...
sábado ,13 abril 2024
Home / Direitos Humanos / Fechamento da Télam prejudicaria direito de argentinos à informação

Fechamento da Télam prejudicaria direito de argentinos à informação

Repro­du­ção: © tÉLAM

Presidente Javier Milei prometeu acabar com veículo público de 78 anos


Publi­ca­do em 02/03/2024 — 17:17 Por Luiz Cláu­dio Fer­rei­ra — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Bra­sí­lia

ouvir:

A deci­são do pre­si­den­te argen­ti­no Javi­er Milei de encer­rar as ati­vi­da­des da Agên­cia de Notí­ci­as públi­ca Télam, que foi fun­da­da em 1945, deve gerar impac­tos ao direi­to à infor­ma­ção por par­te da popu­la­ção daque­le País. Essa é uma ava­li­a­ção de enti­da­des liga­das à comu­ni­ca­ção.

Na noi­te de sex­ta (1º), na aber­tu­ra das ses­sões do Con­gres­so Naci­o­nal, Javi­er Miler afir­mou que seu gover­no vai “fechar a agên­cia Télam” com o argu­men­to de ter sido “uti­li­za­da nas últi­mas déca­das como agên­cia de pro­pa­gan­da kir­ch­ne­ris­ta”. 

Na ava­li­a­ção do dire­tor do escri­tó­rio da “Repór­te­res Sem Fron­tei­ras” para a Amé­ri­ca Lati­na, o jor­na­lis­ta bra­si­lei­ro Artur Romeu, o fecha­men­to da prin­ci­pal agên­cia de notí­ci­as (de qua­se 80 anos de his­tó­ria) é “lamen­tá­vel” e um “des­res­pei­to” com a soci­e­da­de argen­ti­na. “A comu­ni­ca­ção públi­ca é um aspec­to essen­ci­al do direi­to ao aces­so de infor­ma­ção, na medi­da em que for­ta­le­ce o plu­ra­lis­mo no hori­zon­te midiá­ti­co, que na Argen­ti­na é his­to­ri­ca­men­te mar­ca­do por uma alta con­cen­tra­ção”.

Para Romeu, a deci­são impac­ta, por exem­plo, na pre­sen­ça que as dife­ren­tes regiões têm na agen­da midiá­ti­ca naci­o­nal. Ele argu­men­ta que as infor­ma­ções que são vei­cu­la­das pelo País e tam­bém para o exte­ri­or são limi­ta­das à capi­tal Bue­nos Aires. “A Télam e a Radio Naci­o­nal são os úni­cos mei­os públi­cos com cor­res­pon­den­tes em todas as pro­vín­ci­as do país”, expli­cou.

“For­ta­le­ce desin­for­ma­ção”   

A pre­si­den­te da Fede­ra­ção Naci­o­nal dos Jor­na­lis­tas bra­si­lei­ros (Fenaj), Sami­ra de Cas­tro, ava­lia que a deci­são de Milei é “pre­o­cu­pan­te” ao aten­tar “con­tra o direi­to de aces­so à infor­ma­ção da popu­la­ção naque­le país”. Para a jor­na­lis­ta bra­si­lei­ra, o fecha­men­to da Télam faz par­te de uma estra­té­gia polí­ti­ca de “for­ta­le­cer sis­te­mas de comu­ni­ca­ção desin­for­ma­ti­vos para fazer pre­va­le­cer a nar­ra­ti­va da extre­ma direi­ta ultra­li­be­ral”.

Brasília (DF) 26/10/2023 Comissão de Comunicação da Câmara realiza audiência pública sobre a importância da formação superior para o exercício do jornalismo. ( Samira de Castro Cunha, presidenta da FENAJ). Foto Lula Marques/ Agência Brasil
Repro­du­ção: Sami­ra de Cas­tro Cunha, pre­si­den­ta da FENAJ. Foto Lula Marques/ Agên­cia Bra­sil

A deci­são de Milei sobre o sis­te­ma de comu­ni­ca­ção públi­co e comu­ni­tá­rio na Argen­ti­na, na ava­li­a­ção da pre­si­den­te da Fenaj, tem rela­ção com a visão de que a agên­cia de comu­ni­ca­ção é públi­ca e não esta­tal. “Os gover­nos ultra­li­be­rais tra­tam o ser­vi­ço públi­co como gas­to do Esta­do. Que­rem man­ter ape­nas o míni­mo, inclu­si­ve cor­tan­do em áre­as soci­ais”.

Ela enten­de que ata­ques à comu­ni­ca­ção públi­ca tam­bém ocor­re­ram no Bra­sil nos últi­mos gover­nos de Michel Temer e Jair Bol­so­na­ro, por exem­plo, com redu­ção de fun­ci­o­ná­ri­os, fim do Con­se­lho Cura­dor da Empre­sa Bra­sil de Comu­ni­ca­ção (EBC) e inclu­são da empre­sa na lis­ta de pri­va­ti­za­ções.

“Deve­ria garan­tir auto­no­mia”

Para Artur Romeu, da Repór­te­res Sem Fron­tei­ras, é neces­sá­rio ava­li­ar que desa­fi­os na comu­ni­ca­ção públi­ca deve­ri­am pro­vo­car a cri­a­ção de meca­nis­mos de melho­ri­as, como o for­ta­le­ci­men­to de medi­das para garan­tir auto­no­mia edi­to­ri­al em rela­ção ao Poder Exe­cu­ti­vo e a ampli­a­ção do orça­men­to para moder­ni­za­ção de equi­pa­men­tos.

Na Argen­ti­na, nes­te sába­do, o Sin­di­ca­to de Impren­sa de Bue­nos Aires (SiPre­BA) repu­di­ou o anún­cio de encer­ra­men­to da Agên­cia Naci­o­nal de Notí­ci­as Télam em vis­ta da “qua­li­da­de e pro­fis­si­o­na­lis­mo” do ser­vi­ço pres­ta­do aos argen­ti­nos. “Rati­fi­ca­mos nos­so com­pro­mis­so de defen­der seu papel soci­al e seus tra­ba­lha­do­res”, afir­mou o sin­di­ca­to em comu­ni­ca­do.

Edi­ção: Vini­cius Lis­boa

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Institutos privados prepararam terreno para o golpe de 1964

Repro­du­ção: © Arte/Agência Bra­sil Ipes e Ibad buscaram criar consenso na sociedade para derrubar Goulart …