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Covid-19: estudo mapeia contágio hospitalar nas primeiras mortes em BH

Repro­du­ção: © Roge­rio Santana/Governo do Rio de Janei­ro

Quase um quarto delas pode estar associado a esse tipo de contágio


Publi­ca­do em 26/04/2023 — 07:48 Por Léo Rodri­gues — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Rio de Janei­ro

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Um estu­do desen­vol­vi­do pela Facul­da­de de Medi­ci­na da Uni­ver­si­da­de Fede­ral de Minas Gerais (UFMG) ana­li­sou as pri­mei­ras 100 mor­tes ocor­ri­das em decor­rên­cia da covid-19 na região metro­po­li­ta­na de Belo Hori­zon­te. Cha­mou a aten­ção dos pes­qui­sa­do­res que qua­se um quar­to delas pode estar asso­ci­a­do a uma trans­mis­são intra-hos­pi­ta­lar do coro­na­ví­rus cau­sa­dor da doen­ça.

Foram exa­mi­na­dos os pron­tuá­ri­os de 19 hos­pi­tais das redes públi­ca e par­ti­cu­lar. É o pri­mei­ro estu­do regi­o­nal deta­lha­do no Bra­sil das mor­tes ini­ci­ais da pan­de­mia de covid-19.

A trans­mis­são intra-hos­pi­ta­lar ocor­re quan­do o paci­en­te entra no hos­pi­tal para tra­tar de outra con­di­ção de saú­de e é infec­ta­do duran­te a inter­na­ção. A Agên­cia Naci­o­nal de Vigi­lân­cia Sani­tá­ria (Anvi­sa) defi­ne alguns cri­té­ri­os para o enqua­dra­men­to des­se tipo de con­tá­gio.

“É o caso da pes­soa que dá entra­da no hos­pi­tal sem uma infec­ção por covid-19 e, depois de sete dias, mani­fes­ta sin­to­mas, com um elo epi­de­mi­o­ló­gi­co de trans­mis­são. Ela pode ter fica­do ao lado de uma pes­soa que tinha covid-19. Se não hou­ver esse elo de trans­mis­são cer­to, deve-se con­si­de­rar o inter­va­lo de 14 dias. Se ela come­ça com sin­to­mas de covid-19 depois de 14 dias inter­na­da, então é con­si­de­ra­da infec­ção hos­pi­ta­lar”, expli­ca a infec­to­lo­gis­ta Kari­na Napo­les, que coor­de­nou a pes­qui­sa e reu­niu os resul­ta­dos em sua dis­ser­ta­ção de mes­tra­do defen­di­da no ano pas­sa­do.

Além de 14 casos que se enqua­dra­ram nos cri­té­ri­os da Anvi­sa, a pes­qui­sa lis­tou como pos­sí­vel infec­ção hos­pi­ta­lar as demais ocor­rên­ci­as em que o paci­en­te deu entra­da no hos­pi­tal com outro diag­nós­ti­co e apre­sen­tou sin­to­mas de covid-19 pelo menos dois dias depois. “Como o perío­do de incu­ba­ção do coro­na­ví­rus varia de 1 a 14 dias, a pes­soa pode pegar e mani­fes­tar sin­to­mas dali a dois dias”, jus­ti­fi­ca Kari­na.

As pri­mei­ras 100 mor­tes em Belo Hori­zon­te ocor­re­ram entre 30 de mar­ço e 19 de junho de 2020. Segun­do o mape­a­men­to, hou­ve ao todo 24 casos em que o con­tá­gio pode ter ocor­ri­do em ambi­en­te hos­pi­ta­lar.

Os resul­ta­dos do estu­do foram recen­te­men­te enca­mi­nha­dos em arti­go para a Revis­ta Médi­ca de Minas Gerais e os pes­qui­sa­do­res acre­di­tam que eles podem con­tri­buir para melho­res prá­ti­cas na ges­tão da saú­de. De acor­do com Kari­na, a trans­mis­são hos­pi­ta­lar foi pou­co detec­ta­da no iní­cio da pan­de­mia.

“Acha­va-se que a covid-19 ia che­gar com os sin­to­mas bem mani­fes­ta­dos. Eu obser­vei que em um deter­mi­na­do hos­pi­tal que regis­trou diver­sos casos de trans­mis­são, por exem­plo, hou­ve a tomo­gra­fia de um paci­en­te ido­so que demo­rou a ser che­ca­da. Os médi­cos tro­cam de tur­no, fazem plan­tões de rodí­zio. E nis­so demo­rou a aná­li­se e o diag­nós­ti­co de covid-19. Não é que hou­ve uma negli­gên­cia, mas se pen­sa­va pou­co na pos­si­bi­li­da­de de ser covid-19 naque­le iní­cio de pan­de­mia. O ido­so tinha pou­cos sin­to­mas espe­cí­fi­cos de covid-19 e nós ain­da não está­va­mos habi­tu­a­dos a esses casos”.

Segun­do ela, com o alto ris­co de trans­mis­são hos­pi­ta­lar, a aná­li­se da tomo­gra­fia pre­ci­sa­ria ter ocor­ri­do de for­ma mais céle­re. A pes­qui­sa­do­ra tam­bém con­si­de­ra que paci­en­tes que tinham diag­nós­ti­co con­fir­ma­do de covid-19 não deve­ri­am ter divi­di­do o mes­mo espa­ço com aque­les que tinham ape­nas sus­pei­ta. A sepa­ra­ção dos lei­tos seria uma medi­da sani­tá­ria fun­da­men­tal.

“Não pode mis­tu­rar nem os sus­pei­tos, por­que um sus­pei­to pode ser posi­ti­vo e o outro ser nega­ti­vo. E aí aca­ba trans­mi­tin­do. Sabe­mos que, mui­tas vezes, o hos­pi­tal não tem estru­tu­ra, não tem con­di­ção. Mas o prin­ci­pal desa­fio, a meu ver, é esse: garan­tir a divi­são de lei­tos”.

A pes­qui­sa tam­bém tra­çou o per­fil das víti­mas. Foram 47 homens e 53 mulhe­res. No recor­te por ida­de, 71 tinham mais de 60 anos. Além dis­so, 57 eram par­dos ou pre­tos. Em média, as mor­tes ocor­re­ram 15 dias depois do iní­cio dos sin­to­mas. A aná­li­se tam­bém mos­trou que a hiper­ten­são esta­va pre­sen­te em 47 paci­en­tes e dia­be­tes, em 32.

Edi­ção: Gra­ça Adju­to

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