...
sábado ,15 junho 2024
Home / Economia / Endividamento das famílias bate novo recorde em julho

Endividamento das famílias bate novo recorde em julho

Moeda Nacional, Real, Dinheiro, notas de real
Repro­du­ção: © Mar­cel­lo Casal Jr / Agên­cia Bra­sil

CNC alerta para risco do uso do crédito e inadimplência


Publi­ca­do em 05/08/2021 — 12:01 Por Ake­mi Nitaha­ra – Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Rio de Janei­ro

O per­cen­tu­al de famí­li­as que rela­ta­ram ter dívi­das no mês de julho che­gou a 71,4%, o mai­or pata­mar da série his­tó­ri­ca, ini­ci­a­da em 2010. A alta é de 1,7 pon­to per­cen­tu­al na com­pa­ra­ção com junho e de 4 pon­tos em rela­ção a julho de 2020, o mai­or aumen­to anu­al veri­fi­ca­do des­de dezem­bro de 2019.

Os dados são da Pes­qui­sa de Endi­vi­da­men­to e Ina­dim­plên­cia do Con­su­mi­dor (Peic), divul­ga­da hoje (5) pela Con­fe­de­ra­ção Naci­o­nal do Comér­cio de Bens, Ser­vi­ços e Turis­mo (CNC). As dívi­das inclu­em che­que pré-data­do, car­tão de cré­di­to, che­que espe­ci­al, car­nê de loja, cré­di­to con­sig­na­do, emprés­ti­mo pes­so­al, pres­ta­ção de car­ro e de casa.

As famí­li­as com dívi­das ou con­tas em atra­so che­ga­ram a 25,6%, o ter­cei­ro aumen­to segui­do. O núme­ro é 0,5 pon­to per­cen­tu­al aci­ma do nível de junho e 0,7 pon­to abai­xo do apu­ra­do em julho do ano pas­sa­do.

Já as famí­li­as que dis­se­ram não ter con­di­ções de pagar suas dívi­das em atra­so e que vão con­ti­nu­ar ina­dim­plen­tes aumen­tou de 10,8% para 10,9% de junho para julho. Na com­pa­ra­ção anu­al, hou­ve que­da de 1,1 pon­to per­cen­tu­al.

Faixas de renda

Na aná­li­se por gru­pos de ren­da, o endi­vi­da­men­to entre as famí­li­as que rece­bem até dez salá­ri­os míni­mos aumen­tou de 70,7% para 72,6% na pas­sa­gem men­sal, atin­gin­do nova máxi­ma his­tó­ri­ca. Em julho de 2020, o indi­ca­dor esta­va em 69% das famí­li­as. A ina­dim­plên­cia nes­sa fai­xa pas­sou de 28,1% para 28,7% e 13,1% do total dis­se­ram que vão per­ma­ne­cer com as con­tas em atra­so.

No gru­po que rece­be mais de dez salá­ri­os míni­mos, o endi­vi­da­men­to vem baten­do recor­des men­sais des­de feve­rei­ro. O per­cen­tu­al pas­sou de 65,5% em junho para 66,3% julho, ante os 59,1% em julho de 2020. A ina­dim­plên­cia nes­se gru­po de ren­da cres­ceu de 11,9% para 12,1% na pas­sa­gem men­sal e 3,5% afir­ma­ram que não têm con­di­ções de colo­car as dívi­das em dia.

O gru­po dos mui­to endi­vi­da­dos teve leve redu­ção, de 14,7% em junho para 14,6% em julho, índi­ce 0,9 pon­to per­cen­tu­al abai­xo de julho de 2020. Na capa­ci­da­de de paga­men­to, a par­ce­la média da ren­da com­pro­me­ti­da entre as famí­li­as endi­vi­da­das ficou em 30,5%, o mai­or nível des­de 2017, e 21,1% têm mais da meta­de da ren­da com­pro­me­ti­da com dívi­das.

Dívidas

O tem­po médio de atra­so para qui­ta­ção das dívi­das ficou em 61,9 dias em julho. A prin­ci­pal dívi­da das famí­li­as é no car­tão de cré­di­to, moda­li­da­de assi­na­la­da por 82,7% dos endi­vi­da­dos, o mai­or nível da série his­tó­ri­ca. Car­nês de lojas foram indi­ca­dos por 18% das famí­li­as, 9,8% têm dívi­das com cré­di­to pes­so­al e 9,7% com finan­ci­a­men­to da casa pró­pria.

Inflação

Segun­do a CNA, a infla­ção ele­va­da tem dimi­nuí­do o poder de com­pra das famí­li­as e dete­ri­o­ra­do os orça­men­tos domés­ti­cos. “A ren­da dos con­su­mi­do­res tam­bém está afe­ta­da pelas fra­gi­li­da­des dos mer­ca­dos de tra­ba­lho for­mal e infor­mal, com o auxí­lio emer­gen­ci­al de menor valor pago este ano. Tais fato­res têm tam­bém pro­vo­ca­do o mai­or uso do cré­di­to no car­tão”, diz o infor­me da pes­qui­sa.

A enti­da­de aler­ta que o car­tão de cré­di­to é a moda­li­da­de mais difun­di­da, porém é a que ofe­re­ce o mai­or cus­to ao con­su­mi­dor quan­do se tor­na cré­di­to rota­ti­vo, com par­te do sal­do deve­dor rola­da para o mês seguin­te.

“Embo­ra o cré­di­to pos­sa fun­ci­o­nar como fer­ra­men­ta de recom­po­si­ção da ren­da e poten­ci­a­li­zar o con­su­mo, com mais de 71% das famí­li­as endi­vi­da­das, acen­deu-se um aler­ta para o uso do cré­di­to e o poten­ci­al de cres­ci­men­to da ina­dim­plên­cia à fren­te. O aumen­to dos juros em cur­so no país enca­re­ce as dívi­das, prin­ci­pal­men­te na moda­li­da­de mais bus­ca­da pelos endi­vi­da­dos hoje, o car­tão de cré­di­to”.

Edi­ção: Fer­nan­do Fra­ga

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Caixa paga Bolsa Família a beneficiários com NIS de final 5

Repro­du­ção: © Lyon Santos/ MDS Com adicionais, valor médio do benefício está em R$ 682,32 …