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Estamos diante da diversidade cósmica, diz astrônomo sobre exoplanetas

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Com dados da Nasa, grupo da UFRN colaborou com descoberta de planeta


Pub­li­ca­do em 17/02/2021 — 06:00 Por Adrie­len Alves — Repórter da Radioagên­cia Nacional — Brasília

“Eu sou de uma ger­ação que cresceu escu­tan­do que nós só tín­hamos os plan­e­tas do sis­tema solar. Não exis­tia essa história de out­ros plan­e­tas e ninguém per­gun­ta­va se era o úni­co. Então hou­ve, sim, uma peque­na rev­olução”.

A declar­ação é do astrônomo José Dias do Nasci­men­to que hoje tem não só teste­munhado rev­oluções envol­ven­do o espaço, como par­tic­i­pa­do delas.

A últi­ma colab­o­ração foi com a descober­ta, anun­ci­a­da este mês, de um exo­plan­e­ta raro, do tipo sub-Sat­urno, local­iza­do a 250 anos-luz da Ter­ra. É o TOI 257‑b, que leva 18 dias para dar uma vol­ta ao redor de sua estrela.

Um mun­do quente, gigante e gasoso, como ele expli­ca. “São plan­e­tas maiores que Netuno e menores que Sat­urno. É um mun­do gigante! Um plan­e­ta gigante, gasoso, com essa car­ac­terís­ti­ca. No entan­to, ape­sar desse taman­ho ele está ali cola­do na estrela. Então, é um plan­e­ta do tipo Sat­urno: muito quente e muito próx­i­mo da estrela. E isso é real­mente uma coisa espan­tosa. Esse sis­tema sub-Sat­urno tem pro­priedades bas­tante inter­es­santes e, por que não diz­er, raras. O nos­so sis­tema solar, por exem­p­lo, não tem um plan­e­ta do tipo”, afir­ma.

José Dias e o aluno de doutora­do Lean­dro Almei­da são inte­grantes do Grupo de Estru­tu­ra, Evolução Este­lar e Exo­plan­e­tas da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio Grande do Norte (UFRN) e colab­o­raram com a descober­ta, uti­lizan­do dados da mis­são TESS, da Agên­cia Espa­cial Norte-Amer­i­cana (Nasa).

Essa mis­são caça-plan­e­tas da Nasa está foca­da em localizar novos mun­dos, orbi­tan­do estre­las bril­hantes nas redondezas do Sol.

Para quem apren­deu a con­tar nos dedos das mãos o total de plan­e­tas con­heci­dos, hoje lidar com os números que apon­tam a existên­cia de mais de 4 mil plan­e­tas rep­re­sen­ta o con­hec­i­men­to sobre a história do nos­so sis­tema solar e do uni­ver­so.

“Nós sabe­mos hoje que muitas estre­las, prati­ca­mente uma quan­ti­dade gigan­tesca de estre­las bril­hantes, têm plan­e­tas. Então, qual­quer teo­ria que tente explicar quais são, na ver­dade, as condições para se for­mar plan­e­tas gasosos e rochosos, próx­i­mos ou longe da estrela, pre­cisa explicar tam­bém a diver­si­dade cós­mi­ca que esta­mos encon­tran­do. Isso tudo é um proces­so cien­tí­fi­co bas­tante com­plexo e que esta­mos viven­do hoje”, afir­ma.

O TOI-257b é o segun­do exo­plan­e­ta descober­to pelo grupo de pesquisadores, que espera ain­da para este ano a local­iza­ção do TOI-257c.

Sobre rev­oluções, José Dias desta­ca o ano de 2021. Espe­cial­mente pelas mis­sões a cam­in­ho de Marte, como a Per­se­varance, da Nasa, que está pre­vista para chegar ao plan­e­ta ver­mel­ho nes­ta sem­ana.

”’Marte vai ser ain­da o grande desafio, porque é exata­mente o lim­ite. É o que rep­re­sen­ta­va a Lua lá na déca­da de 70. Então, Marte recebe aí três ou qua­tro son­das nos próx­i­mos anos.”, diz.

Para Dias, este ano é o momen­to espetac­u­lar porque cada uma dessas mis­sões ”traz as per­gun­tas essen­ci­ais: como é que o sis­tema solar se for­mou? Como é que as coisas começaram do pon­to de vista de vida? A vida surgiu a par­tir de qual momen­to? Por que Marte não é habitáv­el? Então, nós temos de fato um ano extra­ordinário com relação ao espaço.”

De acor­do com o astrônomo, a ”dis­pu­ta” pela con­quista espa­cial tem se desta­ca­do tam­bém em país­es fora do eixo Esta­dos Unidos- Europa, como, por exem­p­lo, Chi­na, Índia, Emi­ra­dos Árabes e Japão.

Sobre as per­spec­ti­vas para as mis­sões envol­ven­do exo­plan­e­tas, ele chama a atenção para a mis­são europeia Pla­to, pre­vista para ser lança­da em 2026.

Edição: Graça Adju­to

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