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Festival Interculturalidades ocupa equipamentos e ruas de Niterói

Repro­du­ção: © Design-08

Tema escolhido para a edição deste ano é Inventação


Publi­ca­do em 20/09/2023 — 08:13 Por Ala­na Gan­dra — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Rio de Janei­ro

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A Uni­ver­si­da­de Fede­ral Flu­mi­nen­se (UFF), por meio do Cen­tro de Artes, pro­mo­ve a par­tir des­ta quar­ta-fei­ra (20) a 13ª edi­ção do Fes­ti­val Inter­cul­tu­ra­li­da­des, que ocu­pa­rá Nite­rói com atra­ções intei­ra­men­te gra­tui­tas. O even­to mar­ca a agen­da con­jun­ta da Fun­da­ção de Arte de Nite­rói (FAN) e a uni­ver­si­da­de, após acor­do de coo­pe­ra­ção téc­ni­ca fir­ma­do entre as ins­ti­tui­ções. A par­ce­ria tem cará­ter cien­tí­fi­co, artís­ti­co e cul­tu­ral e visa for­ta­le­cer o vín­cu­lo das polí­ti­cas cul­tu­rais com os ter­ri­tó­ri­os e a cida­de, movi­men­tan­do a cena artís­ti­ca do muni­cí­pio.

O fes­ti­val se esten­de­rá até o dia 1º de outu­bro. A pro­gra­ma­ção com­ple­ta está dis­po­ní­vel no site do Cen­tro de Artes UFF e no por­tal Cul­tu­ra Nite­rói.

O tema esco­lhi­do para a edi­ção 2023 do even­to é Inven­ta­ção, “brin­ca­dei­ra em tor­no do inven­tar, que é uma ação”, dis­se o supe­rin­ten­den­te do Cen­tro de Artes UFF, Leo­nar­do Guel­man, cura­dor do pro­je­to. A pala­vra inven­ta­ção foi tira­da do escri­tor Gui­ma­rães Rosa para tra­ba­lhar a dimen­são de que a arte está sem­pre pro­du­zin­do, sem­pre inven­tan­do, recri­an­do. “E [esse] é o con­tex­to de Bra­sil que a gen­te está. Depois dos últi­mos anos, se colo­ca um novo hori­zon­te para a arte, para que ela pos­sa ter esse papel de rein­ven­tar o mun­do. A arte tam­bém tem essa dimen­são de cri­ar sen­ti­do”. Para Guel­man, ago­ra o Bra­sil vol­ta a pro­cu­rar um sen­ti­do que, de algu­ma for­ma, está mui­to liga­do com a mul­ti­pli­ci­da­de de expres­sões, a diver­si­da­de de cul­tu­ras. “É daí que vem a inven­ta­ção do Bra­sil, a par­tir de suas matri­zes, da diver­si­da­de do seu povo”, acres­cen­tou.

Rio de Janeiro (RJ) - Festival Interculturalidades, da UFF. - Tom Zé. Foto: André Conti
Repro­du­ção: Tom Zé par­ti­ci­pa do Fes­ti­val Inter­cul­tu­ra­li­da­des, da UFF — Foto André Con­ti

Guel­man infor­mou que duran­te o perío­do do fes­ti­val, há uma linha de espe­tá­cu­los em que são reu­ni­dos gran­des íco­nes da poé­ti­ca, como é o caso do tro­pi­ca­lis­ta Tom Zé, no dia 26, às 20h, com um pes­so­al mais novo do hip hop, como Rico Dala­sam, N.I.N.A. Ao mes­mo tem­po, o even­to apre­sen­ta mes­tres como o sam­bis­ta Nei Lopes, Cátia de Fran­ça. “É uma pro­gra­ma­ção bem vari­a­da”. No pró­xi­mo domin­go (24), have­rá o espe­tá­cu­lo Kaba­ret Karió­Ka – Tea­tro do Anô­ni­mo, às 19h, no Tea­tro UFF. No sába­do (23), às 16h, terá pro­je­ção do Cine Orques­tra O Cir­co – Cha­plin.

Filósofo

Nes­ta quin­ta-fei­ra (21), às 17h, no Tea­tro da UFF, have­rá a con­fe­rên­cia Seme­ar Pala­vras, do pen­sa­dor qui­lom­bo­la e filó­so­fo do Piauí Antô­nio Bis­po dos San­tos, mais conhe­ci­do como Nêgo Bis­po, con­si­de­ra­do uma das prin­ci­pais vozes do pen­sa­men­to das comu­ni­da­des tra­di­ci­o­nais do Bra­sil na atu­a­li­da­de. “A pre­sen­ça de Nêgo Bis­po visa, jus­ta­men­te, pen­sar novas for­mas de ter­ri­to­ri­a­li­zar o Bra­sil, de pen­sar a vida soci­al, a pro­du­ção. É um pen­sa­dor que vem do chão da ter­ra, oriun­do do Qui­lom­bo Saco-Cor­tu­me, de São João do Piauí”. Para o cura­dor Leo­nar­do Guel­man, a mar­ca é diver­si­da­de e chão, “a lin­gua­gem que vem da ter­ra, e per­ce­ber que nes­sa lin­gua­gem que vem da ter­ra tam­bém se dá a ino­va­ção. A tra­di­ção e a ino­va­ção não são polos opos­tos. Elas se recri­am. Toda ino­va­ção par­te da tra­di­ção e esta não está fixa­da. Ela se move, se recria. Daí a inven­ta­ção”, afir­mou Guel­man.

Rio de Janeiro (RJ) - Festival Interculturalidades, da UFF. - Nêgo Bispo. Foto: Murilo Alvesso
Repro­du­ção: Rio de Janei­ro — Fes­ti­val Inter­cul­tu­ra­li­da­des, da UFF. — Nêgo Bis­po. Foto Muri­lo Alves­so

Os shows que vão abrir a pro­gra­ma­ção diá­ria são fei­tos por artis­tas de Nite­rói, como André Jamai­ca, Joca. Tudo é gra­tui­to para o públi­co. Nes­ta quar­ta-fei­ra (20), por exem­plo, às 19h, se apre­sen­ta­rão o ban­do­li­nis­ta Hamil­ton de Holan­da e Mes­tri­nho, nos jar­dins da rei­to­ria, espa­ço aber­to, con­vi­dan­do todo o públi­co para par­ti­ci­par e inte­ra­gir nes­ta 13ª edi­ção do Inter­cul­tu­ra­li­da­des. O fes­ti­val envol­ve­rá múl­ti­plas expres­sões cul­tu­rais, como apre­sen­ta­ções musi­cais e tea­trais, con­fe­rên­ci­as, cur­sos e des­fi­les. Par­ti­ci­pa­rão tam­bém os cole­ti­vos artís­ti­cos Orques­tra Sinfô­ni­ca Naci­o­nal UFF e Com­pa­nhia de Bal­let de Nite­rói.

Afetividades e Olhares

Nes­ta quar­ta-fei­ra (20), às 17h, o Espa­ço UFF de Foto­gra­fia abri­rá a expo­si­ção Afe­ti­vi­da­des e Olha­res. Serão exi­bi­do tra­ba­lhos de 12 fotó­gra­fas bra­si­lei­ras con­tem­po­râ­ne­as de 11 esta­dos do país, com tra­je­tó­ri­as e lin­gua­gens espe­cí­fi­cas, que reve­lam dife­ren­tes olha­res em tor­no da cul­tu­ra naci­o­nal e do tema do afe­to. As artis­tas são Azi­za Xavi­er (Minas Gerais), Mar­ce­la Bon­fim (Rondô­nia), Raquel Bace­lar (Bahia), Cris­tal Luz (Ala­go­as), Raquel Gan­dra (Rio de Janei­ro), Dani­e­la Pao­li­el­lo (Minas Gerais), Ila­na Bar (São Pau­lo), Ana Men­des (Amazonas/São Pau­lo), Marí­lia Oli­vei­ra (Cea­rá), Isa­bel­la Lana­ve (Curi­ti­ba), Ingrid Bar­ros (Mara­nhão), Day­se Euzé­bio (Paraí­ba).

Essa expo­si­ção é uma exten­são do pro­je­to Gale­ria Mun­do, rea­li­za­do em abril des­te ano em três cida­des flu­mi­nen­ses — Rio de Janei­ro, Teresópolis e Cabo Frio. Mai­o­res infor­ma­ções sobre o pro­je­to são obti­das no catá­lo­go onli­ne gra­tui­to, que pode ser aces­sa­do aqui.

Estão pro­gra­ma­dos ain­da cur­so de per­cus­são e ofi­ci­na de tea­tro com Amir Had­dad, entre outras ati­vi­da­des. O encer­ra­men­to do fes­ti­val está pre­vis­to para ocor­rer no dia 1º de outu­bro, na Rua Pre­si­den­te Domi­ci­a­no, em fren­te ao Solar do Jam­bei­ro.

O pre­si­den­te da Fun­da­ção de Artes de Nite­rói, Fer­nan­do Bran­dão, des­ta­ca a rela­ção do pro­je­to com a cida­de, uma vez que as ati­vi­da­des envol­vem o Cen­tro de Artes UFF, a Sala Nel­son Perei­ra dos San­tos, o Museu Jane­te Cos­ta de Arte Popu­lar, além da ocu­pa­ção de espa­ços urba­nos, como as ruas em fren­te ao Solar do Jam­bei­ro. Ele diz que para a fun­da­ção, é mui­to impor­tan­te valo­ri­zar o reco­nhe­ci­men­to des­se saber tra­di­ci­o­nal e pro­mo­ver uma tro­ca entre artis­tas de reno­me e tra­di­ci­o­nais com os músi­cos e a comu­ni­da­de local. Bran­dão lem­bra que a pre­fei­tu­ra reco­nhe­ce a impor­tân­cia de serem ocu­pa­dos não só os equi­pa­men­tos cul­tu­rais, mas tam­bém os ter­ri­tó­ri­os, pra­ças e ruas da cida­de com even­tos como o Inter­cul­tu­ra­li­da­des.

Edi­ção: Gra­ça Adju­to

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