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Covid-19: reações à vacina em crianças são raras, dizem especialistas

Repro­dução: © Paul Hen­nessy / SOPA Images/Sipa USA

Para pesquisadores, risco de não vacinar supera qualquer reação


Pub­li­ca­do em 05/01/2022 — 20:00 Por Viní­cius Lis­boa – Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

As chances de uma cri­ança ter quadros graves de covid-19 super­am qual­quer risco de even­to adver­so rela­ciona­do à vaci­na da Pfiz­er, avaliam pesquisadores da Sociedade Brasileira de Imu­niza­ções (SBIm) e da Sociedade Brasileira de Pedi­a­tria (SBP) ouvi­dos pela Agên­cia Brasil.

A vaci­na já está em uso em cri­anças de 5 a 11 anos em 30 país­es, e cer­ca de 10 mil­hões de dos­es foram apli­cadas somente nos Esta­dos Unidos e Canadá.

Mem­bro do Depar­ta­men­to Cien­tí­fi­co de Imu­niza­ções da SBP, Eduar­do Jorge da Fon­se­ca Lima tem acom­pan­hado os dados de vig­ilân­cia far­ma­cológ­i­ca divul­ga­dos pela autori­dade san­itária dos Esta­dos Unidos, o FDA. Entre as mais de 8 mil­hões de cri­anças vaci­nadas no país, 4% tiver­am even­tos adver­sos pós vaci­nação, e, entre ess­es casos, 97% foram leves, tran­quil­iza o médi­co.

“Um even­to adver­so muito fal­a­do e que pre­ocu­pa as pes­soas é a mio­cardite, que é uma infla­mação no coração, que qual­quer vírus ou vaci­na pode causar. De 8 mil­hões de dos­es apli­cadas, hou­ve um reg­istro de ape­nas 11 casos, e os pacientes evoluíram bem”, desta­ca.

A dire­to­ra da Sociedade Brasileira de Imu­niza­ções (SBIm) Flavia Bra­vo acres­cen­ta que a mio­cardite pós-vaci­nação é muito rara, e mais rara ain­da em cri­anças, já que acomete com mais fre­quên­cia ado­les­centes e jovens adul­tos.

“Obser­vou-se uma ocor­rên­cia rarís­si­ma de mio­cardite rela­ciona­da à vaci­na da Pfiz­er, 16 vezes menor que a incidên­cia de mio­cardite cau­sa­da pela própria covid-19”, anal­isa. “São casos raros, não hou­ve nem uma morte por causa deles e a maio­r­ia nem pre­cisou de inter­nação”.

Imunizante

A vaci­na da Pfiz­er para cri­anças de 5 a 11 anos tem uma for­mu­lação difer­ente e uma dose menor que a dos adul­tos e ado­les­centes, com ape­nas 10 micro­gra­mas (0,2 mL) do imu­nizante. Seu uso foi aprova­do pela Agên­cia Nacional de Vig­ilân­cia San­itária (Anvisa) em 16 de dezem­bro.

Segun­do a Anvisa, a tam­pa do fras­co da vaci­na é da cor laran­ja, para facil­i­tar a iden­ti­fi­cação pelas equipes de vaci­nação e tam­bém pelos pais, mães e cuidadores que levarão as cri­anças para serem vaci­nadas. Para os maiores de 12 anos, a vaci­na, que será apli­ca­da em dos­es de 0,3 mL, terá tam­pa na cor roxa.

O médi­co da SBP expli­ca que, nos ensaios clíni­cos, os pesquisadores bus­cam a menor dose capaz de provo­car uma respos­ta imune efe­ti­va, e que, no caso das cri­anças, foi pos­sív­el reduzir a quan­ti­dade. “Perce­beu-se que as cri­anças têm um sis­tema imunológi­co que responde muito mel­hor que o dos adul­tos”.

Reações

Os espe­cial­is­tas afir­mam que os pais podem esper­ar como even­tos adver­sos reações comuns a out­ras vaci­nas que já fazem parte do cal­endário infan­til do Pro­gra­ma Nacional de Imu­niza­ções (PNI), como dor no local da apli­cação, febre e mal estar.

Flávia Bra­vo com­para que a fre­quên­cia de even­tos adver­sos rela­ciona­dos à vaci­na da Pfiz­er em cri­anças tem se mostra­do infe­ri­or a de vaci­nas como a meningocó­ci­ca b e a pen­tava­lente, que já são admin­istradas no país:

“A gente recomen­da aos pais o mes­mo que a gente recomen­da para qual­quer vaci­na. Os even­tos esper­a­dos são as reações locais, febre, cansaço, mal-estar. Podem apare­cer gânglios. Ess­es even­tos são todos pre­vis­tos e autolim­i­ta­dos. Se o even­to adver­so estiv­er fora dis­so que ele já espera que acon­teça com as out­ras vaci­nas, é hora de procu­rar o serviço que apli­cou a vaci­na e o seu médi­co, se você tiv­er”.

Eduar­do Jorge Fon­se­ca reforça que os even­tos adver­sos mais esper­a­dos são leves, como febre, dor no cor­po e irri­tabil­i­dade. Sin­tomas que devem aler­tar os pais para a neces­si­dade de avali­ação médi­ca são febre per­sis­tente por mais de três dias, dor no tórax e difi­cul­dade para res­pi­rar, acon­sel­ha ele, que reafir­ma que ess­es quadros são extrema­mente raros.

“A gente não está dizen­do que a vaci­na tem 0% de risco. Esta­mos dizen­do que a vaci­na é extrema­mente segu­ra, que um per­centu­al muito pequeno vai ter even­to adver­so, e a imen­sa maio­r­ia dess­es even­tos adver­sos vai ser con­sid­er­a­da leve”, expli­ca Fon­se­ca.

Covid-19 em crianças

O médi­co enfa­ti­za que qual­quer risco de even­to adver­so é infe­ri­or ao que vem sendo obser­va­do nos casos de covid-19 em cri­anças. De janeiro ao iní­cio de dezem­bro de 2021, um lev­an­ta­men­to da Fun­dação Oswal­do Cruz mostrou que hou­ve 1.422 mortes por sín­drome res­pi­ratória agu­da grave decor­rente de covid-19 na faixa etária até 19 anos.

Out­ra pre­ocu­pação no caso de cri­anças com covid-19 é a sín­drome infla­matória mul­ti­ssistêmi­ca pediátri­ca, quadro que gera infla­mações em difer­entes partes do cor­po, incluin­do coração, pul­mões, rins, cére­bro, pele, olhos ou órgãos gas­troin­testi­nais. Des­de o iní­cio da pan­demia, foram reg­istra­dos 1.412 casos desse tipo no Brasil, cau­san­do 85 óbitos.

Os dados fiz­er­am parte do embasa­men­to de uma nota téc­ni­ca divul­ga­da pela Fiocruz em defe­sa da vaci­nação de cri­anças de 5 a 11 anos. Os pesquisadores da insti­tu­ição escrever­am que “ain­da que em pro­porções de agrava­men­to e óbitos infe­ri­ores aos visu­al­iza­dos em adul­tos, as cri­anças tam­bém adoe­cem por covid-19, são veícu­los de trans­mis­são do vírus e podem desen­volver for­mas graves e até evoluírem para o óbito”.

Out­ro aler­ta diz respeito à dis­sem­i­nação da vari­ante Ômi­cron, muito mais trans­mis­sív­el que as for­mas ante­ri­ores do novo coro­n­avírus: “diante da trans­mis­são e avanço atu­al da vari­ante Ômi­cron, existe uma pre­ocu­pação aumen­ta­da com seu maior poder de trans­mis­são, espe­cial­mente, nos indi­ví­du­os não vaci­na­dos. Isso tor­na as cri­anças abaixo de 12 anos um grande alvo dessa e pos­sivel­mente out­ras vari­antes de pre­ocu­pação”.

O pesquisador da Sociedade Brasileira de Pedi­a­tria acres­cen­ta ain­da que out­ro peri­go é o desen­volvi­men­to de um quadro de covid-19 lon­ga, que pode traz­er impactos cog­ni­tivos e pre­juí­zos ao apren­diza­do. “O risco do adoec­i­men­to de uma cri­ança por covid-19 e suas reper­cussões de cur­to pra­zo, como a própria mio­cardite pós-covid, as con­se­quên­cias da covid lon­ga e a letal­i­dade no Brasil, que é muito maior que em out­ros país­es, é incom­paráv­el ao risco-bene­fí­cio de vaci­nar todas as cri­anças”, avalia Fon­se­ca.

Ele rechaça a ideia repeti­da por movi­men­tos anti­vaci­na de que o imu­nizante seria exper­i­men­tal: “esse nome exper­i­men­tal é alta­mente equiv­o­ca­do. É uma vaci­na recente, que pas­sou por todas as fas­es de estu­do clíni­co, que mostrou sua eficá­cia e sua segu­rança”.

Flávia Bra­vo ressalta que os pais devem ficar tran­qui­los em relação à segu­rança da vaci­na. Mes­mo com a celeri­dade no desen­volvi­men­to, nen­hu­ma eta­pa de testagem foi pula­da, os resul­ta­dos foram avali­a­dos por out­ros cien­tis­tas ao redor do mun­do e ago­ra a efe­tivi­dade da vaci­na está sendo con­fir­ma­da pelas autori­dades san­itárias de cada país que já ini­ciou a apli­cação. “Além de já ter­mos ensaios clíni­cos pré-licen­ci­a­men­to que são tran­quil­izadores, na práti­ca, na vida real, a gente está obser­van­do isso tam­bém”.

Edição: Denise Griesinger

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