi­ou os pra­zos de ven­ci­men­to das par­ce­las dos pro­gra­mas de nego­ci­a­ção e sus­pen­deu por 90 dias pra­zos rela­ci­o­na­dos a atos de cobran­ça da dívi­da ati­va da União.

Porto Alegre (RS), 20/05/2024 – CHUVAS RS- LIMPEZA - Comerciantes retiram entulho e limpam lojas para retomar os negócios no Centro Histórico de Porto Alegre. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Repro­du­ção: Por­to Ale­gre — Comer­ci­an­tes reti­ram entu­lho e lim­pam lojas no cen­tro his­tó­ri­co de Por­to Ale­gre — Foto Rafa Neddermeyer/Agência Bra­sil

No pla­no esta­du­al, a Secre­ta­ria da Fazen­da (Sefaz) fle­xi­bi­li­zou o paga­men­to de tri­bu­tos. Já a pre­fei­tu­ra de Por­to Ale­gre pror­ro­gou os ven­ci­men­tos de tri­bu­tos como ISS, IPTU e TCL. Além dis­so, estão sus­pen­sas ações de nega­ti­va­ção e pro­tes­to, cobran­ças admi­nis­tra­ti­vas e pro­ce­di­men­tos de exclu­são de con­tri­buin­tes de nego­ci­a­ções por ina­dim­plên­cia de par­ce­las.

O Sin­di­ca­to dos Lojis­tas do Comér­cio de Por­to Ale­gre, que repre­sen­ta 20 mil empre­sas na capi­tal, lan­çou uma cam­pa­nha na inter­net para apro­xi­mar con­su­mi­do­res e lojis­tas e ten­tar for­ta­le­cer os peque­nos negó­ci­os.

Edi­ção: Gra­ça Adju­to

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