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Filhotes gêmeos de anta são descobertos pela 1ª vez na natureza

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Repro­du­ção: © Gabri­el Mar­chi

Descoberta foi feita em reserva de São Miguel Arcanjo (SP)


Publi­ca­do em 26/04/2021 — 07:30 Por Heloí­sa Cris­tal­do — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Bra­sí­lia

Dois filho­tes gême­os de anta (Tapi­rus ter­res­tris) foram regis­tra­dos pela pri­mei­ra na his­tó­ria em seu habi­tat natu­ral. A des­co­ber­ta da espé­cie, ame­a­ça­da de extin­ção, acon­te­ceu na Reser­va Par­ti­cu­lar do Patrimô­nio Natu­ral (RPPN) Trá­pa­ga, em São Miguel Arcan­jo (SP).

Ini­ci­al­men­te, os ani­mais foram vis­tos por um gru­po de cin­co pes­qui­sa­do­res do Pro­gra­ma Gran­des Mamí­fe­ros da Ser­ra do Mar, em dezem­bro do ano pas­sa­do, por meio de um vídeo que regis­trou as antas gême­as por um equi­pa­men­to foto­grá­fi­co ins­ta­la­do na reser­va. A con­fir­ma­ção só foi pos­sí­vel em janei­ro des­te ano, depois de outros regis­tros em ima­gem e obser­va­ção dire­ta, ou seja, ven­do os ani­mais pre­sen­ci­al­men­te.

“[A con­fir­ma­ção dos ani­mais gême­os foi pos­sí­vel] pri­mei­ro pela ida­de: os três indi­ví­du­os são niti­da­men­te uma fêmea adul­ta e dois jovens. Ao lon­go do moni­to­ra­men­to, pude­mos obser­var que os jovens pas­sa­vam boa par­te do tem­po com a fêmea adul­ta. Segun­do: pelo tem­po de ges­ta­ção da anta (13 meses) e tama­nho igual dos dois jovens, é impos­sí­vel que sejam filhos de gera­ções dife­ren­tes”, expli­cou a coor­de­na­do­ra exe­cu­ti­va do Pro­gra­ma Gran­des Mamí­fe­ros da Ser­ra do Mar, Mari­a­na Lan­dis.

A pes­qui­sa­do­ra expli­cou ain­da que, quan­do nas­cem, os filho­tes depen­dem da mãe por um lon­go perío­do até come­ça­rem a se dis­tan­ci­ar dela, o que ocor­re a par­tir dos 15 meses de ida­de. Esses ani­mais ain­da per­ma­ne­cem nas ime­di­a­ções até come­çar a explo­rar locais mais dis­tan­tes e esta­be­le­cer seu pró­prio ter­ri­tó­rio.

“Nós iden­ti­fi­ca­mos essa uni­da­de fami­li­ar nes­se perío­do em que eles ain­da esta­vam mui­to pró­xi­mos da mãe, sain­do algu­mas vezes para explo­rar o ter­ri­tó­rio. Esse tipo de diag­nós­ti­co é pos­sí­vel com base no amplo conhe­ci­men­to que as pes­qui­sas eco­ló­gi­cas e com­por­ta­men­tais tra­zem”, acres­cen­tou Mari­a­na.

Para asse­gu­rar que se tra­ta­va de ani­mais gême­os, os pes­qui­sa­do­res uti­li­za­ram mar­cas natu­rais para iden­ti­fi­car cada indi­ví­duo. Um dos filho­tes, por exem­plo, tem um peque­no cor­te na ore­lha, o outro tem uma pro­tu­be­rân­cia no nariz. Outras carac­te­rís­ti­cas aju­dam nes­sa iden­ti­fi­ca­ção: for­ma­to e tama­nho de cau­da, cor do pelo, for­ma­to cor­po­ral, tama­nho e for­ma­to da geni­tá­lia, tama­nho de cabe­ça, pre­sen­ça de pin­tas bran­cas nas per­nas e bar­ri­ga, cica­tri­zes.

De acor­do com o Ins­ti­tu­to Mana­cá, os filho­tes já têm cer­ca de um ano e meio. A sur­pre­sa para os espe­ci­a­lis­tas é que, evo­lu­ti­va­men­te, a anta tem o cor­po pre­pa­ra­do para gerar ape­nas um filho­te. Embo­ra as antas da espé­cie Tapi­rus ter­res­tris sejam os mai­o­res mamí­fe­ros ter­res­tres da fau­na sil­ves­tre da Amé­ri­ca Lati­na, as fême­as só geram um filho­te por ges­ta­ção, que nas­ce com cer­ca de seis qui­los, após 13 meses.

Segun­do os pes­qui­sa­do­res, na Mata Atlân­ti­ca, bio­ma onde ocor­reu o regis­tro, é um gran­de desa­fio um filho­te de anta resis­tir dian­te do ciclo da pró­pria natu­re­za. Entre os fato­res estão a ame­a­ça huma­na, o des­ma­ta­men­to, os atro­pe­la­men­tos, as per­se­gui­ções de cães domés­ti­cos e as ati­vi­da­des de caça.

Ape­sar da des­co­ber­ta de antas gême­as em habi­tat natu­ral, o regis­tro não é iné­di­to em cati­vei­ro no Bra­sil. Nes­ses locais, os ani­mais têm o supor­te de pro­fis­si­o­nais para garan­tir o suces­so do nas­ci­men­to e desen­vol­vi­men­to dos filho­tes.

Sensibilização

A des­co­ber­ta é fru­to do tra­ba­lho de moni­to­ra­men­to rea­li­za­do na reser­va, que pro­mo­ve a obser­va­ção de antas na natu­re­za, geran­do a sen­si­bi­li­za­ção com a espé­cie. Essa é uma das fren­tes de atu­a­ção do Pro­gra­ma Gran­des Mamí­fe­ros da Ser­ra do Mar, que tem o apoio da Fun­da­ção Gru­po Boti­cá­rio de Pro­te­ção à Natu­re­za, WWF-Bra­sil e ban­co ABN AMRO.

O pro­gra­ma é um dos mai­o­res moni­to­ra­men­tos de mamí­fe­ros de gran­de por­te no bio­ma Mata Atlân­ti­ca e o pri­mei­ro em lar­ga esca­la rea­li­za­do nes­sa região, com o prin­ci­pal obje­ti­vo de gerar dados para sub­si­di­ar pla­nos de con­ser­va­ção da anta (Tapi­rus ter­res­tris), do quei­xa­da (Tayas­su pecari) e da onça-pin­ta­da (Panthe­ra onca). O moni­to­ra­men­to é fei­to em lar­ga esca­la. São 17 mil km² de atu­a­ção nos esta­dos de São Pau­lo e do Para­ná – uma área equi­va­len­te a 11 cida­des pau­lis­tas.

Edi­ção: Gra­ça Adju­to

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