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Exposição em SP mostra computação quântica e inteligência artificial

Repro­dução: © Marc Lee & Shervin Saremi/Speculative Evo­lu­tion-Pro­to­type­/­Di­vul­gação

Festival Internacional de Linguagem Eletrônica começa nesta quarta


Publicado em 03/07/2024 — 07:42 Por Elaine Patrícia Cruz — Repórter da Agência Brasil — São Paulo

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A van­guar­da da ciên­cia e a expressão artís­ti­ca con­tem­porânea se encon­tram mais uma vez no tradi­cional Fes­ti­val Inter­na­cional de Lin­guagem Eletrôni­ca (File), que ocorre a par­tir des­ta quar­ta-feira (3) no Cen­tro Cul­tur­al Fiesp, na cap­i­tal paulista.

O even­to, que explo­ra a inter­secção entre arte e tec­nolo­gia e fomen­ta espaços de exposição e de debates sobre ino­vações artís­ti­cas impul­sion­adas por tec­nolo­gias ino­vado­ras, está com­ple­tan­do 25 anos de existên­cia. Nes­ta edição, tra­bal­ha espe­cial­mente com a com­putação quân­ti­ca e a inteligên­cia arti­fi­cial sin­téti­ca.

Com o tema QUBIT AI — quan­tum & syn­thet­ic ai, a mostra tem curado­ria de Ricar­do Bar­reto e Paula Perissinot­to.

“O Qubit é rel­a­ti­vo à com­putação quân­ti­ca e o AI é rel­a­ti­vo à inteligên­cia arti­fi­cial”, expli­cou Paula Perissinot­to, co-orga­ni­zado­ra e co-curado­ra do fes­ti­val. “O Qubit é o bit da com­putação quân­ti­ca [uma unidade bási­ca de infor­mação usa­da para cod­i­ficar dados em com­putação quân­ti­ca]. Nor­mal­mente, a com­putação tem como bit [menor unidade de infor­mação em sis­temas dig­i­tais] o 0 ou 1. Já a com­putação quân­ti­ca tem o Qubit, que é mais do que 0 e 1, ele é o 0 ou 1 sobre­pos­to, emaran­hado, enfim, é out­ra com­putação. Os sin­téti­cos, por sua vez, são as inteligên­cias arti­fi­ci­ais, obras que foram con­struí­das por inteligên­cia arti­fi­cial com coman­do humano”, disse ela em entre­vista à Agên­cia Brasil.

São Paulo (SP) 03/07/2024 - Marc Vilanova - Cascade - A vanguarda da ciência e a expressão artística contemporânea se encontram mais uma vez no tradicional Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (File), que acontece a partir desta quarta-feira (3) no Centro Cultural Fiesp, na capital paulista. Foto: Eloise Coomber/Divulgação
Repro­dução: São Paulo — Van­guar­da da ciên­cia e expressão artís­ti­ca con­tem­porânea se encon­tram no tradi­cional Fes­ti­val Inter­na­cional de Lin­guagem Eletrôni­ca (File) na cap­i­tal paulista — Foto Eloise Coomber/Divulgação

Essas duas tec­nolo­gias têm se desta­ca­do muito no cenário con­tem­porâ­neo: enquan­to a com­putação quân­ti­ca é o iní­cio de uma rev­olução emer­gente em todo o mun­do, a inteligên­cia arti­fi­cial sin­téti­ca já é uma rev­olução de fato, ofer­e­cen­do aos artis­tas novo modo de faz­er e de enten­der a arte, abrindo espaço para novas for­mas, con­ceitos e expressões artís­ti­cas.

“As pes­soas vão encon­trar aqui [na exposição] uma cama­da de tudo. Uma cama­da dig­i­tal, que já faz parte do File e que ago­ra está se rev­e­lando quase como um pas­sa­do, até exper­iên­cias estéti­cas ain­da muito rudi­menta­res no que tange à com­putação quân­ti­ca, que são os primór­dios da com­putação quân­ti­ca. Além dis­so, há tam­bém um com­puta­dor quân­ti­co que estará aqui como obje­to e que, na ver­dade, é uma car­caça enorme de refrig­er­ação que guar­da uma coisa pequenin­in­ha. E tam­bém aqui as pes­soas vão encon­trar bas­tante con­teú­do pro­duzi­do, os chama­dos sin­téti­cos, tan­to estéti­cos quan­to clipes, filmes, exper­iên­cias arquitetôni­cas sin­téti­cas e sono­ras”, afir­mou Paula.

Os vis­i­tantes da mostra poderão não só con­tem­plar diver­sas dessas exper­i­men­tações como tam­bém inter­a­gir com algu­mas insta­lações, vídeos e escul­turas dig­i­tais.

São Paulo (SP) 03/07/2024 - Paul Gründorfer & Leonhard Peschta - The Sea - A vanguarda da ciência e a expressão artística contemporânea se encontram mais uma vez no tradicional Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (File), que acontece a partir desta quarta-feira (3) no Centro Cultural Fiesp, na capital paulista. Foto: Paul Gründorfer & Leonhard Peschta/The Sea/Divulgação
Repro­dução: São Paulo — Fes­ti­val Inter­na­cional de Lin­guagem Eletrôni­ca (File), no Cen­tro Cul­tur­al Fiesp, na cap­i­tal paulista — Foto Paul Gründorfer & Leon­hard Peschta/The Sea/Divulgação

Obras

Algu­mas das obras em exposição são bas­tante inter­a­ti­vas ou imer­si­vas. Entre elas a insta­lação Ego, em que sua imagem é pro­je­ta­da e dis­tor­ci­da na parede como se fos­se um desen­ho prim­i­ti­vo, mas sem­pre acom­pan­han­do os movi­men­tos de seu cor­po. Out­ra obra é The For­get­table Art Machine, que cap­tura a imagem do públi­co e ini­cia um proces­so de análise den­tro de seu ban­co de dados, encon­tran­do a imagem de algu­ma obra de arte ou fotografia que se assemel­he àquela que foi pro­duzi­da por você.

“Há ain­da uma exper­iên­cia dos sin­téti­cos sonoros, onde a pes­soa colo­ca um fone de ouvi­do e pode cir­cu­lar por três vídeos, mudan­do o som a cada pas­so que dá em frente de out­ro vídeo. Há tam­bém a obra do Marc Vilano­va, uma exper­iên­cia estéti­ca dig­i­tal, em que ele fez cap­tura de sons de cachoeira, a vibração desse som movi­men­ta fibras óti­cas e cria toda uma relação. Essa obra é inter­a­ti­va, as pes­soas podem tocar, sen­tir a vibração e tam­bém cri­ar uma for­ma estéti­ca. Tem tam­bém a gaio­la, que é uma exper­iên­cia de real­i­dade vir­tu­al muito inter­es­sante e que te trans­porta para den­tro dela”, acres­cen­tou a curado­ra .

Em entre­vista à Agên­cia Brasil, o artista espan­hol Marc Vilano­va expli­cou sua obra chama­da Cas­cade, que é uma reflexão sobre como as mudanças climáti­cas afe­tam o ecos­sis­tema. “Cas­cade é uma insta­lação em que tra­bal­ho com fre­quên­cias infrassôni­cas. As cachoeiras pro­duzem sons que são muito baixos. Os humanos não podem ouvi-los, mas há espé­cies, como as aves, que ouvem essas ondas infrassôni­cas da cachoeira e as uti­lizam para nave­g­ar quan­do fazem migrações de larga dis­tân­cia”.

“O que fiz aqui foi gravar com um gravador espe­cial essas ondas infrassôni­cas das cachoeiras. Fui ao Niá­gara, no Canadá, em bus­ca de grandes cachoeiras e quero tam­bém ir para Foz do Iguaçu, aqui no Brasil. O que faço é ten­tar repro­duzir essas fre­quên­cias por caixas de som. E essa vibração é traduzi­da em fibra ópti­ca, lumi­nes­cente, que desce, per­mitin­do ver o som cair, ver as vibrações do som caírem pela fibra ópti­ca. Você con­segue ver esse som, sen­tir esse som e tocá-lo. O públi­co está con­vi­da­do a inter­a­gir com a peça, atrav­es­sá-la e tocar essas vibrações com a pele”.

Arte e ciência

São Paulo (SP) 03/07/2024 - Matthias Oostrik – AIIA The Forgettable Art Machine – Países Baixos - Vertical - A vanguarda da ciência e a expressão artística contemporânea se encontram mais uma vez no tradicional Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (File), que acontece a partir desta quarta-feira (3) no Centro Cultural Fiesp, na capital paulista. Foto: Thales Leite/Divulgação
Repro­dução: São Paulo — Fes­ti­val Inter­na­cional de Lin­guagem Eletrôni­ca (File), no Cen­tro Cul­tur­al Fiesp, na cap­i­tal paulista — Foto Thales Leite/Divulgação

Além da exper­iên­cia estéti­ca, o fes­ti­val tam­bém explo­ra a exper­iên­cia cien­tí­fi­ca. Uma delas, por exem­p­lo, é a obra Fotografia Quân­ti­ca, da cien­tista brasileira Gabriela Bar­reto Lemos, pesquisado­ra e pro­fes­so­ra na Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio de Janeiro. Ela demon­stra um exper­i­men­to cien­tí­fi­co que usa dois feix­es de fótons infraver­mel­hos entre­laça­dos quan­ti­ca­mente: o primeiro é dire­ciona­do para uma pla­ca de silí­cio grava­da com a imagem de um gato. O segun­do é envi­a­do para uma tra­jetória difer­ente, sem inter­ação com a pla­ca de silí­cio.

Foi a primeira vez que uma imagem foi cap­tura­da por um feixe de luz sem que ele ten­ha inter­agi­do com o obje­to fotografa­do.

“Pro­duz­i­mos ali uma foto, a imagem de um obje­to pelo qual a luz cap­ta­da pela câmera não pas­sou. Geral­mente, para se faz­er uma foto, você joga uma luz em um obje­to e essa luz é refleti­da e cap­ta­da pela câmera ou pelo seu olho. Mas, nesse caso, a gente tin­ha dois feix­es de luz, na ver­dade fótons, emaran­hados. Um deles pas­sa pelo obje­to a ser fotografa­do e o out­ro gera imagem. Então, o que é cap­ta­do pela câmera nun­ca pas­sou pelo obje­to e a luz que pas­sou pelo obje­to não vai até a câmera. É como se fos­se uma foto deslo­cal­iza­da no espaço”, expli­cou a cien­tista.

Aqui, essa téc­ni­ca ino­vado­ra foi apre­sen­ta­da como arte, mas ela tem poten­cial para ser uti­liza­da e apli­ca­da em áreas como a med­i­c­i­na para diag­nós­ti­cos de imagem. Para Gabriela, é inter­es­sante como um tra­bal­ho desen­volvi­do para avanço cien­tí­fi­co de uma área que, em teo­ria, não estaria em uma exposição de arte, acabe em uma mostra artís­ti­ca. “Ela aca­ba aqui insti­gan­do a per­gun­ta do que seria uma nova ger­ação de fotografia e vídeo. O que seria a imagem da pós-rev­olução tec­nológ­i­ca quân­ti­ca? Já me per­gun­taram se ela é analóg­i­ca ou dig­i­tal. Mas essa dis­cussão não faz sen­ti­do porque é de out­ra ordem, out­ra lóg­i­ca. Estou aqui só mostran­do um pouco a ideia, mas o que está por trás tem uma mudança até de par­a­dig­ma de como a gente pode faz­er ima­gens téc­ni­cas e cien­tí­fi­cas de coisas que nos inter­es­sam e que são inacessíveis com as câmeras que temos disponíveis”, afir­mou.

Todas essas obras poderão ser vis­tas gra­tuita­mente no fes­ti­val até o dia 25 de agos­to. Mais infor­mações podem ser obti­das no site do File ou do Cen­tro Cul­tur­al Fiesp.

Edição: Graça Adju­to

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