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Estudo detecta bactéria da leptospirose em golfinhos e lobos-marinhos

Repro­du­ção: © Ima­gem de divulgação/Campanha Sal­ve o Boto

Prevalência é nas espécies costeiras, em detrimento das mais afastadas


Publi­ca­do em 26/11/2023 — 12:58 Por Viní­cius Lis­boa — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Rio de Janei­ro

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Dois estu­dos rea­li­za­dos por cien­tis­tas de dife­ren­tes cen­tros de pes­qui­sa bra­si­lei­ros cons­ta­ta­ram, pela pri­mei­ra vez, a pre­sen­ça da bac­té­ria Lep­tos­pi­ra sp. em gol­fi­nhos e lobos-mari­nhos na cos­ta do país. O micro­or­ga­nis­mo é o pató­ge­no cau­sa­dor da lep­tos­pi­ro­se, doen­ça que matou mais de 2,8 mil pes­so­as no Bra­sil nos últi­mos dez anos. 

As pes­qui­sas ana­li­sa­ram o DNA dos rins de mamí­fe­ros mari­nhos encon­tra­dos mor­tos. No estu­do rea­li­za­do com 142 gol­fi­nhos, os cien­tis­tas encon­tra­ram a bac­té­ria em 21 indi­ví­du­os de cin­co espé­ci­es: Ste­nel­la cly­me­ne, Sota­lia gui­a­nen­sis, Pon­to­po­ria blain­vil­lei, Ste­no bre­da­nen­sis e Tur­si­ops trun­ca­tus.

Os pes­qui­sa­do­res cons­ta­ta­ram que a pre­va­lên­cia da bac­té­ria nas espé­ci­es cos­tei­ras (25%, ou seja, 17 em 68 indi­ví­du­os estu­da­dos) é mai­or do que nas oceâ­ni­cas, ou seja, aque­las que vivem mais afas­ta­das do lito­ral (7,5%, ou qua­tro em 53 indi­ví­du­os).

A espé­cie com mais casos posi­ti­vos para a bac­té­ria foi o boto-cin­za (Sota­lia gui­a­nen­sis), encon­tra­do em vári­os pon­tos das cos­tas cari­be­nha e bra­si­lei­ra, como a Baía de Gua­na­ba­ra, no Rio de Janei­ro. O pató­ge­no foi detec­ta­do em dez dos 21 indi­ví­du­os pes­qui­sa­dos (47,6%).

Entre os gol­fi­nhos-do-Rio-da-Pra­ta (Pon­to­po­ria blain­vil­lei), encon­tra­do entre a Argen­ti­na e o Sudes­te do Bra­sil), a pre­va­lên­cia che­gou a 33,4%, ou sete dos 21 ani­mais estu­da­dos.

Essa foi a pri­mei­ra vez que a bac­té­ria foi detec­ta­da nes­sas duas espé­ci­es cos­tei­ras e tam­bém no gol­fi­nho-Clí­me­ne (Ste­nel­la cly­me­ne), uma espé­cie oceâ­ni­ca.

A fon­te da con­ta­mi­na­ção é des­co­nhe­ci­da e deman­da novos estu­dos para ser con­fir­ma­da, mas acre­di­ta-se que os ani­mais sejam infec­ta­dos por eflu­en­tes con­ta­mi­na­dos com uri­na de rato em áre­as lito­râ­ne­as pró­xi­mas a gran­des cida­des, áre­as por­tuá­ri­as e locais com sane­a­men­to bási­co pre­cá­rio.

Já entre os 47 lobos-mari­nhos de das espé­ci­es Arc­to­cepha­lus aus­tra­lis e A. tro­pi­ca­lis foi encon­tra­da a Lep­tos­pi­ra sp em 15 indi­ví­du­os O pató­ge­no foi mais comu­men­te encon­tra­do em indi­ví­du­os que habi­tam áre­as com mai­or popu­la­ção huma­na.

Os pes­qui­sa­do­res con­si­de­ram ser neces­sá­rio con­ti­nu­ar os estu­dos para enten­der o impac­to que a Lep­tos­pi­ra sp. tem no orga­nis­mo dos ani­mais mari­nhos bra­si­lei­ros. Nos Esta­dos Uni­dos, onde se estu­da a rela­ção do pató­ge­no com leões-mari­nhos há mais de 50 anos, cons­ta­tou-se que a lep­tos­pi­ro­se pode cau­sar infla­ma­ção agu­da nos rins dos ani­mais, levan­do-os a enca­lhar com dores, desi­dra­ta­ção, magre­za e poden­do oca­si­o­nar mor­tes.

“Ain­da não foram encon­tra­das evi­dên­ci­as de lesões renais nos ani­mais estu­da­dos [no Bra­sil], pois é neces­sá­rio con­ti­nu­ar ava­li­an­do outros parâ­me­tros para con­fir­mar se há mani­fes­ta­ção clí­ni­ca da doen­ça em ani­mais mari­nhos no Bra­sil”, afir­ma Feli­pe Tor­res, pes­qui­sa­dor da Uni­ver­si­da­de Fede­ral Flu­mi­nen­se (UFF).

Edi­ção: Ali­ne Leal

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