...
sexta-feira ,19 abril 2024
Home / Meio Ambiente / COP27: presidente eleito cita “combate sem trégua” a crimes ambientais

COP27: presidente eleito cita “combate sem trégua” a crimes ambientais

Repro­du­ção: © Reuters/Mohammed Salem/Direitos Reser­va­dos

Lula discursou na área da ONU, na conferência das partes no Egito


Publi­ca­do em 16/11/2022 — 16:12 Por Pedro Peduz­zi – Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Bra­sí­lia

ouvir:

O pre­si­den­te elei­to do Bra­sil, Luiz Iná­cio Lula da Sil­va, pro­me­teu “com­ba­ter sem tré­gua” os cri­mes ambi­en­tais no país, ao dis­cur­sar na Con­fe­rên­cia das Par­tes (COP27). Para atin­gir esse obje­ti­vo, vol­tou a citar a cri­a­ção do Minis­té­rio dos Povos Ori­gi­ná­ri­os, além de for­ta­le­cer as orga­ni­za­ções de fis­ca­li­za­ção e sis­te­mas de moni­to­ra­men­to ambi­en­tais.

“Esses cri­mes afe­tam sobre­tu­do os povos indí­ge­nas. Por isso vamos cri­ar o Minis­té­rio dos Povos Ori­gi­ná­ri­os, para que eles pró­pri­os apre­sen­tem pro­pos­tas de gover­no que garan­tam, a eles, paz e sobre­vi­vên­cia. Serão eles os pri­mei­ros par­cei­ros, agen­tes e bene­fi­ciá­ri­os de um mode­lo de desen­vol­vi­men­to local”, dis­se ao comen­tar a pos­si­bi­li­da­de de essas comu­ni­da­des usa­rem rique­zas natu­rais para pro­du­zi­rem medi­ca­men­tos e outros pro­du­tos não dano­sos ao meio ambi­en­te.

Lula tam­bém citou inves­ti­men­tos na tran­si­ção ener­gé­ti­ca do país para fon­tes eóli­ca, solar, bio­com­bus­tí­veis e, tam­bém, para a pro­du­ção de hidro­gê­nio ver­de, com­bus­tí­vel 100% reno­vá­vel que tem des­per­ta­do cada vez mais o inte­res­se de outros paí­ses.

Cooperação internacional

O pre­si­den­te elei­to deu o tom de como será seu gover­no, a par­tir do ano que vem: “Que­ro dizer que o Bra­sil está de vol­ta para rea­tar os laços com o mun­do; para aju­dar nova­men­te a com­ba­ter a fome no mun­do; e para coo­pe­rar com os paí­ses mais pobres, sobre­tu­do da Áfri­ca e da Amé­ri­ca Lati­na”, dis­se Lula.

“A fra­se que mais tenho ouvi­do dos líde­res mun­di­ais com quem tenho encon­tra­do é: ‘o mun­do sen­te sau­da­de do Bra­sil’”, dis­se o pre­si­den­te elei­to. “Vol­ta­mos para uma nova ordem pací­fi­ca de diá­lo­go, mul­ti­la­te­ra­lis­mo e plu­ra­li­da­de. Para um comér­cio jus­to e pela paz entre os povos”, acres­cen­tou.

Lula então vol­tou a defen­der a neces­si­da­de urgen­te de meca­nis­mos finan­cei­ros para reme­di­ar per­das e danos cau­sa­dos em fun­ção da mudan­ça do cli­ma. “Não pode­mos adi­ar esse deba­te. Não pode­mos con­ti­nu­ar nes­sa cor­ri­da rumo ao abis­mo”.

Ele rei­te­rou a pro­pos­ta fei­ta mais cedo, de o Bra­sil, por meio de um esta­do amazô­ni­co, sedi­ar a COP30, em 2025, e con­vi­dou os paí­ses sul-ame­ri­ca­nos a se reu­ni­rem para dis­cu­tir “de for­ma sobe­ra­na o desen­vol­vi­men­to inte­gra­do da região com res­pon­sa­bi­li­da­de soci­al e cli­má­ti­ca”.

O pre­si­den­te elei­to tam­bém defen­deu uma refor­ma da Orga­ni­za­ção das Nações Uni­das (ONU), de for­ma a se ade­quar a um mun­do já dis­tan­te do con­tex­to de sua cri­a­ção. “Não é pos­sí­vel que a ONU seja diri­gi­da sob a mes­ma lógi­ca da geo­po­lí­ti­ca da Segun­da Guer­ra Mun­di­al”, dis­se.

“O mun­do e os paí­ses muda­ram e que­rem par­ti­ci­par mais, e pre­ci­sa­mos de uma gover­nan­ça glo­bal, sobre­tu­do na ques­tão cli­má­ti­ca. Se tem algo que pre­ci­sa de gover­nan­ça glo­bal é a ques­tão ambi­en­tal. Pre­ci­sa­mos de fórum mun­di­al para isso. É com esse obje­ti­vo que eu vol­tei a me can­di­da­tar, e é por isso que falo que vol­tei não para fazer o mes­mo, mas para fazer mais”.

Emergência climática

Ao dis­cur­sar na Blue Zone, área da Orga­ni­za­ção das Nações Uni­das (ONU) na CO27, o pre­si­den­te elei­to comen­tou as con­sequên­ci­as decor­ren­tes das mudan­ças cli­má­ti­cas, que atin­gem todos os paí­ses. Entre os efei­tos, citou os tor­na­dos e tem­pes­ta­des tro­pi­cais cada vez mais fre­quen­tes nos Esta­dos Uni­dos; os incên­di­os e os fenô­me­nos mete­o­ro­ló­gi­cos na Euro­pa; e as secas e enchen­tes que têm afe­ta­do o Bra­sil.

Citou tam­bém os pre­juí­zos cau­sa­dos a paí­ses pobres. “Ape­sar de ser o con­ti­nen­te com menor taxa de emis­sões, a Áfri­ca vem sofren­do efei­tos cli­má­ti­cos extre­mos. A ele­va­ção dos níveis dos mares pode­rá ser catas­tró­fi­ca para os egíp­ci­os do Del­ta do Nilo”. “Paí­ses insu­la­res estão ame­a­ça­dos de desa­pa­re­cer. A emer­gên­cia cli­má­ti­ca afe­ta a todos, embo­ra seus efei­tos sejam mais per­ce­bi­dos entre os mais pobres”.

Para cor­ro­bo­rar a argu­men­ta­ção, Lula dis­se que 1% dos paí­ses – no caso, os mais ricos – emi­tem 30 vezes mais gás carbô­ni­co do que os menos desen­vol­vi­dos, e que isso con­tri­bui­rá de for­ma sig­ni­fi­ca­ti­va para fazer com que o aumen­to da tem­pe­ra­tu­ra se inten­si­fi­que ain­da mais, impos­si­bi­li­tan­do o cum­pri­men­to do que foi acor­da­do em edi­ções ante­ri­o­res da COP.

“Por isso, a luta con­tra o aque­ci­men­to é indis­so­ciá­vel da luta con­tra a pobre­za, e por um mun­do menos desi­gual e mais jus­to”, acres­cen­tou ao lem­brar que a segu­ran­ça cli­má­ti­ca está dire­ta­men­te rela­ci­o­na­da à pro­te­ção da Amazô­nia sul-ame­ri­ca­na – moti­vo pelo qual assu­miu o com­pro­mis­so de “não medir esfor­ços” para zerar o des­ma­ta­men­to des­te e de outros bio­mas bra­si­lei­ros.

Lula rei­te­rou a impor­tân­cia de que todos os par­ti­ci­pan­tes da con­fe­rên­cia das par­tes cum­pra acor­dos fei­tos em edi­ções ante­ri­o­res do encon­tro: “não pode­mos ficar pro­me­ten­do e não cum­prin­do por­que sere­mos víti­mas de nós mes­mos”, acres­cen­tou ao lem­brar dos com­pro­mis­sos fei­tos na COP15, de Cope­nha­gue em 2009, na qual os paí­ses mais ricos se com­pro­me­te­ram a des­ti­nar, a par­tir de 2020, US$ 100 bilhões por ano para aju­dar os menos desen­vol­vi­dos a enfren­ta­rem a mudan­ça cli­má­ti­ca. “A minha vol­ta é tam­bém para cobrar o que foi pro­me­ti­do”, com­ple­men­tou.

Agronegócio

Sobre a agri­cul­tu­ra, Lula dis­se que a meta de seu gover­no será a de uma pro­du­ção com equi­lí­brio, seques­tran­do car­bo­no e pro­te­gen­do a bio­di­ver­si­da­de, com aumen­to de ren­da para agri­cul­to­res e pecu­a­ris­tas.

“Estou cer­to de que o agro­ne­gó­cio será um ali­a­do estra­té­gi­co na bus­ca de uma agri­cul­tu­ra rege­ne­ra­ti­va e sus­ten­tá­vel, com valo­ri­za­ção da tec­no­lo­gia no cam­po. Há vári­os exem­plos exi­to­sos de agro­flo­res­tas no Bra­sil. Temos conhe­ci­men­to tec­no­ló­gi­co para isso, de for­ma a não des­ma­tar­mos um metro sequer. Este é o desa­fio que se impõe aos bra­si­lei­ros e demais paí­ses pro­du­to­res de ali­men­tos”, dis­se ao rei­te­rar o pro­pó­si­to de redu­zir a fome no Bra­sil e no mun­do.

Segun­do ele, o resul­ta­do das elei­ções mos­tra­ram que os bra­si­lei­ros fize­ram uma esco­lha pela paz, pelo bem-estar, pela sobre­vi­vên­cia da Amazô­nia “e, por­tan­to, pela sobre­vi­vên­cia do nos­so pla­ne­ta”.

“A todo momen­to o pla­ne­ta nos aler­ta de que pre­ci­sa­mos uns dos outros para sobre­vi­ver­mos e que, sozi­nhos, esta­mos vul­ne­rá­veis à tra­gé­dia cli­má­ti­ca. Igno­ra­mos esses aler­tas gas­tan­do tri­lhões em gue­ras que só tra­zem mor­te, enquan­to 900 milhões de pes­so­as não têm o que comer”. “Entre 2030 e 2050, o aque­ci­men­to glo­bal pode­rá resul­tar em 250 mil mor­tes a mais ano por doen­ças decor­ren­tes do calor exces­si­vo, e o impac­to econô­mi­co des­se pro­ces­so é esti­ma­do entre US$ 2 e 4 bilhões anu­ais. Nin­guém está a sal­vo”, argu­men­tou.

Edi­ção: Deni­se Gri­e­sin­ger

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Brasil repudia massacre de palestinos famintos: “situação intolerável”

Repro­du­ção: © Fotos REUTERS/Shadi  Taba­ti­bi Em nota, Itamaraty diz que ação não tem qualquer limite …