...
sábado ,13 abril 2024
Home / Mulher / Empreendedoras gastam 3 vezes mais tempo que homens em serviço de casa

Empreendedoras gastam 3 vezes mais tempo que homens em serviço de casa

Repro­du­ção: © valtercirillo/Pixabay

Estudo do Sebrae Rio foi feito com base em dados da Pnad Contínua


Publicado em 08/03/2024 — 11:29 Por Ana Cristina Campos — Repórter da Agência Brasil — Rio de Janeiro

ouvir:

Para 80% das mulhe­res empre­en­de­do­ras do esta­do do Rio, os cui­da­dos com os filhos são a prin­ci­pal influên­cia ao deci­dir abrir a sua empre­sa. Esse per­cen­tu­al cai para 51% quan­do per­gun­ta­do para os homens. Para 5% das mulhe­res influ­en­ci­ou um pou­co e 16% con­si­de­ram que não teve inter­fe­rên­cia nes­sa deci­são.

Em com­pa­ra­ção aos homens, as mulhe­res empre­en­de­do­ras gas­tam qua­se três vezes mais tem­po diá­rio com a famí­lia e afa­ze­res domés­ti­cos. Por terem que dis­pen­der mais tem­po cui­dan­do da casa e da famí­lia do que os homens, 66% das mulhe­res acre­di­tam que enfren­tam mais difi­cul­da­des para ter um negó­cio do que os homens. É uma sen­sa­ção que 48% dos homens com­par­ti­lham.

As infor­ma­ções estão na pes­qui­sa Carac­te­rís­ti­cas dos Empre­en­de­do­res: Empre­en­de­do­ris­mo Femi­ni­no, do Ser­vi­ço Bra­si­lei­ro de Apoio às Micro e Peque­nas Empre­sa (Sebrae), fei­ta com base em dados dis­po­ni­bi­li­za­dos pela Pes­qui­sa Naci­o­nal por Amos­tra de Domi­cí­li­os (Pnad) Con­tí­nua do Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Geo­gra­fia e Esta­tís­ti­ca (IBGE).

No Rio de Janei­ro, quan­do uma mulher resol­ve abrir um negó­cio, pais, cli­en­tes, for­ne­ce­do­res e côn­ju­ges são os prin­ci­pais incen­ti­va­do­res. No caso dos homens, ami­gos, côn­ju­ge e cli­en­tes e for­ne­ce­do­res são os que mais ori­en­tam na aber­tu­ra do negó­cio. Em rela­ção a man­ter o negó­cio, homens e mulhe­res rece­bem mais incen­ti­vos dos seus côn­ju­ges.

Equilíbrio

“A pes­qui­sa refor­ça o que ouvi­mos em rodas de con­ver­sa e em nos­sas capa­ci­ta­ções. As mulhe­res pos­su­em uma dupla jor­na­da de tra­ba­lho e pro­cu­ram equi­li­brar com maes­tria tudo o que fazem. Ape­sar das difi­cul­da­des, a famí­lia é um dos pila­res dos seus negó­ci­os e a for­ça que elas pre­ci­sam para con­ti­nu­ar em fren­te”, afir­ma Car­la Panis­set, geren­te de Empre­en­de­do­ris­mo Soci­al do Sebrae Rio.

“São as mulhe­res quan­do os filhos neces­si­tam, ou a casa neces­si­ta que se aban­do­ne as tare­fas da empre­sa são elas que aban­do­nam. Menos de 40% dos homens o fazem. Assim, as duas mai­o­res difi­cul­da­des têm a ver com a divi­são das tare­fas domés­ti­cas e a auto­es­ti­ma e lide­ran­ça à fren­te dos negó­ci­os.”

Em rela­ção ao pre­con­cei­to de gêne­ro, 83% das mulhe­res acre­di­tam que não sofre­ram ao lon­go da car­rei­ra, enquan­to 17% já sofre­ram pre­con­cei­to por ser mulher no seu negó­cio. Já em rela­ção de pre­sen­ci­ar essa situ­a­ção com outras mulhe­res, 55% não viram, 42% assis­ti­ram e 3% não sabem opi­nar

“No que diz res­pei­to à con­fi­an­ça e segu­ran­ça de si enquan­to donos de negó­ci­os, os homens apre­sen­tam melhor desem­pe­nho que as mulhe­res. Entre­tan­to, a pes­qui­sa indi­ca que elas são mais dis­pos­tas a bus­car aju­da quan­do se sen­tem ansi­o­sas e angus­ti­a­das. Den­tro do Sebrae, as mulhe­res são as que mais pro­cu­ram apoio para os seus negó­ci­os. Elas são resi­li­en­tes, não desis­tem, cons­tro­em, bus­cam se aper­fei­ço­ar e bus­cam conhe­ci­men­to”, dis­se Car­la.

Ape­sar dos desa­fi­os e da desi­gual­da­de ain­da exis­ten­te no mun­do empre­en­de­dor, mui­tas mulhe­res encon­tram no empre­en­de­do­ris­mo a úni­ca alter­na­ti­va de con­ci­li­ar a gera­ção de ren­da e cui­da­do com seus fami­li­a­res. “A neces­si­da­de de cui­dar dos filhos e de estar per­to de suas famí­li­as influ­en­ci­ou mais as mulhe­res: 68% das empre­en­de­do­ras dizem que con­si­de­ra­ram isso para abrir seus negó­ci­os. Em rela­ção aos homens esse núme­ro é de 56%. Empre­en­der é sim uma alter­na­ti­va de gerar ren­da e cui­dar dos que estão pró­xi­mos.”

Mães empreendedoras - Personagem: Marianna da Silva Macedo. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
Repro­du­ção: Mari­an­na com os filhos. Foto:  Arqui­vo pessoal/Divulgação

Pen­san­do estar mais pró­xi­ma dos dois filhos peque­nos, Mari­an­na da Sil­va Mace­do, mora­do­ra da zona nor­te do Rio de Janei­ro, come­çou a empre­en­der com bolos e doces para fes­tas. Ela con­ta que tra­ba­lha­va com car­tei­ra assi­na­da e come­çou a fazer doces como hobby. “Em 2020, veio minha filha mais nova que é neu­ro­a­tí­pi­ca. Foi quan­do come­ça­ram a vir os diag­nós­ti­cos e eu pre­ci­sei me ausen­tar com frequên­cia do meu tra­ba­lho, e aca­bei sen­do des­li­ga­da. E aí a con­fei­ta­ria foi minha prin­ci­pal fon­te de ren­da e é assim até hoje”.

Segun­do ela, o mer­ca­do de tra­ba­lho é mais difí­cil para mães com filhos peque­nos. “A saí­da que eu tive foi con­ti­nu­ar empre­en­den­do. Como desa­fio ela apon­ta que sua agen­da de tra­ba­lho fica refém da deman­da dos filhos. “Fico sozi­nha com eles em tem­po inte­gral. Só à noi­te é que tenho um res­pi­ro, que é a hora que con­si­go pro­du­zir. Meu mari­do fica com as cri­an­ças. Dei­xo tudo orga­ni­za­do de comi­da, banho, medi­ca­ções, para ele olhar as cri­an­ças e eu con­se­guir dar con­ta da pro­du­ção.”

Ape­sar dos desa­fi­os do empre­en­de­do­ris­mo, Mari­an­na diz que não tro­ca sua vida atu­al pela segu­ran­ça de um tra­ba­lho com car­tei­ra assi­na­da. “Segu­ran­ça nenhu­ma paga ‘eu acom­pa­nhar o desen­vol­vi­men­to e o cres­ci­men­to’ dos meus filhos.”

Vanes­sa Ribei­ro tem um salão de bele­za em Nova Igua­çu, na Bai­xa­da Flu­mi­nen­se. É for­ma­da em enge­nha­ria civil, mas optou por empre­en­der, por­que tem uma filha de 4 anos e está grá­vi­da de um meni­no. “Ser empre­sá­ria, ape­sar de ter bas­tan­te tra­ba­lho, a gen­te con­se­gue admi­nis­trar o tem­po para ficar mais com a famí­lia e com os filhos. Tenho meu dia de fol­ga exclu­si­vo com a minha filha, tenho os meus dias de aten­di­men­to na par­te da tar­de. Con­si­go dedi­car tem­po tam­bém para a minha casa.”

Joy­ce Dias tem um salão de bele­za, em Comen­da­dor Soa­res, na Bai­xa­da Flu­mi­nen­se, e pas­sou a empre­en­der para cui­dar do filho autis­ta de 8 anos. “Des­de que eu tive meu filho, tive que mer­gu­lhar nes­se uni­ver­so de uma for­ma mais pro­fun­da por­que eu não tive mais tem­po de tra­ba­lhar fora. O meu filho faz tera­pi­as, ele estu­da. Sou dona de casa tam­bém. Pre­ci­so con­ci­li­ar meu tem­po com as ati­vi­da­des do meu filho e o meu tra­ba­lho. Tra­ba­lho mui­to para sus­ten­tá-lo, prin­ci­pal­men­te finais de sema­na. Sou casa­da. Ele não é o pai bio­ló­gi­co, mas me aju­da no que pode.”

Edi­ção: Maria Clau­dia

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

BNDES abre concurso em 2024 para 150 vagas de nível superior

Repro­du­ção: © Fer­nan­do Frazão/Agencia Bra­sil Edital deve ser divulgado no segundo semestre Publicado em 09/04/2024 …