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Dia da Felicidade: apesar da pandemia, é possível celebrar

Lazer no Parque do Ibirapuera após a flexibilização do isolamento social durante a pandemia de covid-19.
© Rove­na Rosa/Agência Brasil (Repro­dução)

Avaliação é de especialistas ouvidos pela Agência Brasil


Pub­li­ca­do em 20/03/2021 — 11:33 Por Lud­mil­la Souza — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

Neste sába­do, 20 de março, é comem­o­ra­do o Dia Inter­na­cional da Feli­ci­dade. A Orga­ni­za­ção das Nações Unidas (ONU) cel­e­bra a data des­de 2013, como uma for­ma de recon­hecer a importân­cia da feli­ci­dade na vida das pes­soas em todo o mun­do. Em 2015, a ONU lançou os 17 Obje­tivos de Desen­volvi­men­to Sus­ten­táv­el , que bus­cam erradicar a pobreza, reduzir a desigual­dade e pro­te­ger o plan­e­ta — três aspec­tos essen­ci­ais que lev­am ao bem-estar e à feli­ci­dade.

A ONU con­vi­da todas as pes­soas de qual­quer idade a se juntarem à cel­e­bração do Dia Inter­na­cional da Feli­ci­dade. Mas, depois de um ano de pan­demia, é pre­ciso de uma dose extra de esforço para lidar com as emoções que blo­queiam e dimin­uem a feli­ci­dade, dizem os espe­cial­is­tas.

Na opinião do pro­fes­sor da Feli­ci­dade da Uni­ver­si­dade de Brasília (UnB) Wan­der Pereira, é pos­sív­el comem­o­rar a data no perío­do de pan­demia e em out­ros momen­tos de incertezas. “A vida é fei­ta de situ­ações e momen­tos dis­tin­tos e cada um deles requer um tipo de emoção e sen­ti­men­to. É lógi­co que diante das per­das de vidas humanas (próx­i­mas ou não) de uma for­ma tão dramáti­ca como a que vive­mos, não há como não ficar triste indig­na­do e até revolta­do, mas a vida não é só isso”, desta­ca Pereira, doutor em psi­colo­gia pela UnB. Ele com­ple­ta:

“Feliz­mente, a vida segue e cada um de nós tem pais, fil­hos, namoradas, namora­dos, mari­dos, esposas, ami­gos, casa, tra­bal­ho, etc. ou seja, uma vida para cuidar, então é pre­ciso estar­mos aptos a des­fru­tar das situ­ações de feli­ci­dade. A infe­li­ci­dade que a pan­demia nos trouxe não pode con­t­a­m­i­nar as out­ras coisas boas da nos­sa vida, por­tan­to, o Dia Inter­na­cional da Feli­ci­dade é um dia para cel­e­brar sim!”

No entan­to, diante da real­i­dade pos­ta, não é acon­sel­háv­el negar as emoções neg­a­ti­vas, expli­ca o pro­fes­sor. “As grandes catástro­fes nos impõem medo, inse­gu­rança e incerteza, e isso é nor­mal, quem não sen­tir isso está meio fora da cur­va. Não é recomendáv­el rene­gar as emoções ditas neg­a­ti­vas, deve­mos abraçá-las e nos enga­jar­mos para trans­for­má-las em vivên­cias sig­ni­fica­ti­vas! Aque­le tipo de ati­tude que mel­ho­ra o nos­so modo de lidar com elas.

Uma dica é não ficar para­do, esta­ciona­do na tris­teza. Mova-se, comece com pouco, mas faça o mel­hor com o que você tem!”

Relacionamentos e a felicidade

O iso­la­men­to social que a pan­demia exigiu lev­ou ao dis­tan­ci­a­men­to social entre as pes­soas em ger­al, mas lev­ou a aprox­i­mação entre os casais e os núcleos famil­iares mais ínti­mos. No entan­to, essa aprox­i­mação pode ter lev­a­do ao aumen­to da sep­a­ração entre casais. O número de divór­cios con­sen­suais real­iza­dos pelos cartórios de notas do país, durante a quar­ente­na dec­re­ta­da pela pan­demia do novo coro­n­avírus, entre os meses de maio e jun­ho deste ano, aumen­tou 18,7%.

“Pos­sivel­mente, os rela­ciona­men­tos que já estavam adoe­ci­dos antes da pan­demia não ten­ham resis­ti­do a esse perío­do. Mas, muitos rela­ciona­men­tos foram ‘refor­ma­dos’, rein­ven­ta­dos e out­ros tan­tos começaram em meio à crise. Ouço as pes­soas falan­do que a pan­demia trouxe uma opor­tu­nidade de reflexão para a humanidade e dis­cor­do dis­so. A humanidade é um con­ceito etéreo, a pan­demia está sendo uma grande opor­tu­nidade para cada um de nós como pes­soas. Para ini­cia­r­mos aque­le proces­so de trans­for­mação que, por comod­is­mo, vín­hamos ‘empurran­do com a bar­ri­ga’, a hora é ago­ra”, opina o pro­fes­sor.

Segun­do ele, este é o momen­to ide­al para o auto­con­hec­i­men­to. “Em momen­tos extremos nos­sos sen­ti­men­tos mais bási­cos aflo­ram, tudo gan­ha out­ra mag­ni­tude, então aproveite para se con­hecer mel­hor, se apri­morar e se preparar para viv­er rela­ciona­men­tos mais saudáveis, mais ver­dadeiros”, ori­en­ta.

Dinheiro não traz felicidade?

A vel­ha máx­i­ma de que “din­heiro não traz feli­ci­dade” gan­ha out­ro sen­ti­do durante a pan­demia, época em que grande parte da pop­u­lação pas­sa por crise finan­ceira e mil­hares ficaram sem emprego e ren­da. Na opinião do pro­fes­sor, din­heiro é impor­tante, mas não é tudo.

“Ter muito din­heiro não é garan­tia de feli­ci­dade. O prob­le­ma é que, sim, pouco din­heiro nos deixa infe­lizes. Os país­es com o Índice de Desen­volvi­men­to Humano (IDH) mais baixos tam­bém são os piores nos rank­ings de feli­ci­dade. Porém, o grande difer­en­cial é o jeito com que você vive sua vida, a pesquisa de Havard Study of Adult Devel­op­ment (a mais longe­va sobre feli­ci­dade) con­clui que, para nos man­ter­mos felizes e saudáveis ao lon­go da vida, é pre­ciso inve­stir na qual­i­dade dos nos­sos rela­ciona­men­tos soci­ais”.

Ele desta­ca que é pre­ciso sol­i­dariedade e força de von­tade políti­ca para aten­uar a situ­ação dos mais afe­ta­dos pela fal­ta de din­heiro. “É impor­tante que no pós-pan­demia todos nós ten­hamos essa pre­ocu­pação com as pes­soas que perder­am seus empre­gos e sua ren­da, ser­mos solidários, mas é óbvio que será pre­ciso políti­cas soci­ais dos gov­er­nos para aten­uar a situ­ação”.

Nes­ta sex­ta-feira (19) a ONU divul­gou o Relatório Mundi­al de Feli­ci­dade no qual o  Brasil ocu­pa ago­ra o 41º lugar, nove posições abaixo do rank­ing de 2020. A nota atribuí­da ao Brasil, basea­da em dados de 2020, é de 6,110. Essa é a menor média para o país des­de 2005, quan­do o insti­tu­to de pesquisas começou sua avali­ação.

O relatório tam­bém apon­tou que a infe­li­ci­dade aumen­tou no mun­do todo, ten­do havi­do maior inse­gu­rança econômi­ca, ansiedade, per­tur­bação de todos os aspec­tos da vida e, para muitas pes­soas, estresse e desafios para a saúde físi­ca e men­tal. “O pior efeito da pan­demia foram 2 mil­hões de mortes por covid-19 em 2020. Um aumen­to de quase 4% no número anu­al de mortes em todo o mun­do rep­re­sen­ta uma grave per­da de bem-estar social”, afir­ma o doc­u­men­to.  O relatório é feito anual­mente para anal­is­ar a per­cepção do sen­ti­men­to em 153 país­es. A Fin­lân­dia é o país mais feliz do mun­do, pelo quar­to ano con­sec­u­ti­vo.

Felicidade da população feminina

No mês em que se comem­o­ra o Dia Inter­na­cional da Mul­her, um fenô­meno bati­za­do como “para­doxo da feli­ci­dade fem­i­ni­na” mostra que, ape­sar de todas as con­quis­tas ao lon­go dos anos, as mul­heres estão mais infe­lizes. É o que diz uma pesquisa fei­ta pela orga­ni­za­ção CARE, que mostrou que elas têm quase três vezes mais prob­a­bil­i­dade de relatar ansiedade, per­da de apetite, inca­paci­dade de dormir e difi­cul­dade em con­cluir as tare­fas diárias.

Para chegar a esse resul­ta­do, foram ouvi­das mais de 10 mil pes­soas em 38 país­es, incluin­do os da Améri­ca Lati­na. O lev­an­ta­men­to foi feito pela CARE Inter­na­cional, uma rede que pos­sui mais de 60 anos de exper­iên­cia em aju­da human­itária e no com­bate à pobreza.

As causas são diver­sas e ampli­adas com a pan­demia. Dos mil­hões de demis­sões obser­vadas nos primeiros meses de pan­demia, as mul­heres for­maram o maior grupo, tan­to em país­es desen­volvi­dos quan­to nas nações em desen­volvi­men­to. Ain­da há a dis­crepân­cia na divisão do tra­bal­ho domés­ti­co.

Pesquisa da Fed­er­ação Brasileira de Ban­cos (Febra­ban) mostrou que 63% das mul­heres fazem tra­bal­hos rel­a­tivos aos cuida­dos com a casa con­tra ape­nas 23% dos home­ns.  No acom­pan­hamen­to da esco­la remo­ta, quase toda a car­ga da atenção às cri­anças é nova­mente delas, a pesquisa apon­tou que 71% eram mul­heres e ape­nas 19%, home­ns.

E com mais um ano de pan­demia pela frente, é pre­ciso resil­iên­cia e con­hec­i­men­to para que as mul­heres sejam felizes, ape­sar do momen­to del­i­ca­do e das adver­si­dades da vida. “A feli­ci­dade não deve ser alicerça­da em condições exter­nas – isso a tor­na quase inviáv­el. Ela é uma con­strução fei­ta sobre dois pilares: a vivên­cia de mais emoções de valên­cia pos­i­ti­va que neg­a­ti­va e a per­cepção de se ter uma vida sig­ni­fica­ti­va. O segun­do pilar – da vida sig­ni­fica­ti­va, do propósi­to – é o que nos sus­ten­ta diante dos desafios”, apon­ta a pesquisado­ra Car­la Fur­ta­do, fun­dado­ra do Insti­tu­to Feli­ciên­cia.

Neste momen­to, o desen­volvi­men­to da resil­iên­cia é um fator pos­i­ti­vo. “A resil­iên­cia é com­preen­di­da como a habil­i­dade de nave­g­ar em bus­ca de recur­sos para fun­cionar de maneira pos­i­ti­va em situ­ações adver­sas: sem adoe­cer a médio e lon­go pra­zo. Man­ter-se em situ­ações tóx­i­cas não é o des­fe­cho esper­a­do de um proces­so de resil­iên­cia. Não se deve acred­i­tar no mito de que supor­tar toda e qual­quer situ­ação é sinôn­i­mo de resil­iên­cia. O que se espera como des­fe­cho saudáv­el é: recu­per­ação, adap­tação ou trans­for­mação pos­i­ti­vas”, expli­ca Car­la.

Segun­do a pesquisado­ra, mudar o “para­doxo da feli­ci­dade fem­i­ni­na” é um tra­bal­ho cole­ti­vo, de home­ns e mul­heres. “Para mudar essa real­i­dade é pre­ciso real equidade de gênero, seja no ambi­ente profis­sion­al ou famil­iar. Tomem­os a pan­demia, por exem­p­lo, as mul­heres estão sobre­car­regadas com tra­bal­ho, cuida­dos com a casa e acom­pan­hamen­to de ativi­dades esco­lares dos fil­hos. Elas têm quase três vezes mais prob­a­bil­i­dade de relatar ansiedade, per­da de apetite e inca­paci­dade de dormir”, desta­ca.

Com a pan­demia, a vul­ner­a­bil­i­dade das mul­heres tornou-se ain­da mais evi­dente. Para encar­ar mais um ano de pan­demia, a pesquisado­ra recomen­da atenção redo­bra­da à saúde men­tal, a par­tir da adoção de práti­cas pro­te­ti­vas. “Desta­co aqui a importân­cia do des­can­so, em espe­cial do sono restau­rador. Não é nor­mal dormir pouco, pode ser usu­al, mas não deve ser con­sid­er­a­do nor­mal. O esta­b­elec­i­men­to de uma rede de apoio é out­ra medi­da essen­cial, a trav­es­sia ain­da não acabou e ter­e­mos maior resistên­cia ao lado de pes­soas sig­ni­fica­ti­vas. E diante da impos­si­bil­i­dade de lidar efe­ti­va­mente com a roti­na há sem­pre pos­si­bil­i­dade de bus­car assistên­cia espe­cial­iza­da”, final­iza a espe­cial­ista.

História do dia da felicidade

A Assem­bleia Ger­al das Nações Unidas na sua res­olução 66/281 de 12 de jul­ho de 2012 proclam­ou 20 de março o Dia Inter­na­cional da Feli­ci­dade, recon­hecen­do a relevân­cia da feli­ci­dade e do bem-estar como obje­tivos e aspi­rações uni­ver­sais na vida dos seres humanos em todo o mun­do e a importân­cia de seu recon­hec­i­men­to nos obje­tivos de políti­ca públi­ca. Tam­bém recon­heceu a neces­si­dade de uma abor­dagem mais inclu­si­va, equi­tati­va e equi­li­bra­da para o cresci­men­to econômi­co que pro­mo­va o desen­volvi­men­to sus­ten­táv­el, a errad­i­cação da pobreza, a feli­ci­dade e o bem-estar de todos os povos.

A res­olução foi ini­ci­a­da pelo Butão, um país que recon­heceu o val­or da feli­ci­dade nacional sobre a ren­da nacional des­de o iní­cio dos anos 1970 e ado­tou a meta de feli­ci­dade nacional bru­ta sobre o pro­du­to inter­no bru­to. Tam­bém sediou uma Reunião de Alto Nív­el com o tema Feli­ci­dade e Bem-estar: Definin­do um Novo Par­a­dig­ma Econômi­co, durante a 66ª sessão da Assem­bleia Ger­al.

 

Edição: Valéria Aguiar

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