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Exame pré-natal reduz chance de bebê nascer com anomalia

Sudeste é a região com mais nascimentos com desvios congênitos

Dou­glas Cor­rêa — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 22/07/2025 — 09:40
Rio de Janeiro
Referentes ao período de 2006 a 2015, os dados tornam o Brasil o sétimo da América do Sul no quesito taxa de gravidez adolescente
Repro­dução: © Arquivo/MDS

Estu­do da Fun­dação Oswal­do Cruz (Fiocruz) mostra que asso­ci­ações entre as condições do bebê e fatores de acom­pan­hamen­to como pré-natal insu­fi­ciente, idade mater­na, raça, cor e baixa esco­lar­i­dade, além de fatores socioe­conômi­cos e biológi­cos asso­ci­a­dos às anom­alias con­gêni­tas no Brasil, apon­ta que uma parte dessas anom­alias pode­ria ser evi­ta­da com o apri­mora­men­to de políti­cas públi­cas.

A pesquisa iden­ti­fi­cou que mul­heres que não realizaram con­sul­ta pré-natal durante o iní­cio da gravidez tiver­am 47% mais chances de ter um bebê com anom­alias do que mul­heres que ini­cia­ram o acom­pan­hamen­to no primeiro trimestre.

A inves­ti­gação foi real­iza­da a par­tir de bases de dados interli­gadas do Sis­tema de Infor­mações sobre Nasci­dos Vivos (Sinasc) e Sis­tema de Infor­mações de Mor­tal­i­dade (SIM), da Fiocruz.

Para a pesquisa foram uti­liza­dos dados de nasci­dos no Brasil entre 2012 e 2020, total­izan­do cer­ca de 26 mil­hões de bebês nasci­dos vivos, sendo cer­ca de 144 mil com algum tipo de anom­alia con­gêni­ta.

Das anom­alias reg­istradas, foram pri­or­iza­dos defeitos de mem­bros, cardía­cos, tubo neur­al, fen­da oral, gen­i­tais, parede abdom­i­nal, micro­ce­falia e sín­drome de Down, sele­ciona­dos por serem iden­ti­fi­cadas como anom­alias pri­or­itárias para vig­ilân­cia no Brasil.

O arti­go — de auto­ria da pesquisado­ra asso­ci­a­da do Cen­tro de Inte­gração de Dados e Con­hec­i­men­tos para Saúde (Cidacs) da Fiocruz Bahia, Qeren Hapuk — foi pub­li­ca­do no per­iódi­co BMC Preg­nan­cy and Child­birth. O tra­bal­ho procurou com­preen­der como ess­es fatores impactam no desen­volvi­men­to dos bebês, bus­can­do embasar estraté­gias pre­ven­ti­vas dire­cionadas para cri­anças com anom­alias con­gêni­tas. 

Fatores

Anom­alias con­gêni­tas são alter­ações estru­tu­rais e/ou fun­cionais que con­tribuem sig­ni­fica­ti­va­mente para o aumen­to do risco de mor­bidade e mor­tal­i­dade obser­va­do em cri­anças em todo o mun­do. Ess­es dis­túr­bios são com­plex­os e sua ocor­rên­cia é influ­en­ci­a­da por uma var­iedade de fatores, incluin­do condições socioe­conômi­cas que desem­pen­ham um papel sig­ni­fica­ti­vo.

A inves­ti­gação apon­ta ain­da que mães que se autode­clararam pre­tas tiver­am 16% mais chance de ter fil­hos com anom­alias con­gêni­tas em com­para­ção com mães bran­cas.

Out­ro fator de risco iden­ti­fi­ca­do foi a idade. Enquan­to mul­heres com mais de 40 anos pos­suíam quase 2,5 vezes mais chances de ter um bebê com anom­alias con­gêni­tas, mul­heres com menos de 20 anos tam­bém tiver­am um risco maior (13%) do que mães com idade entre 20 e 34 anos.

A esco­lar­i­dade tam­bém se apre­sen­tou como um fator que influ­en­ciou na chance de mul­heres terem fil­hos com algu­ma anom­alia: pos­suir baixa esco­lar­i­dade (0 a 3 anos) sig­nifi­cou 8% mais de chances do que com 12 ou mais anos de esco­lar­i­dade.

Algu­mas anom­alias tiver­am maior asso­ci­ação a deter­mi­na­dos fatores de riscos. Os casos de nasci­dos com defeitos do tubo neur­al (estru­tu­ra embri­onária que dará origem ao cére­bro e à medu­la espin­hal) foram forte­mente lig­a­dos à baixa esco­lar­i­dade, ausên­cia de pré-natal e ges­tação múlti­pla.

Defeitos cardía­cos foram asso­ci­a­dos à idade avança­da, per­da fetal e pré-natal inad­e­qua­do, enquan­to casos com Sín­drome de Down foram forte­mente asso­ci­a­dos à idade mater­na supe­ri­or a 40 anos.

Desigualdades

Além dis­so, hou­ve vari­ações sig­ni­fica­ti­vas nas chances de cri­anças nascerem com anom­alias entre as regiões do país e os gru­pos de anom­alias. A prin­ci­pal causa dessa vari­ação é a sub­no­ti­fi­cação. O Sud­este é a região que mel­hor noti­fi­ca nasci­men­tos com anom­alias con­gêni­tas em com­para­ção com as demais regiões.

A Região Nordeste con­cen­tra quase metade da pop­u­lação brasileira viven­do em situ­ação de pobreza, o que pode aju­dar a explicar a maior prob­a­bil­i­dade de mães res­i­dentes terem nasci­men­tos com defeitos do tubo neur­al, uma vez que essa condição está alta­mente asso­ci­a­da à baixa ren­da, baixa esco­lar­i­dade e má ali­men­tação (suple­men­tação insu­fi­ciente).

A epi­demia do vírus Zika no Brasil — entre 2015 e 2016 — resul­tou em um aumen­to na noti­fi­cação de nasci­dos vivos com micro­ce­falia e out­ras anom­alias con­gêni­tas do sis­tema ner­voso, espe­cial­mente no Nordeste, o que pode ter con­tribuí­do para os resul­ta­dos obser­va­dos.

“Ess­es dados mostram que a desigual­dade socioe­conômi­ca em con­jun­to com fatores biológi­cos impacta dire­ta­mente na saúde e desen­volvi­men­to do bebê”, disse a pesquisado­ra Qeren Hapuk.

Para ela, os acha­dos indicam que tais fatores de agrava­men­to são evitáveis ou mod­i­ficáveis. Inter­venções em edu­cação mater­na, plane­ja­men­to repro­du­ti­vo, nutrição e, prin­ci­pal­mente, aces­so ao pré-natal são fun­da­men­tais para a pre­venção de anom­alias con­gêni­tas.

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