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Estudo aponta risco climático para Complexo de Favelas da Maré

Repro­du­ção: © Tânia Rêgo/Agência Bra­sil

Ondas de calor e inundações fluviais estão entre as ameaças climáticas


Publi­ca­do em 24/11/2023 — 09:06 Por Ana Cris­ti­na Cam­pos – Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Rio de Janei­ro

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Estu­do de aná­li­se de ris­cos e vul­ne­ra­bi­li­da­des cli­má­ti­cas do Con­jun­to de Fave­las da Maré, na zona nor­te do Rio de Janei­ro, apon­tou que o com­ple­xo com mais de 140 mil mora­do­res sofre com três ris­cos cli­má­ti­cos: ondas de calor, inun­da­ções flu­vi­ais e aumen­to do nível do mar.

O diag­nós­ti­co foi desen­vol­vi­do pela Way­Car­bon, empre­sa glo­bal que atua em solu­ções vol­ta­das para a tran­si­ção jus­ta e resi­li­en­te rumo a uma eco­no­mia de bai­xo car­bo­no, e pela  Redes da Maré, ins­ti­tui­ção da soci­e­da­de civil que bus­ca qua­li­da­de de vida e garan­tia de direi­tos para os mora­do­res.

O levan­ta­men­to tem por obje­ti­vo iden­ti­fi­car os ris­cos físi­cos cli­má­ti­cos aos quais a popu­la­ção do con­jun­to de fave­las está expos­ta, reco­men­dar ações gerais de adap­ta­ção para a comu­ni­da­de e poten­ci­a­li­zar a capa­ci­da­de de mobi­li­za­ção e de obten­ção de recur­sos para inter­ven­ções efe­ti­vas no ter­ri­tó­rio.

Para o tra­ba­lho, foi uti­li­za­da a pla­ta­for­ma MOVE ®️ – Model of Vul­ne­ra­bi­lity Eva­lu­a­ti­on, base­a­da em dados do Pai­nel Inter­go­ver­na­men­tal sobre Mudan­ça do Cli­ma (IPCC), ini­ci­a­ti­va da Orga­ni­za­ção das Nações Uni­das (ONU).

No caso das ondas de calor, o estu­do mos­tra que o ris­co é “alto” ou “mui­to alto” em todo ter­ri­tó­rio com ocu­pa­ção resi­den­ci­al da região. Esses ris­cos estão entre os prin­ci­pais pro­ble­mas ambi­en­tais do sécu­lo XXI dire­ta­men­te rela­ci­o­na­dos ao cres­ci­men­to popu­la­ci­o­nal e às mudan­ças cli­má­ti­cas. As ondas de calor, como exem­plo, podem oca­si­o­nar não ape­nas des­con­for­to, mas danos mai­o­res à saú­de, aumen­tan­do as taxas de mor­ta­li­da­de, além de acen­tu­a­rem a deman­da ener­gé­ti­ca.

Segun­do Meli­na Amo­ni, geren­te de Ris­co Cli­má­ti­co e Adap­ta­ção da Way­Car­bon, o ter­ri­tó­rio da Maré tem alta vul­ne­ra­bi­li­da­de cli­má­ti­ca por­que tem uma gran­de den­si­da­de popu­la­ci­o­nal. “Entre as medi­das para redu­zir o impac­to que já exis­te hoje estão o reflo­res­ta­men­to urba­no, um teto ver­de nas casas das comu­ni­da­des ou um teto pin­ta­do de bran­co. Algu­mas das ações são sim­ples. A popu­la­ção pre­ci­sa ser incen­ti­va­da a tomar essas medi­das”.

Mau­rí­cio Dutra, pes­qui­sa­dor e mobi­li­za­dor do eixo de direi­tos huma­nos da Redes de Maré, lem­bra que o com­ple­xo de fave­las tem pelo menos cin­co rios e canais que podem trans­bor­dar na épo­ca de chu­va. “A Maré está inse­ri­da entre a Linha Ver­me­lha, Linha Ama­re­la e a Ave­ni­da Bra­sil. A qua­li­da­de do ar na Maré tem um nível de polu­en­tes mui­to mai­or que outros ter­ri­tó­ri­os”, acres­cen­tou. “A ideia é cons­ci­en­ti­zar os mora­do­res dos efei­tos das ame­a­ças cli­má­ti­cas”.

Rio de Janeiro (RJ), 16/11/2023 - Moradores do Complexo da Maré se refrescam com chuveiros e piscinas improvisadas nas ruas da comunidade. A sensação térmica na cidade do Rio de Janeiro voltou a superar os 50 graus Celsius (°C), com a onda de calor que atinge boa parte do Brasil. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Repro­du­ção: Mora­do­res do Com­ple­xo da Maré se refres­cam com chu­vei­ros e pis­ci­nas impro­vi­sa­das nas ruas da comu­ni­da­de. Sen­sa­ção tér­mi­ca no Rio de Janei­ro vol­tou a supe­rar os 50 graus Cel­sius (°C) — Tânia Rêgo/Agência Bra­sil

Maré

Nas­ci­da entre águas e cons­ti­tuí­da por 16 fave­las, o pro­ces­so de ocu­pa­ção da Maré se con­so­li­dou a par­tir da cons­tru­ção da atu­al Ave­ni­da Bra­sil, em 1946, onde se cri­ou um cin­tu­rão indus­tri­al. As encos­tas e as áre­as ala­ga­di­ças exis­ten­tes, naque­le tre­cho da Baía de Gua­na­ba­ra, e a pro­xi­mi­da­de do cen­tro, tor­na­ram-se con­di­ções favo­rá­veis para o sur­gi­men­to do con­jun­to de fave­las.

A popu­la­ção resi­den­te em fave­las no Rio de Janei­ro vem cres­cen­do de modo con­tí­nuo: em 1980 era 14% da popu­la­ção total, em 2010 che­gou a 22% (IBGE, 2010) e, seguin­do as pro­je­ções da ONU, este núme­ro segui­rá aumen­tan­do.

O estu­do será lan­ça­do ofi­ci­al­men­te nes­ta sex­ta-fei­ra (24) em um even­to aber­to ao públi­co com o tema Aná­li­se de Ris­cos, Vul­ne­ra­bi­li­da­des Cli­má­ti­cas, Qua­li­da­de do Ar e Iden­ti­fi­ca­ção de Ilhas de Calor no Con­jun­to de Fave­las da Maré.

Edi­ção: Ali­ne Leal

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