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Diabetes não controlado pode causar problemas cardiovasculares

Repro­dução: © Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Especialista recomenda que as pessoas façam check-ups periódicos


Publicado em 26/06/2024 — 07:18 Por Alana Gandra — Repórter da Agência Brasil — Rio de Janeiro

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No Dia Nacional do Dia­betes, comem­o­ra­do nes­ta quar­ta-feira (26), o car­di­ol­o­gista Flávio Cure, mem­bro da Sociedade Brasileira de Car­di­olo­gia e da Sociedade Europeia de Car­di­olo­gia, chamou a atenção para com­pli­cações car­dio­vas­cu­lares que o dia­betes não con­tro­la­do com medica­men­tos, ativi­dade físi­ca e ali­men­tação saudáv­el pode causar. Entre elas, citou hiperten­são, infar­to do miocár­dio, angi­na de peito, aci­dente vas­cu­lar cere­bral e aneuris­ma vas­cu­lar.

O Dia­betes Mel­li­tus é uma sín­drome metabóli­ca de origem múlti­pla, decor­rente da fal­ta de insuli­na no organ­is­mo ou de sua inca­paci­dade de exercer ade­quada­mente seus efeitos, cau­san­do altas taxas de açú­car no sangue (hiper­glicemia) de for­ma per­ma­nente. Muitas pes­soas descon­hecem que têm dia­betes porque os sin­tomas dessa doença muitas vezes pas­sam des­perce­bidos.

Por isso, Cure, tam­bém coor­de­nador do Cen­tro de Estu­dos do Hos­pi­tal CopaS­tar da Rede D’Or, recomen­dou que as pes­soas façam check-ups per­iódi­cos com clíni­co ger­al, que fará a triagem do paciente. “Todo mun­do deve faz­er. Um sin­toma do dia­betes que é muito fre­quente e que, às vezes, pas­sa des­perce­bido, é que a pes­soa começa a ficar com mais sede e uri­nar mais. Na maio­r­ia das vezes, em sua fase ini­cial, o dia­betes tipo 2 é ass­in­tomáti­co”, disse o car­di­ol­o­gista à Agên­cia Brasil.

Além de sede fre­quente e von­tade de uri­nar diver­sas vezes, os sin­tomas do dia­betes incluem cansaço crôni­co e fal­ta de ener­gia para ativi­dades cor­riqueiras, de acor­do com a Sociedade Brasileira de Car­di­olo­gia (SBC). “Em home­ns e mul­heres dia­béti­cos, a incidên­cia de infar­to agu­do do miocár­dio e AVC é semel­hante, mas rep­re­sen­ta o dobro quan­do com­para­da a pes­soas sem dia­betes. Em mul­heres, o quadro tende a ser mais grave, com maior mor­tal­i­dade”, aler­tou Cure.

Segun­do o Atlas do Dia­betes da Fed­er­ação Inter­na­cional de Dia­betes (IDF, do nome em inglês), o Brasil é o quin­to país em incidên­cia de dia­betes no mun­do, com 16,8 mil­hões de doentes adul­tos entre 20 e 79 anos, per­den­do ape­nas para Chi­na, Índia, Esta­dos Unidos e Paquistão. A esti­ma­ti­va da incidên­cia da doença em 2030 chega a 21,5 mil­hões.

Dados da Fed­er­ação Inter­na­cional de Dia­betes mostram que até 80% dos pacientes com dia­betes tipo 2 mor­rem por causas rela­cionadas a prob­le­mas cardía­cos. Em nív­el glob­al, os índices super­am os óbitos decor­rentes de HIV, tuber­cu­lose e câncer de mama. Flávio Cure insis­tiu que pacientes com dia­betes podem evi­tar o risco de infar­to con­trolan­do os fatores de risco, “ten­tan­do nor­malizar o nív­el de gli­cose, con­trolan­do o nív­el de coles­terol, fazen­do exer­cí­cios”. Isso sem falar em elim­i­nar o hábito de fumar. “Cig­a­r­ro faz mal para todo mun­do. Não tem sen­ti­do fumar hoje em dia”, afir­mou.

Nas pes­soas dia­béti­cas, a neu­ropa­tia autonômi­ca, dis­função que afe­ta o sis­tema ner­voso sim­páti­co e paras­sim­páti­co, pode causar sín­copes, ou seja, des­maios. Out­ro prob­le­ma impor­tante é o aci­dente vas­cu­lar cere­bral (AVC) que, no dia­béti­co, pode ser con­fun­di­do com uma hipoglicemia. “A pes­soa fica con­fusa, com mal estar. Mas a hipoglicemia responde rap­i­da­mente à reposição de açú­car e a pes­soa vol­ta ao nor­mal”. Cure adver­tiu ain­da para a insu­fi­ciên­cia vas­cu­lar per­iféri­ca, quan­do artérias que nutrem os mem­bros infe­ri­ores são obstruí­das, levan­do à gan­grena e a amputações dos mem­bros infe­ri­ores. “Dá prob­le­ma vas­cu­lar, os vasos ficam ruins, o sangue não cir­cu­la, dá gan­grena e tem que tirar (o mem­bro). Mas, hoje em dia, se a pes­soa se cuidar, não chega a isso.”

O car­di­ol­o­gista lem­brou a importân­cia do paciente com dia­betes con­tro­lar o peso, diminuir o ingesto de car­boidratos, exerci­tar o máx­i­mo pos­sív­el e procu­rar o médi­co peri­odica­mente.

Saúde renal

O pres­i­dente da Sociedade de Nefrol­o­gia do Rio de Janeiro (Son­erj), Pedro Tulio Rocha, nefrol­o­gista do Hos­pi­tal São Lucas Copaca­bana, desta­ca que o aumen­to dos níveis de açú­car no sangue afe­ta o organ­is­mo de uma for­ma sistêmi­ca, sobre­car­regan­do, prin­ci­pal­mente, os rins. Tan­to que é uma das prin­ci­pais causas de doença renal crôni­ca e, por con­se­quên­cia, de trans­plante desse órgão. Segun­do o últi­mo Cen­so Brasileiro de Diálise, de 2023, pub­li­ca­do pela Sociedade Brasileira de Nefrol­o­gia, 32% dos pacientes em diálise têm dia­betes.

O doutor Pedro Tulio Rocha expli­cou à Agên­cia Brasil que o dia­betes afe­ta o rim por uma série de fatores. “A gli­cose em exces­so é fil­tra­da pelos rins e é lesi­va às célu­las dos túbu­los renais e gloméru­lo (prin­ci­pal unidade de fil­tração do rim). O dia­betes aumen­ta a deposição de coles­terol nas pare­des dos vasos. Esse proces­so é chama­do de ateroscle­rose e o rim, por ser um órgão muito vas­cu­lar­iza­do, sofre com isto”. Ressaltou que exis­tem tam­bém efeitos do dia­betes em out­ros órgãos, como o coração e o fíga­do, que podem levar a con­se­quên­cias danosas para os rins.

A lon­go pra­zo, pode ocor­rer doença renal pelo dia­betes, levan­do à doença renal crôni­ca. O pres­i­dente da Son­erj obser­vou ain­da que o dia­betes, jun­to com a hiperten­são, são as prin­ci­pais doenças que lev­am à neces­si­dade de diálise. Comen­tou ain­da que pode ocor­rer lesão renal no pré- dia­betes, porém a pro­gressão para doença renal mais avança­da se dá com a pre­sença do dia­betes já esta­b­ele­ci­do.

Estudo

Estu­do pub­li­ca­do recen­te­mente no British Jour­nal of Sports Med­i­cine rev­ela que pes­soas que prati­cam mais exer­cí­cios, de inten­si­dade mod­er­a­da a vig­orosa, têm menor prob­a­bil­i­dade de desen­volver dia­betes mel­li­tus tipo 2, prin­ci­pal­mente aque­las com alto risco genéti­co.

Mem­bro da Sociedade Brasileira de Endocrinolo­gia e Metabolo­gia (SBEM), a douto­ra Rosi­ta Fontes afir­ma que a práti­ca de ativi­dades físi­cas previne e con­tro­la os níveis de açú­car quan­do os mús­cu­los estão tra­bal­han­do, ou seja, usan­do a gli­cose do sangue para pro­duzir ener­gia. Em con­se­quên­cia, a insuli­na que o cor­po fab­ri­ca age mel­hor e as taxas de glicemia dimin­uem.

A espe­cial­ista lem­bra que o exer­cí­cio físi­co é sem­pre saudáv­el, mes­mo para quem não pode prat­icá-lo por perío­dos mais lon­gos e para quem não empre­ga tan­ta inten­si­dade durante a ativi­dade, pois existe o bene­fí­cio da pre­venção do dia­betes. Ela recomen­da que, para sair do seden­taris­mo, o indi­ca­do é começar com exer­cí­cios leves e breves, como peque­nas cam­in­hadas, e ir aumen­tan­do grada­ti­va­mente tan­to a duração do exer­cí­cio como sua inten­si­dade.

Segun­do a endocri­nol­o­gista, o exer­cí­cio físi­co tam­bém é essen­cial para quem já tem dia­betes (do tipo 2 ou do tipo 1), porque aju­da a con­tro­lar a doença, poten­cial­izan­do o trata­men­to medica­men­toso. A médi­ca recomen­dou que antes de ini­ciar a práti­ca de exer­cí­cios físi­cos, é impor­tante que a pes­soa con­sulte o médi­co pois este poderá avaliar, em função das condições físi­cas do paciente, do peso e de doenças exis­tentes, como poderá se ben­e­fi­ciar das ativi­dades, em que grau elas podem ser prat­i­cadas e durante quan­to tem­po por dia.

Rosi­ta Fontes infor­mou que o dia­betes tipo 2 é aque­le no qual o pân­creas pro­duz insuli­na, às vezes até em quan­ti­dades aumen­tadas, mas ela não é ade­quada­mente aproveita­da pelo cor­po. É o tipo mais fre­quente, que cor­re­sponde a 90% dos casos, com maior incidên­cia em adul­tos. Já o dia­betes tipo 1 cos­tu­ma ocor­rer em pes­soas mais jovens; o organ­is­mo não con­segue pro­duzir a insuli­na necessária para fun­cionar ade­quada­mente.

Edição: Valéria Aguiar

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