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Exposição e livro lembram os 30 anos da morte de Lélia Gonzalez

Repro­dução: © Foto Rafael Oliveira

Intelectual é importante expoente do pensamento antirracista do Brasil


Publicado em 24/06/2024 — 07:30 Por Daniel Mello — Repórter da Agência Brasil — São Paulo

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Os 30 anos de morte da pesquisado­ra e mil­i­tante Lélia Gon­za­lez, um dos nomes mais impor­tantes do pen­sa­men­to antir­racista brasileiro, serão lem­bra­dos na mostra Lélia em nós: fes­tas pop­u­lares e ame­fricanidade, a par­tir da próx­i­ma quar­ta-feira (26), no Sesc Vila Mar­i­ana, zona sul e São Paulo. Lélia desen­volveu con­ceitos como “Améfrica” e “pre­tuguês”, que definem o papel estru­tur­al das cul­turas africanas nas sociedades que se desen­volver­am deste lado do Oceano Atlân­ti­co.

A exposição reúne tra­bal­hos de diver­sos artis­tas em diál­o­go com o pen­sa­men­to de Lélia. Podem ser vis­tas fotografias de Wal­ter Fir­mo e Januário Gar­cia, que mil­i­tou jun­to com a antropólo­ga no Movi­men­to Negro Unifi­ca­do (MNU) e no Insti­tu­to de Pesquisas das Cul­turas Negras (IPCN). Há ain­da obras de Heitor dos Praz­eres, Enei­da Sanch­es, Lidia Lis­boa e Rafael Galante, entre out­ros, pas­san­do por lin­gua­gens como a pin­tu­ra, insta­lação e a per­for­mance.

A mostra acom­pan­ha o relança­men­to do livro Fes­tas pop­u­lares no Brasil. A obra, que inspirou a exposição, rev­ela uma face menos difun­di­da do tra­bal­ho da int­elec­tu­al da pesquisado­ra.

Festas e política

São Paulo. 21/06/2024 Intelectual Lélia Gonzalez é lembrada com exposição e livro em SP. Foto Rafael Oliveira
Repro­dução: São Paulo. 21/06/2024 Int­elec­tu­al Lélia Gon­za­lez é lem­bra­da com exposição e livro em SP. Foto Rafael Oliveira — Foto Rafael Oliveira

No entendi­men­to de Glaucea Brit­to, uma das curado­ras da exposição, as fes­tas pop­u­lares, no pen­sa­men­to de Lélia, têm uma impor­tante car­ga políti­ca. “A gente tem uma tradição cul­tur­al muito forte volta­da à orga­ni­za­ção e manutenção das chamadas fes­tas pop­u­lares que tem muito da nos­sa matriz africana, da cul­tura preser­va­da, muitos fun­da­men­tos, os chama­dos de val­ores civ­i­liza­tórios africanos e out­ras estraté­gias que a gente pode chamar de tec­nolo­gias de resistên­cia, para se man­ter ali um de aces­so dire­to a um lega­do cul­tur­al que nos foi nega­do his­tori­ca­mente”, disse.

“Algu­mas nar­ra­ti­vas ten­tam vis­i­bi­lizar ou esvaziar de sen­ti­do a fes­ta. E a fes­ta no Brasil é muito séria para muitas pop­u­lações nesse con­tex­to afro­di­aspóri­co”, enfa­ti­za Glaucea, que tam­bém é curado­ra do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Entre as fes­tivi­dades pesquisadas por Lélia estão o Círio de Nazaré, as con­gadas, as cav­al­hadas, o bum­ba-meu-boi, o mara­catu e as de irman­dades, como da Boa Morte e do Rosário dos Home­ns Pre­tos.

A com­plex­i­dade dess­es fes­te­jos, muitas vezes asso­ci­a­dos a datas cel­e­bra­ti­vas da Igre­ja Católi­ca tam­bém atraíram a atenção da auto­ra. “Tem muito de ten­sion­a­men­to, de críti­ca, de afir­mação dessas pop­u­lações que vivem a par­tir de uma per­spec­ti­va de desigual­dade, serem neg­a­ti­va­mente impactadas pelo racis­mo estru­tur­al e uma série de out­ras questões que tam­bém com­põem, estru­tu­ram a nos­sa sociedade”, acres­cen­ta a curado­ra.

Sem­pre lig­a­da à práti­ca, Lélia Gon­za­lez par­ticipou da Esco­la de Sam­ba Quilom­bo, fun­da­da por Anto­nio Can­deia Fil­ho, no Rio de Janeiro, em 1975. “Ela era uma int­elec­tu­al da prax­is [ação conc­re­ta], alguém que esteve no Par­que Laje no momen­to que a esco­la de artes visuais era fun­da­da. Era um pon­to impor­tante de dis­cussão do cam­po int­elec­tu­al no Rio de Janeiro, que cruza­va arte, políti­ca, cul­tura”, diz Raquel Bar­reto, que tam­bém assi­na a curado­ria da exposição, e é curado­ra-chefe do Museu de Arte Mod­er­na do Rio de Janeiro.

Livro

São Paulo. 21/06/2024 Intelectual Lélia Gonzalez é lembrada com exposição e livro em SP. Foto Rafael Oliveira
Repro­dução: Int­elec­tu­al Lélia Gon­za­lez é lem­bra­da com exposição e livro, por Foto Rafael Oliveira

Uma grande parte da pesquisa da antropólo­ga sobre pas­sará a ser acessív­el a par­tir do lança­men­to do livro Fes­tas pop­u­lares no Brasil, que orig­i­nal­mente foi uma encomen­da de uma empre­sa multi­na­cional para lem­brança de fim de ano. Pub­li­ca­do em 1987 com tiragem de 3 mil exem­plares, nun­ca chegou a ser ofi­cial­mente com­er­cial­iza­do. O tra­bal­ho reúne fotografias de  Leila Jink­ings, Mar­cel Gau­therot, Mau­reen Bisil­li­at, Januário Gar­cia e Wal­ter Fir­mo.

A nova ver­são do livro que está sendo lança­da ago­ra pela Edi­to­ra Boitem­po foi enrique­ci­da com tex­tos inédi­tos, com pról­o­go da can­to­ra Leci Brandão, pos­fá­cio da escrito­ra Leda Maria Mar­tins, tex­to de orel­ha da filó­so­fa Sueli Carneiro e quar­ta capa da mil­i­tante e pesquisado­ra Angela Davis e da atriz Zezé Mot­ta.

Edição: Aécio Ama­do

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