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Expedição brasileira à Antártica pesquisa danos ambientais

Repro­du­ção: © Asses­so­ria de comu­ni­ca­ção do Museu Naci­o­nal

Grupo de 12 pesquisadores ficará 40 dias no continente gelado


Publi­ca­do em 24/12/2022 — 12:32 Por Ala­na Gan­dra — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Rio de Janei­ro

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A mai­or expe­di­ção bra­si­lei­ra à Antár­ti­ca, com­pos­ta por 12 pes­qui­sa­do­res bra­si­lei­ros, fica­rá 40 dias no inte­ri­or do con­ti­nen­te gela­do com o obje­ti­vo de estu­dar mais de 200 anos da dados ambi­en­tais. A infor­ma­ção é do Minis­té­rio da Ciên­cia, Tec­no­lo­gia e Ino­va­ções (MCTI).

A expe­di­ção foi ini­ci­a­da no dia 7 des­te mês. O rela­to mais recen­te, rece­bi­do no últi­mo dia 20 do líder da expe­di­ção, pro­fes­sor Jef­fer­son Simões, da Uni­ver­si­da­de Fede­ral do Rio Gran­de do Sul (UFRGS), infor­ma: “Exce­len­tes dias enso­la­ra­dos, com tem­pe­ra­tu­ra média ao redor de 17 graus nega­ti­vos. Madru­ga­das cain­do a 22 nega­ti­vos. Ven­tos cons­tan­tes ao redor de 20 a 25 quilô­me­tros (km) por hora, o que cau­sa sen­sa­ção tér­mi­ca de até 25 graus nega­ti­vos”.

Os pes­qui­sa­do­res bra­si­lei­ros estão divi­di­dos em três gru­pos e acam­pa­dos em locais dife­ren­tes: na gelei­ra da Ilha Pine, no módu­lo Cri­os­fe­ra 1, e no local onde será ins­ta­la­do o módu­lo Cri­os­fe­ra 2, com qua­se 700 km de dis­tân­cia entre eles. O acam­pa­men­to situ­a­do no módu­lo Cri­os­fe­ra 1 está a 2,5 mil km ao sul da Esta­ção Antár­ti­ca Coman­dan­te Fer­raz. Os pes­qui­sa­do­res farão a manu­ten­ção des­se labo­ra­tó­rio lati­no-ame­ri­ca­no, loca­li­za­do mais ao sul do pla­ne­ta.

Simões está na Ilha Pine e acom­pa­nha o tra­ba­lho para cole­ta de gelo em pro­fun­di­da­de. Com o sol, os tra­ba­lhos estão adi­an­ta­dos, infor­mou por e‑mail. “Já esta­mos a 90 metros de pro­fun­di­da­de no nos­so poço, o que garan­te mais de 200 anos de dados ambi­en­tais”. A aná­li­se dos blo­cos de gelo per­mi­te com­pre­en­der a his­tó­ria cli­má­ti­ca da Ter­ra.

Criosfera 2

Um dos obje­ti­vos da expe­di­ção é ins­ta­lar o módu­lo Cri­os­fe­ra 2, labo­ra­tó­rio 100% auto­ma­ti­za­do que ampli­a­rá a cole­ta de dados ambi­en­tais, incluin­do infor­ma­ções mete­o­ro­ló­gi­cas e sobre a quí­mi­ca atmos­fé­ri­ca. O módu­lo foi cons­truí­do com tec­no­lo­gia bra­si­lei­ra para cole­tar dados do cli­ma e da con­cen­tra­ção de dió­xi­do de car­bo­no, ou CO2, prin­ci­pal gás de efei­to estu­fa, ao lon­go do ano.

O Cri­os­fe­ra 2 será ins­ta­la­do pela equi­pe do pro­fes­sor Fran­cis­co Aqui­no. Todos os inte­gran­tes da equi­pe já se encon­tram no con­ti­nen­te antár­ti­co. O módu­lo foi trans­por­ta­do de Pun­ta Are­nas, no extre­mo sul do Chi­le, há dez dias, em avião car­guei­ro Ilyushin Il-76TD, mode­lo apto a pou­sar sobre o gelo no inte­ri­or da Antár­ti­ca.

Nos pró­xi­mos dias, um tra­tor polar vai cru­zar cer­ca de 180 km entre a pis­ta de pou­so no gelo, que está loca­li­za­da na gelei­ra Uni­on, mon­ta­nhas Ellsworth, até o local de ins­ta­la­ção do módu­lo. Os qua­tro pes­qui­sa­do­res — três da UFRGS e um do Chi­le — voa­rão de avião com esqui até o local cha­ma­do Sky­train ice rise, na posi­ção 79,5 graus Sul, 78 graus oes­te.

A expe­di­ção con­ta com a par­ti­ci­pa­ção de pro­fes­so­res da UFRGS, da Uni­ver­si­da­de Fede­ral do Pará e da Uni­ver­si­da­de do Esta­do do Rio de Janei­ro. As ati­vi­da­des inte­gram o Pro­gra­ma Antár­ti­co Bra­si­lei­ro e a 41ª Ope­ran­tar, coor­de­na­da pela Secre­ta­ria Inter­mi­nis­te­ri­al para os Recur­sos do Mar.

Investimentos

A ope­ra­ção logís­ti­ca, que envol­ve o trans­por­te, a ins­ta­la­ção do módu­lo Cri­os­fe­ra 2 na Antár­ti­ca e a manu­ten­ção do módu­lo Cri­os­fe­ra 1, tem cus­to de R$ 3,5 milhões. Esse valor é finan­ci­a­do pelo MCTI e pela Finan­ci­a­do­ra de Estu­dos e Pro­je­tos (Finep), por meio dos recur­sos do Fun­do Naci­o­nal de Desen­vol­vi­men­to Cien­tí­fi­co e Tec­no­ló­gi­co e da Fun­da­ção de Ampa­ro à Pes­qui­sa do Esta­do do Rio Gran­de do Sul.

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