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Folias de Reis são tradição centenária na cultura popular brasileira

Repro­du­ção: © RENATO ARAUJO ABr

Festejos marcam o Dia de Reis, celebrado neste sábado (6)


Publi­ca­do em 06/01/2024 — 13:49 Por Luci­a­no Nas­ci­men­to — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — São Luís

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O Dia de Reis, cele­bra­do nes­te sába­do (6), mar­ca uma tra­di­ção cen­te­ná­ria na cul­tu­ra popu­lar bra­si­lei­ra, que é a pas­sa­gem das foli­as pelas ruas, reu­nin­do gru­pos de can­ta­do­res e ins­tru­men­tis­tas que ento­am ver­sos em home­na­gem aos três reis magos: Bal­ta­zar, Bel­chi­or e Gas­par. Em diver­sas cida­des do país, eles pas­sam de casa em casa ves­tin­do far­das e más­ca­ras e per­for­man­do dan­ças e can­to­ri­as com múl­ti­plos ins­tru­men­tos de cor­da, san­fo­nas e per­cus­são. Alguns gru­pos con­tam com per­so­na­gens – reis, palha­ços e bas­tiões – que che­gam a visi­tar as casas de devo­tos.

Bel­chi­or, Gas­par e Bal­ta­zar, con­ver­ti­dos em san­tos pela Igre­ja Cató­li­ca, teri­am saí­do do Ori­en­te se gui­an­do por uma estre­la e leva­vam três pre­sen­tes: ouro, incen­so e mir­ra, sim­bo­li­zan­do rea­le­za, imor­ta­li­da­de e espi­ri­tu­a­li­da­de. Para os devo­tos, a data da che­ga­da dos reis magos ao des­ti­no é quan­do se encer­ram os fes­te­jos nata­li­nos, que come­çam qua­tro domin­gos antes do 25 de dezem­bro, dia atri­buí­do ao nas­ci­men­to de Jesus Cris­to.

Des­sa for­ma, o dia 6 de janei­ro mar­ca o momen­to em que esses três reis magos foram visi­tar o recém-nas­ci­do Jesus Cris­to, em Belém, cida­de mile­nar loca­li­za­da atu­al­men­te na Pales­ti­na. Nes­te dia, tam­bém são desar­ma­dos os pre­sé­pi­os, as árvo­res e os demais enfei­tes nata­li­nos.

De ori­gem por­tu­gue­sa, a Folia de Reis ou Rei­sa­do foi tra­zi­da para o Bra­sil duran­te o perío­do colo­ni­al, se mani­fes­tan­do a par­tir de diver­sos títu­los: Ter­no de Reis, Tira­ção de Reis, Ran­cho de Reis, Guer­rei­ros e Rei­sa­do. Elas con­sis­tem na pre­sen­ça de can­ta­do­res, toca­do­res de ins­tru­men­to, que saem pelas ruas, de casa em casa, can­tan­do lou­vo­res a um san­to de devo­ção e reco­lhen­do dona­ti­vos para ofer­tar aos mais neces­si­ta­dos ou cum­prin­do pro­mes­sas que as pes­so­as fazem aos seus san­tos.

Atu­al­men­te a tra­di­ção con­ti­nua pre­sen­te em diver­sos esta­dos do país, espe­ci­al­men­te nas regiões Sudes­te, Nor­des­te e Cen­tro-Oes­te, a exem­plo do Espí­ri­to San­to, de Minas Gerais, São Pau­lo, do Rio de Janei­ro, de Ala­go­as, da Bahia, do Cea­rá, Mara­nhão, da Paraí­ba, de Per­nam­bu­co, do Piauí e de Goiás.

Em Minas Gerais, onde a tra­di­ção é bas­tan­te pre­sen­te, o Ins­ti­tu­to Esta­du­al do Patrimô­nio His­tó­ri­co e Artís­ti­co (Iepha) já cadas­trou mais 1,6 mil gru­pos em cer­ca de 400 muni­cí­pi­os de todas as regiões, con­si­de­ra­das, des­de 2017, patrimô­nio cul­tu­ral de natu­re­za ima­te­ri­al. Além dos Reis Magos, são cul­tu­a­dos o Divi­no Espí­ri­to San­to, São Sebas­tião, São Bene­di­to e Nos­sa Senho­ra da Con­cei­ção, em perío­dos que não são neces­sa­ri­a­men­te o de Natal.

Segun­do o Ins­ti­tu­to do Patrimô­nio His­tó­ri­co e Artís­ti­co Naci­o­nal (Iphan), exis­tem três pedi­dos de reco­nhe­ci­men­to aber­tos no Depar­ta­men­to de Patrimô­nio Ima­te­ri­al (DPI): Rei­sa­dos de Per­nam­bu­co; Foli­as de Reis Flu­mi­nen­ses; e Foli­as de Reis do Esta­do de São Pau­lo.

Em Per­nam­bu­co, o mape­a­men­to rea­li­za­do pela Fun­da­ção do Patrimô­nio His­tó­ri­co e Artís­ti­co de Per­nam­bu­co (Fun­dar­pe) abran­geu os muni­cí­pi­os do Reci­fe, de Gara­nhuns, povo­a­do de Mani­ço­ba (Capo­ei­ras), Para­na­ta­ma, Águas Belas, Arco­ver­de, Ser­tâ­nia, Pedra, Petro­li­na, San­ta Maria da Boa Vis­ta, Lagoa Gran­de e Taca­ra­tu, con­tem­plan­do o agres­te per­nam­bu­ca­no e a região metro­po­li­ta­na do Reci­fe.

No Rio de Janei­ro, o Iphan, em par­ce­ria com a Uni­ver­si­da­de do Esta­do do Rio de Janei­ro (Uerj), iden­ti­fi­cou Foli­as de Reis nos muni­cí­pi­os de Angra dos Reis, Cabo Frio, Cas­si­mi­ro de Abreu, Duas Bar­ras, Ita­bo­raí, Man­ga­ra­ti­ba, Paraty, Petró­po­lis, Qua­tis, Quis­sa­mã, Rio Cla­ro, Rio de Janei­ro, San­ta Maria Mada­le­na e São Pedro da Aldeia.

Pesquisa

Para atu­a­li­zar as infor­ma­ções sobre as Foli­as de Reis, o ins­ti­tu­to abriu, em novem­bro do ano pas­sa­do, abriu um edi­tal para sele­ci­o­nar orga­ni­za­ções para rea­li­zar pes­qui­sa e docu­men­ta­ção que vão sub­si­di­ar o pro­ces­so de regis­tro dos Rei­sa­dos e das Foli­as de Reis.

O Cen­tro de Estu­dos da Cul­tu­ra Popu­lar, orga­ni­za­ção sele­ci­o­na­da, deve­rá pro­mo­ver pes­qui­sa de cam­po e estu­dos trans­dis­ci­pli­na­res sobre os Rei­sa­dos e a Folia de Reis, reu­nin­do pro­fis­si­o­nais de diver­sas áre­as do conhe­ci­men­to, como antro­po­lo­gia, etno­mu­si­co­lo­gia, his­tó­ria, geo­gra­fia e artes.

A pes­qui­sa deve­rá ter a par­ti­ci­pa­ção das comu­ni­da­des deten­to­ras das mani­fes­ta­ções. Além dis­so, a orga­ni­za­ção vai sis­te­ma­ti­zar e con­so­li­dar infor­ma­ções sobre refe­rên­ci­as bibli­o­grá­fi­cas, ins­ti­tui­ções, acer­vos públi­cos e par­ti­cu­la­res.

De acor­do com o Iphan, o tra­ba­lho deve­rá tra­zer uma pro­pos­ta de reco­nhe­ci­men­to des­sas mani­fes­ta­ções como um úni­co bem cul­tu­ral ou se seria o caso de indi­car o reco­nhe­ci­men­to dois bens cul­tu­rais: um que abar­que os Rei­sa­dos e suas vari­a­ções no Nor­des­te e outro que englo­be as Foli­as de Reis de outras loca­li­da­des, a serem defi­ni­das a par­tir do Rio de Janei­ro, São Pau­lo e Minas Gerais.

A pes­qui­sa tam­bém deve­rá apre­sen­tar pro­du­ção de mate­ri­al escri­to, audi­o­vi­su­al, mapa de base car­to­grá­fi­ca com coor­de­na­das geor­re­fe­ren­ci­a­das (loca­li­zan­do as comu­ni­da­des deten­to­ras dos Rei­sa­dos e das Foli­as de Reis e os prin­ci­pais locais iden­ti­fi­ca­dos como luga­res de refe­rên­cia para essa mani­fes­ta­ção cul­tu­ral), além de fazer um levan­ta­men­to his­tó­ri­co sobre trans­for­ma­ções e des­con­ti­nui­da­des pelos quais esse bem cul­tu­ral pas­sou, espe­ci­al­men­te sobre últi­mas déca­das.

“Com essa pes­qui­sa, que está no hori­zon­te pró­xi­mo, será pos­sí­vel obter levan­ta­men­tos quan­ti­ta­ti­vos e qua­li­ta­ti­vos dos gru­pos atu­an­tes e suas diver­si­da­des atu­ais e his­tó­ri­cas”, infor­mou o Iphan.

Edi­ção: Juli­a­na Andra­de

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