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Exposição inédita reúne diferentes coleções de arte no Rio

Repro­du­ção: © Fer­nan­do Frazão/Agência Bra­sil

Ingresso custa R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)


Publi­ca­do em 16/12/2023 — 12:37 Por Mari­a­na Tokar­nia – Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Rio de Janei­ro

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Em uma foto­gra­fia em pre­to e bran­co, um homem com uma cami­sa amar­ra­da na cabe­ça e uma mulher, com uma revis­ta na mão, estão em um cais à bei­ra de um rio. Eles com­põem a obra Espe­ran­do o bar­co, do fotó­gra­fo e artis­ta para­en­se Luiz Bra­ga.

Ao lado da foto­gra­fia de um metro e meio de lar­gu­ra e um metro de altu­ra, uma pin­tu­ra de uma pes­soa de ver­me­lho, tam­bém na bei­ra de um rio. É a obra Lagoa Aba­e­té, de 1957, do pin­tor moder­nis­ta José Pan­cet­ti.

A com­bi­na­ção faz par­te da expo­si­ção Con­ver­sas entre Cole­ções, que está aber­ta ao públi­co na Casa Rober­to Mari­nho até 24 de mar­ço de 2024. Nela, impor­tan­tes cole­ci­o­na­do­res foram con­vi­da­dos a expor as pró­pri­as obras ao lado da cole­ção Rober­to Mari­nho. A pro­pos­ta é cri­ar diá­lo­gos visu­ais, his­tó­ri­cos, temá­ti­cos, esti­lís­ti­cos ou gera­ci­o­nais. Entre as obras, estão tra­ba­lhos rara­men­te expos­tos ou mes­mo que nun­ca par­ti­ci­pa­ram de expo­si­ções.

Nomes de peso

As obras são de artis­tas reno­ma­dos como Di Caval­can­ti, Abdi­as do Nas­ci­men­to, Adri­a­na Vare­jão, Ai Weiwei e Vik Muniz, entre outros. São pin­tu­ras, gra­vu­ras, escul­tu­ras, foto­gra­fi­as e ins­ta­la­ções de gran­des nomes do Bra­sil e do exte­ri­or. Entre as gra­vu­ras está, por exem­plo, uma de Tar­si­la do Ama­ral que retra­ta uma de suas prin­ci­pais obras, Aba­po­ru, que mar­cou o movi­men­to moder­nis­ta bra­si­lei­ro.

Rio de Janeiro (RJ) 14/12/2023 – Exposição Conversas Entre Coleções reúne peças de acervos privados na Casa Roberto Marinho. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­du­ção: Expo­si­ção reú­ne acer­vos pri­va­dos — Fer­nan­do Frazão/Agência Bra­sil

No pri­mei­ro espa­ço da expo­si­ção, ocu­pa­do pelas obras esco­lhi­das por Andrea e José Olym­pio Perei­ra, pre­si­den­te da Fun­da­ção Bie­nal de São Pau­lo, gran­des vigas de madei­ra escul­pi­das ocu­pam o cen­tro da sala. É a obra Per­nas de Três, de Afon­so Tos­tes.

Logo à fren­te, estão em uma mesa de fer­ro 18 peças de cerâ­mi­ca raku que, jun­tas, com­põem a obra São 18, de Anna Maria Mai­o­li­no que, por sua vez, está posi­ci­o­na­da ao lado da pin­tu­ra Gar­ra­fas, de Ibe­rê Camar­go.

“É uma cole­tâ­nea do mais inte­res­san­te da arte bra­si­lei­ra e algu­ma inter­na­ci­o­nal, do moder­nis­mo até ago­ra”, diz o dire­tor-exe­cu­ti­vo da Casa Rober­to Mari­nho, Lau­ro Caval­can­ti, que acres­cen­ta: “São rela­ções que nor­mal­men­te nin­guém fazia. Então, o públi­co é soli­ci­ta­do a inte­ra­gir e a fazer suas cone­xões”.

Além de Andrea e José Olym­pio Perei­ra, inte­gram o gru­po de cole­ci­o­na­do­res Luci­a­na e Luis Anto­nio de Almei­da Bra­ga, Mara e Mar­cio Fain­zi­li­ber, Mar­cia e Luiz Chry­sos­to­mo de Oli­vei­ra Filho, Pau­lo Viei­ra, Môni­ca e Geor­ge Kor­nis. Cada um com um espa­ço pró­prio.

“O que eu acho mui­to impor­tan­te tam­bém é essa união entre cole­ci­o­na­do­res par­ti­cu­la­res por­que eles têm um papel impor­tan­te na cons­tru­ção da memó­ria artís­ti­ca bra­si­lei­ra e um papel tão mais impor­tan­te quan­to essas expo­si­ções serem vis­tas pelo públi­co”, res­sal­ta Caval­can­ti.

Relação com a arte

Nos espa­ços, os pró­pri­os cole­ci­o­na­do­res com­par­ti­lham em tex­tos como sele­ci­o­na­ram as obras que fazem par­te da expo­si­ção e tam­bém des­cre­vem a pró­pria rela­ção deles com a arte.

Os cole­ci­o­na­do­res Mara e Mar­cio Fain­zi­li­ber con­tam que con­si­de­ram um pri­vi­lé­gio a pro­xi­mi­da­de com os artis­tas e que a arte os aju­dou a reto­mar a vida após a mor­te do filho. “Ver o bas­ti­dor da cri­a­ção no ate­liê é tão emo­ci­o­nan­te quan­to ver a obra ter­mi­na­da. Quan­do per­de­mos nos­so filho de 28 anos, a arte nos aju­dou a reto­mar a vida. Essa mes­ma arte, com sua for­ça trans­for­ma­do­ra, nos aju­dou até hoje ofe­re­cen­do con­for­to, com­pa­nhia e luz”, afir­mam.

Uma das rela­ções fei­tas pelo casal na mos­tra foi de gra­vu­ras de Jean-Bap­tis­te Debret, pin­tor, dese­nhis­ta e pro­fes­sor fran­cês que viveu até 1848 com o Pol­vo, de Adri­a­na Vare­jão, artis­ta plás­ti­ca con­tem­po­râ­nea.

Rio de Janeiro (RJ) 14/12/2023 – Exposição Conversas Entre Coleções reúne peças de acervos privados na Casa Roberto Marinho. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­du­ção: Mos­tra fica aber­ta até mar­ço — Fer­nan­do Frazão/Agência Bra­sil

Para Caval­can­ti, a expo­si­ção é impor­tan­te por res­sal­tar o valor da cul­tu­ra. “A impor­tân­cia é enor­me, pri­mei­ro por­que eu acho que é uma reu­nião iné­di­ta des­sas cole­ções todas, isso é o mais impor­tan­te e, em segun­do lugar, esse refor­ço da impor­tân­cia da arte, da impor­tân­cia cul­tu­ral”, opi­na.

Ao todo, a mos­tra Con­ver­sas entre cole­ções reú­ne 256 obras de 127 artis­tas, dis­tri­buí­das em seis salas, nos dois anda­res da Casa Rober­to Mari­nho, loca­li­za­da no Cos­me Velho, bair­ro da Zona Sul cari­o­ca. A expo­si­ção pode ser visi­ta­da de ter­ça-fei­ra a domin­go, das 12h às 18h. O ingres­so cus­ta R$ 10 (intei­ra) e R$ 5 (meia). Às quar­tas-fei­ras, a entra­da é gra­tui­ta.

Edi­ção: Kle­ber Sam­paio

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