...
quinta-feira ,7 dezembro 2023
Home / Direitos Humanos / Família de ativista palestina presa nega acusação contra ela

Família de ativista palestina presa nega acusação contra ela

Repro­dução: © Arqui­vo REUTERS/Ammar Awad

Jovem foi detida por Israel, acusada de incitação ao terrorismo


Pub­li­ca­do em 12/11/2023 — 17:04 Por Lucas Pordeus León — Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

ouvir:

A família da jovem palesti­na Ahed Tami­mi, de 22 anos, negou que ela ten­ha posta­do em uma rede social men­sagem defend­en­do o assas­si­na­to de israe­lens­es. Ícone da causa palesti­na, a jovem foi pre­sa na madru­ga­da da últi­ma segun­da-feira (6) acu­sa­da de “inci­tação ao ter­ror­is­mo”.  

A mãe de Ahed, Nare­man Tami­mi, con­ver­sou com a Agên­cia Brasil e negou as acusações que pesam con­tra a fil­ha. “A con­ta dela foi hack­ea­da há algum tem­po”, disse Nare­man sobre a acusação de que ela teria posta­do men­sagem defend­en­do o assas­si­na­to de israe­lens­es. A mãe de Ahed argu­men­tou que não há justiça sob ocu­pação israe­lense na Cisjordâ­nia.

“Israel jul­ga os palesti­nos sem os inves­ti­gar nem apre­sen­tar acusações, e os con­de­na à detenção admin­is­tra­ti­va”, desta­cou. As chamadas prisões admin­is­tra­ti­vas per­mitem que Israel pren­da um palesti­no por seis meses sem acusação, poden­do ren­o­var essa prisão indefinida­mente.

Para a mãe de Ahed Tami­mi, a detenção dela é uma ten­ta­ti­va de Israel de silen­ciar sua voz. Além dis­so, acres­cen­ta, a família deve seguir lutan­do con­tra a ocu­pação israe­lense. “Enquan­to estiver­mos sob ocu­pação, temos o dire­ito de resi­s­tir por todos os meios que nos lev­em à lib­er­tação desse colo­nial­is­mo, tal como garan­ti­do pelas con­venções inter­na­cionais, que, ape­sar do seu esta­b­elec­i­men­to em prol da humanidade, não tra­bal­ham com os palesti­nos”, desta­cou.

Segun­do o Exérci­to israe­lense, Tami­mi foi pre­sa em uma oper­ação “des­ti­na­da a deter indi­ví­du­os sus­peitos de estarem envolvi­dos em ativi­dades ter­ror­is­tas e de inci­ta­men­to ao ódio”, de acor­do com a agên­cia RTP — Rádio e Tele­visão de Por­tu­gal. Em rede social, o min­istro da Segu­rança Nacional de Israel, Ita­mar Bem Gvir, comem­o­rou a detenção da ativista. “Tol­erân­cia zero com ter­ror­is­tas e apoiadores do ter­ror­is­mo”, disse.

A ativista ficou mundial­mente famosa aos 12 anos, em 2012, ao ser fil­ma­da mor­den­do um sol­da­do israe­lense para ten­tar impedir a detenção do irmão mais novo. Em 2017, ela ficou deti­da por oito meses por ter dado tapas em dois sol­da­dos israe­lens­es próx­i­mo à residên­cia da sua família, em Nabi Saleh, na Cisjordâ­nia ocu­pa­da, enquan­to pedia que eles fos­sem emb­o­ra. Em relatório divul­ga­do à época, a Anis­tia Inter­na­cional con­sider­ou que Ahed Tami­mi foi “pre­sa injus­ta­mente”.

Anistia Internacional

A orga­ni­za­ção não gov­er­na­men­tal (ONG) Anis­tia Inter­na­cional reg­istrou aumen­to sig­ni­fica­ti­vo das retenções admin­is­tra­ti­vas no últi­mo mês, des­de que o Hamas ata­cou Israel no últi­mo dia 7 de out­ubro. Segun­do a enti­dade, aumen­tou de 1.319 para 2.070 o número de prisões admin­is­tra­ti­vas, sem acusação ou jul­ga­men­to, chegan­do a mais de 2.200 o número de palesti­nos pre­sos por Israel no perío­do.

“As autori­dades israe­lens­es aumen­taram dra­mati­ca­mente o recur­so à detenção admin­is­tra­ti­va, uma for­ma de detenção arbi­trária de palesti­nos em toda a Cisjordâ­nia — medi­da de emergên­cia alarga­da que facili­ta o trata­men­to desumano e degradante dos pri­sioneiros — e não inves­tigou inci­dentes de tor­tu­ra e morte sob custó­dia nas últi­mas qua­tro sem­anas”, afir­mou a Anis­tia Inter­na­cional.

Edição: Graça Adju­to

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Terceira troca liberta 17 reféns, e lista indica 39 palestinos soltos

Repro­dução: © REUTERS/Ibraheem Abu Mustafá Acordo foi intermediado pelo Egito e pelo Catar e dura …