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Entenda o que é PMMA e os riscos do uso em procedimentos estéticos

Repro­dução: © Reuters/Michael Weber/Imago Imagens/Direitos reser­va­dos

CFM alerta para risco de intervenções consideradas invasivas


Publicado em 07/07/2024 — 09:08 Por Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil — Brasília

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O polimetil­metacrila­to (PMMA) é um com­po­nente plás­ti­co com diver­sos tipos de apli­cação, tan­to na saúde quan­to em setores pro­du­tivos, a depen­der da for­ma de proces­sa­men­to e desen­volvi­men­to da matéria-pri­ma. O PMMA pode ser encon­tra­do, por exem­p­lo, em lentes de con­ta­to, implantes de esôfa­go e cimen­to ortopédi­co. No cam­po estéti­co, o PMMA pode ser usa­do para preenchi­men­to cutâ­neo, em for­ma semel­hante a um gel.

Relatos de com­pli­cações rela­cionadas ao uso do com­po­nente em pro­ced­i­men­tos estéti­cos se tornaram mais fre­quentes no Brasil. Em 2020, uma influ­encer (influ­en­ci­ado­ra dig­i­tal) perdeu parte da boca e do queixo após faz­er preenchi­men­to labi­al com PMMA. Nes­ta sem­ana, out­ra influ­encer mor­reu após se sub­me­ter a um pro­ced­i­men­to estéti­co para aumen­tar os glú­teos.

Segun­do par­entes, ela apre­sen­tou um quadro de infecção gen­er­al­iza­da em razão da apli­cação de PMMA.

Uso e limites de aplicação

No Brasil, o PMMA para preenchi­men­to sub­cutâ­neo pre­cisa ser reg­istra­do na Agên­cia Nacional de Vig­ilân­cia San­itária (Anvisa), por se tratar de um pro­du­to de uso em saúde da classe IV ou risco máx­i­mo. “Somente após a análise téc­ni­ca, ess­es pro­du­tos são lib­er­a­dos para ven­da e uso, visan­do à pro­teção do paciente e do con­sum­i­dor”, infor­mou a agên­cia reg­u­lado­ra.

O com­po­nente está autor­iza­do para cor­reção de lipodis­trofia, um tipo de alter­ação no organ­is­mo que leva à con­cen­tração de gor­du­ra em algu­mas partes do cor­po, geral­mente provo­ca­da pelo uso de medica­men­tos antir­retro­vi­rais em pacientes com HIV/aids, e cor­reção volumétri­ca facial e cor­po­ral, uma for­ma de tratar alter­ações como irreg­u­lar­i­dades e depressões no cor­po fazen­do o preenchi­men­to em áreas afe­tadas por meio de bio­plas­tia.

Segun­do a Anvisa, a con­cen­tração de PMMA em pro­du­tos estéti­cos varia e há indi­cações claras dos locais do cor­po onde as apli­cações podem ser feitas, como derme pro­fun­da, teci­do mus­cu­lar sub­cutâ­neo ou em nív­el intra­mus­cu­lar. “A dose usa­da é aque­la estri­ta­mente necessária para cor­reção de defeitos tegu­mentares ou da pele. Por­tan­to, depende de avali­ação médi­ca”, reforçou a agên­cia.

Em casos de atrofia facial asso­ci­a­da ao HIV/aids, por exem­p­lo, um dos fab­ri­cantes de PMMA reg­istra­dos no país expli­ca que a quan­ti­dade necessária varia de 4 a 12 milil­itros (ml) para cada lado do ros­to. Já em seque­las de poliomielite com atrofia de mus­cu­latu­ra da pan­tur­ril­ha, a dose deve ser de cer­ca de 120ml, implan­ta­da de uma vez ou em eta­pas suces­si­vas, com 45 dias de inter­va­lo, depen­den­do da elas­ti­ci­dade da pele de cober­tu­ra.

A Anvisa desta­ca que o PMMA deve ser admin­istra­do por profis­sion­ais médi­cos habil­i­ta­dos e treina­dos para o uso. “Para cada paciente, o médi­co deve deter­mi­nar as dos­es inje­tadas e o número de injeções necessárias, depen­den­do das car­ac­terís­ti­cas cutâneas, mus­cu­lares e osteo­car­ti­lagi­nosas de cada paciente, das áreas a serem tratadas e do tipo de indi­cação”, detal­hou a agên­cia.

“A Anvisa tam­bém esclarece que o pro­du­to não é con­traindi­ca­do para apli­cação nos glú­teos para fins cor­re­tivos. Porém, não há indi­cação para aumen­to de vol­ume, seja cor­po­ral ou facial. Cabe ao profis­sion­al médi­co respon­sáv­el avaliar a apli­cação de acor­do com a cor­reção a ser real­iza­da e as ori­en­tações téc­ni­cas de uso do pro­du­to.”

Etiqueta de rastreabilidade

A chama­da eti­que­ta de ras­tre­abil­i­dade con­siste em um doc­u­men­to com dados como o número do reg­istro, códi­gos, descrição do mod­e­lo, lote, razão social do fab­ri­cante e/ou impor­ta­dor. O reg­u­la­men­to vigente define que é obri­gatório o fornec­i­men­to de, no mín­i­mo, três eti­que­tas de ras­tre­abil­i­dade, a serem fix­adas no pron­tuário clíni­co do paciente, na doc­u­men­tação fis­cal que gera cobrança pelo serviço e no doc­u­men­to que deve ser entregue ao paciente.

Segun­do a Anvisa, a eti­que­ta de ras­tre­abil­i­dade é um dire­ito do paciente e deve ser solic­i­ta­da sem­pre que o con­sum­i­dor pas­sar por pro­ced­i­men­tos cirúr­gi­cos como:

- implan­tação de um dis­pos­i­ti­vo cardía­co ou ortopédi­co;
— implantes de col­u­na ou artic­u­lações;
— stents coro­nar­i­anos;
— implantes den­tários;
— válvu­las cardía­cas;
— endo­próte­ses vas­cu­lares;
— implantes mamários;
— preenche­do­res intradér­mi­cos à base de PMMA.

A agên­cia reg­u­lado­ra desta­ca que a eti­que­ta de ras­tre­abil­i­dade não deve ser con­fun­di­da com rótu­lo, instruções de uso ou bula. Tra­ta-se de um doc­u­men­to adi­cional que deve con­star na própria embal­agem do pro­du­to.

“Mes­mo com a existên­cia de diver­sos mecan­is­mos para o con­t­role san­itário dos dis­pos­i­tivos médi­cos, é impor­tante com­preen­der que podem ocor­rer even­tos adver­sos ou queixas téc­ni­cas decor­rentes do seu uso. Ness­es casos, as eti­que­tas de ras­tre­abil­i­dade con­stituem impor­tantes instru­men­tos que per­mitem a exe­cução de ações por parte da agên­cia e do fab­ri­cante na bus­ca de soluções.”

Serviço ao consumidor

Todos os pro­du­tos usa­dos em pro­ced­i­men­tos médi­cos e estéti­cos em com­er­cial­iza­ção no Brasil pre­cisam ter reg­istro na Anvisa, órgão respon­sáv­el pela avali­ação da segu­rança, eficá­cia e qual­i­dade dos itens.

Em caso de dúvi­das, a ori­en­tação é que o con­sum­i­dor busque um dos canais de atendi­men­to disponíveis no site da Anvisa, para esclare­cer questões rela­cionadas a medica­men­tos, insumos far­ma­cêu­ti­cos, cos­méti­cos e ali­men­tos, den­tre out­ros.

Alerta

A Sociedade Brasileira de Der­ma­tolo­gia (SBD) elen­cou as prin­ci­pais inter­venções estéti­cas feitas no Brasil por profis­sion­ais não médi­cos que causam com­pli­cações ou mes­mo a morte de pacientes. O lev­an­ta­men­to inclui apli­cação de PMMA no ros­to; apli­cação de áci­do hialurôni­co em rinomod­e­lação; lipoen­z­imáti­ca no intu­ito de elim­i­nar gor­du­ra local­iza­da de várias partes do cor­po; peel­ing de fenol con­tra rugas e flacidez e luz inten­sa pul­sa­da em melanoma.

De acor­do com a SBD, os pro­ced­i­men­tos são rotineira­mente real­iza­dos por den­tis­tas, bio­médi­cos, far­ma­cêu­ti­cos, fisioter­apeu­tas e enfer­meiros, den­tre out­ros profis­sion­ais que não têm “out­or­ga legal para pro­ced­i­men­tos inva­sivos”.

No mês pas­sa­do, a enti­dade, o Con­sel­ho Fed­er­al de Med­i­c­i­na (CFM) e a Sociedade Brasileira de Cirur­gia Plás­ti­ca (SBCP) apre­sen­taram, durante o I Fórum de Defe­sa do Ato Médi­co, um dos­siê com uma lista de pro­ced­i­men­tos estéti­cos con­sid­er­a­dos inva­sivos e a serem real­iza­dos ape­nas por médi­cos. São os seguintes:

- pro­ced­i­men­tos estéti­cos inva­sivos que envolvem a apli­cação de tox­i­na bot­u­líni­ca, con­heci­da pop­u­lar­mente como botox;
— preenche­do­res cutâ­neos para har­mo­niza­ção facial com áci­dos hialurôni­co e poliláti­co;
— bioes­tim­u­ladores de colágeno;
— PMMA;
— eletro­cau­ter­i­za­ção e exérese de lesões como nevus, ver­ru­gas e queloides;- endolaser para trata­men­to de celulite;
— peel­ings quími­cos como o de fenol, usa­do con­tra rugas e flacidez.

Edição: Nádia Fran­co

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