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Freddie Mercury: 30 anos sem a voz mais poderosa do rock

Repro­dução: © Ima­go imagess/United Archives via Reuters Con­nect

Conheça a trajetória do Queen e teste seus conhecimentos sobre a banda


Pub­li­ca­do em 24/11/2021 — 06:55 Por Car­los Moli­nari — Repórter da EBC — Brasília

… Those were the days of our lives, yeah
Aque­les foram os dias das nos­sas vidas, sim

The bad things in life were so few
As coisas ruins na vida eram tão pou­cas

Those days are all gone now, but one thing’s still true
Aque­les dias já se foram, mas uma coisa ain­da é cer­ta

When I look and I find
Quan­do eu olho eu vejo que

I still love you
Ain­da te amo

Tre­cho da músi­ca These Are The Days Of Our Lives, Queen, 1991.

No dia 24 de novem­bro de 1991, há 30 anos, o mun­do do rock fica­va sem um dos seus maiores tal­en­tos. Com ape­nas 45 anos, Fred­die Mer­cury, o vocal­ista, pianista e prin­ci­pal com­pos­i­tor da ban­da ingle­sa Queen, per­dia a batal­ha con­tra o vírus da aids. Numa época em que a mais efi­caz dro­ga con­tra a doença ain­da era o AZT (azi­do­timid­i­na) e os coquetéis antir­retro­vi­rais não havi­am sido descober­tos, o pre­con­ceito con­tra os soropos­i­tivos era imen­so.

Talvez, por isso, ape­sar dos boatos insis­tentes dos tabloides britâni­cos, como o The Sun, que já vin­ham noti­cian­do durante todo aque­le ano de 1991 que Fred­die Mer­cury tin­ha aids, o astro pop só declar­ou ofi­cial­mente que era por­ta­dor do vírus um dia antes de mor­rer.

Últimos dias

Os sinais de que o vocal­ista do Queen, declar­ada­mente homos­sex­u­al, con­vivia com o vírus pare­ci­am claros para os fãs: a ban­da não fazia turnês des­de 1986. Nas raras aparições públi­cas, ele esta­va bem mais magro e, nos dois clipes que foram feitos para pro­mover o álbum Innu­en­do, as ima­gens eram em pre­to e bran­co e Fred­die apare­cia maquia­do (These Are The Days Of Our Lives ou fan­tasi­a­do (como em I´m Going Slight­ly Mad).

Para o bater­ista Roger Tay­lor, “colocá-lo car­ac­ter­i­za­do era uma boa camu­flagem. A maquiagem, a peru­ca, o pre­to e bran­co, aju­daram a escon­der o fato de que Fred­die já esta­va bem doente”. Naque­le que foi o últi­mo álbum de estú­dio do Queen com Fred­die Mer­cury, os fãs tam­bém con­sid­er­aram a músi­ca The Show Must Go On uma des­pe­di­da em vida. Afi­nal, alguns tre­chos do sin­gle diziam “O show tem que con­tin­uar / vou enfrentar com um sor­riso / eu nun­ca vou desi­s­tir”.

O irlandês Jim Hut­ton, namora­do de Fred­die Mer­cury até os últi­mos dias, con­tou que o exame fatídi­co foi feito em abril de 1987: “Quan­do cheguei em casa, Fred­die esta­va na cama. Logo me mostrou uma mar­ca no ombro. Os médi­cos tin­ham tira­do um pedaço da pele para faz­er uns exam­es. O resul­ta­do tin­ha acaba­do de chegar. Fred­die esta­va com aids. ‘Se você quis­er me deixar, eu vou enten­der’, ele me disse. Eu esper­a­va por um mila­gre, um diag­nós­ti­co erra­do”, escreveu no livro Mer­cury and Me.

De Zanzibar para o mundo

Fred­die Mer­cury, nasci­do em Zanz­ibar, atu­al Tanzâ­nia, em 5 de setem­bro de 1946, sob o nome de Far­rokh Bul­sara, real­mente, não desis­tiu. No últi­mo ano de vida, mudou-se, com os out­ros três inte­grantes da ban­da, para a paca­ta cidade suíça de Mon­treux para ficar próx­i­mo ao estú­dio de gravações. “Fred­die dizia, eu pos­so ir hoje por algu­mas horas. E nós aproveitá­va­mos para tirar o mel­hor dele. Ele dizia, escrevam qual­quer coisa, que eu can­to”, remem­o­rou o gui­tar­rista Bri­an May em entre­vista ao doc­u­men­tário Cham­pi­ons of the world, edi­ta­do qua­tro anos após a morte de Fred­die.

Repro­dução:   Fred­die Mer­cury a / Queen, Rock, Bal­laden, Musik, Mer­cury starb am 24.11.1991, *** 1 con­cert 86 Fred­die — Ima­go images/BRI­G­ANI-ART via Reuters Connect/Direitos reser­va­dos

Queen reinou – per­doe o tro­cadil­ho – por duas décadas no cenário do pop rock. Des­de que se uni­ram em 1971, Fred­die Mer­cury, Bri­an May (hoje com 74 anos), Roger Tay­lor (72) e John Dea­con (70 anos e atual­mente afas­ta­do da cena musi­cal) sur­preen­der­am os críti­cos com um rock pro­gres­si­vo, cheio de nuances e exper­iên­cias, como o uso de harpa na ver­são orig­i­nal de Love of My Life, vocais sobre­pos­tos em Some­body to Love ou ain­da, um tre­cho de ópera no meio de Bohemi­an Rhap­sody.


Logo que eram lança­dos, seus hits viravam clás­si­cos e atin­giam o topo das paradas, como We Are The Cham­pi­ons e We Will Rock You, em 1977.


Nos anos 1980, perceben­do a mudança no rumo da músi­ca, o Queen deixou de lado o rock´n roll  e se aven­tur­ou no esti­lo disco (o álbum Hot Space era a cara das dis­cote­cas) e prin­ci­pal­mente, na músi­ca Pop (bas­ta lem­brar os suces­sos I Want To Break Free e A Kind Of Mag­ic). Para mostrar a ver­sa­til­i­dade da ban­da, fiz­er­am ain­da tril­has sono­ras para filmes, como Flash Gor­don e High­lander.

Voz poderosa

Em 2016, um grupo de cien­tis­tas aus­tría­cos, checos e sue­cos inves­tigou o vibra­to e o tom de voz de Fred­die Mer­cury. A inves­ti­gação mostrou que os vibra­to (vibrações pro­duzi­das pelo tremor ner­voso no diafrag­ma e laringe para lib­er­tar a nota de voz) vari­am de 5,4 Hz a 6,9 Hz. Chegan­do a 6,9 Hz já é extra­or­di­nar­i­a­mente poderosa. Foi con­stata­do que o vibra­to da voz de Fred­die Mer­cury era de 7,04 Hz, muito aci­ma da média. Taman­ho alcance expli­ca o suces­so da parce­ria com a can­to­ra líri­ca espan­ho­la Montser­rat Cabel­lé que, em 1988, gravou um álbum inteiro com Fred­die Mer­cury.

Recorde de público no Brasil

No auge da for­ma, o Queen se exibiu no Brasil com dois shows no Morumbi, em março de 1981. Nes­ta época, Fred­die já destoa­va da imagem dos demais vocal­is­tas de ban­das de rock: cabe­los cur­tos, bigodão e sem camisa durante todo o show. Mas foi no Rio de Janeiro, durante a primeira edição do Rock in Rio, que a ban­da alcançou seu recorde de públi­co (mais de 250 mil pes­soas) em cada uma das noites (11 e 18 de janeiro de 1985).

As com­posições do Queen eram tão pop­u­lares no Brasil que o próprio Fred­die Mer­cury ficou sur­pre­so ao ouvir toda plateia, can­tan­do a uma só voz em uma país que não se fala inglês, os ver­sos da músi­ca Love of  My Life.

Post mortem

A morte do fan­tás­ti­co vocal­ista impediu a ban­da de con­tin­uar sua tra­jetória e de lançar hits que caíam no gos­to pop­u­lar a cada ano. O gui­tar­rista Bri­an May e o bater­ista Roger Tay­lor ten­taram, em vários momen­tos, ressus­ci­tar a ban­da. Fos­se em álbuns pós­tu­mos, fos­se uti­lizan­do out­ro vocal­ista, como Paul Rodgers ou Adam Lam­bert. A imagem que Fred­die Mer­cury con­stru­iu no imag­inário de toda uma ger­ação sem­pre impede o total suces­so das empre­itadas, já que as com­para­ções são inevitáveis.

Repro­dução:  Fred­die Mer­cury und Bri­an May von Queen live bei einem Konz­ert der Works ‑Tour in der Wem­b­ley Are­na. Lon­don, 07.09.1984 — Rudi Keuntje/Imago images/Direitos reser­va­dos

O últi­mo grande suces­so e que serviu para mostrar todo o esplen­dor do Queen para as novas ger­ações acabou sendo o filme biográ­fi­co Bohemi­an Rhap­sody, lança­do em novem­bro de 2018, em que o norte-amer­i­cano Rami Malek deu vida à Mer­cury. Sua atu­ação foi tão per­fei­ta que ele lev­ou o Oscar de mel­hor ator.

Edição: Alessan­dra Esteves / Imple­men­tação: Daniel Dresch

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