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Foliões celebram volta do carnaval do Rio com o bloco Céu na Terra

Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

Simpatia é Quase Amor também desfila hoje em Ipanema


Pub­li­ca­do em 11/02/2023 — 14:13 Por Léo Rodrigues — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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Apon­ta­do por foliões como um dos blo­cos mais col­ori­dos do Rio de Janeiro, o Céu da Ter­ra tomou as ruas de San­ta Tere­sa nes­ta man­hã (11). O fluxo de pes­soas fan­tasi­adas pelas ladeiras do bair­ro local­iza­do na região cen­tral da cidade começou cedo. A con­cen­tração teve iní­cio às 6h30 e, com o tem­po, o blo­co foi se encor­pan­do com a chega­da daque­les que lev­an­taram da cama mais tarde.

“Aqui, do pobre ao desem­bar­gador, está todo mun­do igual. É músi­ca do povo para o povo. Tem vio­li­no, qua­tro tubas, chocal­ho”, disse a médi­ca Natália Aires. Ela e o mari­do são fig­ur­in­has carim­badas no Céu na Ter­ra e, após 2 anos sem des­file dev­i­do à pan­demia da covid-19, a expec­ta­ti­va era grande. “Dá von­tade de chorar. Isso aqui é vida. É a expressão do povo”, acres­cen­tou.

Rio de Janeiro (RJ), 11/02/2023 - Desfile do bloco carnavalesco Céu na Terra pelas ruas do bairro de Santa Teresa, zona sul da cidade. (Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Repro­dução: Des­file do blo­co Céu na Ter­ra pelas ruas do bair­ro de San­ta Tere­sa — Tânia Rêgo/Agência Brasil

O pro­fes­sor de história Jerôn­i­mo Duque Estra­da tam­bém exal­tou a retoma­da da folia. “Sou ateu, mas sou crente do car­naval. Ten­ho uma fil­ha que ficou 2 anos sem car­naval. Ela deixou de con­stru­ir nesse perío­do um alter-ego car­i­o­ca. Então é uma feli­ci­dade imen­sa poder estar de vol­ta. O car­naval con­strói o ethos dessa cidade. O Rio não é o mes­mo sem o car­naval”, disse.

O blo­co Céu na Ter­ra foi fun­da­do em 2001 e é atual­mente um dos mais tradi­cionais da folia car­i­o­ca. O corte­jo é mar­ca­do pela pre­sença de bonecos gigantes de inspi­ração pop­u­lar, por­ta-estandarte e artis­tas em per­nas de pau, além de adereços com ima­gens do bond­in­ho de San­ta Tere­sa. Os foliões com fan­tasias cria­ti­vas se ani­mam embal­a­dos por march­in­has, sam­bas, max­ix­es e frevos toca­dos por uma ban­da for­ma­da com instru­men­tos de per­cussão e de metais. Além de músi­cas autorais, gan­haram ver­sões car­navalescas diver­sas canções famosas como Odara, de Cae­tano Veloso, e Maria Maria, de Mil­ton Nasci­men­to.

“O Céu na Ter­ra é um blo­co van­guardista na recu­per­ação do car­naval de rua car­i­o­ca. Durante uma cer­ta época, você não tin­ha blo­cos tocan­do march­in­ha, com muitas pes­soas fan­tasi­adas. O Céu na Ter­ra aju­dou a recu­per­ar isso. Para mim, sem o Céu na Ter­ra não há car­naval. É um blo­co muito raiz”, disse Jerôn­i­mo.

Com a exper­iên­cia de quem toca na ban­da de diver­sos blo­cos, a esteticista Daniele Cas­tro disse que o Céu na Ter­ra faz um dos corte­jos mais boni­tos do car­naval car­i­o­ca. Ela ressalta que o esforço dos foliões para mar­carem pre­sença é rec­om­pen­sa­do. “Céu na Ter­ra é per­rengue. Blo­co em San­ta Tere­sa é per­rengue. Mas a gente ama muito. E essa retoma­da é pura feli­ci­dade. Estou reven­do ami­gos que já não moram mais aqui e vier­am para cur­tir com a gente”.

Programação

Rio de Janeiro (RJ), 11/02/2023 - Desfile do bloco carnavalesco Céu na Terra pelas ruas do bairro de Santa Teresa, zona sul da cidade. (Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Repro­dução: Des­file do blo­co Céu na Ter­ra pelas ruas do bair­ro de San­ta Tere­sa — Tânia Rêgo/Agência Brasil

Além do Céu na Ter­ra, a pro­gra­mação ofi­cial da folia car­i­o­ca lista mais 47 blo­cos se apre­sen­tan­do neste sába­do. Out­ra opção para foliões que bus­cam corte­jos tradi­cionais lig­a­dos à história do car­naval da cidade é o Sim­pa­tia é Quase Amor. Entre o final da tarde e o iní­cio da noite, o blo­co agi­ta o bair­ro de Ipane­ma, na zona sul da cap­i­tal flu­mi­nense.

A con­cen­tração está pre­vista para as 14h, com o des­file se ini­cian­do às 16h e se encer­ran­do às 19h. Mais anti­go que o Céu na Ter­ra, o blo­co Sim­pa­tia é Quase Amor se apre­sen­tou pela primeira vez em 1985. A com­bi­nação de amare­lo e lilás mar­ca seus des­files. Segun­do o fol­clore pop­u­lar ali­men­ta­do pelos foliões, as cores foram escol­hi­das inspi­radas na embal­agem do com­prim­i­do Engov, usa­do para pre­venir ressacas.

Dona Zica da Mangueira e o fun­dador da Ban­da de Ipane­ma, Albi­no Pin­heiro, são padrin­hos do Sim­pa­tia é Quase Amor, que con­ta ain­da com o car­in­ho de out­ros nomes da cena artís­ti­ca car­i­o­ca. Quan­do com­ple­tou 15 anos, foi grava­do um CD com todos os 15 sam­bas lança­dos pelo blo­co, can­ta­dos por nomes como João Nogueira, Mar­t­in­ho da Vila, Beth Car­val­ho, Monar­co e Elza Soares. Na aber­tu­ra do tra­bal­ho, o com­pos­i­tor Aldir Blanc gravou um depoi­men­to, em for­ma de sam­ba.

Depois de 2 anos sem des­fi­lar dev­i­do à pan­demia, o Sim­pa­tia é Quase Amor vol­ta a realizar seus dois corte­jos. Além do pro­gra­ma­do para hoje, o segun­do acon­te­cerá no domin­go (19) de car­naval, no mes­mo local e horário.

Edição: Fer­nan­do Fra­ga

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